Blog Rocha 100

“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

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domingo, 7 de agosto de 2011

Porque pego no pé do "politicamente correto"

Já escrevi,  em "eltheatro.com" (o melhor site de cultura do Brasil), um artigo longo sobre este troço que se chama "politicamente correto". Lá, indico-lhe o aspecto positivo e o aspecto funesto; por aqui, tenho focado mais o aspecto ridículo (por exemplo: "atirei o pau no gato-to-to", não pode; tem de ser "não atire o pau no gato-to-to"). A mais recente expressão desse ridículo foi uma nota de repúdio a Nelson Jobim assinada pela senadora Ângela Portela e pela deputada federal Janete Pietá, ambas do PT, onde o ex-ministro chega a ser, veladamente, ameaçado com a Lei Maria da Penha, por suposta agressão às ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann. A excelente Lei Maria da Penha, de proteção às mulheres - que eu, como mulherista fanático, cultuo particularmente - é, em parte, produto da agenda "politicamente correta" e lhe revela o aspecto positivo, mas, no caso, foi invocada na linha do exagero demagógico que se tornou a expressão maior do "politicamente correto", revelando-lhe, mais uma vez, o aspecto ridículo.  Na tal nota se diz que Jobim atacou as ministras "de forma machista e preconceituosa" num ato de "violência psicológica e moral"; que os termos usados por Jobim em relação às ministras "demonstram profunda violência a todas as mulheres". Tudo isso porque Jobim disse que Ideli "é fraquinha" e que Gleisi "não conhece Brasília". A nota das ilustres parlamentares está sendo devidamente ridicularizada nos blogs que antipatizam com o "politicamente correto", gerando comentários "politicamente incorretos". No blog "Coturno Noturno", li um comentário machista, incorretíssimo; mas tão engraçado que não posso deixar passar, mesmo correndo o risco de ser enquadrado na Lei por alguma leitora "politicamente correta". Eis o que o comentarista, anônimo, recomenda à senadora Ângela e e à deputada Janete: "Uma TERAPIA: ter a pia cheia de louça pra lavar". Enfim, se Nelson Jobim chegar a ser enquadrado na Lei Maria da Penha por ter chamado uma mulher de "fraquinha", imaginem o que acontecerá com quem chame uma mulher feia de "jaburu", ou chame a sogra de "cascavel", ou chame a esposa de "Dona Encrenca". Se a "ditadura do politicamente correto" for implantada no Brasil, eu me mudo para a Coréia do Norte, para viver sob a "ditadura do proletariado", que é mais suave.