Blog Rocha 100

“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

"Caminhemos, espíritos e vós, juntos em busca da tão especial melhoria dos corações": no dia da Paixão de Cristo, um presente de compaixão vindo de espíritos de luz

Eu, Washington Rocha, cristão fervoroso, ganhei nesta Sexta-feira da Paixão este presente vindo do alto, de espíritos de luz; este texto iluminado e magnífico, que elevou minha alma e alegrou meu coração. Não é, na verdade, um presente para mim, mas para todos: 

"Senhor!Tu que és a maior glória, o maior espetáculo e a maior premiação dos corações em busca de luz! Tu, Senhor, que és a nossa meta e o nosso chão, a nossa semente a plantar e o nosso grão a colher. Tu, Senhor, és a nossa meta atual e a agremiação dos nossos esforços. Somos os mesmos indivíduos que outrora se desgastavam em fúteis demandas, mas que agora soubemos alentar fervores nobres. Somos os mesmos indivíduos desterrados do caminho seguro e da reta senda que hoje trilhamos sedentos e famintos de amor e de luz. Como podem os corações desabrochar? Como podem as experiências proporcionarem uma transmutação tão real e efetiva no próprio caráter? É que o anelo celestial e a reta senda é a comum estrada, a estrada estreita e a estrada entrecortada de luz. Sedentos estávamos e, obrigados ao sofrimento extenuante e ao esforço incessante, fomos conduzidos lentamente para a prática da própria sustentação e do dever. Somente o medo do próprio coração retém o homem na sua mesquinha conduta, pois o coração, ele mesmo, é a sede, o fervor, a nervura, a brasa, o espetáculo eloquente e entusiástico do fim mesmo a que se propõe a caminhada humana. O coração, a tua sede de vida, a tua vontade de fé, o teu excelente pendor, a tua sublime virtude. O coração, teu amparo e tua lanterna, é o que te guia para a mágica transmutação energética na qual a menor fenda se abre e a maior reprovação se aniquila diante do estonteante brilho cósmico de Jesus. Chegados a ele somos transportados a um mundo todo de paz, todo de fé, todo de luz. Chegados a ele somos retemperados, absolvidos, reajustados e reconduzidos. Somos, enfim, renovados e prontamente aceitamos a tarefa de servi-lo, de servir, de amar e de estabelecer metas de concórdia e pacificação. Todos os que estamos acima de vós fomos outrora portadores de insuficientes méritos, de mesquinhas notas e necessitados de novas esperanças. Todos fomos portadores de deficit, de lutas, de labutas, de sofreguidões, de todos esses elementos corriqueiros que nos estimulam ao aprimoramento, ao contato consigo mesmo, ao sempre necessário auto-esclarecimento e à sempre necessária transição de um passado inglório para um futuro virtuoso, de um passado manchado para um futuro glorioso, de uma tez rasteira para um esplendor de luz. Somos, pois, irmãos; e os irmãos se acostumam ao trabalho comum. Caminhemos, espíritos e vós, juntos em busca da tão especial melhoria dos corações e da tão necessária volta ao distintivo inolvidável do Senhor".

sábado, 12 de abril de 2014

Post em homenagem a Ruy Barroso, com reflexão sobre uma velha anedota contada por Sérgio Botelho

Por ser meu amigo, Ruy Barroso já merece minha homenagem, ainda mais por ser  meu leitor, e mais ainda por ter em alta conta meus escritos, não me poupando elogios. Não bastasse, o muito inteligente e sempre bem humorado Ruy é um dos mais agradáveis proseadores da paróquia dos bares do Bessa, o mais encantador bairro desta linda Cidade das Acácias, onde temos a felicidade de habitar, viver e conviver.

Não obstante a homenagem, quero fazer uma reclamação: meu amigo Ruy tem enviado comentários sobre alguns posts deste Blog para meu e-mail, embora eu tenha pedido e até implorado para que os comentários sejam feitos no espaço próprio de comentários do Blog. Comentários são a alma dos blogs.

Conto agora uma anedota velha que me foi contada no tempo antigo pelo velho amigo Sérgio Botelho; depois direi com qual propósito.

Da tribuna da Assembleia da Paraíba, um deputado culto e refinado, advogado e escritor, chama um colega de "energúmeno". O colega, deputado do interior, bronco, semianalfabeto, porém brioso e despachado, responde: "Se essa palavra que Vossa Excelência disse comigo for 'agradativa', muito obrigado, Deus lhe acrescente; mas se for 'atacativa', é a PUTA QUE PARIU Vossa Excelência".

Usei essa anedota a propósito das respostas a meus posts que, como já disse, são endereçadas a meu e-mail pessoal. É que algumas, como as do amigo Ruy, são 'agradativas', e outras são 'atacativas'. Pois, gostaria de ter na área de  comentários tanto umas como outras. A última resposta 'atacativa' que recebi foi de um velho marxista, sindicalista e escritor paraibano. Ele ficou mordido porque eu esculhambei com a ditadura fascista do chavista podre Nicolás Maduro, que na vizinha Venezuela persegue, prende, tortura e assassina opositores, principalmente jovens estudantes. Eu não tenho muito que replicar, é um direito dele abraçar a bandeira bolivariana. Todavia, surpreende-me que um marxista reverencie um patife mistificador como o podre Maduro: o safado diz que o finado Hugo Chávez lhe aparece em forma de 'pajarito'; o sem-vergonha tirou a foto de Chávez milagrosamente brotada numa parede velha; o cretino afirma que - qual um servo de Drácula - dorme ao pé da tumba do seu ídolo defunto. Pois, é de espantar que um adepto da circunspecta doutrina do SOCIALISMO-CIENTÍFICO (também dita materialismo-dialético ou materialismo-histórico) aprove esse estrume supersticioso. Karl Marx e Friedrich Engels vomitariam.  

Seja como for, eu gostaria que o comentário 'atacativo' do velho marxista estivesse publicado na área de comentários deste Blog. Se ele fizer outros, peço que seja por esse meio, o que facilitará a ampliação do debate; sendo o debate 100 Fronteiras e 100 Censura o objetivo maior deste Blog ROCHA 100.

Voltando ao amigo Ruy e aos comentários 'agradativos', devo dizer que receber comentários inteligentes é bom; porém, melhor ainda é que sejam expostos ao público leitor.   

domingo, 6 de abril de 2014

A desmoralização do punho erguido: uma façanha do PT protagonizada pelos mensaleiros e pelo deputado André Vargas

Erguer o punho cerrado para a frente ou para o alto é um antigo sinal de rebeldia, altivez e coragem; um gesto carregado de poderoso simbolismo revolucionário. Quer dizer, era. O PT conseguiu a façanha de desmoralizar o punho erguido.

Embora seja eventualmente usado por ativistas de direita, por jogadores de futebol e até pelo Superman, o punho cerrado é bem mais identificado com os ativistas de esquerda. Em 1871, os revoltosos da Comuna de Paris já o usavam. Em eventos e celebrações da esquerda, o hino comunista "A Internacional" costuma ser entoado com os militantes de punhos cerrados ao ar. Nos anos 1960-1970 o gesto marcou fortemente a luta dos ativistas negros norte-americanos "Panteras Negras" (Black Panther Party). Aqui no Brasil, nos "anos de chumbo", lembro que a estudantada rebelde usava o gesto. Eu mesmo, ergui o punho cerrado em muitos dos discursos com que costumava esculhambar a ditadura militar.

E agora, que o punho erguido foi desmoralizado?

A desmoralização foi iniciada por aqueles petistas mensaleiros que, a caminho da Papuda, cerraram e ergueram o punho, confundindo corrupção com revolução. E seria continuada pelo papudo deputado petista André Vargas, que ergueu o punho em solidariedade aos companheiros corruptos e para debochar da Justiça e ofender o presidente do Supremo Tribunal Federal em uma sessão solene no Congresso Nacional.

Agora, que se flagrou o André Vargas do punho cerrado erguido voando nas asas do doleiro Alberto Youssef, erguer o punho cerrado se tornou, pelo menos no Brasil, um gesto de confissão de crime, um sinal de que faz parte da 'turma'. Youssef, aliás, foi preso pela Polícia Federal. A caminho da prisão, Youssef deve ter erguido o punho, pois um companheiro sempre aprende com o outro. Notem como a parceria se destaca neste diálogo entre Vargas e Youssef colhido pela PF:

VARGAS - "Estamos mais fortes agora. Vi documento com o Pedro. Ele estava no voo de volta a Brasília. Ele estava com o documento de parceria com a EMS".
YOUSSEF - "Cara, estou trabalhando. Fique tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver como isso vai valer. Tua independência financeira e a nossa também, é claro!".

Outra conversa será ainda mais clara, uma comovente demonstração de que um companheiro não deixa outro na mão. Acossado por reclamações de Vargas, responde Youssef: "Calma, vai ser pago. Falei para você que iria cuidar disso".

O PT, como se sabe, moveu céus e terra para impedir a punição dos seus dirigentes corrupto-mensaleiros. Não conseguindo, encetou campanha para transformá-los em heróis, mártires e santos. Se não conseguiram evitar de todo as punições, conseguiram abrandá-las, inclusive com a ajuda pecuniária de milionárias vaquinhas. Quanto ao heroísmo, martírio e santidade dos dirigentes petistas corrupto-mensaleiros, isto é hoje dogma na Igreja Lulo-petista dos Santos de Todos os Dias. André Vargas será também canonizado, é claro.

Mas, e agora, com o punho erguido desmoralizado pelo PT, como os brasileiros haverão de protestar sem o precioso recurso de gesto tão emblemático? Que gesto usar, por exemplo, nos protestos que certamente eclodirão durante a "Copa das Copas" das bandalheiras, agora  em junho? Que gesto usar contra a ditadura da Fifa? Contra o desperdício em estádios bilionários onde o povo não pode entrar? Contra o escangalho na Saúde, Transporte e Educação? Contra a roubalheira na Petrobras? Contra a violência que se alastra?Contra o generalizado aparelhamento feito pelo PT em órgãos públicos e instituições? Contra a solerte campanha do PT pelo "controle social da  mídia" (eufemismo para censura)?

Talvez não seja necessário recorrer a nenhum gesto novo, mas sim recorrer a um gesto ainda mais antigo e universal do que o punho erguido. Fazer como a meninada rebelde sempre gostou de fazer: estirar o dedo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

1º de Abril, 50 anos depois do golpe militar, um dia bom para dizer a Verdade - ou, a estupidez da campanha pela revisão da Lei da Anistia comprovada por Pesquisa Datafolha

Neste 1º de abril, em que escrevo, continuam a ocorrer pelo Brasil afora atos, falas e manifestações de diversos tipos contando a história e fazendo lembrar os crimes da ditadura militar implantada com o golpe de 1964: perseguições, prisões, torturas e assassinatos.

Eu, que, em João Pessoa-PB, estive na linha de frente das lutas estudantis em 1968, fui duramente perseguido, preso e torturado. Não fui morto, não sou Brás Cubas, não escrevo de Além-túmulo. Estou vivo, e vivo estando, pretendo usufruir por ainda longo tempo as benesses daquilo que ajudei a conquistar: a Liberdade e a Democracia. Pretendo que meus filhos e netos usufruam essas conquistas, que as aprofundem e elevem. Além de líder estudantil, fui membro de uma organização revolucionária armada, o PCBR. Não foi como tal que lutei por Democracia, foi depois, na luta pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, cuja vitória abriu o caminho da redemocratização.

Do ponto de vista democrático, a reconstituição histórica, a busca das mais escondidas verdades do passado, é necessária à construção do futuro, com a preservação das conquistas do longo percurso. O cultivo da verdade é uma das condições de fortalecimento da Democracia, que é um regime sedimentado sobre complexas pactuações; e os pactos feitos com o cimento da mentira não se sustentam.

Pois, é com espanto que percebo a insistência de uns quantos agrupamentos e setores de esquerda em procurar fazer a reconstituição do passado histórico através da mentira e da mistificação.

É necessário desnudar e execrar os crimes da ditadura, como vem sendo feito desde há bastante tempo, e ainda mais agora. Para isso sobram verdades, sendo as mentiras despiciendas. Quais são essas mentiras e por que as usam?

Por forma direta ou por omissão, pretende-se inculcar nas mentalidades que apenas a ditadura militar cometeu crimes, que os grupos armados que a enfrentaram não cometeram crimes. Isso é mentira: a esquerda armada cometeu crimes de terrorismo, inclusive aquele asqueroso crime de terrorismo contra os próprios companheiros, que foi o assassinato chamado de "justiçamento". Pretende-se ainda fazer valer a versão de que tais grupos armados lutavam por democracia. Isso é mentira: os grupos da esquerda armada proclamavam-se bolchevistas e, coerentemente, agiam de acordo com a doutrina marxista-leninista, que postula a "ditadura revolucionária do proletariado" como etapa imprescindível para emancipação definitiva dos oprimidos (essa postulação é uma cretinice teórica, mas é um dogma da igreja marxista-leninista). A única organização marxista relevante que, naquela época, objetivamente, lutou por democracia foi o Partido Comunista, o Partidão velho de guerra, que rejeitou o caminho da luta armada.

Tudo isso é tão certo e está tão solidamente registrado e estabelecido que estarrece a permanência na mentira. Então, por quê?

Um dos objetivos das referidas mentiras políticas é a consumação de uma estupidez política: a revisão da Lei da Anistia. E qual o objetivo da revisão da Lei da Anistia? a revanche, a recuperação da guerra revolucionária, estando agora a esquerda em condições de vantagem.

Vejam; do ponto de vista do marxismo-revolucionário, essa é uma boa estratégia. Do ponto de vista da Democracia, é um caminho desastroso.

Tratei disso extensamente no meu livro - Sobre "anos de chumbo" e Anistia - , publicado em 2012 e a cada dia mais atual. É preciso voltar sempre ao assunto porque a campanha estúpida pela revisão da Lei da Anistia prossegue; e, por estúpida que seja, poderá prosperar se os revanchistas ficarem sempre sem resposta.

Neste ponto, remeto os interessados ao meu livro (disponível em www.portal100fronteiras.com.br) e vou à análise da pesquisa citada no texto, para demonstrar como ela comprova a estupidez da referida campanha.

Trata-se da  Pesquisa Datafolha publicada ontem (31/03/2014) em reportagem na Folha de São Paulo. A pesquisa  foi bem formulada, mas a reportagem foi, a meu ver, desonesta e até escandalosamente desonesta, pois tentou desdizer por arenga política o que os números escancaradamente diziam. Vejamos:

Revisão da Leia da Anistia: 46% a favor; 37% contra.

Para a pergunta mais específica: você é a favor ou contra a punição de pessoas que torturaram presos políticos durante a ditadura? 46% a favor - 41% contra.

Até aí vai bem para os revanchistas. Porém vão aparecer números tão desagradáveis aos revanchistas que o jornalista se achou na obrigação de invalidá-los previamente, com um discurso engajado, falacioso e seboso.Vejam:

"O Datafolha também perguntou se é o caso de reexaminar atentados contra o governo cometidos por militantes opositores da ditadura.
A proposta não tem força política ou jurídica. Autores de atentados já foram julgados e penalizados com prisões, conforme legislação da época. E muitos sofreram punições não previstas na lei, como tortura e morte.
Apesar disso, a ideia costuma ser repetida por alguns defensores da ditadura em resposta aos que pedem punição aos torturadores.
Resultado: 54% responderam que sim, esses casos  merecem reexame. Quando o instituto perguntou se todos deveriam ser julgados hoje, torturadores e ex-militantes, 80% apoiaram".

Como se pode ver, o jornalista revanchista, fazendo campanha pró-revisão na sua reportagem, quer que a opinião de 54% dos brasileiros não tenha força política nem jurídica, enquanto a opinião de 46% sobre a mesma questão, mas do lado que lhe agrada, terá. Essa opinião do jornalista, flagrantemente tendenciosa e imbecil, tenta se sustentar no argumento falacioso de que "autores de atentados já foram julgados e penalizados com prisões". Alguns foram, nem todos foram. E a tortura e morte sofridas por uns, não absolve os crimes de outros. Eis as falácias. A seboseira está em insinuar que os que são contra a revisão da Lei da Anistia são "defensores da ditadura". Alguns serão, porém, a maioria dos que têm expressamente rejeitado a revisão da Lei da Anistia são inimigos viscerais da ditadura, muitos a enfrentaram, muitos foram perseguidos, presos e torturados por essa ditadura. Eu estou em todos esses casos. Aliás, passei a detestar todas as ditaduras. Quando líder estudantil, subia em qualquer pedaço de muro para bradar contra a ditadura militar: "DITADURA DE MERDA!". Hoje, para mim, não só a ditadura militar foi de merda; para mim, todas as ditaduras são ditaduras de merda, inclusive as ditaduras de merda bolchevistas com que sonham os marxistas-leninistas revanchistas.

Voltemos aos números da pesquisa. Por eles, mas não pela opinião militante do jornalista, a revisão da Lei da Anistia para efeito de punição seletiva não passará pelo crivo da opinião pública. E é muito difícil que essa despropositada revisão passe pelo Congresso Nacional e pelo Supremo Tribunal Federal sem passar pelo apoio popular.

Ademais, se esta Lei da Anistia, tão benéfica, que produziu os melhores frutos, inclusive a democracia em que vivemos, for revisada, pouco haverá de atingir os criminosos da ditadura, pois quase todos (ou todos) estarão mortos. Dado que a extrema juventude (alguns, como eu, adolescentes) foi característica dos militantes da esquerda revolucionária, seriam atingidos antes alguns dos jovens daqueles distantes "anos de chumbo". Calculem aí o tempo necessário para a revisão da Lei ser aprovada no Congresso, ser levada ao STF e aprovada (ao arrepio da letra da Constituição, que veda a retroatividade de leis gravosas), serem abertos os devidos processos legais, concluídos os julgamentos, feitas as dosimetrias, apreciados os embargos (inclusive os infringentes), para se chegar às sentenças definitivas.

Nós outros, libertários e democratas, defensores da Leia da Anistia, queremos a Verdade, a buscamos e a proclamamos; e queremos continuar a construção democrática pelo caminho da PAZ. Os revanchistas, postuladores da revisão da Lei da Anistia para efeito de punição unilateral retroativa, usam um pedaço da verdade para construir uma mentira capaz de enganar os ingênuos e arrastá-los para o caminho da guerra.

Não será fácil, não creio que consigam. Não, se não for permitido aos revanchistas ficarem falando sozinhos. Da minha parte, não permitirei.








segunda-feira, 31 de março de 2014

"VENHA O TEU REINO": comentário de Fernando Carvalho sobre textos de Iremar Bronzeado e Catarina Rochamonte

Esta importante apreciação de Fernando Carvalho sobre textos dos filósofos Iremar  Bronzeado e Catarina Rochamonte, publicados no penúltimo post, tem o defeito de não ter sido feita na área de comentários do Blog; foi enviada ao meu e-mail pessoal. Porém, me deu azo para usá-la nesta postagem, adiantando a prometida agilidade na atualização do Blog. Vejam e comentem.

Agora comentando:
Sobre os textos lúcidos e competentes de Iremar e Catarina:
Chamou-me atenção a frase: " 

 "...Ou seja, não adianta ter a melhor das boas vontades se não se encontra o caminho correto e seguro para por em prática as utopias e objetivos de que ela se alimenta. Um caminho errado pode estragar tudo, e, em vez do topo da montanha, levar o caminhante a se despedaçar nos íngremes penhascos de um tenebroso abismo..."

Noto que o autor quebra na espinha o cinismo maquiavélico destes fascistas esquerdistas que argumentam que vale tudo para se conseguir 'justiça social'. 

No texto de Catarina a frase: 

" Ligar Deus ao conceito sem atinar para a concordância efetiva entre Deus e fé, sem atinar para a transcendência absoluta de Deus em relação à lógica é sinalizar conflitos e abastecer corretas inclinações sem corretas possibilidades." 

Muitos que no passado e ainda hoje destroem vidas humanas em nome de um 'ideal qualquer' como por exemplo na Venezuela, afirmaram e afirmam estar agindo com a concordância divina. Nada mais longe da realidade, afinal o próprio 'lo-gós' a que Catarina se refere em seu texto, quando em forma humana declarou abertamente: "Nem todo o que me disser Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus senão aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus".
Por que as pessoas conseguem atribuir a Marx e tantos outros pensadores a capacidade de pensar racionalmente, muitos até tornando-se repetidores de suas ideias, mas acreditam que quando se fala de Deus, do Criador, Este precisa ser interpretado por mentes humanas?
Ora, se é como dizem os comunistas, que Deus é uma invenção humana, da qual eles  se apoderam quando conveniente aos seus intuitos de poder absoluto, onde eles próprios querem ser deuses em forma humana, então mais cedo ou mais tarde esta ideia de existência de um Criador por fim desaparecerá por completo por não ser mais necessária.
Por outro lado, existindo um Criador, Projetista da mente humana, é muito atual a pergunta que Ele nos fez através do inspirado profeta Isaías: " Deve o próprio oleiro ( yoh-tsér)  ser considerado igual ao barro. Acaso deve a coisa feita dizer referente àquele que a fez: “Ele não me fez”? E acaso a própria coisa formada diz realmente referente àquele que a formou: “Ele não mostrou entendimento”? Isaías 29:16
Teria Deus um raciocínio tão curto que fosse incapaz de ter Sua própria opinião sobre a melhor maneira de vivermos em sociedade neste planeta? Existindo Deus, Ele precisa se restringir a capacidade humana para resolver problemas que nos assolam por milênios? Afinal, se Deus não irá nunca governar a Terra, por que Seu Filho disse diante de uma corrupta autoridade romana: "Meu Reino não é desta fonte."? e por que Ele nos instruiu a pedir: "Venha o TEU Reino"? 
Uma possibilidade real é: Deus, o Criador, não está contido, como que limitado, dentro da realidade humana, Ele tem pensamentos próprios e feliz daquele que for humilde o suficiente para pesquisá-los e buscá-los sinceramente como a tesouros escondidos (Provérbios 2: 3 ao 6) Se há ainda na humanidade algum traço ou senso inato de justiça, amor, sabedoria e outras tantas elogiáveis qualidades, estas não se desenvolveram numa casual e gradativa evolução, foram marcas indeléveis deixadas em nós por Aquele que nos projetou. Nossas outras e péssimas características foram resultado de nosso (i.e. humanidade) afastamento voluntário da Fonte da vida e do verdadeiro amor, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, patriarcas não apenas de uma nação, mas patriarcas de todas as nações, afinal deles veio aquele por meio do qual todas as nações hão de abençoar a si mesmas. Estes nossos dias, são portanto, dias momentosos : dias de se executarem a justiça divina; um só planeta, bilhões de mentes, muitas teorias, infinitas possibilidades; mas indubitavelmente um tempo sem igual; chegou a hora da humanidade se empaturrar de seus próprios conselhos (Provérbios 1:31) e teorias conflitantes, colhendo ao máximo, um a um seus resultados, e aí sim, depois de experimentarmos o caos a que tais teorias humanas nos levarão, Aquele que muitos se convenceram que não existia, Aquele a quem desprezaram e levaram sarcasticamente em pouca conta, por fim se apresentará de forma sublime e triunfal, sem interferência humana, uma intervenção genuinamente divina e juridicamente incontestável. Venha o teu reino, realize-se a Tua vontade na Terra como no Céu!  
Fernando Carvalho
 Mostrar histórico de mensagens

sábado, 29 de março de 2014

Brasil 1968/O ANO QUE NÃO TERMINOU - VENEZUELA 2014/O ANO QUE SÓ COMEÇOU: "Vem, vamos embora, que esperar não é saber"

Com bravura e competência, o coronel Hugo Chávez preparou o fascismo na Venezuela. Por morte do seu criador, esse fascismo, já maduro,  passou às mãos de Nicolás Maduro, um sujeito infame como um trocadilho infame. Deixado aos cuidados do infame Maduro, o fascismo chavista apodreceu.

Vejam que não nego ao coronel Hugo Chávez os atributos de bravura e competência. Nem os nego ao cabo Adolf Hitler - aliás, condecorado com a Cruz de Ferro por bravura na Primeira Grande Guerra -, criador do fascismo na Alemanha, chamado de nazismo devido à sigla NAZI do partido hitlerista - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães -; tão socialista quanto o socialismo bolivariano de Hugo Chávez (coitado do Simón Bolívar, vilipendiado pela apropriação do fascismo chavista).

Na Alemanha, o audacioso Hitler tentou chegar ao poder através de um golpe. O golpe fracassou e o golpista foi preso. Mas sairia da prisão para chegar ao poder pelo legítimo caminho democrático, no  modo parlamentarista. Uma vez no poder, o astucioso Hitler usou de todos os mais ilegítimos artifícios para destruir a democracia e submeter o Estado alemão ao seu absoluto poder nazista. Na Venezuela, o astucioso Chávez seguiu a mesma trilha, com igual sucesso, terminando por submeter o Estado venezuelano ao seu absoluto poder nazi-bolivariano.

O nazismo foi barrado apenas a custa da mais terrível guerra da história. O nazi-chavismo está sendo enfrentado nas ruas da Venezuela por milhares de rebeldes, especialmente pela juventude estudantil.

No Brasil, em 1968, a juventude estudantil enfrentou nas ruas o fascismo de uma ditadura militar. Eu estive naquela luta, na linha de frente, de peito aberto. E bradava: ABAIXO A DITADURA! E cantava nas passeatas a  música de Geraldo Vandré: "Caminhando e cantando..."; "Vem, vamos embora, que esperar não é saber".

"Porém..., ai porém"; muitos dos que comigo cantaram, hoje ficam mudos diante da violência do nazi-chavismo do podre Nicolás Maduro, que prende, espanca, tortura e mata (sendo jovens estudantes as principais vítimas). Pior: alguns que em 1968 cantavam contra a ditadura militar brasileira torturadora e assassina, hoje cantam louvores para a ditadura nazi-chavista venezuelana torturadora e assassina.

Não obstante a omissão vergonhosa do governo brasileiro e a cumplicidade criminosa de dirigentes do PT diante das flagrantes violações aos Direitos Humanos na Venezuela por parte do regime nazi-chavista (dentre as quais violações, repita-se: espancamentos, torturas e assassinatos); nada obstante, espalha-se pelo mundo e chega ao Brasil a indignação com tais violências (deveria ter sido o inverso, o Brasil deveria ter sido o primeiro país a se indignar com as atrocidades no país vizinho).

Zuenir Ventura, que lutou contra a ditadura militar naquele distante 1968, veio a escrever, 20 anos depois, um excelente livro, a começar pelo título tão sugestivo, que tomei emprestado para título deste post:

"1968 O ANO QUE NÃO TERMINOU"

Com efeito; não terminou e recomeçou neste 2014, na Venezuela, cujo povo, cuja juventude, em decisiva luta por Liberdade, Democracia e Direitos, precisa da solidariedade dos brasileiros. À essa solidariedade, especialmente, não se podem furtar aqueles que, como Zuenir Ventura e como tantos, em 1968, pelas ruas e praças do Brasil, não deixaram de "falar de flores" e "seguiram com a canção":

"Vem vamos embora, que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"

VIVA A VENEZUELA! VIVA A LIBERDADE! 
ABAIXO A DITADURA PODRE DE MADURO!      

quarta-feira, 26 de março de 2014

Iremar Bronzeado e Catarina Rochamonte: dois textos político-filosóficos de referência sobre a Democracia - e notícia sobre atualização do Blog

Os filósofos Iremar Bronzeado e Catarina Rochamonte publicaram pela mesma época os textos que serão objeto deste post com o qual atualizo o Blog, após um longo período afastado. Antes quero avisar que o retorno é pra valer; quer dizer, a partir de hoje o Blog ROCHA 100 será atualizado, no mínimo, uma vez por semana. Nosso objetivo é a atualização diária, e a isso chegaremos com a colaboração dos leitores e comentaristas. É o seguinte: o que estimula o blogueiro é o número de leitores e de comentários. Com poucos leitores e poucos comentários, dá muita preguiça de escrever.

Vamos aos textos de Bronzeado e Rochamonte.

Retorno preguiçosa e astuciosamente, visto que farei apenas breve comentário a esses excelentes textos, que considero referenciais para do debate democrático da atualidade, apresentando-os em seguida. Quem já os leu, nada perderá em os reler. E espero que aproveitem para comentar. Vejam que a internet vem funcionando no mundo hodierno como uma Ágora rediviva, um espaço privilegiado para o debate democrático.

Os textos em tela têm como ponto comum, além da defesa da Democracia e da Liberdade, o enfoque dos momentos históricos onde os luminosos ideais de Liberdade escorregaram, terminando por afundar na lama pútrida dos totalitarismos do século XX.  Se bem que os totalitarismos bolchevistas e nazi-fascistas tenham naufragado, alguns baluartes resistem, como são os casos das ditaduras da Coréia do Norte e de Cuba. E ainda, o totalitarismo tenta reabilitar-se em alguns países, como é o caso da Venezuela, hoje sob comando de um facínora fascista que persegue, prende, tortura e mata (principalmente jovens estudantes, que são a vanguarda da resistência ao regime nazi-chavista do podre Nicolás Maduro).

Vamos aos textos; e, espero, ao debate:


NÓS E O NAZI-COMUNISMO CUBANO

As correntes antiliberais – nazi-fascismo, nazi-comunismo, fasci-socialismo – acusam as economias liberais de mercado de promover a famosa "exploração do homem pelo homem", e propõem como antídoto para essa ignomínia social a substituição do Estado dominado pela burguesia exploradora por um Estado proletário, legítimo representante das classes exploradas. Este Estado tem que ser suficientemente forte, abrangente e totalitário, uma pétrea "ditadura do proletariado",  capaz de se contrapor e destruir o que eles chamam de alienante “ditadura da burguesia". A nova ordem daria ensejo ao que seria a última fase do desenvolvimento humano, a marcha acelerada em direção à utopia de uma sociedade de paz e abundância, anárquica, sem Estado, sem lei nem senhor. Um belo sonho, nascido dos belos sentimentos de solidariedade do coração humano, que o faz chorar com os que choram e sofrer com os que sofrem. E os corações dos fasci-socialistas se encheram de piedosa boa vontade. Uma nobre e voluntariosa boa vontade, reconheçamos, para livrar o mundo do lamaçal alienante do lucro, da competição econômica e do consumismo desenfreado, e alçá-lo às culminâncias do ideal de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa.
Só que, "de boa vontade o inferno está cheio", como reza o bom senso da sabedoria popular. Ou seja, não adianta ter a melhor das boas vontades se não se encontra o caminho correto e seguro para por em prática as utopias e objetivos de que ela se alimenta. Um caminho errado pode estragar tudo, e, em vez do topo da montanha, levar o caminhante a se despedaçar nos íngremes penhascos de um tenebroso abismo. Foi o que aconteceu quando, seguindo o caminho troncho da luta de classes, os fasci-socialistas colocaram em prática os generosos ideais de sua insinuante doutrina, terminando por trocarem a exploração do homem pelo homem pela muito mais ferina e despótica exploração do homem pelo Estado. Estados que, apesar de se dizerem proletários e democráticos, não passaram de comitês representativos da súcia tirânica  dos mais espertos dentro dos partidos únicos, dirigidos pela fabricada liderança de um führer, um chefe supremo, a quem todos deviam cegamente obedecer.         
Estrondosamente fracassado na Europa, o esquema nazi-fasci-socialista voltou-se para a América Latina, como a última tábua de salvação para sua desbaratada doença ideológica, para eles, com certeza, um meio mais dócil e receptivo à sua propaganda enganosa, por ser um continente carente de um capitalismo avançado, e, por isso, dominado pela pobreza, pela ignorância e pelo analfabetismo. O investimento nazi-fascista na latinidade americana até agora está dando certo, pois, aqui e acolá, nesta última década, começaram a pipocar, pela via troncha do populismo fraudulentamente                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       democrático, governos latino-americanos abertos à implantação do novo "socialismo bolivariano", e simpáticos à defesa e à cooperação com o nazi-comunismo Cubano. Infelizmente, o Brasil caiu nessa esparrela, que lhe vai custar algumas décadas de atraso em seu desenvolvimento econômico e social. E a nossa "presidenta" guerrilheira, em vez de usar o nosso suado dinheirinho para dirimir as numerosas mazelas que apequenam nossa nação, desvia-o para colaborar com o golpe nazi-propagandístico dos médicos cubanos, que visa transformar em verdade a mentira de que a Cuba nazi-comunista é pobre, mas distribui bem a sua pobreza, oferecendo à população uma educação e uma saúde públicas tão perfeitas que se lhe permitem o luxo de exportá-las para o resto do mundo. (Tal "perfeição", infelizmente [ou felizmente?] só não deu para salvar a vida do seu aloprado parceiro bolivariano Hugo Chaves). E tudo é feito atropelando nossas leis trabalhistas e os famosos "direitos humanos", que a esquerda fascista tanto manipula, pois dos dez mil reais mensais por médico, que pagamos ao Estado cubano, só menos de 10% chega às mãos dos pobres e explorados esculápios.   O resto é retido para a formação de divisas, que o regime incompetente da ilha caribenha não consegue produzir. Na verdade, a competência (ou incompetência?) dos médicos cubanos é vendida como nos tempos da escravidão no Brasil, quando os senhores vendiam os serviços dos seus escravos possuidores de alguma habilidade especial, que por isso ficaram conhecidos como "escravos de ganho". Estes, a única coisa que recebiam pelo seu trabalho era a comida e a dormida, enquanto ao seu senhor era pago o total da remuneração que, por justiça, lhes era devida, da mesma forma como o governo cubano recebe o total dos salários de seus enviados "para salvar a saúde brasileira"T, concedendo-lhes apenas uma pequena parte para comida, roupa e hospedagem.
Os brasileiros de fé e consciência permanecem indignados com este estelionato, que faz uso dos seis meses de trabalho que eles pagam como tributo, para alimentar o "berço da serpente" caribenho, onde se aninham os inimigos da liberdade e da democracia. 


SOS VENEZUELA: imperativos da Democracia e dos Direitos Humanos
Catarina Rochamonte
Um momento antes da atual conjuntura, um período afamado como moderno precipitou-se em teorias absurdas e definitivamente além dos horizontes próprios da averiguação humana. Além de a mensagem sobrepujar o próprio horizonte limitado do conhecimento, seu teor alcançou um patamar só permitido ao discurso advindo da própria revelação. Referimo-nos ao espetáculo metafísico do séc. XVIII onde os maiores progressos técnicos se encaminhavam para uma melhor aplicação e a singular presunção humana lançou o próprio pensamento técnico aos céus, como se a possibilidade de arranjar conceitos fosse suficiente para fazer a verdade fluir. Recalcitrante no que tange às demandas críticas impostas por Kant, os idealistas se propuseram uma metafísica romântica incomparável em beleza e em falta de lucidez, pois a própria perscrutação do infinito pressupõe asas outras que as meramente intelectuais. Concentrando esforços na fulguração divina do inusitado intento, o filósofo Hegel se prestou a artes infinitas de dialética enquanto o espírito absoluto de que falava outra coisa não era que a empáfia própria de uma mente obscurecida pela própria potência. Ligar Deus ao conceito sem atinar para a concordância efetiva entre Deus e fé, sem atinar para a transcendência absoluta de Deus em relação à lógica é sinalizar conflitos e abastecer corretas inclinações sem corretas possibilidades. Não negamos que Deus seja o infinito e o absoluto, negamos que ele seja o infinitamente lógico, pois o logos é tão somente a esfera menor na qual a humana inteligência pode trabalhar. Limitar Deus à lógica é limitar o homem ao pensamento intelectual e sem vida. Coerência desprovida de seiva e de chão, de sapiência existencial e de carnalidade, pois a carne também participa da ascensão gradual ao conhecimento através de suas depurações sucessivas. Como o próprio filósofo se abismava na própria terra inventada, a tendência máxima da estupefação alienante se verifica ao comparar-se a si mesmo ao espírito absoluto sob o pretexto de tê-lo atingido. Tudo isso não passa de desatinos próprios de uma mente privilegiada em um determinado aspecto e obtusamente frágil em outros. Comparar o esforço hegeliano ao esforço marxista é o propósito do nosso texto, pois enquanto um sobrevoava o tempo em busca do espírito absoluto, o outro solapava as esperanças dos que criam no efetivo espírito. Desterrados do conceito obnubilador de absoluto metafísico, os homens se ataviaram na busca da perfeição terrena por caminhos altamente deturpados e carentes da mais singela e humilde vocação evangélica. Correram atrás das massas e enobreceram cidadãos desprovidos de espírito religioso, respaldaram teses abjetas e demoliram pretensões sãs e coerentes de consolidar paulatinamente uma sociedade hábil e concretamente constituída sob o respaldo da democracia, consolidaram um poderio beligerante próprio da terra e com ele apregoaram o paraíso terrestre, deserdaram homens e assaltaram mãos famintas a propósito de um bem coletivo altamente questionável. Consentâneo obstáculo ao progresso real verifica-se hoje quando os remotos líderes se fazem aplaudir através de uma covarde desistência e de uma anárquica coesão. Venezuelanos se põem em busca de um líder capaz de governar um povo sem que a própria astúcia e desatino mental o ponha a perder. Liderados por desastrados e deficientes homens, esse povo clama e se revolta sem que a mundial política se dê ao caso de verificar a atual correção do mandato em vigor. Completamente louco está aquele que dirige o país e conquanto a democracia seja o esteio fundamental da nossa civilização, o Brasil se prestaria um favor se opondo a um tutor beligerante e deturpado nos mais singulares princípios éticos. Rapidamente tracejamos essas linhas a fim de fazer ver que um erro teórico, se deixado à solta, conduz a pérfidas consequências e consagra louros à ignorância. Lentamente encaminhemos nossas reflexões para a possibilidade de um arranjo global entre os povos, pois o quesito em pauta não é nem metafísica, nem política, mas a real necessidade humana de conduzir o mundo segundo preceitos radicados em princípios reais. O norte maior da condução comum é a justiça e a justiça é o elemento básico de coesão e coerção. Comumente se estabelecem votos em favor da administração em voga, mas a política seriamente conduzida desmente a propensão à beligerância e ao colonizador anelo. Conquanto os esforços diplomáticos de interferir minimamente na soberania nacional seja um zelo elementar, ele não se opõe ao trâmite necessário em caso de sucessão partidária. Consagrado pelo povo sem ser consagrado pelas urnas (a vitória foi por uma margem de 1,59 ponto percentual), o atual presidente da Venezuela deveria ser banido do cargo à menor violação dos direitos humanos. Conduzido por partidários débeis, seu mandato consolida-se tão somente pelo apoio popular que, uma vez retirado, deveria retirá-lo do cargo também. O apoio insólito dos países vizinhos se afigura algo abjeto, pois o elemento maior desse apoio é a questão financeira do respaldo energético. Cumplicidade ante a maior falta de respeito aos direitos humanos e sórdida aliança por fins materiais é o que se verifica no descaso global com a atual problemática desse país. Convocar o povo ao apoio estudantil e convocar à parcimônia aqueles que se dizem comunistas é uma luta atual e necessária, pois tudo o que diz respeito à honradez e à dignidade humana é objeto de estudo e de direção em qualquer tempo em que se lhes corrompa o progresso.