Blog Rocha 100

No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

sábado, 29 de março de 2014

Brasil 1968/O ANO QUE NÃO TERMINOU - VENEZUELA 2014/O ANO QUE SÓ COMEÇOU: "Vem, vamos embora, que esperar não é saber"

Com bravura e competência, o coronel Hugo Chávez preparou o fascismo na Venezuela. Por morte do seu criador, esse fascismo, já maduro,  passou às mãos de Nicolás Maduro, um sujeito infame como um trocadilho infame. Deixado aos cuidados do infame Maduro, o fascismo chavista apodreceu.

Vejam que não nego ao coronel Hugo Chávez os atributos de bravura e competência. Nem os nego ao cabo Adolf Hitler - aliás, condecorado com a Cruz de Ferro por bravura na Primeira Grande Guerra -, criador do fascismo na Alemanha, chamado de nazismo devido à sigla NAZI do partido hitlerista - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães -; tão socialista quanto o socialismo bolivariano de Hugo Chávez (coitado do Simón Bolívar, vilipendiado pela apropriação do fascismo chavista).

Na Alemanha, o audacioso Hitler tentou chegar ao poder através de um golpe. O golpe fracassou e o golpista foi preso. Mas sairia da prisão para chegar ao poder pelo legítimo caminho democrático, no  modo parlamentarista. Uma vez no poder, o astucioso Hitler usou de todos os mais ilegítimos artifícios para destruir a democracia e submeter o Estado alemão ao seu absoluto poder nazista. Na Venezuela, o astucioso Chávez seguiu a mesma trilha, com igual sucesso, terminando por submeter o Estado venezuelano ao seu absoluto poder nazi-bolivariano.

O nazismo foi barrado apenas a custa da mais terrível guerra da história. O nazi-chavismo está sendo enfrentado nas ruas da Venezuela por milhares de rebeldes, especialmente pela juventude estudantil.

No Brasil, em 1968, a juventude estudantil enfrentou nas ruas o fascismo de uma ditadura militar. Eu estive naquela luta, na linha de frente, de peito aberto. E bradava: ABAIXO A DITADURA! E cantava nas passeatas a  música de Geraldo Vandré: "Caminhando e cantando..."; "Vem, vamos embora, que esperar não é saber".

"Porém..., ai porém"; muitos dos que comigo cantaram, hoje ficam mudos diante da violência do nazi-chavismo do podre Nicolás Maduro, que prende, espanca, tortura e mata (sendo jovens estudantes as principais vítimas). Pior: alguns que em 1968 cantavam contra a ditadura militar brasileira torturadora e assassina, hoje cantam louvores para a ditadura nazi-chavista venezuelana torturadora e assassina.

Não obstante a omissão vergonhosa do governo brasileiro e a cumplicidade criminosa de dirigentes do PT diante das flagrantes violações aos Direitos Humanos na Venezuela por parte do regime nazi-chavista (dentre as quais violações, repita-se: espancamentos, torturas e assassinatos); nada obstante, espalha-se pelo mundo e chega ao Brasil a indignação com tais violências (deveria ter sido o inverso, o Brasil deveria ter sido o primeiro país a se indignar com as atrocidades no país vizinho).

Zuenir Ventura, que lutou contra a ditadura militar naquele distante 1968, veio a escrever, 20 anos depois, um excelente livro, a começar pelo título tão sugestivo, que tomei emprestado para título deste post:

"1968 O ANO QUE NÃO TERMINOU"

Com efeito; não terminou e recomeçou neste 2014, na Venezuela, cujo povo, cuja juventude, em decisiva luta por Liberdade, Democracia e Direitos, precisa da solidariedade dos brasileiros. À essa solidariedade, especialmente, não se podem furtar aqueles que, como Zuenir Ventura e como tantos, em 1968, pelas ruas e praças do Brasil, não deixaram de "falar de flores" e "seguiram com a canção":

"Vem vamos embora, que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"

VIVA A VENEZUELA! VIVA A LIBERDADE! 
ABAIXO A DITADURA PODRE DE MADURO!      

quarta-feira, 26 de março de 2014

Iremar Bronzeado e Catarina Rochamonte: dois textos político-filosóficos de referência sobre a Democracia - e notícia sobre atualização do Blog

Os filósofos Iremar Bronzeado e Catarina Rochamonte publicaram pela mesma época os textos que serão objeto deste post com o qual atualizo o Blog, após um longo período afastado. Antes quero avisar que o retorno é pra valer; quer dizer, a partir de hoje o Blog ROCHA 100 será atualizado, no mínimo, uma vez por semana. Nosso objetivo é a atualização diária, e a isso chegaremos com a colaboração dos leitores e comentaristas. É o seguinte: o que estimula o blogueiro é o número de leitores e de comentários. Com poucos leitores e poucos comentários, dá muita preguiça de escrever.

Vamos aos textos de Bronzeado e Rochamonte.

Retorno preguiçosa e astuciosamente, visto que farei apenas breve comentário a esses excelentes textos, que considero referenciais para do debate democrático da atualidade, apresentando-os em seguida. Quem já os leu, nada perderá em os reler. E espero que aproveitem para comentar. Vejam que a internet vem funcionando no mundo hodierno como uma Ágora rediviva, um espaço privilegiado para o debate democrático.

Os textos em tela têm como ponto comum, além da defesa da Democracia e da Liberdade, o enfoque dos momentos históricos onde os luminosos ideais de Liberdade escorregaram, terminando por afundar na lama pútrida dos totalitarismos do século XX.  Se bem que os totalitarismos bolchevistas e nazi-fascistas tenham naufragado, alguns baluartes resistem, como são os casos das ditaduras da Coréia do Norte e de Cuba. E ainda, o totalitarismo tenta reabilitar-se em alguns países, como é o caso da Venezuela, hoje sob comando de um facínora fascista que persegue, prende, tortura e mata (principalmente jovens estudantes, que são a vanguarda da resistência ao regime nazi-chavista do podre Nicolás Maduro).

Vamos aos textos; e, espero, ao debate:


NÓS E O NAZI-COMUNISMO CUBANO

As correntes antiliberais – nazi-fascismo, nazi-comunismo, fasci-socialismo – acusam as economias liberais de mercado de promover a famosa "exploração do homem pelo homem", e propõem como antídoto para essa ignomínia social a substituição do Estado dominado pela burguesia exploradora por um Estado proletário, legítimo representante das classes exploradas. Este Estado tem que ser suficientemente forte, abrangente e totalitário, uma pétrea "ditadura do proletariado",  capaz de se contrapor e destruir o que eles chamam de alienante “ditadura da burguesia". A nova ordem daria ensejo ao que seria a última fase do desenvolvimento humano, a marcha acelerada em direção à utopia de uma sociedade de paz e abundância, anárquica, sem Estado, sem lei nem senhor. Um belo sonho, nascido dos belos sentimentos de solidariedade do coração humano, que o faz chorar com os que choram e sofrer com os que sofrem. E os corações dos fasci-socialistas se encheram de piedosa boa vontade. Uma nobre e voluntariosa boa vontade, reconheçamos, para livrar o mundo do lamaçal alienante do lucro, da competição econômica e do consumismo desenfreado, e alçá-lo às culminâncias do ideal de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa.
Só que, "de boa vontade o inferno está cheio", como reza o bom senso da sabedoria popular. Ou seja, não adianta ter a melhor das boas vontades se não se encontra o caminho correto e seguro para por em prática as utopias e objetivos de que ela se alimenta. Um caminho errado pode estragar tudo, e, em vez do topo da montanha, levar o caminhante a se despedaçar nos íngremes penhascos de um tenebroso abismo. Foi o que aconteceu quando, seguindo o caminho troncho da luta de classes, os fasci-socialistas colocaram em prática os generosos ideais de sua insinuante doutrina, terminando por trocarem a exploração do homem pelo homem pela muito mais ferina e despótica exploração do homem pelo Estado. Estados que, apesar de se dizerem proletários e democráticos, não passaram de comitês representativos da súcia tirânica  dos mais espertos dentro dos partidos únicos, dirigidos pela fabricada liderança de um führer, um chefe supremo, a quem todos deviam cegamente obedecer.         
Estrondosamente fracassado na Europa, o esquema nazi-fasci-socialista voltou-se para a América Latina, como a última tábua de salvação para sua desbaratada doença ideológica, para eles, com certeza, um meio mais dócil e receptivo à sua propaganda enganosa, por ser um continente carente de um capitalismo avançado, e, por isso, dominado pela pobreza, pela ignorância e pelo analfabetismo. O investimento nazi-fascista na latinidade americana até agora está dando certo, pois, aqui e acolá, nesta última década, começaram a pipocar, pela via troncha do populismo fraudulentamente                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       democrático, governos latino-americanos abertos à implantação do novo "socialismo bolivariano", e simpáticos à defesa e à cooperação com o nazi-comunismo Cubano. Infelizmente, o Brasil caiu nessa esparrela, que lhe vai custar algumas décadas de atraso em seu desenvolvimento econômico e social. E a nossa "presidenta" guerrilheira, em vez de usar o nosso suado dinheirinho para dirimir as numerosas mazelas que apequenam nossa nação, desvia-o para colaborar com o golpe nazi-propagandístico dos médicos cubanos, que visa transformar em verdade a mentira de que a Cuba nazi-comunista é pobre, mas distribui bem a sua pobreza, oferecendo à população uma educação e uma saúde públicas tão perfeitas que se lhe permitem o luxo de exportá-las para o resto do mundo. (Tal "perfeição", infelizmente [ou felizmente?] só não deu para salvar a vida do seu aloprado parceiro bolivariano Hugo Chaves). E tudo é feito atropelando nossas leis trabalhistas e os famosos "direitos humanos", que a esquerda fascista tanto manipula, pois dos dez mil reais mensais por médico, que pagamos ao Estado cubano, só menos de 10% chega às mãos dos pobres e explorados esculápios.   O resto é retido para a formação de divisas, que o regime incompetente da ilha caribenha não consegue produzir. Na verdade, a competência (ou incompetência?) dos médicos cubanos é vendida como nos tempos da escravidão no Brasil, quando os senhores vendiam os serviços dos seus escravos possuidores de alguma habilidade especial, que por isso ficaram conhecidos como "escravos de ganho". Estes, a única coisa que recebiam pelo seu trabalho era a comida e a dormida, enquanto ao seu senhor era pago o total da remuneração que, por justiça, lhes era devida, da mesma forma como o governo cubano recebe o total dos salários de seus enviados "para salvar a saúde brasileira"T, concedendo-lhes apenas uma pequena parte para comida, roupa e hospedagem.
Os brasileiros de fé e consciência permanecem indignados com este estelionato, que faz uso dos seis meses de trabalho que eles pagam como tributo, para alimentar o "berço da serpente" caribenho, onde se aninham os inimigos da liberdade e da democracia. 


SOS VENEZUELA: imperativos da Democracia e dos Direitos Humanos
Catarina Rochamonte
Um momento antes da atual conjuntura, um período afamado como moderno precipitou-se em teorias absurdas e definitivamente além dos horizontes próprios da averiguação humana. Além de a mensagem sobrepujar o próprio horizonte limitado do conhecimento, seu teor alcançou um patamar só permitido ao discurso advindo da própria revelação. Referimo-nos ao espetáculo metafísico do séc. XVIII onde os maiores progressos técnicos se encaminhavam para uma melhor aplicação e a singular presunção humana lançou o próprio pensamento técnico aos céus, como se a possibilidade de arranjar conceitos fosse suficiente para fazer a verdade fluir. Recalcitrante no que tange às demandas críticas impostas por Kant, os idealistas se propuseram uma metafísica romântica incomparável em beleza e em falta de lucidez, pois a própria perscrutação do infinito pressupõe asas outras que as meramente intelectuais. Concentrando esforços na fulguração divina do inusitado intento, o filósofo Hegel se prestou a artes infinitas de dialética enquanto o espírito absoluto de que falava outra coisa não era que a empáfia própria de uma mente obscurecida pela própria potência. Ligar Deus ao conceito sem atinar para a concordância efetiva entre Deus e fé, sem atinar para a transcendência absoluta de Deus em relação à lógica é sinalizar conflitos e abastecer corretas inclinações sem corretas possibilidades. Não negamos que Deus seja o infinito e o absoluto, negamos que ele seja o infinitamente lógico, pois o logos é tão somente a esfera menor na qual a humana inteligência pode trabalhar. Limitar Deus à lógica é limitar o homem ao pensamento intelectual e sem vida. Coerência desprovida de seiva e de chão, de sapiência existencial e de carnalidade, pois a carne também participa da ascensão gradual ao conhecimento através de suas depurações sucessivas. Como o próprio filósofo se abismava na própria terra inventada, a tendência máxima da estupefação alienante se verifica ao comparar-se a si mesmo ao espírito absoluto sob o pretexto de tê-lo atingido. Tudo isso não passa de desatinos próprios de uma mente privilegiada em um determinado aspecto e obtusamente frágil em outros. Comparar o esforço hegeliano ao esforço marxista é o propósito do nosso texto, pois enquanto um sobrevoava o tempo em busca do espírito absoluto, o outro solapava as esperanças dos que criam no efetivo espírito. Desterrados do conceito obnubilador de absoluto metafísico, os homens se ataviaram na busca da perfeição terrena por caminhos altamente deturpados e carentes da mais singela e humilde vocação evangélica. Correram atrás das massas e enobreceram cidadãos desprovidos de espírito religioso, respaldaram teses abjetas e demoliram pretensões sãs e coerentes de consolidar paulatinamente uma sociedade hábil e concretamente constituída sob o respaldo da democracia, consolidaram um poderio beligerante próprio da terra e com ele apregoaram o paraíso terrestre, deserdaram homens e assaltaram mãos famintas a propósito de um bem coletivo altamente questionável. Consentâneo obstáculo ao progresso real verifica-se hoje quando os remotos líderes se fazem aplaudir através de uma covarde desistência e de uma anárquica coesão. Venezuelanos se põem em busca de um líder capaz de governar um povo sem que a própria astúcia e desatino mental o ponha a perder. Liderados por desastrados e deficientes homens, esse povo clama e se revolta sem que a mundial política se dê ao caso de verificar a atual correção do mandato em vigor. Completamente louco está aquele que dirige o país e conquanto a democracia seja o esteio fundamental da nossa civilização, o Brasil se prestaria um favor se opondo a um tutor beligerante e deturpado nos mais singulares princípios éticos. Rapidamente tracejamos essas linhas a fim de fazer ver que um erro teórico, se deixado à solta, conduz a pérfidas consequências e consagra louros à ignorância. Lentamente encaminhemos nossas reflexões para a possibilidade de um arranjo global entre os povos, pois o quesito em pauta não é nem metafísica, nem política, mas a real necessidade humana de conduzir o mundo segundo preceitos radicados em princípios reais. O norte maior da condução comum é a justiça e a justiça é o elemento básico de coesão e coerção. Comumente se estabelecem votos em favor da administração em voga, mas a política seriamente conduzida desmente a propensão à beligerância e ao colonizador anelo. Conquanto os esforços diplomáticos de interferir minimamente na soberania nacional seja um zelo elementar, ele não se opõe ao trâmite necessário em caso de sucessão partidária. Consagrado pelo povo sem ser consagrado pelas urnas (a vitória foi por uma margem de 1,59 ponto percentual), o atual presidente da Venezuela deveria ser banido do cargo à menor violação dos direitos humanos. Conduzido por partidários débeis, seu mandato consolida-se tão somente pelo apoio popular que, uma vez retirado, deveria retirá-lo do cargo também. O apoio insólito dos países vizinhos se afigura algo abjeto, pois o elemento maior desse apoio é a questão financeira do respaldo energético. Cumplicidade ante a maior falta de respeito aos direitos humanos e sórdida aliança por fins materiais é o que se verifica no descaso global com a atual problemática desse país. Convocar o povo ao apoio estudantil e convocar à parcimônia aqueles que se dizem comunistas é uma luta atual e necessária, pois tudo o que diz respeito à honradez e à dignidade humana é objeto de estudo e de direção em qualquer tempo em que se lhes corrompa o progresso.



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Com o velho e insuperável cinismo, Lula resolve defender petistas corruptos-mensaleiros

Contrariando os companheiros da Papuda, a maioria da cúpula do PT e o clamor da militância, o chefe Lula não vinha demonstrando entusiasmo na defesa dos petistas corruptos-mensaleiros condenados pelo STF. Resolveu adequar-se. E, para não variar, foi de um cinismo ímpar. Disse que pessoas que cometem crimes devem ser punidas, "se tiver prova". Putaquipariu!, os corruptos que ele estava defendendo foram condenados porque depois de quase uma década de investigação, processo e julgamento foi provada a culpa dos mesmos na mais alta Corte de Justiça do Brasil. Para que tal fala fizesse algum sentido, Lula deveria ter acrescentado: "se tiver prova aceita no tribunal do PT". O cinismo de Lula revela isto: o sentimento dos petistas de que o PT está acima do Estado Democrático, acima da  Justiça, acima da Lei. Foi sempre esse o sentimento de bolchevistas e nazi-fascistas em relação aos seus partidos.

Mas o cinismo de Lula não parou por aí; ele acrescentou que o compromisso do PT é "ser ético". Putaquipariu! de novo, 13 vezes Putaquipariu!

A ocasião que Lula utilizou para assumir esse "compromisso ético" em nome do PT foi emblemático: uma caravana de campanha antecipada, portanto ilegal, do Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Junto de Lula e após Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, solidários, não quis deixar Lula ser cínico sozinho e lascou esta: "A Lei nos impede de fazer propaganda e campanha antes das datas estipuladas, mas não nos impede de conversar e debater nossos problemas. É isso que nós estamos fazendo com esse projeto".

O referido projeto se chama "Carava Horizonte Paulista". No discurso de Lula foi também apresentado o seguinte e angustiante problema a ser debatido: "O dia em que o PT governar o brasil e o Estado de São Paulo, a gente vai fazer muito mais do que a gente já fez".

O próprio candidato Padilha considerou em profundidade a problemática paulista, apresentando-a por partes: disse que "um time iria entrar em campo para o campeonato mais duro"; revelou que "São Paulo precisa de uma estrela"; descortinou que "a pilha dos adversários está fraca".

Como se vê, tudo problema da maior gravidade e urgência, nada que nem de longe lembre campanha eleitoral.

Putaquipariu!, tem Justiça Eleitoral que é cega!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O Delúbio de Ouro e a opção pela corrupção - ou o bom-senso do vereador Fuba e as furungadas certeiras de Olívio Dutra

Hoje, a principal bandeira do PT - a mais visível, a mais estridente, a mais escandalosa - é a defesa de corruptos; e, por essa via, a defesa da própria corrupção. Paralelamente, o petismo faz uma sórdida campanha de desmoralização da Justiça brasileira, mirando especialmente o STF e seu digno Presidente, ministro Joaquim Barbosa.

O PT não defende corruptos de modo geral, defende, com unhas e dentes, apenas seus próprios corruptos, seus corruptos de estimação.

Condenados por crime de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal, os chefes petistas José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e Henrique Pizollato foram erguidos pelo fanatismo petista ao Panteão dos Heróis. O PT os glorifica, o PT os celebra: é uma festa! Festa, aliás, onde não falta dinheiro.

Precisando pagar uma multa de 600 e tantos mil reais, José Genoíno providenciou uma vaquinha pela internet: em poucos dias deu que sobrou. Genoíno até mandou um troco, uns 30 mil, para a vaquinha da multa do Delúbio Soares; multa de 400 e tantos mil. Nem precisava.  Na verdade, a vaquinha do Delúbio humilhou a vaquinha do Genoíno. A vaquinha do Genoíno ficou em pouco mais de 700 mil reais, a vaquinha do Delúbio passou de 1 milhão. Não é propriamente uma vaquinha, é uma vaca gorda. Vejam que Delúbio entende do assunto; além de ter sido tesoureiro da corrupção do mensalão, consta que tem umas terras com muitas vacas lá pelas bandas de Goiás. De qualquer forma, como se vê pela facilidade com que Delúbio levantou 1 milhão de reais, a turma do PT e simpatizantes está "botando dinheiro pelo ladrão". É de tal forma o entusiasmo petista que a doação do vil metal a criminosos julgados, condenados, sentenciados e engaiolados é elevada à condição do civismo. Vejam, por exemplo, o que diz o coordenador jurídico do PT, Marco Aurélio Carvalho: "Reputamos o sucesso da arrecadação à militância, que respondeu de forma  cívica e altiva aos excessos e provocações do ministro Joaquim Barbosa". Não passa pela cabeça deste causídico petista que um partido político exaltar criminosos e por todas as maneiras afrontar a Justiça é o que verdadeiramente constitui provocação e excesso.

Também será um excesso a transformação de Delúbio em santo, protomártir da causa da corrupção. Talvez seja mais adequado tratar a adulação que rende dinheiro fácil a este corrupto engaiolado como um caso de idolatria. Lá nos templos bíblicos, corruptos prostraram-se com suas oferendas aos pés do Bezerro de Ouro. Hoje, os que fazem opção pela corrupção com suas vaquinhas para corruptos prostram-se com suas oferendas aos pés do Delúbio de Ouro.

Porém, diga-se, nem todos petistas demonstram o mesmo entusiasmo na defesa dos corruptos-mensaleiros. O chefe Lula, por exemplo, não consta que tenha depositado alguma merreca na conta dos companheiros da Papuda, nem publicamente esforça-se em defendê-los. Só uma vez, lá no Congresso do PT, deu uma colherzinha para os companheiros condenados. Colherzinha dada, aliás, sob pressão da plateia militante, que clamava: "Lula, guerreiro, defende os companheiros" (e dizem que também por exigência e ameaça de Zé Dirceu). Esse pouco entusiasmo de Lula foi o bastante para incomodar o deputado corrupto-mensaleiro João Paulo Cunha, que deu uma entrevista destilando mágoa. A presidenta Dilma é outra que evita o tema e, dizem, "quer virar a página".

Aqui em Jampa Capital, o vereador Fuba, petista novato, intelectual e magnífico cantor/compositor, revelou-se também um homem de coragem, pois, contrariando petistas veteranos e fanáticos velhos e novos, esteve entre os que, na Câmara Municipal de João Pessoa, aprovaram, por unanimidade, voto de aplauso ao STF pela condenação dos mensaleiros. Fuba justificou sua corajosa atitude com um raciocínio do mais cristalino bom senso: "Eu não vou defender o errado". O fanatismo petista, como se vem provando, defende qualquer erro, desde que seja conveniente ao PT. Esse fanatismo está enterrando o PT, só petistas que tenham coragem, como Fuba, de enfrentar o fanatismo petista poderão salvar o PT.

Outro que demonstrou bravura foi o dirigente histórico do PT e ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra, que disse a José Genoíno, ainda antes da prisão deste: "Eu acho que tu deverias pensar na tua biografia. Eu acho que tu deverias renunciar. Mas não tenho porque furungar nisso". Não obstante a ressalva, Olívio Dutra furungou outras vezes "nisso", que vem a ser o envolvimento do PT com crimes; prática, aliás, justificada pelo filósofo petista Paulo Betti, lá pelos primórdios do escândalo do mensalão, como necessidade política de "meter a mão na merda". Pois, contrário à "ética da mão na merda", Olívio Dutra continuou furungando, e sempre com furungadas certeiras. Vejam esta, por exemplo: "Eu avisei em uma  ocasião que íamos sofrer com as más companhias" (bote má companhia nisso). E esta outra, sempre em relação ao julgamento do mensalão: "Funcionou o que deveria funcionar. O STF julgou e a Justiça determinou a prisão; cumpra-se a lei". 

Precisamente, tudo o que o PT não quer é cumprir a lei. Tudo que o PT quer, como tem demonstrado com essa campanha insana de exaltação de corruptos e afrontamento da Justiça, é colocar-se acima da Lei e da Justiça; acima do Estado Democrático de Direito. Dito de outra forma, a presente e audaciosa campanha, em que se inclui também a campanha pelo restabelecimento da censura (que eles chamam de "controle social da mídia", "marco regulatório", etc.), tenta, mais uma vez, fazer vingar um projeto autoritário gorado. É um ovo de serpente velho numa chocadeira velha. Vai gorar de novo.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Os rolezinhos e o Grande Rolezão da Copa do Mundo 2014

Ministros do governo Dilma, certamente com aval da presidenta, estão defendendo os rolezinhos que se espalham pelos shoppings do Brasil. Declarações de dois ministros merecem registro pela capciosidade, em um caso, e expressão de racismo, em outro.

Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, declarou sobre os rolezinhos:

"Uma manifestação clara da juventude que não tolera mais a limitação de espaços, a segregação de espaços só para aqueles que são bons consumidores, não aceita mais a discriminação por raça, por orientação social seja o que for".

Pra começo de conversa, o ministro está mentindo. De modo geral (e o ministro generalizou), os shoppings não discriminam por raça. Posso dar testemunho pessoal porque sou frequentador assíduo de shoppings, aqui em João Pessoa e em cidades que visito com alguma frequência, como Recife, Natal e Fortaleza. Em todos os shoppings que tenho frequentado, tenho visto pessoas de várias etnias, ou mesmo vou acompanhado de amigos e amigas de etnias diversas: negros, brancos, japoneses, índios e miscigenados em várias combinações (aliás, tem combinações que ficam uma beleza - as morenas, por exemplo; meu Deus!): todos consumindo, ou apenas passeando e conversando, em paz. Havendo casos específicos de discriminação étnica por parte de algum shopping, configura-se crime e deve ser punido. Também não é verdade que os shoppings só permitam o acesso dos "bons consumidores". Provo isso com muita facilidade: eu sou um péssimo consumidor e nunca fui expulso de nenhum shopping. Estou cansado de ir a shoppings e consumir apenas um sorvete de casquinha (2 reais).

As declarações capciosas do ministro Gilberto Carvalho foram suplantadas pelas declarações racistas de Luiza Bairros, que vem a ser, pasmem, ministra da Igualdade Racial. Declarou a ministra sobre os rolezinhos:

"As manifestações são pacíficas. Os problemas são derivados da reação de pessoas brancas que frequentam esses lugares e se assustam com a presença de jovens".

Isso não é apenas uma mentira escancarada, é uma mentira intencionada. No caso, mal intencionada, que discrimina os brancos, pejora os brancos e fomenta o ódio entre etnias. Configura-se aí crime de racismo? Deixo aos advogados, promotores, procuradores e juízes a avaliação, à luz da Constituição. Que é uma generalização mentirosa, está na cara. Pelos vários vídeos e fotos que o Brasil viu e está vendo, tanto entre os rolezeiros quanto entre os frequentadores habituais dos shoppings, havia pessoas de todos os matizes de pele (no Brasil, seria de estranhar se não fosse assim). Por outro lado, será tolice supor que apenas as "pessoas brancas" possam se assustar diante de ocorrências inusuais, como uma aglomeração muito grande e correrias em um shopping. Mas, no caso da ministra, não foi tolice; foi astúcia politiqueira.

A astúcia politiqueira, claro, não é só da ministra Luiza; está na fala do ministro Gilberto e pode-se presumir que seja orientada pela presidenta Dilma e seu marqueteiro. Segundo comentários de vários politicólogos, o objetivo da turma de Lula-Dilma-PT ao apoiar os rolezinhos é ganhar a simpatia e os votos dos jovens da periferia. Não é uma conclusão difícil e eu acho que é isso mesmo. Agora, não sei se vai dar certo. Se os rolezinhos avançarem em violência, pode dar errado. E tem outro perigo: ao incentivar os rolezinhos de janeiro nos shoppings, o governo Dilma pode receber por acréscimo o Grande Rolezão da Copa 2014, nas ruas e nos estádios, repetindo-se, em escala maior ou menor, as Jornadas de Junho de 2013.

Com efeito, já corre pela internet e no boca-a-boca a convocação de mobilizações durante a Copa do Mundo de Futebol; e tem até uma prévia agendada para o dia 25/01. Essa prévia pode não acontecer e a tendência era de que não acontecesse. Porém, a eclosão dos rolezinhos, ainda mais tendo o apoio do governo, com declarações entusiásticas de ministros, pode levar muita água ao moinho dos mobilizadores.

Manifestações de protesto durante a Copa do Mundo é tudo que Dilma não quer. Talvez a estratégia de incentivo aos rolezinhos tenha sido mal calculada. "O feitiço pode virar contra o feiticeiro"; "O tiro pode sair pela culatra"; etc.

Seja como for, se acontecer o GRANDE ROLEZÃO DA COPA DO MUNDO 2014, esperamos que seja pacífico. Mas quem garante? Do mesmo modo, quem garante que os rolezinhos, incentivados pelo governo Dilma, não desandem para a violência?

 



domingo, 12 de janeiro de 2014

Sobre ideologia/política e amizade - ou Voltaire, a esquerda festiva, a tolerância e o totalitarismo: um post em homenagem ao combativo intelectual/educador José Renato Uchôa

Intelectual, educador e militante político dos mais destemidos, meu velho amigo José Renato Uchôa tem divulgado, de vez em quando, em sua página no Facebook, uns artigos muito bem escritos, fortes e veementes enfocando o processo judicial do mensalão/Ação Penal 470, a prisão dos mensaleiros e, em especial, a atuação do Presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa. Não tenho concordado com uma única linha desses artigos, mas tenho publicado todos no Portal 100 Fronteiras (www.portal100fronteiras.com.br). Sempre que publico, envio mensagem a Zé Renato nesse sentido: que não concordo, mas publico. E lembro Voltaire:

"Não concordo com uma única palavra do que dizes, mas lutarei até a morte pelo teu direito de dizê-las".

Sobre o último artigo de Zé Renato que publiquei, como resposta a uma mensagem desse tipo que lhe enviei, meu amigo me respondeu com duas outras que me deixaram bem contente. Tais mensagens aí estão, no fim deste post. Verão vocês que tenho motivos para me alegrar. No post anterior havia falado exatamente sobre a possibilidade de que amizade valesse mais do que discordâncias político-ideológicas. Tendo sido eu marxista, bolchevista e petista, tenho vários amigos e amigas nesse campo. Hoje, abomino o marxismo, o bolchevismo e o lulo-petismo. Todavia, a amizade que nutri pelos velhos companheiros e inesquecíveis companheiras continua a mesma. Essa é uma das muitas vantagens da democracia: a tolerância, a convivência entre pessoas de ideias contrárias. Vejam que no totalitarismo (tanto o totalitarismo bolchevista quanto o totalitarismo nazi-fascista) tais discordâncias são, usualmente, resolvidas com o extermínio de uma das partes. Stálin, por exemplo, matou todos os seus velhos companheiros do comando bolchevista (não matou Lênin porque Lênin se apressou em morrer). Na China, os velhos companheiros do Presidente Mao assassinaram a mulher do velho companheiro. E ainda agora, dia desses, o bolchevista Kim Jung-Un, ditador no regime marxista-leninista da Coréia do Norte, segundo informação do jornal chinês "Wen Wei Po", jogou o próprio tio numa jaula para ser devorado por 120 cães ferozes e famintos (velozes e furiosos, também se pode dizer).

Mas quero avisar aos velhos companheiro e inolvidáveis companheiras que continuo me reclamando da esquerda. Esquerda democrática e liberal (mesmo porque sem liberalismo não existe democracia). Esquerda democrática e festiva, claro. Quando eu era bolchevista, meus companheiros mais sisudos me acusavam de ser um porra-louca, esquerda festiva. Agora que passei a abominar todo tipo de totalitarismo (antes abominava apenas o totalitarismo nazifascista e achava o totalitarismo comunista uma beleza) tenho melhores motivos para querer que a esquerda seja festiva. Não sou da esquerda caviar porque não tenho dinheiro para comprar caviar. Para mim, cerveja com siri e amendoim já está de bom agrado. Aliás, acho que quem é de direita é esse pessoal que defende ditaduras, inclusive a ditadura do proletariado. Essa, diga-se, é a mais safada de todas as ditaduras, porque, além de não prestar, é mentirosa, propaganda enganosa: nunca existiu nem tem como existir ditadura do proletariado. É preciso ser muito cretino para elaborar tamanha charlatanice (e essa não foi a única charlatanice elaborada por Marx e Engels) e ainda mais cretino para acreditar.

Voltemos à amizade. Em dezembro passado, tentei combinar com Zé Renato e outro amigo dos tempos do velho PT (Francisco Costa de Araújo, o famoso Chico Gato), ambos morando distante da nossa amada Felipéia de Nossa Senhora das Neves, um encontro aqui na Praia do Bessa, no Restaurante do Arruda, que é militante do PSOL. Não deu certo. Seria um encontro nostálgico no qual tentaríamos reunir toda a esquerda bolchevista e festiva dos tempos de antanho: dos anos de chumbo, da campanha da Anistia, da fundação do PT. Beberíamos cerveja e ouviríamos músicas antigas: "Soy Loco Por Ti América", "Caminhando e Cantando", "Junto À Fogueirinha de Papel", "Comandante Che Guevara", "A Internacional Comunista",... Para matar saudades, eu não me incomodaria em voltar a ser bolchevista por um dia (e uma noite, claro).

Não deu certo. Mas a ideia, pelo menos para mim, não morreu. Meus velhos e muito caros amigos Zé Renato e Chico Gato, se e quando vocês novamente vierem a Jampa Capital, poderemos retomar o plano nostálgico. Ajudem-me a compor a lista de convidados. Não poderá deixar de ser lembrado nenhum velho camarada bolchevique, nenhuma antiga companheira de lutas.

VIVA A LIBERDADE! VIVA A SAUDADE! VIVA A AMIZADE! 



Jose Renato Uchoa comentou a publicação dele.
Jose Renato escreveu: "O Portal100 Fronteiras é a imprensa que o Brasil precisa.Dignifica a verdadeira liberdade de expressão.Abração."
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Jose Renato Uchoa comentou a publicação dele.
Jose Renato escreveu: "Amigo, importante alguém de experiência do Portal investigar o Laudo que falei no artigo.Ele explica o que houve ,desmonta realmente a sacanagem que Joaquim fez.Sabes que esses caras sempre foram contra o formato que imprimimos ao PT nos velhos tempos.Não resta dúvidas que o PT nos traiu , a todos.A questão é que minha defesa não é deles, é de um princípio.Ab."



quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Papa Francisco, o marxismo e um artigo magistral do filósofo Denis Rosenfield (modificado e corrigido)

O Papa Francisco criticou o capitalismo. Não é novidade, outros papas também criticaram, todo mundo critica o capitalismo. Uns conservadores norte-americanos exageraram na condenação ao Papa Francisco e o acusaram de ser marxista. Eis que a resposta do Papa causou ainda maior rebuliço. Ei-la:

"A ideologia marxista é errada, mas na minha vida conheci muitos marxistas que eram boas pessoas, por isso não me sinto ofendido".

No Brasil, a turma da esquerda marxista fez a festa com a critica ao capitalismo e também com a declaração de amizade de Francisco aos bons marxistas. Quanto ao fato de o marxismo ser declarado como um erro, isso foi deixado de lado. Já eu considero que isso é o mais importante: o marxismo é um erro.

O marxismo é o mais desgraçado dos erros que a inteligência humana produziu, um erro que durante algum tempo conduziu metade da humanidade de volta à servidão, um erro que construiu estados totalitários especializados em falsificar, mentir, perseguir, prender, torturar e assassinar. Os assassinatos dos regimes marxistas foram realizados em escala monumental: 20 milhões na União Soviética, 70 milhões na China Comunista (arredondando em números conservadores). No Cambodja, o regime marxista do Khmer Vermelho exterminou cerca de 7 milhões de pessoas, um terço da população. O regime de servidão inaugurado pelos marxistas na Rússia, em 1917, constituiu-se em império e dominou meio-mundo por pouco mais de meio século. Aí, apodreceu e desmoronou em quase todo o mundo. Desgraçadamente, subsiste ainda em países como a Coréia do Norte, com sua sórdida tirania de marxistas hereditários.  E em Cuba, numa tirania que passa de irmão para irmão. Na China vige uma tirania marxista de partido único sustentada por um regime econômico de capitalismo-selvagem.

O marxismo é um erro, todavia o Papa Francisco tem também razão quando afirma que existem marxistas que são boas pessoas. Eu mesmo conheço vários, tanto no plano histórico quanto no plano das minhas relações pessoais. Marxistas históricos eu até admiro alguns, especialmente aqueles que foram críticos duros da mais abominável forma de marxismo, que é o bolchevismo. Minha querida Rosa de Luxemburgo, por exemplo, ainda nos albores da revolução de 1917, gritou a verdade sobre a "ditadura do proletariado" imposta na Rússia pelo tirano Lênin e seus sequazes: "É uma ditadura sobre o proletariado". Também admiro o marxista Otto Rühle, que lutou na resistência ao nazismo na Alemanha e escreveu o libelo "A luta contra o fascismo começa com a luta contra o bolchevismo", onde demonstra que bolchevismo, fascismo e nazismo é tudo uma família só, sendo o bolchevismo o pai. E, antes da Rosa e do Otto, o grande marxista Eduard Bernstein, que, na virada do séc. XIX para o séc. XX, revisou o marxismo e logrou trazer parte significativa do  movimento socialista internacional para o leito da democracia, na forma da social-democracia.

Quanto aos marxistas meus amigos, já por serem meus amigos, merecem minha admiração e afeto; só peço que, se lerem esse texto, não me queiram mal. A amizade, pelo menos para mim, é um valor maior que qualquer ideologia.

Voltemos às críticas do Papa Francisco ao capitalismo. Foram críticas genéricas. Ele está coberto de razão, e eu não conheço um único cristão que não faça críticas genéricas ao capitalismo. Eu mesmo, que vivo em um país capitalista, pra onde olho vejo coisa errada. Se olhar para o mundo capitalista globalizado, também vejo muita coisa errada e critico, como o Papa Francisco vê e critica. Se, todavia, a crítica ao capitalismo é salutar, a crítica da esquerda marxista ao capitalismo por comparação ao socialismo/comunismo é mistificadora, um embuste rasteiro. E aqui chego ao referido artigo de Denis Rosenfield. Um artigo magistral, não porque revele alguma novidade, mas porque dito com argúcia e precisão irresistíveis. Intitula-se "O embuste ideológico", foi publicado em O Globo (30/12/2013) e reproduzido em vários sites e blogs. Aconselho a leitura, já transcrevendo aqui dois trechos:

"Não há sequer uma experiência histórica de compatibilização entre socialismo/comunismo e democracia".

Essa é uma velha constatação que precisa ser sempre repetida. Com a expressão "socialismo/comunismo", Rosenfield, certamente, refere-se ao socialismo marxista. O chamado socialismo-democrático praticado há décadas em vários países europeus é, na verdade, um capitalismo avançado. O marxismo, repita-se, provou-se incompatível com a democracia não apenas quando colocado em prática; mas tal incompatibilidade é mesmo doutrinária. Pela letra da doutrina, tal como expressa por Marx e Engels, a "ditadura revolucionária do proletariado" é o único caminho que abre as portas do paraíso. Revisionistas como Eduard Bernstein e Karl Kautsky rejeitaram essa chave de violência e opressão, e por isso foram chamados pelo marxistas ortodoxos de "renegados" (com razão, do ponto de vista da ortodoxia marxista, diga-se). É importante repetir essa obviedade da incompatibilidade entre marxismo e democracia porque hoje o pau que mais tem no Brasil é marxista envolto em capa de democrata. Quem quiser ser democrata que abandone o marxismo: acender uma vela para Deus e outra para o diabo é pecado.

Vamos ao trecho em que Rosenfield desmascara o embuste da crítica comparativa:


"O embuste consiste no seguinte: o capitalismo não é comparado ao socialismo. Se isso fosse feito, a comparação, por exemplo, deveria ser entre a Alemanha capitalista e a socialista, ou ainda, entre a Coréia capitalista e a socialista. Os termos da comparação teriam parâmetros que serviriam de critério para qualquer avaliação. A comparação é de outro tipo. Compara-se o capitalismo real, existente, com a ideia de socialismo forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições. Ou seja, atribui-se ao socialismo todas as perfeições e, de posse destes atributos, passa-se a verificar se eles 'existem' no capitalismo".    

Jesus Cristo, sabe o Papa Francisco e sabemos todos nós, pregou o Paraíso Celeste; já mesmo por saber da impossibilidade do paraíso na terra. Está em João 16, 33: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo".

Karl Marx - que não acreditava em Jesus Cristo, nem em Deus, nem no Céu - profetizou o paraíso terrestre. Uma beleza de paraíso. Mas, pelo método usado para produzir o paraíso terrestre, os marxistas foram reproduzindo na terra o inferno.

O capitalismo não pode ser comparado a nenhum paraíso e nunca chegará a ser um paraíso, mas sempre pode ser melhorado. Os extintos regimes marxistas se provaram tão ruins que será difícil até mesmo imaginar como poderiam ter sido piorados. Já os regimes marxistas subsistentes que vêm tentando melhorar, o fazem por aplicação de doses maiores ou menores de, vejam só..., capitalismo.