Blog Rocha 100

No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

"Um livro de força": artigo de José Octávio sobre "O Ano Que Ficou"

Em Debate no dia 1º de setembro no CEJUS-Centro de Estudos Jurídicos e Sociais José Fernandes de Andrade, em João Pessoa-PB, sobre o livro "O Ano Que Ficou - 1968 Memórias Afetivas", o historiador José Octávio de Arruda Mello iniciou sua brilhante intervenção com a leitura de um sólido texto, cuja primeira metade trata de reconstituir o processo político que desembocou no golpe militar de 1964. Só na segunda metade dessa abordagem histórica, José Octávio foca diretamente o livro referido, e assim o movimento estudantil de 1968. Publicamos aqui esta parte. Na íntegra, o texto deverá ser publicado em revistas especializadas. O excelente artigo é acompanhado de extensa bibliografia que muito o corrobora, mas que aqui também omitimos.


DINÂMICA ESTUDANTIL E ANÁLISE CRÍTICA EM UM LIVRO DE FORÇA

José Octávio de ARRUDA MELLO


1.4. O problema da historiografia estudantil – É aí que nos deparamos com o tema do movimento estudantil presente a esse livro de força que é O Ano Que Ficou – 1968 Memórias Afetivas, organizado por Washington Rocha e Telma Dias Fernandes.
Não é verdade, porém, que, só agora, repito, com a sólida construção de Washington e Telma, a temática estudantil se haja incorporado à historiografia paraibana.
Além de mim, com três ou quatro livros, e Waldir Porfírio, com outros tantos, diversos autores como Cláudio Lopes Rodrigues, Gilbergues Santos Soares, Maria José Teixeira L. Gomes, Rômulo Araújo Lima, Monique Citadino, Gilvan de Brito e Ruy Leitão atentaram para a presença estudantil, antes e depois de 64.
Essa participação foi conceituada pelo cientista político Décio Saez para quem os estudantes agiam como força de substituição, o que ajuda a compreender 1968. Como os partidos políticos estivessem amordaçados, restou à oposição manifestar-se através do segmento estudantil e cultural. Esses, aliás, em sintonia com o vento de maio que, a partir da França, soprava na Europa.
Falei acima que não foram poucos os escritores paraibanos que se debruçaram sobre a mobilização estudantil. Qual, porém, a diferença desses para os dezessete responsáveis por O Ano Que Ficou? Simplesmente a seguinte: enquanto os componentes da nova historiografia consideram o movimento estudantil como parcela de contexto mais amplo, de implicações político-militares, econômico-sociais, religiosas, internacionais, jornalísticas e culturais, os responsáveis por O Ano Que Ficou optaram por outro viés.
Seu enfoque é quase exclusivamente estudantil; o que significa visão, além de corporativa, frutífera e original. Isso porque a perspectiva setorial dos dezessete autores do livro que analiso é tão manifesto que, onde o religioso e o cultural despontam, é como projeção do colegial e universitário. Noutras palavras, o foco é sempre a dinâmica estudantil, em si mesma, impulsionada pelos Liceu e Colégio Estadual do Roger, com apoio dos rapazes e moças da Faculdade de Filosofia da UFPB.
1.5. Uma experiência anarquista? Constante em O Ano Que Ficou é a comparação com com 1968, o Ano que não Terminou (1968), de Zuenir Ventura.
Cabe, porém, uma diferença. Enquanto Zuenir, atento para o caso Márcio Moreira Alves e Guerra do Vietnam que, em 1968, dominaram a mídia, sustenta a tese de que os jovens que se batiam pelas mudanças políticas e econômicas do capitalismo terminaram alcançando modificações de comportamento existencial, O Ano Que Ficou sinaliza noutra direção.
Esta consiste em que o movimento estudantil de 68 abriu caminho para a luta armada. Tal se torna claríssimo no comportamento de Emilson Ribeiro – tendente ao marighelianismo -, José Calistrato, liderando coluna guerrilheira no Ceará, e José Ronald Farias, como partidário da ocupação de prédios públicos em João Pessoa. Bem como Agamenon Travassos Sarinho que descambou para o PCdoB, com agrupamento responsável pela guerrilha do Araguaia.
Em nosso modo de ver, tudo se verificou porque, substancialmente, o movimento estudantil paraibano de 68, embora assim rotulado, não era marxista, e como tal comunista, mas anarquista, o que se constata na filiação ideológica dos autores de O Ano Que Ficou – 1968 Memórias Afetivas. Nenhum deles pertencia ao PCB, o velho ‘pecezão”, que, aliás, desenganado da experiência de 35, desautorizava a solução militarista.
Dentro desse quadro, o movimento estudantil paraibano de 68, mais próximo à Comuna de Paris de de 1871 que ao leninismo bolchevique de 1917, recaiu no proudhonismo, e se não no blanquismo, o que explica a orientação das entidades que o empalmaram – AP, MR-8, PCBR, POLOP, PCdoB, POC e assemelhados, como embrião das que vieram depois – ALN, VPR, VAR-Palmares, PCR, COLINA,MOLIPO e Grupo Primavera. Muitos desses últimos constituindo apenas meros Grupos Táticos Armados.
Eis porque, embora sem aderir à luta armada, da qual somente se aproximou no curioso acampamento da praia da Penha, encurralado pela maré, o movimento estudantil de 68 na Paraíba simbolizou-se no porralouquismo (a expressão é dele mesmo) de Washington Rocha que, sem assistir a uma só aula, estava na melhor tradição ácrata, contra tudo e todos – escola, família, professores, religião, política convencional. Mas sempre revelando energia digna de nota.
1.6. Isolamento e luta armada – Nessa singularidade radicalizante do movimento estudantil de 68, sua força e também sua fraqueza.
Permeados de extremismo que dispensava os potenciais aliados como os que se opunham à Guerra do Vietnam e defendiam o mandato de Márcio Moreira Alves, os colegiais e universitários paraibanos de 1968 – sem embargo de sua audaciosa bravura – isolaram-se, o que explica o rápido refluxo da dinâmica contestatória, a partir de outubro 68.
Destarte, quando, em dezembro, sobreveio o AI/5, o campo estava livre para ele.
Ainda assim, a efervescência estudantil de 68, que O Ano Que Ficou tão bem ressuscita, deve ser credora de nossa admiração. Mesmo os que empunharam armas, ainda que politicamente equivocados, não devem ser execrados. Impõe-se o respeito, aos que procederam por idealismo, sacrificando, não raro, as próprias vidas.
Também não creio que o movimento estudantil deva ser malsinado por se revelar favorável a outra ditadura – a do proletariado, de feição leninista. Entendo que, ao contrário dos ativistas, postados na cúpula, a grande massa revelava-se pelas liberdades individuais, oposta à rigidez da ditadura castrense que vigorava no país.
Em O Ano Que Ficou tal se evidencia nas felizes colocações de Guy Joseph, “contrário a qualquer ditadura, fosse de direita ou de esquerda”, Silvino Espínola, cujo individualismo o levava a discordar das decisões coletivas, e, principalmente, José Ronald Farias. Para este – sigamos suas palavras:
“Poucos tinham certeza de que o caminho certo era o da luta armada. Agrande divisão era entre leninistas, estalinistas e trotskistas, de um lado, e social-democratas, que defendiam um Estado de bem estar social democrático, em lugar da ditadura do proletariado, de outro”.
1.7. Algumas passagens e colocações finais – Fora daí, algumas passagens de O Ano Que Ficou – 1968 Memórias Afetivas, são dignas de registro.
Entre essas, a da escritora Maria José Limeira, arrebatando Washington Rocha das garras da polícia, e a de Everaldo Júnior, desafiando o delegado Emílio Romano, a quem identificara como homem de confiança de Felinto Muller em 1937.
Já no plano metodológico, chamaram-me atenção os depoimentos de José Nilton e Eldson Ferreira
Nilton que, como folclorista, sentiu na pele a intolerância da direção da Faculdade de Filosofia, oferece a suas palavras a feição do cotidiano da nova História para situar o movimento estudantil “em clima de festa”.
Por seu turno, Eldson, seguindo os passos do sociólogo francês Jean Blondel, recusa-se a dar nome aos personagens de que se ocupa. Em relação a seu dramático depoimento há apenas uma observação a fazer.
Em programa de emissora local, por sinal fechada pouco depois, o “radialista famoso” a que se refere, não o tachou de comunista, mesmo porque o aludido programa, simpatizante do movimento estudantil, não recorria a essa linguagem. O que se publicou foi a vinculação d Eldson à AP (Ação Popular), o que não o desmerecia e, passados tantos anos, ainda pode ser contestado.








sexta-feira, 9 de setembro de 2016

"La Droite et la Gauche": conclusão da réplica a José Octávio

rocha100.blogspot.com.br

Sempre é possível que algo que intencionamos não fique suficientemente claro no que escrevemos, por isso mesmo uma das grandes vantagens do debate crítico é possibilitar, na réplica, a reafirmação enfática e melhor explicada do intencionado. Então, na conclusão da minha réplica à análise crítica do historiador José Octávio de Arruda Mello, retomo o que vinha abordando no post anterior: não saí da extrema esquerda para ir para a extrema direita, como equivocadamente interpretou o historiador, possivelmente devido aos meus ataques exacerbados ao marxismo-leninismo e neomarxismos, vazados em um estilo "pamphlet" que me foi próprio durante meus tempos de bolchevista e que me acompanha ainda hoje quando me declaro "ardente democrata" (sempre me foi difícil conter esse meu instinto panfletário). A democracia, está claro, comporta direita e esquerda, que costumam se revesar nos governos das sociedades abertas. O que a democracia não comporta são os extremismos, os fanatismos, que só se podem impor - e historicamente se impuseram - na forma de regimes totalitários: totalitarismos de esquerda, ditos "comunismo", "bolchevismo", "stalinismo", "maoismo", etc.; e totalitarismos de direita, ditos "fascismo", "nazismo", "nazifascismo".

Norberto Bobbio não é panfletário, mas é bastante firme nos seus enfrentamentos; como neste nocaute crítico, onde refuta no marxismo:

"...filosoficamente, o determinismo e o materialismo, ou seja, a negligência das forças morais que movem a história, economicamente o coletivismo global, politicamente o inevitável êxito do Estado materialista e coletivista". (Bobbio. Teoria Geral da Política. Rio de Janeiro. Elsevier/Campus 2000).

Com efeito, depois dessa demolição crítica, verdadeiro cruzado de esquerda no queixo do marxismo, não parece restar muita coisa do marxismo. Todavia, Bobbio conviveu muito bem com os marxistas, detestando apenas os marxistas fanáticos, como detestou todos os fanatismos.

Exponho no meu ensaio extensas invectivas de Bobbio contra a extrema-esquerda. Ao escrevê-las, Bobbio estava comovido e mobilizado desde as entranhas  contra grupos de fanáticos, como a organização marxista das Brigadas Vermelhas ("Brigate Rosse"), a mais atuante do terrorismo que eclodiu na Itália na década de 70, tendo, dentre outras atrocidades, sequestrado e assassinado, em 1978, o ex-primeiro-ministro Aldo Moro. Às invectivas de Bobbio quero acrescentar outras palavras poderosas de repúdio ao terror, aquelas ditas por Chaim Herzog, um ex-presidente de Israel, em discurso de homenagem ao primeiro-ministro Yitzhak Rabin, assassinado por um fanático religioso em 1995. Transcrevo do excelente livro "História de Israel", de Martin Gilbert:

"...se não vomitarmos a maldição, se não desenraizarmos o câncer, se não nos livrarmos desse grupo de fanáticos dementes - essa mancha de desonra para nosso povo - estaremos, que Deus nos ajude, sujeitos a testemunhar de novo esse pesadelo". E Herzog conclui seu comovido discurso com palavras incandescentes e, infelizmente, atualíssimas, devido ao avanço do terror do Estado Islâmico: "Os fogos da destruição estão queimando a orla do campo. Se não nos apressarmos, todos juntos, para apagá-los, toda nossa casa será destruída". 

Norberto Bobbio e Chaim Herzog levantaram-se contra o fanatismo em contextos específicos, mas suas atitudes corajosas e palavras candentes têm força de alerta universal. Venham de onde vierem, os extremismos e fanatismos são os mais perigosos inimigos da "casa da Democracia"  

"La Droite et la Gauche". Isso vem da Revolução Francesa e os termos podem estar desgastados, mas ainda são largamente usados. Norberto Bobbio escreveu um livro, "Destra e Sinistra", especialmente para explicá-los e revalidá-los numa significação recontextualizada. E aproveitou para reafirmar sua posição política de esquerda. Na perspectiva política de Bobbio, também eu me declaro de esquerda. Esquerda democrática, por óbvio; porquanto para mim, tanto quanto para Bobbio, o superior bem político não é a esquerda ou a direita, mas sim a democracia.

Os bolchevistas costumam reduzir retoricamente todos os que não se submetem aos seus interesses a representantes ou lacaios da direita fascista. O bolchevismo/marxismo-leninismo é uma doutrina em decadência, apodrecida, mas que se recicla como pode. No Brasil, por exemplo, o PT, apoiado por padres da "Teologia da Libertação", nasceu católico-bolchevista. Chegando ao poder, namorou e terminou por se amancebar com a direita mais fisiológica e corrupta. Quando seu poder, devido principalmente a escândalos de corrupção, foi abalado, voltou ao figurino bolchevista e passou a rotular todos os adversários de "direitistas" e "fascistas". Eu não dou importância a patrulhamentos, mas há quem dê e há quem se confunda. Em política, é sempre conveniente esclarecer. Norberto Bobbio, no citado livro, exponencia a alternância de poder - alternância que se dá usualmente entre esquerda democrática e direita democrática - como condição inerente às regras do jogo democrático. Declarando-se do campo da esquerda dentro desse jogo, o filósofo cria uma bela imagem ao dizer que "a igualdade é a estrela polar da esquerda". Porém, outra estrela fulgura no céu democrático, e é a estrela da liberdade. Como tento demonstrar no meu ensaio, explicar essa indissociabilidade entre liberdade e igualdade na construção da democracia moderna constitui o escopo de grande parte da obra de Bobbio. Liberdade e igualdade que ele traduz politicamente por liberalismo e socialismo.

Não foi o bolchevismo que inventou a mentira, dizem que foi o Diabo, chamado também, dentre outros mil nomes, de "Pai da Mentira". Mas o bolchevismo fez da mentira o eixo de toda a sua "narrativa" histórica e de sua estratégia de proselitismo, de convencimento de ingênuos e idiotas. Apeados do poder, o PT e seus satélites radicalizam a velha estratégia bolchevista: mentem como o Diabo. E ameaçam apelar para a estratégia igualmente diabólica da violência. Não se pode prever com segurança se chegarão a extremos, mas a democracia precisa sempre estar prevenida contra as artes do Diabo.

Eu considero o marxismo uma doutrina ruim, porém concedo-lhe o crédito de ter sido, a partir da revisão de Eduard Bernstein, a origem da velha e boa social-democracia. É bem verdade que a revisão de Berstein foi tão larga que pouco sobrou de marxismo no ideário e, principalmente, na prática da Segunda Internacional, também dita Internacional Socialista. No amplo arco daquilo que podemos chamar de esquerda democrática, a social-democracia e o trabalhismo são as mais notáveis correntes; a elas me filio, da mesma forma que me filio ao liberalismo. Vejam, social-democracia e  trabalhismo não são alternativas à democracia liberal, são, para usar uma expressão de Bobbio, um "alargamento" desta. A prova disso é que se alternam no poder com partidos da direita democrática, conservadores ou liberais, dentro das regras da democracia representativa. Numa retrospectiva histórica, poder-se-á especular que, em países como a Alemanha e a Inglaterra, se agenda de promoção da classe trabalhadora levada a cabo pela social-democracia e pelo trabalhismo não fosse periodicamente equilibrada pela agenda econômica de partidos liberais e conservadores, esses países teriam quebrado e as conquistas sociais teriam ido para o espaço sideral. A social-democracia e o trabalhismo não prometeram o paraíso à classe trabalhadora, mas a levaram a conquistas formidáveis, na forma de benefícios concretos, avançando muito na construção dos direitos de igualdade material, exigência indeclinável da democracia moderna, juntamente com os direitos de liberdade, característicos do liberalismo clássico. A social-democracia e o trabalhismo não criaram o paraíso, mas criaram o "Welfare State". Esse "Estado de Bem-Estar Social" não é perfeito, mas sempre pode ser melhorado. Porém, antes de ser melhorado, precisa ser sustentado. E só pode ser sustentado por uma exponencial produção de riquezas que só tem sido possível nas economias de livre mercado, com propriedade privada dos meios de produção, iniciativa individual, concorrência, competição e lucro.

 Quanto ao marxismo-leninismo, além da economia totalmente estatizada, planificada e centralizada, produziu principalmente a desgraça da servidão e da morte; é tão repulsivo quanto o nazifascismo e deve ter o mesmo destino: a lata de lixo da história.

domingo, 21 de agosto de 2016

"Amor Fati": primeira parte da réplica a José Octávio de Arruda Mello no debate da Liberdade

rocha100.blogspot.com.br

Como vocês, caros leitores e caríssimas leitoras, puderam ver em post anterior, José Octávio de Arruda Mello, na conclusão da análise a meus ensaios contidos no livro "Natureza e Excelência da Liberdade e da Democracia", afirma: "...os estudos de Washington sobre as Revoluções e Norberto Bobbio são da melhor qualidade, impondo discussão crítica". Nenhum outro elogio poderia me deixar mais feliz. Como a discussão é crítica, o brilhante intelectual e eminente historiador faz também ressalvas; às quais começo a responder.

De início, José Octávio considera: "algo arrependido da antiga militância ultraesquerdista, o irmão de Gelza Rocha parece aproximar-se, por vezes, do anticomunismo". E cita a passagem do meu texto em que digo que  a "filosofia da práxis" já deveria estar "morta e enterrada".

Pois bem; anticomunismo no sentido de alguma perseguição a comunistas considero que seja algo detestável. Pelo contrário, entendo que seja salutar para a democracia o debate entre liberais e comunistas. Na Itália e no Brasil, por exemplo, esse diálogo resultou em os comunistas do PCI e PCB, respectivamente, abandonarem o comunismo para recair (aqui uso a elegante expressão de José Octávio) numa linha de esquerda democrática. Também o comunismo como ideal de emancipação definitiva de toda a humanidade, plena igualdade e perfeita fraternidade - o paraíso terrestre -, eu acho lindo e maravilhoso. Porém, o comunismo como política prática, aquela que foi implantada pelos revolucionários marxistas no século XX, aqueles regimes de servidão e morte, o comunismo real resultante da "filosofia da práxis"; esse comunismo eu abomino.

Quanto a arrepender-me da minha antiga militância ultraesquerdista, não me arrependo. Antes a resguardo no coração, por aquela fórmula de Nietzsche: "Amor Fati", que aqui transcrevo:

"Minha fórmula para a grandeza no homem é amor-fati: não querer nada de outro modo, nem para diante nem para trás, nem em toda eternidade. Não meramente suportar o necessário, e menos ainda dissimulá-lo – todo idealismo é mendacidade diante do necessário -, mas amá-lo” – Nietzsche, Ecce Homo.

Essa fórmula, célebre na grandiloquente expressão nietzschiana, já estava nos antigos, nos estoicos. E é possível entender que foi interiorizada e vivida por Jesus Cristo. É preciso amar o destino e amar o que passou, porque o que somos é a soma de tudo que já fomos e tudo que ainda seremos. Portanto: AMOR FATI.

Feita essa digressão, voltemos à "filosofia da práxis", que é o nome dado à doutrina política marxista pelo comunista italiano Antonio Gramsci. Tendo a "filosofia da práxis" se comprovado nefasta, resultando em servidão e genocídio, tendo caído de podre o império totalitário do comunismo soviético, estando os regimes comunistas restantes - com exceção da Coreia do Norte - recuando do receituário marxista; entendo que tal doutrina já deveria ter sido, metaforicamente, "morta e enterrada", assim como foi feito com a doutrina nazifascista, hoje cultivada apenas por grupos muito minoritários de fanáticos e mentecaptos. Que essas doutrinas vivam nas livrarias dos museus, expostas à curiosidade dos estudiosos de coisas velhas e acabadas. E daqui vou a outra digressão literária, uma passagem do estupendo poema de Edgar Allan Poe, "O Corvo", na esplêndida tradução de Machado de Assis:

"Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais.".


Em um futuro que espero não muito distante, quando o marxismo for uma velha doutrina morta, poderá, talvez, ser lida ou relida com carinho e nostalgia. Hoje, zumbis neomarxistas ficam o tempo todo batendo devagarinho em nossa porta, querendo espaço para aporrinhar, como o corvo chato do poema de Allan Poe. A diferença é que o corvo falava uma só frase, e os neomarxistas falam uma quantidade tão extensa de cretinices que nem Karl Marx e Friedrich Engels suportariam.

Continua no próximo post.

   



sábado, 20 de agosto de 2016

As lições de Norberto Bobbio

rocha100.blogspot.com.br

Eis aí o texto do historiador José Octávio de Arruda Mello sobre o ensaio "As lições de Norberto Bobbio", que conclui a sua análise crítica dos meus dois ensaios publicados no livro "Natureza e Excelência da Liberdade e da Democracia". No próximo post, a minha réplica.




DE LA BOÉTIE A NORBERTO BOBBIO EM WASHINGTON ROCHA (II)
José Octávio de Arruda Mello (*)
(*) Historiador de ofício, como professor aposentado da UFPB e titular de História do Direito do UNIPÊ. Autor de História da Paraíba – Lutas e Resistência (13ª ed., 2014) e A Revolução Estatizada – Um Estudo sobre a Formação do Centralismo em 30 (3ª ed., 2016).

                Depois das considerações vertidas sôbre o primeiro ensaio de Washington Rocha – “Revoluções para trás” (...) de Natureza e Excelência da Liberdade e da Democracia (2016) – sinto-me tentado a analisar o segundo de seus estudos – “Ideal democrático e ‘rude matéria’: as lições de Norberto Bobbio”.
            Creio que depois de Tarcísio Burity, possuidor de dicionário do genial pensador italiano, foi o Grupo José Honório quem, na Paraíba, mais valorizou a Norberto Bobbio.
            Este ainda se encontrava vivo quando, em 2004, pusemo-nos eu e Eilzo Matos a desenvolver “O Circuito de Bobbio” que consistiu em, durante três dias, difundir seu pensamento junto às Faculdades de Direito de Souza, Patos, Campina Grande e João Pessoa, em algumas das quais eu lecionava.
            Para tanto, valemo-nos de estudo de Eilzo – Socialismo Liberal – Anotações sôbre o Pensamento Político de Norberto Bobbio (mimeo, 2004) – onde Bobbio se aproxima de John Rawls, com vistas à criação de uma sociedade socialista, nos limetes do Estado moderno.
            Nossa experiência pedagógico-filosófica foi por mim incorporada, em 2008, ao manual História do Direito e da Política (2008), editado pela Linha D’Agua. Nele, após considerar os epígonos da Filosofia do Direito dos anos vinte – Pitirim A. Sorokin, Mirkine Guetzevitch e Harold/Laski – debrucei-me sôbre os pensadores modernos capazes de fundir Filosofia do Direito, Política e História.
            Ao lado de Antônio Gramsci, Ralph Dahdhendorf, Michel Foucault e Hannah Arendt, vários dos quais citados por Washington Rocha, um deles é Norberto Bobbio. Deste recorremos a entrevista de páginas amarelas de Veja, de 7 de novembro de 1949, onde o pensador peninsular assim se pronuncia:
            “Sou um liberal que se defronta com a injustiça da sociedade capitalista e por isso chega ao socialismo. Não excluo a possibilidade de um encontro entre as duas idéias. Sou laico e acredito que a política não admite dogmas. O que vale é o espírito crítico. E não acredito que os comunistas tenham dado todos os passos necessários para evoluirem de certo dogmatismo rumo ao espírito crítico”.
            Bingo para o antigo aluno do Liceu. Isso porque, consoante Washington, “Bobbio enfrentou as críticas à democracia advindas da esquerda marxista durante um debate de décadas; sendo que as fórmulas por ele apresentadas caminharam no sentido da possibilidade de realização das promessas do socialismo com os instrumentos e nos limites da democracia”.
            Em “Ideal Democrático e Rude Matéria”, seu autor não fica nisso. Considerando a seu objeto como “um democrata de esquerda, defensor do liberal-socialismo”, Washington abre-se para a seguinte postura bobbiana:
            “(...) Disto segue que o Estado liberal é o pressuposto não só histórico mas jurídico do Estado democrático. Estado democrático e Estado liberal são interdependentes em dois modos: na direção que vai do liberalismo à democracia, no sentido de que são necessárias certas liberdades para o exercício correto do poder democrático, e na direção oposta que vai da democracia ao liberalismo, no sentido de que é necessário o poder democrático para garantir a existência e a persistência das liberdades fundamentais”.
            Com base nesses pressupostos, Washington Rocha conceitua sempre corretamente a Norberto Bobbio. Afastando-o da teoria das elites de Mosca e Paretto, seu intérprete conceitua-o como democrata, conforme bobbio:
            “Mas a renúncia ao uso da violência para conquistar e exercer o poder é a característica do método democrático cujas regras constitutivas prescrevem vários procedimentos para a tomada de decisões coletivas por meio de livre debate, que pode dar origem ou a uma decisão acordada ou a uma decisão tomada pela maioria. Prova disso é que, num sistema democrático, a alternância entre governos de direita e esquerda é possível e legítima”.
            Não são poucas as novidades da exegese de Bobbio por Washington Rocha. Uma delas sua vinculação a Thomas Hobbes porque “(...) otimista ou pessimista. A rigor é realista. O otimismo está na intenção, na esperança  e na perseverança; o pessimismo, na constatação das limitações humanas ou dos pendores destrutivos da natureza humana”.
            Outra, contida às páginas 142/3 é a maneira como o entusiasmo de Bobbio, nesse ponto equivalente ao de Washington, repudia o fanatismo da extrema esquerda e a indiferença da Direita para recair no entusiasmo como ingrediente da democracia:
            “Norberto Bobbio poderá ser tomado como protótipo de cidadão arrebatado pela ‘ideologia democrática do entusiasmo’: durante toda a sua vida de intensos embates políticos, manteve-se distante tanto da indiferença quanto do fanatismo”.
            Para concluir, o que me pergunto é se, impressionado com o liberalismo de Bobbio, W.R. não percebeu a dimensão também socialista – e nesse caso esquerdizante de seu pensamento.
            Esse é o ponto para o qual o saudoso Nelson Saldanha me chamava a atenção. Quando, de certa feita, telefonei para o jurisfilósofo pernambucano, este me advertiu:
            – Não se esqueça de que Bobbio é socialista!
            É o que ora passo a Washington Rocha. É necessário que a crítica ao sectarismo de esquerda não fique no liberalismo formal e recaia no socialismo (democrático), sem o que corremos o risco de nos filiarmos às falácias do neo-liberalismo. É onde sustento que o marxismo não deve ser recusado em bloco, mas revisado.
            Fora daí, os estudos de Washington sôbre as Revoluções e Norberto Bobio são da melhor qualidade, impondo discussão crítica. O primeiro é contra: o sectarismo, “o neomarxismo zumbi”, o estreitismo bolchevique, a revolução proletária, a monstruosidade chavista, o despotismo da maioria de Rousseau.
            Já o segundo é a favor. Da democracia shumpeteriana, fundada no planejamento. Das teses de O Federalista de Madison. Das utopias de Martin Luther King. Da sociedade aberta de Henri Bergson e Karl Popper. Das linhas gerais do discurso de Péricles.
            Em ambos os casos, vislumbra-se a marca de um dos mais argutos cientistas sociais paraibanos de nossos dias. 

 


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

"Revoluções para trás": ensaio de Washington Rocha analisado pelo historiador José Octávio de Arruda Mello

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Meus ensaios constantes do livro "Natureza e Excelência da Liberdade e da Democracia" mereceram análise crítica do Professor José Octávio de Arruda Mello, um dos mais importantes historiadores do Brasil. O ilustre e combativo intelectual, um dos mais atuantes no debate das ideias, especialmente no campo da política, faz algumas ressalvas aos meus escritos. Com algumas chego a concordar, mas com ressalvas. As minhas ressalvas das ressalvas serão apresentadas, mas não agora. Agora apresento a primeira análise de José Octávio, sobre o ensaio "Revoluções para trás", que foca as revoluções marxistas do século XX tendo como fonte de inspiração o "Discurso da Servidão Voluntária", de Étienne de La Boétie, escrito no século XVI. No próximo post, publicarei a análise de José Octávio sobre o ensaio "Ideal democrático e 'rude matéria': as lições de Norberto Bobbio". Depois, então, farei minha minha réplica. A crítica do ilustre historiador me honra e me anima para o debate.




DE LA BOÉTIE A NORBERTO BOBBIO EM WASHINGTON ROCHA
José Octávio de Arruda Mello (*)
(*) Historiador de ofício, como professor aposentado da UFPB e titular de História do Direito do UNIPÊ. Autor de História da Paraíba – Lutas e Resistência (13ª ed., 2014) e A Revolução Estatizada – Um Estudo sôbre a Formação do Centralismo em 30 (3ª ed., 2016).

            Leio com satisfação – embora sem concordar inteiramente com o autor – os ensaios de Washington Rocha preparados para a coletânea Natureza e Excelência da Liberdade e da Democracia, da Editora Ideia, em 2016.
            Servido por bibliografia que muito o recomenda, Washington foi meu aluno no Liceu do tumultuário ano de 1968. Mais anarquista que marxista – e não por acaso Proudhon aparece em seus insights – abdicou daqueles postulados em busca de visão social menos engajada, o que explica o segundo ensaio sôbre o transcendental politicólogo Norberto Bobbio.
            Este, como se sabe, faleceu em 2008, como um dos maiores pensadores do planeta. Segundo Washington, “Bobbio, que era declaradamente um político de esquerda, foi, em geral, contudente na sua crítica à esquerda autoritária”.
            A colocação ajusta-se à pretensão de Washington em proceder a uma crítica, de dentro da própria esquerda. Tal somente não se configura mais inteiramente porque, ao renunciar à sinistra, Washington não parece se ter encaminhado para variante modernista desta – a new left, por exemplo – como o italiano Bobbio, ou, mais remotamente, o alemão Eduard Bernstein, aos quais tanto admira.
            Algo arrependido da antiga militância ultraesquerdista, o irmão da competente geógrafa Gelza Rocha parece aproximar-se, por vezes, do anticomunismo o que chega a toldar sua extraordinária agudeza. Como nessa passagem do primeiro ensaio:
            “Por isso mesmo, damos atenção ao fato de que a ‘filosofia da práxis’ continue grandemente prestigiada, embora já devesse estar morta e enterrada”.
            Nisso as nossas diferenças. Ao tempo em que Washington afinava com o ultrasectarismo da esquerda, eu ancorava na centro-esquerda de João Mangabeira e Aneurin Bevan. Hoje, quando Washington se encaminha para a outra extremidade, continuo no mesmo lugar, o que explica minha afeição por Fernando Henrique Cardoso sobre o qual possuo livro sem pressa alguma de publicar.
            Uma de nossas outras divergências reside na experiência soviética. Para Washington, que dela se ocupa em “Revoluções para trás”, suas desfigurações já residem em Lenine, empenhado em fender as cabeças, de meio a meio.
            Quanto a mim, sigo a Hobsbawn, não o de Ecos da Marselheza, que não conheço, mas o de A Era dos Extremos que considero uma das mais instigantes criações da moderna Historiografia.
            A contrafação soviética proveio não tanto de Lenine, partidário do Estado comuna, inspirado na Comuna de Paris, de 1871, onde a autoridade se exercia por votação, mas do estalismo. Este é que, eliminando os sovietes e a velha guarda bolchevique, tanto concentrou o poder – que para Lenine seria federado – que a URSS terminou sucedânea do velho Império tzarista. Ou, como o situei em Mundo Hoje (1971): “na grande batalha invisível do século, a Rússia venceu a União Soviética”.
            Fora daí, todavia, “Revoluções para trás”, de Washington Alves da Rocha, possue passagens luminosas.
            Ele enxerga, corretamente, o viés iluminista do marxismo e a associação entre jacobinos e bolcheviques. A projeção totalitária da vontade geral de Rousseau, indutora do despotismo das massas e a grandeza doutrinária e revolucionária de Trotsky, comparado a Danton. W.R. também condena, com sabedoria, os malefícios do milenarismo proletário e o “charlatanismo político” do chavismo bolivariano, grotescamente autointitulado “socialismo do século XXI” e glorificado pelo PT, numa das mais ignóbeis construções deste partido político.
            Sensível à validade do marxismo revisionista dos alemães Karl Kautsky e Eduard Bernstein, o que mais me agrada em Washington Rocha é esse realce do francês Étienne de La Boétie com seu Discurso da Servidão Voluntária (1571).
            Explico melhor: essa valorização de autores anteriores a Hobsbawn e Bobbio, hoje equivale a um truismo. WR, porém, foi mais longe: recorreu a desconhecido autor do século XVI para fundamento de suas colocações.
            Nisso procedeu como Benedetto Croce e José Honório Rodrigues: a História é o Presente!

 


 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Lançamento da 4ª edição da ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras, com Homenagem ao historiador José Octávio de Arruda Mello: Karl Marx e a escravidão, Jesus Cristo e a Democracia

O lançamento da 4ª edição da ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras, com Homenagem ao historiador José Octávio de Arruda Mello, na noite da última sexta-feira (06/09), em O Sebo Cultural, transformou-se em um excelente debate. Na Mesa, para debater com o homenageado, estavam o também historiador e político Marcus Odilon, o filósofo Iremar Bronzeado, o escritor e intelectual comunista João Ribeiro, o médico e intelectual socialista católico Romeu de Carvalho, o artista e intelectual um tanto anarquista José Bezerra Filho, e este ROCHA 100 que vos fala (como mediador).

Pra começar, o debate foi bom porque houve debate. Vejam: a esquerda marxista por tal maneira monopolizou a agenda político-cultural de João Pessoa que os debates, de ordinário, transformaram-se em conversa de comadres entre comadres marxistas.

Pois vejam que assombro: o expositor, José Octávio, começou por  defender o liberalismo como condição da  democracia, citando o liberal-socialista Norberto Bobbio. Marcus Odilon fez referência a um post deste Blog (aquele que traz a carta em que Karl Marx defende a escravidão negra) e discorreu sobre os fundamentos econômicos das transformações sociais. Para Marcus, a superação da escravidão só foi possível com o advento das máquinas industriais. Romeu de Carvalho falou das relações entre socialismo e catolicismo. José Bezerra Filho meteu o pau no imperialismo norte-americano, que só não teria invadido Cuba porque lá não tem petróleo. Nisso foi contestado por Iremar Bronzeado, que realçou o papel dos EUA como defensores da liberdade. Também foi Iremar, conhecido como o "Filósofo da Liberdade", quem levantou a tese de que só aconteceram duas verdadeiras revoluções na história: a Revolução Cristã e a Revolução Francesa. E mais, que os fundamentos da democracia moderna foram estabelecidos pelo cristianismo. Essa tese foi refutada por alguém da platéia, mas também na platéia teve quem a defendesse. Enfim, houve debate, não conversa de comadre.

Houve também uma performance teatral esplêndida de Cláudia Carvalho. Romeu de Carvalho cantou ao violão. Zé Bezerra da Paraíba, o Pavarotti dos Trópicos, soltou sua poderosa voz tenor.

Foi uma festa: comandada com o vigor de sempre por Heriberto Coelho, o maior mobilizador cultural da Paraíba. Muitos alunos de José Octávio vieram prestigiar o mestre, com carinho. E o mestre não se acanhou de dizer que, para incentivar o carinho dos alunos, garantiu 2 pontos nas notas da próxima prova pela participação no evento. Eu reclamei, dizendo que eles mereciam mais.

Mas não marcaram presença apenas alunos, também outros mestres: a professora Linalda, a professora Nadilza, o professor Piva, o professor Caboré, o psiquiatra José Ricardo, o politicólogo Rui Galdino, o advogado Waldir Porfírio, o engenheiro José Rocha, o folclorista José Nilton... e muita, muita gente.

Enfim, quer fazer sucesso? FAÇA EM O SEBO CULTURAL.