Blog Rocha 100
“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.
sábado, 29 de março de 2014
Brasil 1968/O ANO QUE NÃO TERMINOU - VENEZUELA 2014/O ANO QUE SÓ COMEÇOU: "Vem, vamos embora, que esperar não é saber"
Vejam que não nego ao coronel Hugo Chávez os atributos de bravura e competência. Nem os nego ao cabo Adolf Hitler - aliás, condecorado com a Cruz de Ferro por bravura na Primeira Grande Guerra -, criador do fascismo na Alemanha, chamado de nazismo devido à sigla NAZI do partido hitlerista - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães -; tão socialista quanto o socialismo bolivariano de Hugo Chávez (coitado do Simón Bolívar, vilipendiado pela apropriação do fascismo chavista).
Na Alemanha, o audacioso Hitler tentou chegar ao poder através de um golpe. O golpe fracassou e o golpista foi preso. Mas sairia da prisão para chegar ao poder pelo legítimo caminho democrático, no modo parlamentarista. Uma vez no poder, o astucioso Hitler usou de todos os mais ilegítimos artifícios para destruir a democracia e submeter o Estado alemão ao seu absoluto poder nazista. Na Venezuela, o astucioso Chávez seguiu a mesma trilha, com igual sucesso, terminando por submeter o Estado venezuelano ao seu absoluto poder nazi-bolivariano.
O nazismo foi barrado apenas a custa da mais terrível guerra da história. O nazi-chavismo está sendo enfrentado nas ruas da Venezuela por milhares de rebeldes, especialmente pela juventude estudantil.
No Brasil, em 1968, a juventude estudantil enfrentou nas ruas o fascismo de uma ditadura militar. Eu estive naquela luta, na linha de frente, de peito aberto. E bradava: ABAIXO A DITADURA! E cantava nas passeatas a música de Geraldo Vandré: "Caminhando e cantando..."; "Vem, vamos embora, que esperar não é saber".
"Porém..., ai porém"; muitos dos que comigo cantaram, hoje ficam mudos diante da violência do nazi-chavismo do podre Nicolás Maduro, que prende, espanca, tortura e mata (sendo jovens estudantes as principais vítimas). Pior: alguns que em 1968 cantavam contra a ditadura militar brasileira torturadora e assassina, hoje cantam louvores para a ditadura nazi-chavista venezuelana torturadora e assassina.
Não obstante a omissão vergonhosa do governo brasileiro e a cumplicidade criminosa de dirigentes do PT diante das flagrantes violações aos Direitos Humanos na Venezuela por parte do regime nazi-chavista (dentre as quais violações, repita-se: espancamentos, torturas e assassinatos); nada obstante, espalha-se pelo mundo e chega ao Brasil a indignação com tais violências (deveria ter sido o inverso, o Brasil deveria ter sido o primeiro país a se indignar com as atrocidades no país vizinho).
Zuenir Ventura, que lutou contra a ditadura militar naquele distante 1968, veio a escrever, 20 anos depois, um excelente livro, a começar pelo título tão sugestivo, que tomei emprestado para título deste post:
"1968 O ANO QUE NÃO TERMINOU"
Com efeito; não terminou e recomeçou neste 2014, na Venezuela, cujo povo, cuja juventude, em decisiva luta por Liberdade, Democracia e Direitos, precisa da solidariedade dos brasileiros. À essa solidariedade, especialmente, não se podem furtar aqueles que, como Zuenir Ventura e como tantos, em 1968, pelas ruas e praças do Brasil, não deixaram de "falar de flores" e "seguiram com a canção":
"Vem vamos embora, que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"
VIVA A VENEZUELA! VIVA A LIBERDADE!
ABAIXO A DITADURA PODRE DE MADURO!
quarta-feira, 26 de março de 2014
Iremar Bronzeado e Catarina Rochamonte: dois textos político-filosóficos de referência sobre a Democracia - e notícia sobre atualização do Blog
Vamos aos textos de Bronzeado e Rochamonte.
Retorno preguiçosa e astuciosamente, visto que farei apenas breve comentário a esses excelentes textos, que considero referenciais para do debate democrático da atualidade, apresentando-os em seguida. Quem já os leu, nada perderá em os reler. E espero que aproveitem para comentar. Vejam que a internet vem funcionando no mundo hodierno como uma Ágora rediviva, um espaço privilegiado para o debate democrático.
Os textos em tela têm como ponto comum, além da defesa da Democracia e da Liberdade, o enfoque dos momentos históricos onde os luminosos ideais de Liberdade escorregaram, terminando por afundar na lama pútrida dos totalitarismos do século XX. Se bem que os totalitarismos bolchevistas e nazi-fascistas tenham naufragado, alguns baluartes resistem, como são os casos das ditaduras da Coréia do Norte e de Cuba. E ainda, o totalitarismo tenta reabilitar-se em alguns países, como é o caso da Venezuela, hoje sob comando de um facínora fascista que persegue, prende, tortura e mata (principalmente jovens estudantes, que são a vanguarda da resistência ao regime nazi-chavista do podre Nicolás Maduro).
Vamos aos textos; e, espero, ao debate:
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Com o velho e insuperável cinismo, Lula resolve defender petistas corruptos-mensaleiros
Mas o cinismo de Lula não parou por aí; ele acrescentou que o compromisso do PT é "ser ético". Putaquipariu! de novo, 13 vezes Putaquipariu!
A ocasião que Lula utilizou para assumir esse "compromisso ético" em nome do PT foi emblemático: uma caravana de campanha antecipada, portanto ilegal, do Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Junto de Lula e após Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, solidários, não quis deixar Lula ser cínico sozinho e lascou esta: "A Lei nos impede de fazer propaganda e campanha antes das datas estipuladas, mas não nos impede de conversar e debater nossos problemas. É isso que nós estamos fazendo com esse projeto".
O referido projeto se chama "Carava Horizonte Paulista". No discurso de Lula foi também apresentado o seguinte e angustiante problema a ser debatido: "O dia em que o PT governar o brasil e o Estado de São Paulo, a gente vai fazer muito mais do que a gente já fez".
O próprio candidato Padilha considerou em profundidade a problemática paulista, apresentando-a por partes: disse que "um time iria entrar em campo para o campeonato mais duro"; revelou que "São Paulo precisa de uma estrela"; descortinou que "a pilha dos adversários está fraca".
Como se vê, tudo problema da maior gravidade e urgência, nada que nem de longe lembre campanha eleitoral.
Putaquipariu!, tem Justiça Eleitoral que é cega!
sábado, 1 de fevereiro de 2014
O Delúbio de Ouro e a opção pela corrupção - ou o bom-senso do vereador Fuba e as furungadas certeiras de Olívio Dutra
O PT não defende corruptos de modo geral, defende, com unhas e dentes, apenas seus próprios corruptos, seus corruptos de estimação.
Condenados por crime de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal, os chefes petistas José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e Henrique Pizollato foram erguidos pelo fanatismo petista ao Panteão dos Heróis. O PT os glorifica, o PT os celebra: é uma festa! Festa, aliás, onde não falta dinheiro.
Precisando pagar uma multa de 600 e tantos mil reais, José Genoíno providenciou uma vaquinha pela internet: em poucos dias deu que sobrou. Genoíno até mandou um troco, uns 30 mil, para a vaquinha da multa do Delúbio Soares; multa de 400 e tantos mil. Nem precisava. Na verdade, a vaquinha do Delúbio humilhou a vaquinha do Genoíno. A vaquinha do Genoíno ficou em pouco mais de 700 mil reais, a vaquinha do Delúbio passou de 1 milhão. Não é propriamente uma vaquinha, é uma vaca gorda. Vejam que Delúbio entende do assunto; além de ter sido tesoureiro da corrupção do mensalão, consta que tem umas terras com muitas vacas lá pelas bandas de Goiás. De qualquer forma, como se vê pela facilidade com que Delúbio levantou 1 milhão de reais, a turma do PT e simpatizantes está "botando dinheiro pelo ladrão". É de tal forma o entusiasmo petista que a doação do vil metal a criminosos julgados, condenados, sentenciados e engaiolados é elevada à condição do civismo. Vejam, por exemplo, o que diz o coordenador jurídico do PT, Marco Aurélio Carvalho: "Reputamos o sucesso da arrecadação à militância, que respondeu de forma cívica e altiva aos excessos e provocações do ministro Joaquim Barbosa". Não passa pela cabeça deste causídico petista que um partido político exaltar criminosos e por todas as maneiras afrontar a Justiça é o que verdadeiramente constitui provocação e excesso.
Também será um excesso a transformação de Delúbio em santo, protomártir da causa da corrupção. Talvez seja mais adequado tratar a adulação que rende dinheiro fácil a este corrupto engaiolado como um caso de idolatria. Lá nos templos bíblicos, corruptos prostraram-se com suas oferendas aos pés do Bezerro de Ouro. Hoje, os que fazem opção pela corrupção com suas vaquinhas para corruptos prostram-se com suas oferendas aos pés do Delúbio de Ouro.
Porém, diga-se, nem todos petistas demonstram o mesmo entusiasmo na defesa dos corruptos-mensaleiros. O chefe Lula, por exemplo, não consta que tenha depositado alguma merreca na conta dos companheiros da Papuda, nem publicamente esforça-se em defendê-los. Só uma vez, lá no Congresso do PT, deu uma colherzinha para os companheiros condenados. Colherzinha dada, aliás, sob pressão da plateia militante, que clamava: "Lula, guerreiro, defende os companheiros" (e dizem que também por exigência e ameaça de Zé Dirceu). Esse pouco entusiasmo de Lula foi o bastante para incomodar o deputado corrupto-mensaleiro João Paulo Cunha, que deu uma entrevista destilando mágoa. A presidenta Dilma é outra que evita o tema e, dizem, "quer virar a página".
Aqui em Jampa Capital, o vereador Fuba, petista novato, intelectual e magnífico cantor/compositor, revelou-se também um homem de coragem, pois, contrariando petistas veteranos e fanáticos velhos e novos, esteve entre os que, na Câmara Municipal de João Pessoa, aprovaram, por unanimidade, voto de aplauso ao STF pela condenação dos mensaleiros. Fuba justificou sua corajosa atitude com um raciocínio do mais cristalino bom senso: "Eu não vou defender o errado". O fanatismo petista, como se vem provando, defende qualquer erro, desde que seja conveniente ao PT. Esse fanatismo está enterrando o PT, só petistas que tenham coragem, como Fuba, de enfrentar o fanatismo petista poderão salvar o PT.
Outro que demonstrou bravura foi o dirigente histórico do PT e ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra, que disse a José Genoíno, ainda antes da prisão deste: "Eu acho que tu deverias pensar na tua biografia. Eu acho que tu deverias renunciar. Mas não tenho porque furungar nisso". Não obstante a ressalva, Olívio Dutra furungou outras vezes "nisso", que vem a ser o envolvimento do PT com crimes; prática, aliás, justificada pelo filósofo petista Paulo Betti, lá pelos primórdios do escândalo do mensalão, como necessidade política de "meter a mão na merda". Pois, contrário à "ética da mão na merda", Olívio Dutra continuou furungando, e sempre com furungadas certeiras. Vejam esta, por exemplo: "Eu avisei em uma ocasião que íamos sofrer com as más companhias" (bote má companhia nisso). E esta outra, sempre em relação ao julgamento do mensalão: "Funcionou o que deveria funcionar. O STF julgou e a Justiça determinou a prisão; cumpra-se a lei".
Precisamente, tudo o que o PT não quer é cumprir a lei. Tudo que o PT quer, como tem demonstrado com essa campanha insana de exaltação de corruptos e afrontamento da Justiça, é colocar-se acima da Lei e da Justiça; acima do Estado Democrático de Direito. Dito de outra forma, a presente e audaciosa campanha, em que se inclui também a campanha pelo restabelecimento da censura (que eles chamam de "controle social da mídia", "marco regulatório", etc.), tenta, mais uma vez, fazer vingar um projeto autoritário gorado. É um ovo de serpente velho numa chocadeira velha. Vai gorar de novo.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Os rolezinhos e o Grande Rolezão da Copa do Mundo 2014
Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, declarou sobre os rolezinhos:
"Uma manifestação clara da juventude que não tolera mais a limitação de espaços, a segregação de espaços só para aqueles que são bons consumidores, não aceita mais a discriminação por raça, por orientação social seja o que for".
Pra começo de conversa, o ministro está mentindo. De modo geral (e o ministro generalizou), os shoppings não discriminam por raça. Posso dar testemunho pessoal porque sou frequentador assíduo de shoppings, aqui em João Pessoa e em cidades que visito com alguma frequência, como Recife, Natal e Fortaleza. Em todos os shoppings que tenho frequentado, tenho visto pessoas de várias etnias, ou mesmo vou acompanhado de amigos e amigas de etnias diversas: negros, brancos, japoneses, índios e miscigenados em várias combinações (aliás, tem combinações que ficam uma beleza - as morenas, por exemplo; meu Deus!): todos consumindo, ou apenas passeando e conversando, em paz. Havendo casos específicos de discriminação étnica por parte de algum shopping, configura-se crime e deve ser punido. Também não é verdade que os shoppings só permitam o acesso dos "bons consumidores". Provo isso com muita facilidade: eu sou um péssimo consumidor e nunca fui expulso de nenhum shopping. Estou cansado de ir a shoppings e consumir apenas um sorvete de casquinha (2 reais).
As declarações capciosas do ministro Gilberto Carvalho foram suplantadas pelas declarações racistas de Luiza Bairros, que vem a ser, pasmem, ministra da Igualdade Racial. Declarou a ministra sobre os rolezinhos:
"As manifestações são pacíficas. Os problemas são derivados da reação de pessoas brancas que frequentam esses lugares e se assustam com a presença de jovens".
Isso não é apenas uma mentira escancarada, é uma mentira intencionada. No caso, mal intencionada, que discrimina os brancos, pejora os brancos e fomenta o ódio entre etnias. Configura-se aí crime de racismo? Deixo aos advogados, promotores, procuradores e juízes a avaliação, à luz da Constituição. Que é uma generalização mentirosa, está na cara. Pelos vários vídeos e fotos que o Brasil viu e está vendo, tanto entre os rolezeiros quanto entre os frequentadores habituais dos shoppings, havia pessoas de todos os matizes de pele (no Brasil, seria de estranhar se não fosse assim). Por outro lado, será tolice supor que apenas as "pessoas brancas" possam se assustar diante de ocorrências inusuais, como uma aglomeração muito grande e correrias em um shopping. Mas, no caso da ministra, não foi tolice; foi astúcia politiqueira.
A astúcia politiqueira, claro, não é só da ministra Luiza; está na fala do ministro Gilberto e pode-se presumir que seja orientada pela presidenta Dilma e seu marqueteiro. Segundo comentários de vários politicólogos, o objetivo da turma de Lula-Dilma-PT ao apoiar os rolezinhos é ganhar a simpatia e os votos dos jovens da periferia. Não é uma conclusão difícil e eu acho que é isso mesmo. Agora, não sei se vai dar certo. Se os rolezinhos avançarem em violência, pode dar errado. E tem outro perigo: ao incentivar os rolezinhos de janeiro nos shoppings, o governo Dilma pode receber por acréscimo o Grande Rolezão da Copa 2014, nas ruas e nos estádios, repetindo-se, em escala maior ou menor, as Jornadas de Junho de 2013.
Com efeito, já corre pela internet e no boca-a-boca a convocação de mobilizações durante a Copa do Mundo de Futebol; e tem até uma prévia agendada para o dia 25/01. Essa prévia pode não acontecer e a tendência era de que não acontecesse. Porém, a eclosão dos rolezinhos, ainda mais tendo o apoio do governo, com declarações entusiásticas de ministros, pode levar muita água ao moinho dos mobilizadores.
Manifestações de protesto durante a Copa do Mundo é tudo que Dilma não quer. Talvez a estratégia de incentivo aos rolezinhos tenha sido mal calculada. "O feitiço pode virar contra o feiticeiro"; "O tiro pode sair pela culatra"; etc.
Seja como for, se acontecer o GRANDE ROLEZÃO DA COPA DO MUNDO 2014, esperamos que seja pacífico. Mas quem garante? Do mesmo modo, quem garante que os rolezinhos, incentivados pelo governo Dilma, não desandem para a violência?
domingo, 12 de janeiro de 2014
Sobre ideologia/política e amizade - ou Voltaire, a esquerda festiva, a tolerância e o totalitarismo: um post em homenagem ao combativo intelectual/educador José Renato Uchôa
"Não concordo com uma única palavra do que dizes, mas lutarei até a morte pelo teu direito de dizê-las".
Sobre o último artigo de Zé Renato que publiquei, como resposta a uma mensagem desse tipo que lhe enviei, meu amigo me respondeu com duas outras que me deixaram bem contente. Tais mensagens aí estão, no fim deste post. Verão vocês que tenho motivos para me alegrar. No post anterior havia falado exatamente sobre a possibilidade de que amizade valesse mais do que discordâncias político-ideológicas. Tendo sido eu marxista, bolchevista e petista, tenho vários amigos e amigas nesse campo. Hoje, abomino o marxismo, o bolchevismo e o lulo-petismo. Todavia, a amizade que nutri pelos velhos companheiros e inesquecíveis companheiras continua a mesma. Essa é uma das muitas vantagens da democracia: a tolerância, a convivência entre pessoas de ideias contrárias. Vejam que no totalitarismo (tanto o totalitarismo bolchevista quanto o totalitarismo nazi-fascista) tais discordâncias são, usualmente, resolvidas com o extermínio de uma das partes. Stálin, por exemplo, matou todos os seus velhos companheiros do comando bolchevista (não matou Lênin porque Lênin se apressou em morrer). Na China, os velhos companheiros do Presidente Mao assassinaram a mulher do velho companheiro. E ainda agora, dia desses, o bolchevista Kim Jung-Un, ditador no regime marxista-leninista da Coréia do Norte, segundo informação do jornal chinês "Wen Wei Po", jogou o próprio tio numa jaula para ser devorado por 120 cães ferozes e famintos (velozes e furiosos, também se pode dizer).
Mas quero avisar aos velhos companheiro e inolvidáveis companheiras que continuo me reclamando da esquerda. Esquerda democrática e liberal (mesmo porque sem liberalismo não existe democracia). Esquerda democrática e festiva, claro. Quando eu era bolchevista, meus companheiros mais sisudos me acusavam de ser um porra-louca, esquerda festiva. Agora que passei a abominar todo tipo de totalitarismo (antes abominava apenas o totalitarismo nazifascista e achava o totalitarismo comunista uma beleza) tenho melhores motivos para querer que a esquerda seja festiva. Não sou da esquerda caviar porque não tenho dinheiro para comprar caviar. Para mim, cerveja com siri e amendoim já está de bom agrado. Aliás, acho que quem é de direita é esse pessoal que defende ditaduras, inclusive a ditadura do proletariado. Essa, diga-se, é a mais safada de todas as ditaduras, porque, além de não prestar, é mentirosa, propaganda enganosa: nunca existiu nem tem como existir ditadura do proletariado. É preciso ser muito cretino para elaborar tamanha charlatanice (e essa não foi a única charlatanice elaborada por Marx e Engels) e ainda mais cretino para acreditar.
Voltemos à amizade. Em dezembro passado, tentei combinar com Zé Renato e outro amigo dos tempos do velho PT (Francisco Costa de Araújo, o famoso Chico Gato), ambos morando distante da nossa amada Felipéia de Nossa Senhora das Neves, um encontro aqui na Praia do Bessa, no Restaurante do Arruda, que é militante do PSOL. Não deu certo. Seria um encontro nostálgico no qual tentaríamos reunir toda a esquerda bolchevista e festiva dos tempos de antanho: dos anos de chumbo, da campanha da Anistia, da fundação do PT. Beberíamos cerveja e ouviríamos músicas antigas: "Soy Loco Por Ti América", "Caminhando e Cantando", "Junto À Fogueirinha de Papel", "Comandante Che Guevara", "A Internacional Comunista",... Para matar saudades, eu não me incomodaria em voltar a ser bolchevista por um dia (e uma noite, claro).
Não deu certo. Mas a ideia, pelo menos para mim, não morreu. Meus velhos e muito caros amigos Zé Renato e Chico Gato, se e quando vocês novamente vierem a Jampa Capital, poderemos retomar o plano nostálgico. Ajudem-me a compor a lista de convidados. Não poderá deixar de ser lembrado nenhum velho camarada bolchevique, nenhuma antiga companheira de lutas.
VIVA A LIBERDADE! VIVA A SAUDADE! VIVA A AMIZADE!
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
O Papa Francisco, o marxismo e um artigo magistral do filósofo Denis Rosenfield (modificado e corrigido)
"A ideologia marxista é errada, mas na minha vida conheci muitos marxistas que eram boas pessoas, por isso não me sinto ofendido".
No Brasil, a turma da esquerda marxista fez a festa com a critica ao capitalismo e também com a declaração de amizade de Francisco aos bons marxistas. Quanto ao fato de o marxismo ser declarado como um erro, isso foi deixado de lado. Já eu considero que isso é o mais importante: o marxismo é um erro.
O marxismo é o mais desgraçado dos erros que a inteligência humana produziu, um erro que durante algum tempo conduziu metade da humanidade de volta à servidão, um erro que construiu estados totalitários especializados em falsificar, mentir, perseguir, prender, torturar e assassinar. Os assassinatos dos regimes marxistas foram realizados em escala monumental: 20 milhões na União Soviética, 70 milhões na China Comunista (arredondando em números conservadores). No Cambodja, o regime marxista do Khmer Vermelho exterminou cerca de 7 milhões de pessoas, um terço da população. O regime de servidão inaugurado pelos marxistas na Rússia, em 1917, constituiu-se em império e dominou meio-mundo por pouco mais de meio século. Aí, apodreceu e desmoronou em quase todo o mundo. Desgraçadamente, subsiste ainda em países como a Coréia do Norte, com sua sórdida tirania de marxistas hereditários. E em Cuba, numa tirania que passa de irmão para irmão. Na China vige uma tirania marxista de partido único sustentada por um regime econômico de capitalismo-selvagem.
O marxismo é um erro, todavia o Papa Francisco tem também razão quando afirma que existem marxistas que são boas pessoas. Eu mesmo conheço vários, tanto no plano histórico quanto no plano das minhas relações pessoais. Marxistas históricos eu até admiro alguns, especialmente aqueles que foram críticos duros da mais abominável forma de marxismo, que é o bolchevismo. Minha querida Rosa de Luxemburgo, por exemplo, ainda nos albores da revolução de 1917, gritou a verdade sobre a "ditadura do proletariado" imposta na Rússia pelo tirano Lênin e seus sequazes: "É uma ditadura sobre o proletariado". Também admiro o marxista Otto Rühle, que lutou na resistência ao nazismo na Alemanha e escreveu o libelo "A luta contra o fascismo começa com a luta contra o bolchevismo", onde demonstra que bolchevismo, fascismo e nazismo é tudo uma família só, sendo o bolchevismo o pai. E, antes da Rosa e do Otto, o grande marxista Eduard Bernstein, que, na virada do séc. XIX para o séc. XX, revisou o marxismo e logrou trazer parte significativa do movimento socialista internacional para o leito da democracia, na forma da social-democracia.
Quanto aos marxistas meus amigos, já por serem meus amigos, merecem minha admiração e afeto; só peço que, se lerem esse texto, não me queiram mal. A amizade, pelo menos para mim, é um valor maior que qualquer ideologia.
Voltemos às críticas do Papa Francisco ao capitalismo. Foram críticas genéricas. Ele está coberto de razão, e eu não conheço um único cristão que não faça críticas genéricas ao capitalismo. Eu mesmo, que vivo em um país capitalista, pra onde olho vejo coisa errada. Se olhar para o mundo capitalista globalizado, também vejo muita coisa errada e critico, como o Papa Francisco vê e critica. Se, todavia, a crítica ao capitalismo é salutar, a crítica da esquerda marxista ao capitalismo por comparação ao socialismo/comunismo é mistificadora, um embuste rasteiro. E aqui chego ao referido artigo de Denis Rosenfield. Um artigo magistral, não porque revele alguma novidade, mas porque dito com argúcia e precisão irresistíveis. Intitula-se "O embuste ideológico", foi publicado em O Globo (30/12/2013) e reproduzido em vários sites e blogs. Aconselho a leitura, já transcrevendo aqui dois trechos:
"Não há sequer uma experiência histórica de compatibilização entre socialismo/comunismo e democracia".
Essa é uma velha constatação que precisa ser sempre repetida. Com a expressão "socialismo/comunismo", Rosenfield, certamente, refere-se ao socialismo marxista. O chamado socialismo-democrático praticado há décadas em vários países europeus é, na verdade, um capitalismo avançado. O marxismo, repita-se, provou-se incompatível com a democracia não apenas quando colocado em prática; mas tal incompatibilidade é mesmo doutrinária. Pela letra da doutrina, tal como expressa por Marx e Engels, a "ditadura revolucionária do proletariado" é o único caminho que abre as portas do paraíso. Revisionistas como Eduard Bernstein e Karl Kautsky rejeitaram essa chave de violência e opressão, e por isso foram chamados pelo marxistas ortodoxos de "renegados" (com razão, do ponto de vista da ortodoxia marxista, diga-se). É importante repetir essa obviedade da incompatibilidade entre marxismo e democracia porque hoje o pau que mais tem no Brasil é marxista envolto em capa de democrata. Quem quiser ser democrata que abandone o marxismo: acender uma vela para Deus e outra para o diabo é pecado.
Vamos ao trecho em que Rosenfield desmascara o embuste da crítica comparativa:
"O embuste consiste no seguinte: o capitalismo não é comparado ao socialismo. Se isso fosse feito, a comparação, por exemplo, deveria ser entre a Alemanha capitalista e a socialista, ou ainda, entre a Coréia capitalista e a socialista. Os termos da comparação teriam parâmetros que serviriam de critério para qualquer avaliação. A comparação é de outro tipo. Compara-se o capitalismo real, existente, com a ideia de socialismo forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições. Ou seja, atribui-se ao socialismo todas as perfeições e, de posse destes atributos, passa-se a verificar se eles 'existem' no capitalismo".
Jesus Cristo, sabe o Papa Francisco e sabemos todos nós, pregou o Paraíso Celeste; já mesmo por saber da impossibilidade do paraíso na terra. Está em João 16, 33: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo".
Karl Marx - que não acreditava em Jesus Cristo, nem em Deus, nem no Céu - profetizou o paraíso terrestre. Uma beleza de paraíso. Mas, pelo método usado para produzir o paraíso terrestre, os marxistas foram reproduzindo na terra o inferno.
O capitalismo não pode ser comparado a nenhum paraíso e nunca chegará a ser um paraíso, mas sempre pode ser melhorado. Os extintos regimes marxistas se provaram tão ruins que será difícil até mesmo imaginar como poderiam ter sido piorados. Já os regimes marxistas subsistentes que vêm tentando melhorar, o fazem por aplicação de doses maiores ou menores de, vejam só..., capitalismo.
