Blog Rocha 100

No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Recife Não É Nuremberg: mistério e suspense no livro de José Ronald Farias

Um bom título é chave de ouro para abrir um bom livro. No caso em tela, o ótimo título - Recife Não É Nuremberg - abre para uma empolgante teia de mistérios que prende o leitor até o fim. Baseada em fatos reais, a engenhosa trama de José Ronald Farias liga a pequena cidade de Piancó, no Sertão da Paraíba, ao horror nazista lá na distante Alemanha. E usa para isso não apenas seu talento de romancista, mas seu sólido conhecimento histórico.

Parêntese. No capítulo de Piancó, o autor, que é natural desta aguerrida cidade sertaneja, talvez tenha usado seus dotes de ficcionista para puxar brasa para assar seu peixe, pois enaltece a inteligência dos piancoenses com esta imaginativa explicação: "Falavam que era a água do rio Piancó que os fazia tão inteligentes". Se isso se confirmar, o turismo a Piancó vai aumentar muito e o rio vai secar ligeiro.

Por toda narrativa perpassa a temática dos judeus e dos cristãos-novos brasileiros. A reconstituição histórica sustenta e enriquece a trama ficcional, que, como o título indica, centraliza-se na Capital de Pernambuco, lá pelo ano de 1988, onde vêm desaguar dramas antigos. Não fortuitamente Recife vem a ser palco de uma trama que envolve judeus, pois, como a narrativa histórica de José Ronald registra, no século XVII não houve "um lugar onde os judeus fossem tão livres como foram no Nordeste holandês, principalmente no governo de Maurício de Nassau". Com efeito, Recife, a Capital do próspero governo de Nassau, tornou-se uma terra de liberdade e oportunidade para judeus perseguidos pela Inquisição católica mundo afora. Mesmo com a dispersão ocorrida após a expulsão dos holandeses, muitos judeus e cristãos-novos permaneceram sedimentados no solo recifense; muito ativos no comércio, na indústria, nas artes e na ciência. O herói e condutor da trama é um médico de ascendência judaica, Joel Schwartz, que descobre tatuada na nádega de sua defunta mãe uma "estrela de Davi". A partir daí, agindo como investigador digno de um romance de Agatha Christie, descobrirá coisas de arrepiar. 

Para mim, que sou louco por livros de mistério e suspense e que já li todos os livros de Agatha Christie, o livro de Ronald foi um achado. Eu o adquiri na Livraria do Luiz (Galeria Augusto dos Anjos, Centro, João Pessoa-PB). Não percam tempo, vão lá antes que esgote.

Para concluir, gerando mais suspense, digo que, apesar do título livro, na eletrizante narrativa, Recife, de certa foma, torna-se Nuremberg.

domingo, 22 de outubro de 2017

Serviço Meteorológico - Tempestade em Céu Azul

O Cacique Cobra Verde confirma a previsão do tempo para hoje, domingo 22 de outubro, na Praia do Bessa: tempo bom, céu azul sem nuvens. Mas, ao mesmo tempo, afirma que haverá tempestade, ventania, raios e trovões. Oxente!, será que o Cacique endoideceu? Como é que pode? Pode sim. Assim:

O trovão, Zé Bezerra traz na voz,
Tenor que é, tal qual o Pavarotti.
“Blowin’ in the wind’ vem o Mestre Fuba,
Sua resposta é cortante, é um chicote.
Lis Albuquerque vem rápido, coruscante,
Com verve rara, se diga, teatral.
Romeu e Cláudia Carvalho são orvalhos,
Que aos poucos se transformam em temporal.
De repente, a força viva do Repente
Resplandece por sobre as coisas belas;
Relampeia, corisca, rasga o céu, clareia:
Na voz canora nordestina de Oliveira de Panelas.

Toda essa tempestade no Show 100 Fronteiras, no Kiosk do Arruda, das 10 da manhã ao fim da tarde. Deixe de moleza, largue esse vício de computador, levante da cadeira e venha pra chuva musical, venha se molhar de melodia.




terça-feira, 17 de outubro de 2017

Lis Albuquerque no Show 100 Fronteiras

O Show 100 Fronteiras vai projetando sua navegação cada vez mais larga pelos mares da arte musical. O artista/cantor/compositor Lis Albuquerque confirmou sua participação. Agora, o Show 100 Fronteiras está assim: Zé Bezerra da Paraíba - Mestre Fuba - Oliveira de Panelas - Romeu e Cláudia Carvalho - Lis Albuquerque.
Além da arte musical, tem a arte culinária: uma caprichadíssima Feijoada. Esperamos vocês.
Domingo, 22, a partir das 10 da manhã no Bar do Arruda (Rua Fernando Luiz Henrique, Bessa).
 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Romeu e Cláudia Carvalho no Show 100 Fronteiras

Artistas formidáveis em voz e violão, Romeu e Cláudia Carvalho decidiram também participar da campanha SOS Portal 100 Fronteiras e vão se apresentar no Show 100 Fronteiras. Eles cantam um precioso repertório, onde brilha a esplêndida canção “Noronha”, de autoria de Assis Fernandes de Carvalho. Agora, o Show 100 Fronteiras está assim: Zé Bezerra da Paraíba, Mestre Fuba, Oliveira de Panelas, Romeu e Cláudia Carvalho. Imperdível. E fácil de achar: domingo próximo, 22, a partir das 10 da manhã, no Kiosk Nº 1 do Arruda, na Praia do Bessa.

domingo, 15 de outubro de 2017

Oliveira de Panelas no Show 100 Fronteiras

Poeta, Repentista, Escritor e Cantador, Artista Consagrado,  Oliveira de Panelas decidiu participar da campanha SOS Portal 100 Fronteiras e vai se apresentar no Show 100 Fronteiras, que já conta também com a presença de Zé Bezerra da Paraíba e do Mestre Fuba.
SOS Portal 100 Fronteiras
Fortaleça a Mídia Independente, Alternativa, Livre e Combativa
Estamos em campanha para reativar o Portal 100 Fronteiras. Vamos realizar o SHOW 100 FRONTEIRAS, no dia 22 de outubro (domingo), das 10 horas da manhã ao fim da tarde, lá no aprazível Kiosk Nº 1 do Arruda (Praia do Bessa, Av. Fernando Luiz Henrique – vizinho ao Sal e Brasa e Picuí Praia). Haverá Apresentação Musical de Artistas Paraibanos e será servida Feijoada Completa, farta e deliciosa.

Individual: 30 Reais – Casal: 50 Reais – Mesa/4 pessoas: 90 Reais. Disponíveis no local. Ou entregues diretamente, bastando entrar em contato. E-mail: rochealves@yahoo.com.br   ;   cel: (83) 98744-2140 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Zé Bezerra e Fuba no SHOW 100 FRONTEIRAS

Os consagrados artistas Zé Bezerra e Fuba foram os primeiros a confirmar participação no Grande Show da campanha SOS Portal 100 Fronteiras. Outros artistas serão brevemente anunciados. Além do Show, Feijoada Completa, farta e deliciosa. Tudo por 30 Reais o Ingresso (com oferta de dois Ingressos por 50 reais e Mesa/4 pessoas por 90 reais). Domingo, 22 de Outubro, das 10 da manhã ao fim da tarde, no KIOSK Nº 1 do ARRUDA (AV. Fernando Luiz Henrique, Bessa – vizinho ao Sal e Brasa e Picuí Praia). O Ingresso está disponível no local. Ou pode ser entregue diretamente, bastando entrar em contato que iremos deixar aonde for indicado.
Contatos: e-mail: rochealves@yahoo.com.br    ;    cel: (83) 98744-2140

Fortaleça a Mídia Independente, Alternativa, Livre e Combativa 

domingo, 8 de outubro de 2017

De 1964 aos "anos de chumbo": Debate no Liceu Paraibano

Nesta terça-feira, 10/10, às 15 horas, no Auditório do Liceu Paraibano, haverá um novo encontro entre estudantes  e alguns protagonistas das lutas contra a ditadura militar, com o Debate: “De 1964 aos “anos de chumbo”. E também relançamento do livro “O ANO QUE FICOU – 1968 Memórias Afetivas”, que continua sua trajetória de sucesso. Todos estão convidados. Vamos refletir sobre o passado para prevenir o futuro.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

No País do Carnaval

Nesta quarta-feira, 4 de outubro, com orquestração do Rei Momo Rodrigo Maia, a "Escola de Samba Unidos dos Cofres Públicos" desfilou na Avenida da Câmara com o samba enredo "Dá A Chupeta Que Eu Quero Mamar". Foi vitoriosa e segue em frente. A "Apoteose" está marcada para hoje no Senado. E estará aberto o Carnaval. Sem prazo para terminar.   

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Direita e esquerda unidas por um interesse maior

É natural que partidos de direita e de esquerda briguem no Parlamento. Porém, em vista de interesses maiores, podem se unir. É o que vem acontecendo em relação ao Fundo de Campanha, com senadores e deputados unidos em prol do interesse maior dos seus próprios interesses. É até comovente ver partidos antípodas como DEM e PT deixarem de lado as diferenças para se irmanarem em defesa do tão elevado propósito de mamar dinheiro público. Tem também PMDB, PP, PQP... Ontem, 03/10, usando da esperteza de rebaixar a necessidade de maioria absoluta para maioria simples, os deputados aprovaram a urgência e marcaram para hoje a votação do Fundo Bilionário, que, uma vez aprovado na Câmara, seguirá para o Senado, onde a fatura será liquidada e a farra liberada.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Guerra Virtual contra o Fundo Imoral

O Dia D para aprovação do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (PL 8.703/17) acontecerá qualquer dia desta semana; provavelmente amanhã, terça-feira 03/10. De todo modo, esta é a Semana S, em que os políticos defensores da mamata vão tentar, em última cartada, em proveito próprio e escandaloso, arrancar do contribuinte, para fornir o Fundo Imoral, um recurso bilionário que falta para Segurança, Saúde e Educação. O contribuinte é o Povo, somos nós. E nós, o Povo, não podemos permitir que se use nosso dinheiro para promoção de farra eleitoral. Para impedir este assalto aos já arrombados cofres públicos, toda mobilização, repúdio e protestos são válidos. As Redes Sociais são trincheiras de luta. Então, bravos Guerreiros da Internet, mãos ao teclado, bombardeio de mensagens: Guerra Virtual sem tréguas! 

sábado, 30 de setembro de 2017

A taxa da Máfia

Os defensores do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (PL 8.703/17), dentre outros argumentos ruins, usam um que é também criminoso. Dizem que se não houver financiamento público, os políticos se corromperão com financiamento do crime organizado. O senador Randolfe Rodrigues (Rede), que tem lutado contra o projeto imoral, resumiu muito bem a ideia dos mamateiros:

"Eles querem que a gente pague para que eles parem de roubar".

Vejam, pelo argumento referido, o Fundo de Campanha funcionaria como uma "taxa de proteção". Como se sabe, esse típico crime de extorsão é marca característica da Máfia: quem não paga, tem seu negócio destruído, é espancado ou assassinado; quem paga direitinho é poupado, fica "protegido". No caso em tela, dos nossos políticos, acho que os de índole corrupta se corromperão de qualquer forma, recebendo dinheiro em dobro. E mais: quem precisa ser pago para não se corromper, já está se corrompendo. Percebam a conclusão tenebrosa: usando dinheiro arrancado do contribuinte, que é o Povo, o Estado será o corruptor. 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Fundo Imoral tem de ser derrubado

Aprovado às pressas no Senado, o Projeto de Lei 8703/17, que cria o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) não conseguiu, na noite da quarta-feira (27/09), na Câmara Federal, aprovação da urgência da sua votação. Os defensores da mamata voltarão à carga na próxima semana. Será a última cartada, pois o prazo limite para esse troço valer nas próximas eleições é 07 de outubro. Este Fundo Imoral, como todos sabem, arranca uma grana bilionária dos já arrombados cofres públicos para que os políticos façam uma tremenda farra eleitoral em 2018 (é bom lembrar que eles já mamam, faz tempo, na chupeta do Fundo Partidário). O PL em tramitação substitui a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 77/03), que teve o merecido repúdio da sociedade e não prosperou, mesmo porque precisava para aprovação da maioria qualificada de três quintos (308 votos na Câmara, 49 votos no Senado). Ora, os espertos substituíram a PEC por um Projeto de Lei, que não requer  maioria qualificada. O jeito é a sociedade aumentar o repúdio e intensificar  os protestos. A imoralidade adiada tem de ser derrubada.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

1968 é agora... "quem sabe faz a hora...".

Hoje, no Liceu Paraibano, é 27 de Setembro de 1968

Nesta quarta-feira, 27/09, às 19 horas, os autores de “O ANO QUE FICOU – 1968 Memórias Afetivas” estarão no Auditório do Liceu dialogando com a estudantada. O motivo é que as histórias que se contam no livro, tratando da rebelião da juventude contra a ditadura militar em 1968, têm como foco justamente o Liceu Paraibano, cujos estudantes, juntamente com os estudantes do Colégio Estadual do Roger, comandaram, em João Pessoa, o movimento estudantil, com suas grandes passeatas e seus enfrentamentos com as forças da repressão. As grandes assembleias, onde se debatia e se traçava o rumo das lutas, ocorria precisamente no Auditório que será palco dessa, digamos assim, revivescência. Venha você também reviver, lutar.


1968 é agora: “Quem sabe faz a hora...” 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Memórias de 1968: texto de Clemente Rosas

Retirado da excelente revista eletrônica Será? (revistasera.ne10.uol.com.br), eis aí um esplêndido artigo de Clemente Rosas.

Memórias de 1968
Clemente Rosas

Talvez a proximidade do cinquentenário dos acontecimentos de 1968, “o ano que não terminou”, como o descreveu Zuenir Ventura em seu livro, tenha motivado intelectuais da minha terra a colher depoimentos dos participantes das agitações estudantis na Paraíba, e editar “O Ano que Ficou – 1968 – Memórias Afetivas”, a cujo lançamento compareci.  Convidado pelos organizadores Washington Rocha e Telma Dias Fernandes, participei também de um debate a respeito, ao lado do historiador José Octávio de Arruda Mello e da professora Lourdes Meira.  Minhas observações nessa oportunidade vão aqui rememoradas, com alguns complementos.
Meu tempo de militância estudantil foi bem anterior – anos 1961/62 – em clima de liberdade e prestígio para a UNE, nossa entidade representativa.  Tínhamos fácil acesso ao Presidente da República, os ministros da educação nos convocavam para conversas, políticos nos cortejavam, escritores e artistas como Ferreira Gullar, Oduvaldo Viana Filho, Cacá Diegues, Leon Hirzmann, Arnaldo Jabor, viviam próximos de nós e nos assessoravam. Na crise da renúncia de Jânio Quadros, nossa sede ficou conhecida como “a casa da resistência democrática”.  E já no fim do mandato, de volta à Paraíba, depois de um périplo pelo mundo socialista, em congressos estudantis, cheguei a viver também um curto episódio de engalfinhamento com a polícia e prisão, quando tentamos fazer, “na marra” uma manifestação contra as ameaças americanas de invasão a Cuba.  Mas não tínhamos o poder de mobilização que os estudantes paraibanos, especialmente os secundaristas, demonstraram nos idos de 1968, talvez simplesmente por uma questão de conjuntura política.
Já casado e morando no Recife, tinha notícia dessas manifestações através da participação da minha irmã Yara, dez anos mais jovem, e do primo Eric, estudante de Medicina.  Eram mobilizações quase diárias, frementes de revolta contra o governo militar, sobretudo após a morte do estudante Edson Luís, no Rio.  O Governador do Estado, João Agripino, apesar de merecer a confiança dos militares, tinha espírito independente e preocupações democráticas.  Procurava dialogar, fazia apelos à garotada, pelo rádio, mas a indignação e a revolta da juventude eram fortes demais.  E a polícia entrava em cena.  Nem mesmo o meu amigo Paulo Pontes, homem de teatro, que lá se encontrava produzindo o espetáculo “Paraí-b-a-bá”, no modelo do “Liberdade, Liberdade”, de Flávio Rangel e Millor Fernandes, e tinha prestígio e livre acesso ao Chefe do Executivo, foi feliz na intermediação em favor dos manifestantes. Mas o povo os apoiava, acolhendo em suas casas os fugitivos, na hora da repressão.  Exemplo ilustrativo foi o da Aliança Francesa, que ficava no Parque Solon de Lucena, centro das agitações, quando a “madame” disfarçou jovens refugiadas, fazendo-as parecer pacatas alunas em classe, ante os policiais invasores.
Dos depoimentos constantes do livro, merece destaque o reconhecimento ao advogado Nizi Marinheiro, que, como Paulo Cavalcanti em Pernambuco e alguns outros Brasil afora, prestou-se a defender gratuitamente os jovens rebeldes.  E para quem não o conheceu, faço questão de registrar seu passado heroico.  Ele era sargento do Exército, e instrutor de armamentos.  Um dia, fazendo demonstração com uma granada para uma tropa de recrutas, em campo aberto, viu de repente que o pino da granada havia saltado.  Gritou para que todos se deitassem, ergueu bem alto o braço, e a granada despedaçou-lhe a mão.  Com a reforma, fez-se advogado e, sempre com o respeito dos seus conterrâneos, converteu-se em patrono de causas nobres.
Fiz, no entanto, um reparo à atitude da maioria dos depoentes.  Com a exceção de um deles – Assis Fernandes de Carvalho – não fizeram autocrítica em relação ao quixotismo – sem qualquer tom pejorativo – daqueles que, após caída a noite do AI-5 e do Decreto 477, mergulharam na clandestinidade e na luta armada.  Era evidente para os espíritos mais maduros e vividos ser aquele um descaminho, que acabou ceifando a vida de tantos idealistas.  Pela ausência de “”condições objetivas” (para usar o jargão da época), seria, como foi, um “combate nas trevas”, sem perspectivas nem esperança, apesar do heroísmo dos combatentes.  Cabe aqui a indagação do Presidente Epitácio Pessoa, ao visitar no hospital os sobreviventes do levante do Forte de Copacabana, em 1922, um deles agonizante:
– “Por que tanta bravura, por uma luta inglória?”
As memórias, como já observei em outros escritos, só têm maior valor pela sinceridade, pela isenção, até pela humildade dos seus autores.  Por isso, sugiro uma revisão de conceitos, um “mea culpa” talvez doloroso para os optantes da luta armada, naquele contexto histórico.  O Partido Comunista Brasileiro sempre defendeu a tese de que guerrilhas, rurais ou urbanas, não seriam o caminho para a reconquista do poder, no Brasil.  A linha de ação deveria ser um paciente trabalho de conscientização e mobilização das massas e formação de alianças políticas com todos os opositores do Golpe Militar, inclusive políticos liberais.  Não se tratava, pois, de derrubar a ditadura, mas de derrotá-la, como constava dos seus manifestos clandestinos da época. Escaldados com a aventura de 1935, forjados por anos de cadeia e vida subterrânea, os velhos militantes do PCB eram depreciados pelos “carbonários”, na expressão adotada por Alfredo Sirkis.  E é forçoso admitir hoje que o “Partidão” estava certo. A ditadura militar não foi derrubada: foi derrotada por um conjunto de fatores, envolvendo uma conjuntura internacional desfavorável aos regimes de exceção, um paciente trabalho de “costura” política, uma mobilização de massas sob as bandeiras das eleições diretas e da livre manifestação do pensamento.  Há que se fazer justiça àqueles que, mesmo pacíficos, pagaram alto preço pela resistência aos usurpadores do poder popular, alguns com a própria vida, como Davi Capistrano, Hiram Pereira e Luís Maranhão, mortos sem sepultura.
Por fim, com as lições recentes da História, colhidas com a queda do muro de Berlim, a dissolução da União Soviética, a unificação das duas Alemanhas, a degradação monstruosa da Coreia do Norte, a “esclerose” do regime cubano, cabe aos que preservam o sentimento da fraternidade e o sonho de uma sociedade mais justa, apesar de tudo, refletir sobre as bandeiras que lhes restam.  E a minha proposta é simples: EDUCAÇÃO.  Educação para todos, em iguais condições para os filhos dos burgueses e dos proletários, para as crianças de classe média e as dos novos deserdados das periferias urbanas.  Só se pode perseguir uma sociedade mais igualitária dando as mesmas oportunidades a todos, e não distribuindo esmolas, sem qualquer contrapartida, nem franqueando espaços àqueles que, por motivos alheios à sua vontade, não estão circunstancialmente preparados para ocupá-los.

Domínio estatal dos meios de produção, ditadura (ou, segundo Gramsci, hegemonia) do proletariado, partido único, controle das comunicações a pretexto de oposição à “imprensa burguesa”, nada disso prevalece em um mundo que está a anos-luz daquele observado pelos velhos teóricos do marxismo, há bem mais de um século.  Só o lema da educação universalizada permanece.  É a lição a ser aprendida pelos manifestantes de 1968 e pelos combatentes das trevas, a quem presto minhas reverências.

sábado, 23 de setembro de 2017

1968 revive no Liceu Paraibano

Nesta segunda-feira, 25/09, tem início no Liceu Paraibano a Mostra Cultural 2017, com uma programação intensa que vai até a quarta-feira, 27. Tem Exposições as mais variadas, Música, Teatro, Poesia Encenada, Performances, Oficinas, Vivências...; enfim um evento cultural diverso e fascinante. E, vejam que honra, os autores do livro “O ANO QUE FICOU – 1968 Memórias Afetivas” foram convidados para participar: na noite de encerramento, a partir das 19 horas, no Auditório do Liceu. O motivo é que muitas das histórias que se contam no livro, tratando da rebelião da juventude contra a ditadura militar em 1968, têm como foco justamente o Liceu Paraibano, cujos estudantes, juntamente com os estudantes do Colégio Estadual do Roger, comandaram, em João Pessoa, o movimento estudantil, com suas grandes passeatas e seus enfrentamentos com as forças da repressão. As grandes assembleias estudantis, onde se debatia e se traçava o rumo das lutas, ocorriam precisamente no Auditório que será palco dessa, digamos assim, revivescência. Será na forma de um diálogo dos jovens rebeldes de 1968 com os jovens de hoje. Mas está convidado o público de todas as idades.

Contamos com vocês. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A onda conservadora e os imperativos do progresso

Desde que milhões de pessoas ocuparam as ruas em protestos contra o pretensamente progressista governo Dilma/PT, fala-se de uma onda conservadora no Brasil. No momento, com a polêmica "Queermuseu", autoproclamados progressistas afligem-se com o possível recrudescimento dessa onda. Ondas de opinião, pra lá e pra cá, sempre existem. Cabe refletir sobre o tema.

A ideia-força do Iluminismo - corrente de pensamento que, mais que qualquer outra, influenciou a construção da democracia moderna - é o progresso. Reagindo aos excessos da Revolução Francesa, de matriz iluminista, afirmou-se o pensamento conservador, principalmente com o irlandês Edmund Burke. E vejam: se o Iluminismo - com Locke, Monstesquieu, Rousseau, Voltaire, Kant e tantos outros - tem sido excelente escola político-filosófica, o pensamento conservador é também deveras apreciável. Tenham curiosidade e vão ler: além de Burke, dentre outros, Ayan Rand, Raymond Aron, Thomas Sowell, Roger Scruton.

Se as ideias progressistas do Iluminismo impulsionaram as modernas democracias, o conservadorismo também nelas se firmou. Parece paradoxal, mas não é; é complementar. Tão complementar que nas democracias a cena mais comum é a alternância de poder entre partidos de feição progressista e partidos de feição conservadora. Portanto, se há uma onda conservadora no Brasil, não deve ser motivo de aflição. Vejam esse exemplo: a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, consagrada líder da democrática União Europeia, é dirigente da conservadora CDU (União Democrata-Cristã). As eleições na Alemanha estão marcadas para o dia 24 deste corrente mês de setembro. Merkel está em disputa acirrada com Martin Schulz, do progressista SPD (Partido Social-Democrata). No caso de permanência da UCD ou de vitória do SPD, a Alemanha continuará democrática; e, tudo indica, próspera.

O progresso é um imperativo das sociedades. E significa, na linha do pensamento iluminista, uma mudança para melhor. Por outro lado, o pensamento conservador assim se chama porque enfatiza a obviedade de que sempre haverá instituições e valores que se devem conservar. Auguste Comte, pai do Positivismo, expôs isso em uma fórmula singela: "Progredir é conservar melhorando".

Dizer que há uma onda conservadora no Brasil não explica muito. Pode ser uma onda conservadora ruim, mas pode ser uma onda conservadora boa. O progresso é excelente coisa, mas em nome do progresso já se produziu muito atraso. Será excelente que venha sobre o Brasil uma onda progressista, mas no sentido iluminista originário, de uma mudança para melhor. Enfim, em relação a qualquer onda na sociedade, é preciso atentar menos no nome que lhe dão e mais no seu sentido e direção.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Queermuseu e o direito de "Não Queerer"

A polêmica em torno da exposição Queermuseu, patrocinada pelo Banco Santander de Porto Alegre, continua e vai esquentando: de um lado já se falou em "meter bala", de outro já se disse que "tem de fuzilar". Então, vou meter minha colher nesta sopa gorda onde entram arte, política, religião, ódio e paixão.

Desde já, declaro-me democrata e liberal, defensor da tolerância e da liberdade de expressão, entusiasta da diversidade (mais que tudo, a diversidade faz a beleza e a alegria do mundo). Dito isto, considero de total inconveniência uma exposição em local de acesso irrestrito, financiada com dinheiro público (Lei Rouanet), apresentando obras que ultrajam uma religião, imagens erotizadas de crianças e pornografias das mais cabeludas, inclusive o pornô zoófilo.

Certamente, em uma sociedade democrática, dita também, por Henri Bergson e Karl Popper, "sociedade aberta", a mais extravagante pornografia pode ser exibida; porém, caríssimos artistas e curadores, em local adequado, com restrições de acesso e outros cuidados necessários.

Eu muito aprecio, mas pouco entendo da arte pictórica. Todavia, penso que uma imagem que ultraje uma religião (ou uma pessoa, ou qualquer coisa), não deixará de ser ultrajante por ser realizada com talento e requinte técnico. Na dita exposição, como todos já devem ter visto, havia uma coleção de hóstias simuladas, com inscrições de alusão sexual: cu, vulva, língua, etc. Não alcanço a grandeza artística dessa obra, porém, por mais qualidade que possa ter, foi uma provocação intencionalmente ultrajante a uma religião; no caso, o Catolicismo. Os artistas têm direito a estas provocações ultrajantes? Nas sociedades democráticas, como é o caso do Brasil, têm. Em sociedades não democráticas, como é o caso de muitos países do Islã, se a religião for ultrajada, mesmo que na forma da mais bem elaborada arte, o resultado será a execução sumária do artista. Porém, vejam, senhores artistas e curadores, mesmo nas sociedades democráticas, as Constituições regulam a liberdade de expressão, havendo leis restitivas tanto em relação aos conteúdos quanto em relação às condições de exibição.

Pelo que tenho acompanhado da eletrizante polêmica, os defensores da exposição Queermuseu, que querem sua reabertura, denunciam censura. Não entendo que houve censura, penso que tal censura só poderia ser feita por órgão estatal competente. Entendo que os descontentes com a exposição exerceram o direito, digamos assim, de "Não Queerer". Não houve censura, houve pressão, especialmente com o boicote através do cancelamento de contas; e o Santander cedeu à pressão. Nenhuma novidade. Pressão de todo tipo é coisa comum em países democráticos, sendo a pressão através de boicote financeiro muito eficiente.

Os defensores da exposição afirmam, em tom de dura acusação, que a pressão (que eles chamam de censura) partiu de "moralistas", "conservadores", "reacionários", " e "direitistas". Não sei se é assim, não sei se todos que criticaram a exposição têm esse perfil; mas, em se admitindo que seja assim, por que os moralistas, reacionários, conservadores e direitistas não teriam direito de exercer a ação política da pressão e boicote? Por que tal direito teria de ser privilégio exclusivo de imoralistas, progressistas, revolucionários e esquerdistas? Como se sabe, no Brasil e em todo o mundo democrático, grupos com esses perfis usam rotineiramente, e legitimamente, a tática de pressão e boicote para afirmação de suas posições e consecução dos seus objetivos.

Li de uma escritora que vem participando dessa polêmica, que se a religião islâmica ou uma religião de matriz africana fossem as ultrajadas, as pressões viriam de grupos de esquerda. É procedente essa consideração da arguta escritora. Com efeito, para a esquerda radical brasileira, como diz a referida escritora, "contra o Cristianismo, pode tudo; contra todas as demais religiões, não pode nada". Eu acho que nenhuma religião deve ser ultrajada; nem mesmo, vejam só, a religião cristã.

Assustados, ou querendo assustar, os defensores da Queermuseu afirmam, em tom de denúncia, que uma onda conservadora se alastra pelo Brasil. Se for o caso, isso significa que os conservadores estão ganhando a disputa pela opinião. Ora, os conservadores têm tanto direito de se expressar e lutar para "conquistar corações e mentes" quanto o têm os liberais, progressistas, socialistas, anarquistas, marxistas e todos os istas.

Quanto à censura às artes, por ser democrata e liberal, sou contra. E nada tenho contra a arte erótica; pelo contrário, tenho a favor, pois conheço, e são célebres, realizações magníficas sobre o tema. Desde muito antigamente, a arte erótica seduz e encanta. No entanto, será sempre conveniente, até mesmo pela sua força de atração e sugestão, considerar os momentos e e espaços adequados para sua fruição.






segunda-feira, 11 de setembro de 2017

"Um livro de força": artigo de José Octávio sobre "O Ano Que Ficou"

Em Debate no dia 1º de setembro no CEJUS-Centro de Estudos Jurídicos e Sociais José Fernandes de Andrade, em João Pessoa-PB, sobre o livro "O Ano Que Ficou - 1968 Memórias Afetivas", o historiador José Octávio de Arruda Mello iniciou sua brilhante intervenção com a leitura de um sólido texto, cuja primeira metade trata de reconstituir o processo político que desembocou no golpe militar de 1964. Só na segunda metade dessa abordagem histórica, José Octávio foca diretamente o livro referido, e assim o movimento estudantil de 1968. Publicamos aqui esta parte. Na íntegra, o texto deverá ser publicado em revistas especializadas. O excelente artigo é acompanhado de extensa bibliografia que muito o corrobora, mas que aqui também omitimos.


DINÂMICA ESTUDANTIL E ANÁLISE CRÍTICA EM UM LIVRO DE FORÇA

José Octávio de ARRUDA MELLO


1.4. O problema da historiografia estudantil – É aí que nos deparamos com o tema do movimento estudantil presente a esse livro de força que é O Ano Que Ficou – 1968 Memórias Afetivas, organizado por Washington Rocha e Telma Dias Fernandes.
Não é verdade, porém, que, só agora, repito, com a sólida construção de Washington e Telma, a temática estudantil se haja incorporado à historiografia paraibana.
Além de mim, com três ou quatro livros, e Waldir Porfírio, com outros tantos, diversos autores como Cláudio Lopes Rodrigues, Gilbergues Santos Soares, Maria José Teixeira L. Gomes, Rômulo Araújo Lima, Monique Citadino, Gilvan de Brito e Ruy Leitão atentaram para a presença estudantil, antes e depois de 64.
Essa participação foi conceituada pelo cientista político Décio Saez para quem os estudantes agiam como força de substituição, o que ajuda a compreender 1968. Como os partidos políticos estivessem amordaçados, restou à oposição manifestar-se através do segmento estudantil e cultural. Esses, aliás, em sintonia com o vento de maio que, a partir da França, soprava na Europa.
Falei acima que não foram poucos os escritores paraibanos que se debruçaram sobre a mobilização estudantil. Qual, porém, a diferença desses para os dezessete responsáveis por O Ano Que Ficou? Simplesmente a seguinte: enquanto os componentes da nova historiografia consideram o movimento estudantil como parcela de contexto mais amplo, de implicações político-militares, econômico-sociais, religiosas, internacionais, jornalísticas e culturais, os responsáveis por O Ano Que Ficou optaram por outro viés.
Seu enfoque é quase exclusivamente estudantil; o que significa visão, além de corporativa, frutífera e original. Isso porque a perspectiva setorial dos dezessete autores do livro que analiso é tão manifesto que, onde o religioso e o cultural despontam, é como projeção do colegial e universitário. Noutras palavras, o foco é sempre a dinâmica estudantil, em si mesma, impulsionada pelos Liceu e Colégio Estadual do Roger, com apoio dos rapazes e moças da Faculdade de Filosofia da UFPB.
1.5. Uma experiência anarquista? Constante em O Ano Que Ficou é a comparação com com 1968, o Ano que não Terminou (1968), de Zuenir Ventura.
Cabe, porém, uma diferença. Enquanto Zuenir, atento para o caso Márcio Moreira Alves e Guerra do Vietnam que, em 1968, dominaram a mídia, sustenta a tese de que os jovens que se batiam pelas mudanças políticas e econômicas do capitalismo terminaram alcançando modificações de comportamento existencial, O Ano Que Ficou sinaliza noutra direção.
Esta consiste em que o movimento estudantil de 68 abriu caminho para a luta armada. Tal se torna claríssimo no comportamento de Emilson Ribeiro – tendente ao marighelianismo -, José Calistrato, liderando coluna guerrilheira no Ceará, e José Ronald Farias, como partidário da ocupação de prédios públicos em João Pessoa. Bem como Agamenon Travassos Sarinho que descambou para o PCdoB, com agrupamento responsável pela guerrilha do Araguaia.
Em nosso modo de ver, tudo se verificou porque, substancialmente, o movimento estudantil paraibano de 68, embora assim rotulado, não era marxista, e como tal comunista, mas anarquista, o que se constata na filiação ideológica dos autores de O Ano Que Ficou – 1968 Memórias Afetivas. Nenhum deles pertencia ao PCB, o velho ‘pecezão”, que, aliás, desenganado da experiência de 35, desautorizava a solução militarista.
Dentro desse quadro, o movimento estudantil paraibano de 68, mais próximo à Comuna de Paris de de 1871 que ao leninismo bolchevique de 1917, recaiu no proudhonismo, e se não no blanquismo, o que explica a orientação das entidades que o empalmaram – AP, MR-8, PCBR, POLOP, PCdoB, POC e assemelhados, como embrião das que vieram depois – ALN, VPR, VAR-Palmares, PCR, COLINA,MOLIPO e Grupo Primavera. Muitos desses últimos constituindo apenas meros Grupos Táticos Armados.
Eis porque, embora sem aderir à luta armada, da qual somente se aproximou no curioso acampamento da praia da Penha, encurralado pela maré, o movimento estudantil de 68 na Paraíba simbolizou-se no porralouquismo (a expressão é dele mesmo) de Washington Rocha que, sem assistir a uma só aula, estava na melhor tradição ácrata, contra tudo e todos – escola, família, professores, religião, política convencional. Mas sempre revelando energia digna de nota.
1.6. Isolamento e luta armada – Nessa singularidade radicalizante do movimento estudantil de 68, sua força e também sua fraqueza.
Permeados de extremismo que dispensava os potenciais aliados como os que se opunham à Guerra do Vietnam e defendiam o mandato de Márcio Moreira Alves, os colegiais e universitários paraibanos de 1968 – sem embargo de sua audaciosa bravura – isolaram-se, o que explica o rápido refluxo da dinâmica contestatória, a partir de outubro 68.
Destarte, quando, em dezembro, sobreveio o AI/5, o campo estava livre para ele.
Ainda assim, a efervescência estudantil de 68, que O Ano Que Ficou tão bem ressuscita, deve ser credora de nossa admiração. Mesmo os que empunharam armas, ainda que politicamente equivocados, não devem ser execrados. Impõe-se o respeito, aos que procederam por idealismo, sacrificando, não raro, as próprias vidas.
Também não creio que o movimento estudantil deva ser malsinado por se revelar favorável a outra ditadura – a do proletariado, de feição leninista. Entendo que, ao contrário dos ativistas, postados na cúpula, a grande massa revelava-se pelas liberdades individuais, oposta à rigidez da ditadura castrense que vigorava no país.
Em O Ano Que Ficou tal se evidencia nas felizes colocações de Guy Joseph, “contrário a qualquer ditadura, fosse de direita ou de esquerda”, Silvino Espínola, cujo individualismo o levava a discordar das decisões coletivas, e, principalmente, José Ronald Farias. Para este – sigamos suas palavras:
“Poucos tinham certeza de que o caminho certo era o da luta armada. Agrande divisão era entre leninistas, estalinistas e trotskistas, de um lado, e social-democratas, que defendiam um Estado de bem estar social democrático, em lugar da ditadura do proletariado, de outro”.
1.7. Algumas passagens e colocações finais – Fora daí, algumas passagens de O Ano Que Ficou – 1968 Memórias Afetivas, são dignas de registro.
Entre essas, a da escritora Maria José Limeira, arrebatando Washington Rocha das garras da polícia, e a de Everaldo Júnior, desafiando o delegado Emílio Romano, a quem identificara como homem de confiança de Felinto Muller em 1937.
Já no plano metodológico, chamaram-me atenção os depoimentos de José Nilton e Eldson Ferreira
Nilton que, como folclorista, sentiu na pele a intolerância da direção da Faculdade de Filosofia, oferece a suas palavras a feição do cotidiano da nova História para situar o movimento estudantil “em clima de festa”.
Por seu turno, Eldson, seguindo os passos do sociólogo francês Jean Blondel, recusa-se a dar nome aos personagens de que se ocupa. Em relação a seu dramático depoimento há apenas uma observação a fazer.
Em programa de emissora local, por sinal fechada pouco depois, o “radialista famoso” a que se refere, não o tachou de comunista, mesmo porque o aludido programa, simpatizante do movimento estudantil, não recorria a essa linguagem. O que se publicou foi a vinculação d Eldson à AP (Ação Popular), o que não o desmerecia e, passados tantos anos, ainda pode ser contestado.








quinta-feira, 31 de agosto de 2017

"Come September"

Sexta-feira, 01/09: chegou o primaveril setembro. Dentre tantas outras, uma coisa boa para se fazer é assistir a deliciosa comédia romântica "Come September" (Quando Setembro Vier), com os os pares românticos Rock Hudson e Gina Lollobrigida, Bobby Darin e Sandra Dee.

Toda vez que setembro vai chegando, nostálgico, lembro desse filme: o charme da Itália, a beleza suave da loirinha Sandra Dee; e, principalmente, meu Deus!, a beleza vulcânica daquele Vesúvio de mulher que foi Gina Lollobrigida. Quando não revejo o filme, escuto a música: alegre, juvenil, primaveril...

O filme é bem antigo; e até me parece que as coisas muito boas são todas de antigamente. É do começo dos anos 60...

Por falar nos anos 60, vejam só a minha astúcia: aproveito para lembrar aos caros e caríssimas que nesta sexta-feira, primeiro de setembro, às 5 horas da tarde, tem o Debate "1968 e os anos de chumbo", no CEJUS (Av. Rio Grande do Sul, 1411, Ed, Tauá, Bairro dos Estados). Mesa do Debate composta por autores do livro "O ANO QUE FICOU - 1968 Memórias Afetivas" e pelos convidados José Octávio de Arruda Mello, Clemente Rosas e Lourdes Meira; coordenada pela Professora Telma Dias Fernandes (UFPB/Departamento de História).

Vamos ao Debate, dialogar sobres os caminhos e lutas dos anos 60. Depois, em casa, relaxar assistindo "Come September" na telinha. VIVA A PRIMAVERA!

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Luisa Ortega: beleza de mulher!

A Venezuela é famosa pela beleza das suas mulheres, e até conhecida como verdadeira "fábrica de Misses Universo". Luisa Ortega não é "Miss". Ela é a Procuradora-Geral da Venezuela que desafiou a ditadura assassina de Nicolás Maduro e foi destituída pela constituinte fascista. Acolhida na Colômbia, Luisa Ortega veio ao Brasil, e irá a outros países, denunciar os podres de Maduro. Além de fascista, Maduro é corrupto; o que não surpreende. Nem surpreende que a Odebrecht, principal empresa alimentadora da corrupção no Brasil, seja protagonista também na Venezuela. O que surpreende é a atitude magnífica dessa mulher: ideologicamente identificada com o chavismo, ela não se deixou cegar e viu o que todos os que não são fanáticos veem: os crimes do governo Maduro. Disse ela: "O que está acontecendo na Venezuela é a morte do direito". No Brasil, apesar de todas as evidências de desrespeito aos Direitos Humanos, violência, desemprego e fome, inclusive com milhares de venezuelanos atravessando as fronteiras brasileiras para terem o que comer; apesar de todas essas escancaradas desgraças que afligem o país vizinho, há no Brasil pessoas e partidos políticos que apoiam a ditadura podre de Maduro. Que coisa feia!
Luisa Ortega não é "Miss", mas é muito bonita. Uma beleza natural à qual se une agora o brilho e esplendor da coragem. Enquanto na Venezuela (e no mundo) houver a beleza da coragem, sempre haverá esperança. VIVA A LIBERDADE!

domingo, 20 de agosto de 2017

"a merda que ele é"

Na sua caravana pelo Nordeste, passando pela Bahia, neste sábado 19/08, em campanha eleitoral antecipada, Lula da Silva disse do Brasil que "não nasceu para ser a merda que ele é". Lula é assim mesmo: indecente, chulo. O Brasil não é o que Lula disse, embora sua legião de bajuladores concorde com todas as suas indecências e chulices, e lhe prestem todas as homenagens. Em breve, Lula, com sua caravana de fanáticos, suas indecências e chulices, chegará à Paraíba. Estando a Paraíba incluída no Brasil, talvez o dono do PT aproveite para tratar o estado com a mesma palavra chula com que tratou o país. O extenso cordão dos seus puxa-sacos aplaudirá. Não importa que, além de tratar a Nação com chulices, Lula esteja atolado até às barbas na merda da corrupção. Não importa que ele e seu partido apoiem a ditadura assassina fascista de merda de Nicolás Maduro. Para os idólatras nunca importa qual seja a merda que o chefe faça ou diga, ele sempre será aplaudido. Essa é, aliás, a mais acentuada característica do fascismo. Isto é "a merda que ele é".  

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Cortesia com chapéu alheio

A Livraria do Luiz, lá no Centro, na Galeria Augusto dos Anjos, tornou-se ponto de encontro da intelectualidade de João Pessoa, principalmente aos sábados pela manhã. Estou intentando escrever uma longa crônica sobre esta cena cultural, mas tem tempo. Por enquanto, vai uma cortesia na forma de rápida menção sobre um personagem e livro que por lá encontrei. O personagem é Luiz Augusto Paiva da Mata, e o livro é o seu "O chapéu do meu avô: crônicas e outros escritos". É tudo a mesma coisa; o Paiva está inteiro no livro: inteligente, simpático, sarcástico, engraçado; embora traga, aqui e ali, uns laivos de melancolia. Li preguiçosamente, aos pedaços e às gargalhadas. Tem cada uma! Tem uma Onça medonha. Tem a história de um noivado, entre um literato e uma linda loira, desfeito porque a loira disse ao amado que havia cortado o dedo em um caco de "vrido" (cruel preconceito, porém engraçado). Tem uma coleção de nomes exóticos registrados em cartório; desde um jurídico "Ábias Corpus da Silva" a um sensual "Eva Gina". Tem um castigo anunciado de Padim Ciço. Tem a melancolia das "Meninas de Manaíra", que arrastam seus sonhos pelas calçadas da orla. E, na mesma orla, a melancolia de Joaquim Marques Lisboa, Almirante da Armada Imperial Brasileira, Marquês de Tamandaré, Herói Nacional; hoje drasticamente reduzido em sua histórica importância, sem que ninguém lembre seus títulos de honra nem atente às suas passadas glórias. Tem também muita adulação à nossa linda e querida Cidade das Acácias, coisa de filho adotivo, pois o Paiva veio lá do interior de São Paulo enriquecer nossa Capital com sua ciência matemática e com sua sabedoria de vida. Em suma, o livro do Paiva é impagável. Mas, como por essas coisas "impagáveis" sempre se tem de pagar alguma coisa, digo que o preço é módico e eu mesmo paguei. Valeu o preço, e sobrou risadas.

domingo, 13 de agosto de 2017

FFoDeu: A Reforma Política Pornô

O cinema pornô brasileiro tradicional está decadente; em compensação, Brasília tornou-se o centro dinâmico de um vigoroso pornô moderno. Uma produção muito promissora está em andamento na Câmara Federal, é um longa metragem chamado Reforma Política, filme que tem tudo para levar o público à loucura. O diretor/relator deputado Vicente Cândido, do PT, botou no roteiro safadezas camufladas e safadezas explícitas; a mais explícita é o Fundo Especial de Financiamento da Democracia, abreviadamente FFD, mas que será melhor chamar de "FFoDeu", pois retira dos já arrombados cofres públicos 3,6 bilhões de reais para os políticos fazerem uma tremenda farra pornô durante suas campanhas: uma sacanagem como nunca se viu.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Relembrando 1968: Relançamento/Debate na UFPB

Só pra relembrar: nesta terça-feira, 08/08, na UFPB, no Auditório 1 da Central de Aulas, das 17 às 19 horas, sob coordenação da Professora Telma Dias Fernandes, haverá Relançamento/Debate do livro

"O ANO QUE FICOU - 1968 Memórias Afetivas"

Contamos com vocês.

domingo, 6 de agosto de 2017

"A morte não é nada": a Missa de Goretti Zenaide e a Oração de Santo Agostinho

Neste domingo, 06/08, na Igreja São Pedro e São Paulo, no alto da colina de Brisamar, lindo bairro de João Pessoa, foi celebrada a Missa de 7º Dia de Maria Goretti Guerra Zenaide. O quanto Goretti Zenaide era querida disse-o o comparecimento impressionante de familiares, amigos e admiradores. A Missa foi das mais belas. Não sei se é hábito em outras paróquias, mas o padre saiu a aspergir água benta nos fiéis. Eu mesmo, ao ser molhado pelas santas águas, senti-me abençoado. E assim disse o padre celebrante na sua homilia: que Goretti Zenaide foi uma bênção nesta vida. E todos recebemos um folheto com a imagem sorridente de Goretti acompanhada da "Oração de Santo Agostinho". Oração esplendorosa em força, fé e esperança de Vida. Uma maravilha que aqui reproduzo:

A Morte Não É Nada

Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me deem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.

(Santo Agostinho)

MARIA GORETTI GUERRA ZENAIDE

01/01/1950  -  31/07/2017






terça-feira, 1 de agosto de 2017

Andrei Roman: Uma visão de esquerda sobre a ditadura de Nicolás Maduro

A sucursal no Brasil do El País (brasil.elpais.com), jornal de esquerda dos mais influentes no mundo, vem de publicar (30/07) artigo de Andrei Roman, PhD em Ciências Políticas pela Universidade de Harvard. O texto, que bomba na internet, tem título já elucidativo: "O apoio ao golpe de Maduro é a página mais vergonhosa da história do PT". Andrei Roman, como verá quem ler o artigo, escreve desde um ponto de vista de esquerda, mas democrático, pois não aceita os ataques da esquerda autoritária contra a democracia.  O excelente artigo é longo, e para lá envio os curiosos. Aqui serei curto: a ditadura do podre Nicolás Maduro, carregando um legado de "fome, pobreza extrema, desespero e morte" (palavras usadas por Roman), tem escancarado sua índole fascista, sequestrando e assassinando opositores (em grande parte jovens estudantes) para se manter no poder. A Constituinte espúria deste domingo de sangue é uma vestimenta rota, de despotismo fascista, que não encobrirá os crimes do regime podre. É estarrecedor que no Brasil tenha quem apoie a ditadura assassina de Maduro. Apodrecerão com Maduro; cuja ditadura fascista o povo da Venezuela haverá de, em breve, depositar no monturo em que jazem tantas outras ditaduras podres.

1968 na UFPB

A repercussão do livro “O ANO QUE FICOU - 1968 Memórias Afetivas” é realmente muito positiva. E a passeata de eventos apenas começou.  Na próxima terça-feira, 08/08, das 17 às 19 horas, teremos relançamento na UFPB, no auditório 1, da Central de Aulas. A coordenação será da Professora Telma Dias Fernandes, do Departamento de História. Deve-se notar que muitos dos combatentes de 1968, coautores do referido livro, são ex-alunos, professores aposentados ou funcionários da UFPB. Tudo indica, portanto, um diálogo promissor entre gerações: jovens rebeldes de ontem interagindo com jovens rebeldes ou pacatos de hoje. Sendo que o encontro tem hora marcada para terminar, avisamos que iniciará exatamente na hora marcada para começar: 17 horas em ponto.
Pedimos a ampla divulgação desta mensagem.
Atenciosamente,

Washington Rocha.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Artigo/Resenha de João Batista de Brito sobre O ANO QUE FICOU - 1968 Memórias Afetivas

O MEU 68
De um fôlego só, acabo de ler “1968 – o ano que ficou” (Washington Rocha e Telma Dias Fernandes), livro que mal vai chegando e já se faz imprescindível aos estudos históricos, políticos e culturais da capital paraibana.
Informativos mas informais, os depoimentos dos 17 participantes da obra reconstituem os eventos locais em torno do ano de 68, e assim fazendo, reacendem, na memória do leitor paraibano, uma época buliçosa, rica, tão fértil em impulsos sociais, com suas perplexidades e contradições, acertos e erros.
Como o subtítulo diz, são ´memórias afetivas´ e, por isso mesmo, desiguais na dicção, no estilo, e no argumento, porém, bem mais saborosas do que se fossem ensaios socio-antropológicos teorizantes e sistemáticos.
Ao livro não sei qual pode ser a reação dos jovens de hoje em dia, porém, se você tem, aproximadamente que seja, a faixa etária dos depoentes, ele será pra você um delicioso prato cheio, para ser devorado com a gula do tempo.
Um efeito adicional da leitura é, com certeza, atiçar a memória do leitor e fazê-lo rever o seu próprio 68. Foi o que se deu comigo.
Nesse ano eu estava no primeiro ano de faculdade (Curso de Letras, na FAFI) e vivi de perto toda a movimentação política e cultural da cidade.
Sem vocação para a coisa política, nunca me engajei, mas, fui, sim, às passeatas, ouvi os inflamados discursos dos líderes estudantis e/ou universitários, e corri da polícia. Não só isso, li os livros obrigatórios para uma formação de esquerda. O que mais me empolgou foi o “Princípios fundamentais de Filosofia” de Georges Politzer, onde aprendi o que era materialismo dialético e suas adjacências conceituais. Até “O capital” de Marx me chegou às mãos, emprestado não sei mais por quem, e do qual, por pura incapacidade de entender, não passei da terceira página.
Como o meu interesse era um pouco menos político e um pouco mais cultural, um livro que virou bíblia para mim foi “A necessidade da arte” do Ernst Fischer, enterrado no quintal de casa depois do AI-5, mas desenterrado depois da anistia, e ainda hoje, sujo de terra, em pé na prateleira da minha estante.
Universitário ou secundarista, acho que nenhum estudante passou por 68 impunemente. Pessoalmente, carreguei uma culpa por muito tempo. Um colega de turma e amigo querido – membro de algum partido clandestino – convidou-me (intimou-me, seria mais correto dizer) a viajar a São Paulo para comparecer ao Congresso de Ibiúna. Vacilei, vacilei, e terminei não indo. Por ter ido e ter sido preso lá, ele foi cassado de um ano escolar, e ficou me olhando enviesado.
Concluído o curso universitário, perdi contato com o amigo, mas, décadas depois, ao revê-lo, batemos um longo papo sobre aqueles velhos tempos, e ele me confessou, rindo um pouco, que eu é que estive certo em não haver aceito a sua intimação. Eu já achava que sim, mas foi bom ouvir o ´perdão´ saindo da boca dele.
Voltando ao livro de Washington Rocha e Telma Dias, naturalmente, um tópico nele recorrente é o AI-5. Pois, mais ou menos no mesmo espírito do episódio narrado acima, um dos depoentes no livro, o José Ronaldo Farias, me comoveu ao afirmar, em seu forte depoimento, que o AI-5, uma vez instaurado (cito) “o sensato era submergir”. E continua: “Foi o que eu fiz. Voltei-me completamente para os estudos...”.
Ao ler a frase, achei que fui eu que a tinha escrito. Pois foi exatamente isto que fiz quando o AI-5 estourou: submergi nos estudos. Os de José Ronaldo eram a Física e o Direito; os meus: Shakespeare, Hemingway, Faulkner, Fitzgerald, etc... mas esta é outra história que, aliás, já contei alhures, duas ou três vezes, e não vou repetir.
Enfim, do livro aqui resenhado, sou forçado a admitir que tive a impressão de o projeto haver sido realizado às pressas, no impulso da hora, sem o cuidado de seleção, composição e edição que uma obra dessas exige, mas, repito: mesmo assim, não é possível virar suas páginas sem gosto, e não é possível chegar à última sem lamentar que tenha acabado. Até porque, como se sabe, daqui e de outras fontes, 68 nunca acabou.

"O Meu 68": esplêndido artigo de João Batista de Brito

Na sua página no Facebook, João Batista de Brito fez, sobre

"O ANO QUE FICOU - 1968 Memórias Afetivas",

uma rápida resenha, intitulada "O Meu 68", que é mesmo uma maravilha. Vão lá conferir.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Guy Joseph, o artista: o livro de 1968 e um possível filme

Guy Joseph é um intelectual multimídia: artista plástico, designer-gráfico e fotógrafo. Pode também tornar-se cineasta. Na sua página do Facebook ele publica excelentes vídeos. O último, publicado hoje, 26/07, é sobre o lançamento de "O ANO QUE FICOU - 1968 Memórias Afetivas" na Usina Cultural Energisa na sexta-feira passada, 21/07. Eu e ele somos 2 dos 17 coautores desse livro; que terá segundo volume a ser lançado em Maio de 2018 (Cinquentenário da rebelião mundial da juventude de 1968, que teve Maio como mês simbólico). Então, sendo Guy um intelectual que sabe tudo sobre símbolos e imagens, estou sugerindo que ele comande um projeto e seja diretor de um filme de longa metragem com base no referido livro. O livro é forte, polêmico; dará um excelente filme. Confiram lendo (disponível na Livraria do Luiz; ou diretamente com os organizadores pelo cel: (83) 98744-2140). De imediato, vão à página de Guy para verem o vídeo: www.facebook.com/guyjoseph.cavalcanti

Compartilhem! Divulguem! Muito Obrigado!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

1968: A Festa do Tempo

O tempo voa; todavia, o tempo volta. Hoje será 21 de julho de 1968: a partir das 18:00 h. na Usina Cultural Energisa/Sala Vladimir Carvalho. Hildeberto Barbosa Filho fará  a apresentação do livro

O ANO QUE FICOU: 1968-Memórias Afetivas

E todos nós faremos a festa em Memorável Coquetel Afetivo.

Esperamos todos vocês para a confraternização do ANO QUE VOLTOU.

Tim! Tim!


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Sexta-feira, 21/07, na Usina Cultural Energisa: este dia também ficará!

O esforço foi grande e tudo indica que o lançamento do livro

O ANO QUE FICOU: 1968-Memórias Afetivas

será um grande sucesso: nesta sexta-feira, 21 de julho, às 18 horas, na

Usina Cultural Energisa/Sala Vladimir Carvalho

O evento será culminado com um Memorável Coquetel de Confraternização. Será um grande prazer receber todos vocês.  Tim! Tim!

terça-feira, 18 de julho de 2017

Coquetel 1968

Como disse nosso amigo Agamenon Sarinho em relação ao lançamento do livro O ANO QUE FICOU: 1968 - Memórias Afetivas, "a coisa está pegando". Com efeito, o entusiasmo é cada vez maior com a possibilidade de relembrar, reviver aquele ano magnífico, maravilhoso e terrível que ficou em nossas memórias e em nossos corações. Pois bem, no lançamento (Usina Cultural Energisa/Sala Vladimir Carvalho, sexta-feira 21/07, às 18:00 h.) vai ter Coquetel. Mas não tenham medo, não será coquetel molotov, que era o que usávamos contra a repressão nos confrontos de 68; será um Coquetel com deliciosas bebidas e saborosos salgadinhos. Será muito bom recordar com os companheiros e companheiras de jornada aquele tempo de lutas e aventuras. Os jovens de hoje, que lá estarão, ouvindo jovens de ontem (rebeldes de velhos tempos), terão muito em que refletir.

Esperamos todos. Contamos com vocês. Tim! Tim!

domingo, 16 de julho de 2017

1968: quarta-feira no Programa Jorge Blau - Rádio Sanhauá

rocha100.blogspot.com.br

Caros e caríssimas; a campanha de divulgação do lançamento do livro O ANO QUE FICOU: 1968- Memórias Afetivas está ótima (Usina Cultural/Energisa-Sala Vladimir Carvalho, sexta-feira, 21, às 18:00 h.). Já estivemos na TV Master, Conversando com Rui Galdino, e agora Jorge Blau convidou os autores do livro para conversar com ele lá na Rádio Sanhauá, nesta quarta-feira, 19. O Programa Jorge Blau, excelente e de grande audiência, começa às 14:00 h., nós entraremos às 14:30 h; para uma conversa longa, até às 16:00 h. Sintonizem o rádio; ou vão pela internet: radios.com.br/aovivo/radio-sanhaua

Forte abraço. Contamos com vocês.

sábado, 8 de julho de 2017

Lilian e Leopoldo, Heróis da Venezuela

rocha100.blogspot.com.br

É com viva alegria que vejo, hoje, 08/07, estampada nos portais a notícia de que Leopoldo López passou do cárcere para a prisão domiciliar. Não é ainda a vitória de uma libertação plena, mas é já para comemorar, pois entendo que seja prenúncio da libertação definitiva, não só de Leopoldo, mas a libertação definitiva da Venezuela, que marcha resolutamente para por fim à ditadura fascista do podre Nicolás Maduro. A resistência de Leopoldo López impressiona e muito tem inspirado a luta democrática dos venezuelanos.  Da mesma forma, impressiona e inspira a determinação com que sua esposa, Lilian Tintori, tem conduzido a campanha pela libertação do marido e de todos os presos políticos.

Leopoldo e Lilian, Heróis da Liberdade.

Saudações Democráticas! A Luta Continua!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O ANO QUE FICOU: 1968-Memórias Afetivas

Caros e caríssimas;

Temos o prazer de comunicar e convidar para o lançamento de um livro por nós organizado; um livro de lembranças personalíssimas, mas também históricas:

O ANO QUE FICOU: 1968- Memórias Afetivas

São dezesseis depoimentos de pessoas que estiveram na luta contra a ditadura militar. O foco é o movimento estudantil de 1968 em João Pessoa-Paraíba. Porém, alguns depoimentos se estendem até os movimentos culturais de contestação (o teatro, principalmente), outros retrocedem à época das Ligas Camponesas e do golpe militar de 1964; e ainda outros avançam para além de 1968, para a luta armada dos terríveis “anos de chumbo”.

Trata-se de um livro de construção coletiva. São estes os organizadores e depoentes, coautores:

Washington Rocha, Telma Dias Fernandes, José Mário Espínola, João Petronilo, Guy Joseph, José Bezerra, Emilson Ribeiro, Silvino Espínola, José Ronald Farias, Gilvan de Brito, Agamenon Sarinho, Romeu de Carvalho, José Nilton, W. J. Solha, Eldson Ferreira, José Calistrato, Assis Fernandes de Carvalho.

O lançamento será em 21/07 (sexta-feira), a partir das 18 horas, na

Usina Cultural Energisa/Sala Vladimir Carvalho

Rua João Bernardo de Albuquerque, 243, Tambiá, João Pessoa-PB.

O livro terá apresentação do poeta, crítico literário, professor da UFPB e membro da Academia Paraibana de Letras (APL) Hildeberto Barbosa Filho.
Iniciamos hoje a campanha de divulgação, solicitando que repassem nossas mensagens, que transmitam nosso Convite.

Contamos com vocês.


Washington Rocha e Telma Dias Fernandes (organizadores).

segunda-feira, 8 de maio de 2017

O PT está maduro

Avançado na mentira, demagogia e corrupção, o PT foi, nos seus 13 anos de poder, um tanto lento em matéria de autoritarismo. É bem verdade que, tanto com Lula quanto com Dilma, fez alguns ensaios tímidos contra o espírito e a letra da Constituição Democrática, mas que se frustraram devido à resistência da opinião pública e do Parlamento. Todavia, agora, na oposição, carregado de experiência, o PT mostra-se maduro e indica que, quando voltar ao poder, saberá impor sua agenda autoritária com a necessária audácia. Neste sentido, muito se tem divulgado a fala de Lula no 6º Congresso Estadual do PT de São Paulo, sexta-feira passada, dia 5 de maio. Com efeito, em ataque aos investigadores da Lava Jato e a jornalistas, Lula foi deveras audacioso; vejam:

 “Amanhã o Lula vai ser preso. Faz dois anos que eu estou ouvindo isso. Se eles não me prenderem logo, quem sabe um dia eu mando prende-los por mentiras”.

Em seguida, Rui Falcão, presidente nacional do PT, tratou de deixar claro que Lula está acima da lei; confiram: 

"Se quiserem condenar o Lula, haverá resistência no país inteiro". E completou, retumbante: "A democracia, hoje, significa diretas-já e Lula presidente".

Como se pode ver, a doutrina autoritária do PT atinge um patamar superior, a índole autoritária da seita lulopetista se exibe em sua forma madura, com audácia despudorada. Tudo dentro do figurino. Vejamos: a idolatria, o enaltecimento desmedido do chefe, a bajulação mais deslavada fazem parte do manual do autoritarismo desde sempre; à esquerda e à direita. Hitler, por exemplo, era para os nazistas a encarnação da Alemanha; aqui, na bajulação desvairada de Rui Falcão, Lula é a encarnação da democracia. E nessa nova democracia petista, o chefe mandará prender quem mente. Ora, no autoritarismo, todos que contrariam o chefe, mentem.    

Para azar de Lula e de Rui Falcão, tem sido forte a reação a este delírio autoritário do lulopetismo. O presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), José Robalinho Cavalcanti, por exemplo, considerou a fala de Lula como "ameaça" e reagiu à altura, fulminante:

"— supõe-se legitimamente que depois de mais uma vez eleito presidente — irá mandar prender os que investigam. Isto não irá deter qualquer agente de Estado ou a marcha serena e impessoal da Justiça, mas não é uma declaração digna de quem foi por oito anos o supremo mandatário do país. O ex-presidente sabe muito bem que chefes do executivo não ‘mandam prender’ ninguém em um estado de direito. A Justiça é que o faz”.

Certamente, a fala de Lula não é digna dentro de um ponto de vista democrático; mas é digna de um chefe fascista. Lula e o PT estão maduros, e já apodrecendo.




terça-feira, 2 de maio de 2017

A "nova Constituinte" fascista de Maduro: o diabo que a carregue

Com Maduro, o chavismo atingiu seu apogeu fascista. Jogados na miséria da fome, os venezuelanos resistem em imensas manifestações (muitos também fogem dessa miséria, inclusive para o Brasil). O chavismo responde com a repressão mais feroz, arma suas milícias, prende e mata: são já dezenas de opositores assassinados, centenas de presos políticos. Todavia, a resistência democrática avança, as manifestações populares se avolumam e se espalham, colocando em xeque o regime fascista. Acuado, Maduro joga a cartada da convocação de uma "nova Constituinte". Quem se der ao trabalho de acompanhar o noticiário, verá que é tudo uma tremenda patifaria, uma malandragem autoritária. Vejam, por exemplo, no El País:

"O objetivo de Maduro é que a nova Constituinte seja uma espécie de Congresso dos Sovietes, sem a participação do que chamou de “velhas estruturas dos partidos políticos”. Metade da assembleia será formada por 250 delegados eleitos pela base operária. “As missões terão seus constituintes, os pensionistas e os indígenas. Será uma Constituinte cidadã, popular, operária. Uma Constituinte chavista”, anunciou". (brasil.elpais.com).

Ou em El Nuevo Herald:

"El mandatario socialista anunció que este lunes entregará al Consejo Nacional Electoral (CNE) las bases del proceso, que contempla la elección de 500 asambleístas, una parte por sectores sociales que escogerán directa
mente a sus representantes, y la otra por municipios". (elnuevoherald.com).

Apesar da linguagem bolchevista, está claro que Maduro tenta um caminho para formar uma Constituinte controlada por pelegos. Como ele mesmo diz, uma "Constituinte chavista"; o que significa dizer, uma "Constituinte fascista".

Aqui no Brasil, em 2014, a então presidente Dilma Rousseff, com o Decreto 8.243, tentou uma malandragem semelhante; não uma "Constituinte", mas um sistema de "conselhos populares", formados por entidades pelegas, e que se sobreporiam ao Congresso Nacional. A dita malandragem, como se sabe, não prosperou.

Na Venezuela, a "nova Constituinte" é, tão somente, uma tentativa de institucionalizar o fascismo; que lá se chama "chavismo". 

O fascismo atende por vários nomes; mas, sob qualquer nome, é fácil reconhecê-lo. Uma vez reconhecido, deve-se mandá-lo para o inferno. É isso o que o povo da Venezuela fará com o regime podre do chavista podre Nicolás Maduro.
  



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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Mensagem do historiador Inocêncio Nóbrega


"Israel" no Programa do Gutemberg Cardoso/TV Master

Na noite de ontem, 07/04, estive no Programa do Gutemberg Cardoso na TV Master. Fui convidado para falar sobre nosso livro "Israel: o Rio, o Sonho e a Rocha" (Washington Rocha e Marcos Rocha). Falei, e novamente divulguei o relançamento de amanhã na Livraria do Luiz, juntamente com a exposição do grande chargista Régis.

O convite de Gutemberg foi articulado por um nosso amigo comum, o polêmico e profético Rui Galdino, a quem agradeço. O excelente Programa do Gutemberg Cardoso é um dos mais prestigiados e de maior audiência na Paraíba, de modo que nos sentimos honrados e muito felizes com a atenção que nos foi dispensada. Tudo indica que teremos um evento concorrido, que será um grande sucesso, com as irrequietas inteligências ainda mais energizadas pelo café expresso que será servido.

Esperamos vocês. Contamos com vocês.

Sábado, 08/04, 10 horas da manhã na Livraria do Luiz (Centro, Galeria Augusto dos Anjos, entre o Calçadão da Duque de Caxias e a Praça 1817: João Pessoa-PB).

Pedimos que divulguem.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Anúncio de evento na Livraria do Luiz repercute no Facebook - como adquirir o livro

O Facebook é mesmo uma maravilha. Não esperávamos uma repercussão tão boa ao anúncio do relançamento do nosso livro - "Israel: o Rio, o Sonho e a Rocha" - (Washington Rocha e Marcos Rocha) na Livraria do Luiz. E em conjunto com exposição do magnífico e mortífero chargista Régis Soares; aquele que, quando não mata de rir, mata de raiva (os que são alvos das suas irreverências). Pode-se dizer que o anúncio "bombou no Face", com muitas curtidas, comentários e compartilhamentos. Em alguns comentários foi perguntado como se faz para adquirir o livro. É muito fácil: a partir do dito relançamento (sábado, 8 de abril, às 10 horas da manhã), o livro "Israel: o Rio, o Sonho e a Rocha" estará disponível na Livraria do Luiz. Podendo também ser enviado pelo correio, bastando para isso que o interessado entre em contato com a Livraria, pelo e-mail:

jcrlivrariadoluiz@hotmail.com


Quem ainda não conhece a Livraria do Luiz, deve se apressar em conhecer; no Centro, lá na Galeria Augusto dos dos Anjos, entre o calçadão da Duque de Caxias e a Praça 1817: João Pessoa-PB. Tornou-se ponto de encontro dos amantes das letras e das artes. Ambiente agradabilíssimo. No evento deste sábado, para ficar ainda melhor, será servido café expresso.

Esperamos vocês. Contamos com vocês. Por favor, divulguem.

domingo, 2 de abril de 2017

O chargista Régis e a Rocha na Livraria do Luiz

Caros e caríssimas;

O lançamento do nosso livro "Israel: O Rio, o Sonho e a Rocha" (Washington Rocha e Marcos Rocha) na Fundação Casa de José Américo foi, graças a Deus, um grande sucesso. Tanto que fomos convidados para fazer um relançamento na Livraria do Luiz. E, vejam só que maravilha, em conjunto com a exposição de um dos maiores chargistas do mundo, o esplêndido Régis Soares. Será no próximo sábado, 8 de abril, às 10 horas da manhã. Os eventos artísticos/literários aos sábados na Livraria do Luiz tornaram-se uma tradição cultural, ponto de encontro das inteligências irrequietas. Desta vez com direito a café expresso, para aguçar ainda mais as expressões das inteligências. Imperdível.

Para quem não sabe, a Livraria do Luiz fica na Galeria Augusto dos Anjos, no centro da cidade, entre o calçadão da Duque de Caxias e a Praça 1817: João Pessoa-PB.

Mais uma vez, contamos com vocês. E pedimos a máxima divulgação.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Domingo 26/O Povo Nas Ruas: O Brasil não será Venezuela

rocha100.blogspot.com.br

A estupidez, demagogia, fanatismo e bandidagem da esquerda autoritária levam sempre a desgraças.  Na Venezuela, esta esquerda chama-se chavismo; no Brasil, lulopetismo. Na Venezuela, o chavismo continua no poder e as desgraças atingiram níveis estarrecedores. No Brasil, esta esquerda foi afastada do poder antes que conseguisse  levar o país para abismo de desgraças semelhantes. Embora afastado do poder, o lulopetismo segue mobilizando forças no Congresso e na sociedade. No Congresso, tenta-se, dentre outros artifícios de proteção de corruptos, a anistia do crime de Caixa 2 e o estabelecimento da indecente lista fechada. Neste sentido, grupos lulopetistas rachados pelo impeachment se reagrupam e se unem a grupos do novo esquema de poder denunciados na Lava Jato. Não interessa a origem dos corruptos, eles devem ser punidos para que a Nação seja salva. Os democratas e patriotas estão novamente sendo convocados às ruas neste domingo, 26 de março. Com efeito, há muito contra o que protestar. Vamos portanto ocupar as ruas e praças. Dentre as muitas bandeiras, creio que deva ser levantada uma em solidariedade ao Povo da Venezuela, em luta contra a ditadura chavista. Inclusive, temos o dever de acolher os irmão venezuelanos que estão sendo tangidos pela opressão e pela fome do regime fascista do chavista podre Nicolás Maduro. Devemos ajudar a salvar a Venezuela; tanto quanto devemos impedir que a corrupção lulopetista volte a subjugar o Brasil.

VENEZUELA NÃO É AQUI!

DOMINGO 26/03: EU VOU!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Resumo do livro que será lançado na FCJA em 15/03/2017


Título: Israel: o Rio, o Sonho e a Rocha

Autores: Washington Rocha e Marcos Rocha

Editora: Sal da Terra/João Pessoa-PB

Lançamento em 15/03/2017, às 19:00 h., na Fundação Casa de José Américo (Av. Cabo Branco, 3336 - João Pessoa-PB)

O livro tem enfoques variados, com textos independentes ligados pela temática comum do Povo Judeu e do Estado de Israel. Paralelamente à esta temática de cunho histórico e universal, segue outra, de corte particular, que trata de uma família; a família Rocha, originária da cidade de Bananeiras, no Brejo da Paraíba, com a abrangência que Bananeiras tinha até a primeira metade do séc. XX, antes das seguidas emancipações que criaram novos municípios.
Conta-se ainda as viagens aventurosas de um jovem que partiu do Brasil com destino a Israel e terminou por percorrer 57 países de 5 continentes.
O elo entre a temática dos judeus e a narrativa especificamente familiar é a possível ascendência da família Rocha (de Bananeiras) em cristãos-novos oriundos da península ibérica, ditos sefarditas.

Ao fim, em capítulo intitulado “Rocha Eterna”, há uma declaração enfática de solidariedade ao Povo Judeu e de apoio ao Estado de Israel. 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Israel: Rocha Eterna

O livro "Israel: o Rio, o Sonho e a Rocha" tem diversos enfoques, com textos que são barcos independentes, embora naveguem rio comum e comunguem sonhos semelhantes. É o caso do texto "Rocha Eterna". Desta forma, entendemos por bem antecipá-lo, como indicativo do teor político do livro; atraindo para o lançamento da quarta-feira próxima os interessados no tema. Relembramos e pedimos a mais ampla divulgação: 15 de março, 19:00 h., na Fundação Casa de José Américo: Av. Cabo Branco, 3336 - João Pessoa-PB.


Rocha Eterna
Washington Rocha e Marcos Rocha
Desde que Abrão – depois dito Abraão – desceu de Ur, na Caldéia, para Canaã, o povo do qual ele é Patriarca tem lutado e resistido. Construiu a si mesmo como nação e imensamente ajudou a construir o mundo civilizado.Construiu-se, como sói ocorrer com as nações, por entre guerras. A guerra tem sido uma constante na história de todos os povos e nações, tanto quanto a paz tem sido desejo constante de toda a Humanidade. A paz desejada por qualquer nação nunca depende apenas dela mesma, mas dela e da disposição dos seus adversários. Muitas vezes, a única forma de conseguir para si a paz é blindar-se em relação à beligerância alheia. Daí a máxima: “Si vis pacem, para bellum”. Existe também, claro, a diplomacia: a abertura de diálogo entre partes beligerantes, acordos, armistícios...; até a conclusão de uma paz definitiva ou duradoura. Entendemos que esse é o caminho de Israel na busca de uma solução para a questão palestina. Essas duas nações, Israel e Palestina, podem celebrar a paz. E mais do que isso: podem conviver, podem se ajudar mutuamente, podem crescer juntas.Esse caminho é possível, mas tem sido obstaculizado por vários fatores, sendo um dos mais terríveis o renovado antissemitismo, disfarçado de antissionismo, que antes de tudo deseja a destruição do Estado de Israel.  
O antissionismo tornou-se senha para o ataque antissemita. Admitimos que críticas ao sionismo possam ser feitas de um ponto de vista não preconceituoso; mesmo porque nenhum movimento ou doutrina política pode estar blindado a críticas. Por outro lado, entendemos a rejeição in limine do sionismo como atitude clara e manifesta de antissemitismo. Ao povo judeu, secularmente perseguido pelo mundo afora e quase dizimado pela fúria antissemita na primeira metade do século XX, o estabelecimento de um Estado próprio, que foi o escopo do sionismo, impôs-se como questão de sobrevivência. Esse ponto tem sido destacado por muitos observadores da história do sionismo e da criação do Lar Judeu, como o fez Paul Johnson, por esta forma contundente:
“A irresistível lição que os judeus aprenderam do Holocausto foi a necessidade imperativa de garantir a si próprios um refugio permanente, de auto-concentração e sobretudo soberano, no qual se necessário o total da comunidade judaica pudesse encontrar segurança face a seus inimigos”.

Um vez criado, manter o Estado de Israel continua sendo uma questão de sobrevivência para os judeus. Certamente, é natural que se faça críticas às políticas levadas a cabo por eventuais governos de Israel, como se deve fazer a qualquer governo do mundo; todavia, os antissionistas, ordinariamente, não se limitam a criticar os governos (sejam estes da esquerda, do centro ou da direita), mas negam o próprio Estado de Israel e pretendem que desapareça. Tal desfecho, o desaparecimento do Estado de Israel, teria como resultado o aniquilamento de milhões de judeus territorializados no pequeno Estado - massacrados que seriam pelos numerosos inimigos que os cercam - e a fuga em massa dos sobreviventes. O antissionismo vitorioso significaria um novo holocausto e uma nova diáspora.
Os judeus, em larga medida, lograram manter a sua identidade ancestral ao mesmo tempo em que se espalharam pelo mundo; quer por gosto, quer por terem sido forçados a isto, são o povo mais cosmopolita do globo. Isso lhes valeu a possibilidade de construções grandiosas, porém, ao mesmo tempo, o sofrimento de grandes perseguições. Desses sofrimentos e dos reclamos da sua ancestralidade, o povo judeu retirou a energia para realização do grande projeto da construção de um lar, pelo retorno à Terra de Sion, a antiga Israel dos tempos bíblicos. Após intensas lutas e muitos sacrifícios, em 1948 foi formalmente constituído o Estado de Israel, que hoje prospera e se coloca entre as primeiras nações do mundo, embora tenha que sempre cuidar da sua sobrevivência física, alvo constante que tem sido de ações terroristas e de ameaças de extinção por parte de países inimigos. Sentimo-nos no dever de marcar nossa solidariedade ao Estado de Israel e a seu povo. Falamos como amigos do povo de Israel e como democratas. Desse ponto de vista enfatizamos que a democracia israelense é das mais avançadas, sendo exemplar em vários aspectos, inclusive na rigorosa paridade de cidadania entre homens e mulheres. Estando na linha de frente em várias técnicas e ciências, Israel exporta para o mundo suas conquistas, sendo um fator de progresso para a Humanidade: sua sobrevivência é um imperativo da Civilização.


Israel vive: é Rio perene, Sonho realizado, Rocha eterna.