Blog Rocha 100

“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

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domingo, 27 de maio de 2012

Dilma devia demitir Lula

O assunto do momento, eletrizante, é a tentativa de chantagem do ex-presidente Lula sobre o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A reportagem da Veja, em que o ministro confirma a tentativa de chantagem, já repercute internacionalmente. Como todo mundo já deve saber, Lula ofereceu proteção ao ministro Gilmar na CPMI do Cachoeira (quer dizer, CPI da Andressa) em troca do adiamento do julgamento do mensalão. O ministro, que não precisa de proteção, rechaçou a chantagem, mandou Lula ir fundo na CPI e botou a boca no trombone. Fez muito bem. Melhor faria a Presidente Dilma Rousselff se demitisse o Lula.
O ex-presidente devia ficar em casa, quieto, convalescendo. Mas não, quer porque quer continuar presidente e montou um governo paralelo. Faz isso porque a Presidente lhe dá trela. Isso tem de acabar. Lula tem de ser demitido do cargo oficioso de presidente paralelo. Quer fazer suas estripulias, que as faça; mas sem o aval da Presidência da República.
Em tempo: Nelson Jobim, no escritório de quem aconteceu a conversa entre Lula e Gilmar, disse que não houve a tentativa de chantagem. Em quem eu acredito, no Gilmar ou no Jobim? Ora, acredito no Gilmar, mesmo porque quem deveria confirmar ou desmentir, seria o Lula, não o Nelson. Lula, até agora, não desmentiu nada. Mas, se vier a desmentir, eu vou acreditar em quem? Vou continuar acreditando no Gilmar. E por quê? Porque Lula é o maior mentiroso da história "deste país".
Outra coisa: Dilma deve sua eleição a Lula? Deve. Mas nem por isso pode submeter sua autoridade presidencial ao crivo do ex-presidente. Ex é ex e ponto final.
E uma última coisa: como Dilma poderia pagar sua dívida de gratidão a Lula sem abdicar dos deveres que o cargo lhe impõe? Tenho uma sugestão. Vejam só: os ateus estão em campanha para erradicar os símbolos cristãos dos lugares públicos. Caso vençam, o Cristo Redentor deverá ser implodido. A Presidente Dilma poderia mandar erguer no lugar uma estátua do Lula, com o dobro do tamanho da estátua derrubada. Satisfeito em sua vaidade, talvez o ex resolvesse se recolher aos cuidados da sua amorosa esposa, deixando Dilma governar em paz.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

CPMI do Cachoeira é água estagnada: Vital adormece, Collor reaparece, investigação não acontece

Se dependesse dos filósofos parlamentares membros da CPMI do Cachoeira, a dúvida de Hamlet não mais iria angustiar ninguém. "Ser ou não ser? Eis a questão". Já era. A CPMI do Cachoeira resolveu não ser.
Presidindo a CPMI, o senador Vital do Rêgo, do PMDB, maior revelação da nova legislatura, verdadeiro meteoro incandescente, tornou-se morno e sem brilho; esqueceu a investigação e só pensou no sigilo. O relator, deputado petista Odair Cunha, manobra para investigar apenas o que seja de interesse do PT. Com um presidente morno e um relator manhoso, a CPMI vai se transformando em pântano onde a luz que brilha é aquela mortiça luz de um ex-presidente rancoroso. O senador Collor de Mello  está fazendo da CPMI o palco do seu ódio contra a imprensa, especialmente a revista Veja, a quem culpa pela sua defenestração do poder. Não culpa o PT, que, todos sabem, foi seu principal algoz, foi quem botou os caras pintadas nas ruas, foi o partido que mais inflamadamente gritou "Fora Collor!". Pelo contrário, hoje Collor é o mais assanhado aliado da ala autoritária do PT na campanha contra a liberdade de imprensa, na indecente maquinação para restabelecer a censura. Por enquanto, o histrionismo de Collor está sendo bloqueado pela coragem e lucidez de alguns representantes minoritários da CPMI, como o deputado Miro Teixeira, do PDT, que disse na cara do ex-presidente, cassado por corrupção, o significado das suas atitudes: "Autoritarismo e vingança". Os petistas, aliados sempre não confiáveis, não quiseram dar muito na vista subindo alto no balão da vingança, e retiraram o gás de Collor. Quando for conveniente, voltaram a inflá-lo. Espero que o inflem até que estoure de vez: o cheiro será de enxofre.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A obsessão do Senador Vital do Rêgo, Presidente da CPMI do Cachoeira

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) teve um brilhante início de mandato no Senado. Indicado pra tudo, convidado pra tudo e dando conta de tudo: um fenômeno. Não pode agora, como Presidente da CPMI do Cachoeira, jogar fora  tão boa imagem, construída em tão pouco tempo (no cenário nacional, porque na Paraíba já tinha excelente imagem), com esta obsessão por sigilo. Obsessão que o tem levado a tomar medidas que cheiram a operação abafa: cartilha do sigilo, sala do sigilo, regras do sigilo, revistas, constrangimentos.
Os senadores, Senhor senador Vital do Rêgo, são os "Pais da República": será vergonhoso que sejam tratados como menores delinquentes. E o senador que tiver vergonha não aceitará ser tratado assim.
Veja bem, senador Vital, quem lhe tem feito companhia nessa obsessão pelo sigilo é o senador Fernando Collor de Melo, de triste memória. Ele tem lá suas razões de mágoa. O Senhor não, senador Vital, o Senhor tem mais é que, como presidente da CPMI, ter obsessão pela investigação.
Se não puder concorrer para a investigação, nobre Senador, pelo menos não atrapalhe.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Na CPMI do Cachoeira, Vital patina no sigilo. Cássio se destaca

O senador Vital do Rêgo presidiu muito bem a primeira reunião da CPMI do Cachoeira, tanto que recebeu rasgado elogio de Dora Kramer, do Estadão, uma das mais importantes analistas políticas do Brasil: "O bom andamento dos trabalhos deveu-se em parte à condução desapaixonada e partidariamente isonômica do presidente Vital do Rêgo". Mas Vital patinou na obsessão do sigilo, com a edição de uma cartilha e regras tolas visando impedir a quebra de sigilo de documentos já vazados. Aí o senador Cássio Cunha Lima se contrapôs, focando na investigação e contestando as regras impostas pela Presidência da CPMI, que constrangem os parlamentares e torna o acesso à sala de documentos difícil e limitado. Não faltou ironia a Cássio: "O sujeito vai bater na porta agoniado: toc-toc-toc. Companheiro, saia rápido que eu preciso entrar".
Investigar assim, não dá.