Blog Rocha 100

“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pergunta aos petistas sérios e democratas: Rui Falcão, presidente do PT, está preparando um golpe fascista?

Rui Falcão tem feito jus ao nome, revelando-se como falcão autoritário, intolerante e bravateiro. Está no direito dele, desde que não avance para uma ação predatória contra o Estado Democrático de Direito.

Com efeito, as últimas bravatas do presidente do PT ultrapassaram os limites da razoabilidade e do decoro democrático. Faz poucos dias, revoltado com a condenação do deputado João Paulo Cunha no julgamento da Ação Penal 470 (que pessoas politicamente incorretas insistem em chamar de "mensalão"), o Falcão assacou contra o bom senso uma enfiada de cretinices. Vejam:

Que foi "um golpe contra o PT"; 
Que a oposição conservadora, "uma elite suja", usa, contra o PT, de instrumentos que vão "desde a mídia conservadora, passando pelo judiciário";
Que "não mexam com o PT, porque quando o PT é provocado, ele cresce".

Deus do Céu! O João Paulo Cunha foi condenado, por 9 a 2, no Supremo Tribuna Federal, órgão garantidor da Constituição Soberana. Nesta Corte, aliás, 7 dos 10 membros foram indicados pelos presidentes petistas Lula e Dilma.

Falcão, um autêntico revolucionário bolchevista, está certo em não gostar dos conservadores e da mídia conservadora. Agora, revoltar-se por ter a mídia conservadora ecoado as ideias dos... conservadores; aí é uma imbecilidade, se não for coisa pior. E o que será pior do que a imbecilidade? É querer que até a mídia conservadora adote a doutrina do petismo revolucionário. Aí é fascismo.

Afirmar que, tão somente por estar cumprindo seu dever, o STF é instrumento das "elites sujas" é uma típica provocação fascista. Não há nada, rigorosamente nada, que indique sujeição do STF a quem ou a o que quer que seja. A mensagem, tipicamente fascista, é a seguinte: se o Supremo Tribunal Federal não atender aos interesses do petismo revolucionário, será um Tribunal sujo, devendo ser extinto.

"Não mexam com o PT, porque quando o PT é provocado, ele cresce". Essa frase contém uma perspectiva razoável e um desejo legítimo, mas também uma ameaça fascista. Vejamos: se o PT crescer nas urnas, nas eleições de outubro, ótimo. O PT poderá ter uma subida eleitoral magnífica, sem que a oposição possa reclamar. Se o PT, por exemplo, eleger os prefeitos de São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre, Natal e João Pessoa; se isso ocorrer, será uma resposta e tanto a quem "mexe com o PT". Mas o Falcão pode também estar insinuando que o PT pode crescer para cima das instituições, censurando a mídia não petista e invadindo o STF. E isso é fascismo.

Por favor, tem por aí algum petista sério e democrata que possa responder a pergunta do título?







sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O triste voto do ministro-defensor Ricardo Lewandowski

O ministro Ricardo Lewandowski, no voto em que absolveu o deputado João Paulo Cunha, não argumentou como juiz, senão que se prestou ao indevido papel de advogado de defesa. Irreconhecível como juiz, foi excelente como advogado, até mesmo por contraste com os demais causídicos dos mensaleiros, que foram de medíocres a péssimos (exceção para o defensor-público que assumiu a causa do réu Carlos Alberto Quaglia).

O juiz ministro-revisor fez uma defesa apaixonada, vibrante e comovida; como não lhe competia. Escancaradamente, com gosto e desenvoltura, assumiu-se como ministro-defensor.

Em post anterior, elogiei o ministro Lewandowski e até o comparei a São Tomás Becket. Coitado de mim, o santo-mártir de Inglaterra jamais haverá de me perdoar.

Em post anterior ao anterior disse que absolvições no caso do mensalão seriam bem-vindas, desde que sustentadas em argumentos lógicos e consequentes. O voto em questão, por sobre ser ilógico e inconsequente, iniciou por ser iníquo. Vejam:

Na quarta-feira, seguindo a linha do ministro-relator Joaquim Barbosa, o então ministro-revisor Ricardo Lewandowski, com igual lógica e consequência, completou o desmonte do castelo de pedras falsas coladas com cuspe erguido pela defesa de Henrique Pizzolato. No caso símile de João Paulo Cunha, na visão transmutadora do ministro-defensor, o que era pedra falsa virou diamante lapidado, o que era cuspe virou concreto armado.

No cumprimento da sua tarefa de defensor, o ministro Lewandowski alongou-se. Não querendo me alongar, cito apenas uma das tantas similitudes:

Henrique Pizzolato mandou uma pessoa de confiança pegar dinheiro no Banco Rural, dinheiro que estava camuflado, pois, oficialmente, destinava-se à SMP&B; a pessoa de confiança assinou um recibo de uso restrito, que não seria comunicado ao COAF; a mutreta fora arquitetada pelo mutreteiro Marcos Valério.

João Paulo Cunha mandou uma pessoa de confiança pegar dinheiro no Banco Rural, dinheiro que estava camuflado, pois, oficialmente, destinava-se à SMP&P; a pessoa de confiança assinou um recibo de uso restrito, que não seria comunicado ao COAF; a mutreta fora arquitetada pelo mutreteiro Marcos Valério.

Daí em diante, não é tudo igual; é tudo quase igual. Mas as conclusões do ministro-defensor foram abissalmente diferentes daquelas do ministro-revisor.

Henrique Pizzolato é um peixe pequeno do PT. Sindicalista de pouca visibilidade, sem mandato político, Pizzolato foi nomeado, no primeiro mandato presidencial de Lula da Silva, para um cargo estratégico (Direção de Marketing) do Banco do Brasil. Hoje, nem se sabe onde anda (eu, pelo menos, não sei).

João Paulo Cunha é um peixe graúdo do PT, aquilo que Lula da Silva chama de "alto companheiro". Foi Presidente da Câmara Federal, o segundo na linha de sucessão do Presidente da República. Hoje é deputado federal e candidato a prefeito de Osasco/SP.

Pelo visto, o voto do ministro-revisor, na quarta-feira, foi um engôdo para distração dos incautos, uma preparação de terreno para a espetacular aparição de um novo personagem: o ministro-defensor. Foi um teatro bem montado, que iludiu observadores mais espertos do que eu (que eu saiba, só quem não caiu no conto do juiz foi o blogueiro Reinaldo Azevedo).

A prosseguir na sua linha de iniquidade, tratando os grandes com desvelo e os pequenos com rigor, o Lewandowski levará alegria a uns e trará tristeza a outros. Vão-se os bagres, ficam os tubarões.

Triste voto.

Ricardo Lewandowski, amigo de Lula e família, amicíssimo de Dona Marisa, que, quando Primeira-Dama, o indicou ao Presidente, que, por sua vez, o indicou ao Senado para compor o Supremo Tribuna Federal; o Lewandowski é um exemplo de gratidão.