Blog Rocha 100

“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

"Comunismo é Tirania" - artigo de Catarina Rochamonte publicado no Instituto Liberal é republicado no Blog do Rodrigo Constantino e daí para vários outros blogs, inclusive este Blog ROCHA 100

Artigo de Catarina Rochamonte publicado no Instituto Liberal está, como se diz, bombando na net. Em várias páginas das redes sociais, em sites e blogs diversos o texto intitulado "Comunismo é Tirania", está sendo acolhido. Certamente, o Blog ROCHA 100 não poderia deixar de também o acolher. Eis aí, recolhido do Blog do Rogério Neiva (blogdorogerioneiva.com). Quem não leu, leia; quem já leu, leia de novo.



Mundo2 de fevereiro de 2015

Comunismo é Tirania

Por Catarina Rochamonte
É preciso empreender uma batalha constante contra todos os tipos de tirania. O que significa isso? Significa qualquer postura que tente intermediar a relação do homem com a sua própria psiquê, com o seu íntimo e com a sua fé. O homem que, covardemente, outorga autoridade suprema a qualquer instância orientadora está desertando de um caminho certamente longo, porém mais lúcido que é o caminho da responsabilidade individual diante da valoração de uma causa qualquer.
Ora, atentemos um instante para a promessa aleatória de execução de uma sociedade ideal e perfeita. Quem promete algo parecido com isso está apenas convergindo lutas pessoais e letras imemoriais em um projeto plenamente realizável. O que queremos dizer com isso é que a consecução de uma obra de natureza duradoura depende de séculos de trabalho de uma infinidade de segmentos sociais e de uma renovação de ideias tão profunda que é impossível limitá-la a um dado projeto. A caminhada em direção a algo nobre é efetivamente mais sólida que a suposta conquista que mais tarde com certeza sucumbirá ante a fragilidade de seus fundamentos.
O socialismo foi essa trajetória curva na História contemporânea que atrasou o desenvolvimento técnico e o desenvolvimento material, sem falar na outra face mais obscura, qual seja, a soma dos horrores cometidos em nome de um suposto bem. A justificação moral do mal em nome do bem é mais prejudicial ao homem que a execução do mal sem justificativa alguma. Comunismo e nazismo se assemelharam, portanto, quanto aos limites impostos à liberdade, distinguindo-se apenas pela natureza de suas justificações.
Ora, o nazismo se concretizou como forma eficaz de totalitarismo disseminando algo que qualquer pessoa minimamente bem-intencionada sabe tratar-se de uma coisa insustentável, a saber, a ideia de uma raça superior, possuidora de característica distintas que a fariam triunfar. O absurdo da proposta faz com que, passada a catarse tétrica momentânea, os indivíduos ponderem e sigam novamente a rota saudável das relações sociais. Por que então o nazismo ainda encontra defensores? Porque ainda existem indivíduos objetivamente maus que perseguem ideias que lhes correspondam à índole.
Com o comunismo dá-se algo parecido no que compete ao fascínio ideológico e ao embrutecimento intelectual, não obstante o problema se agrave justamente pela manipulação das saudáveis inclinações e dos mais honestos fins que são efetivamente alvos não das pessoas de má índole, mas das pessoas sãs. O comunismo promete a extinção da desigualdade social e estabelece métodos para alcançá-la.
Vejamos, primeiramente o indivíduo parte para uma batalha natural entre a sua própria consciência e a consciência partidária que o obriga a uma suposta moral que de moral efetivamente não tem nada. Depois, a capacidade de persuasão da ideia faz com que o indivíduo se perca em sua própria moralidade, subordinada, doravante, ao fim último a ser perseguido. Nesse intervalo entre o indivíduo desobrigado de prestar contas à própria consciência e o indivíduo devotado a uma causa maior insere-se um sem número de projetos vãos que derrotam a moral dita burguesa fazendo do indivíduo nada mais que um cego lutador, capaz de atos bandidos desprovidos de compaixão, mas justificados pela honradez perante uma causa que o ultrapassa. Eis o fim da sobriedade, da lucidez, da honestidade de conduta e da moral firme de um indivíduo livre.
Catarina Rochamonte é graduada em Filosofia pela UECE (Universidade Estadual do Ceará), mestre em Filosofia pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), doutoranda em Filosofia pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos); é escritora e jornalista independente.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Reflexões sobre o maoísmo, a propósito do caso Chen Guangcheng

A luta do dissidente chinês Chen Guangcheng para se libertar da tirania comunista da China nos leva a algumas reflexões sobre o maoísmo, vertente chinesa da doutrina marxista que encantou o mundo ocidental nos idos dos anos 60 do século passado. Em 1968, sob o comando do "gande timoneiro" Mao-Tsé-Tung realizava-se na China a "Revolução Cultural", cujo objetivo declarado era corrigir os desvios da revolução proletária, extirpando os resquícios da nefasta ideologia burguesa. Usava-se como guia o "livro vermelho de Mao", como instrumento a "Guarda Vermelha" e como método a humilhação pública, a tortura e o assassinato em massa. Sabendo-se que, segundo a doutrina marxista-leninista, a violência é o único caminho para construção do paraíso na terra,  não será de estranhar que o horror que imperava na China maoísta fosse visto por grande parte da intelectualidade e juventude militante do Ocidente com êxtase de adoração: Mao fora, de fato, deificado pelo ateísmo militante; como antes já o fora Stalin. A violência revolucionária maoísta sacrificou, por aí, uns 70 milhões de pessoas (estimativa conservadora).
Vejamos: a violência revolucionária maoísta logrou conquistar o paraíso terrestre? Não. Mas é bem verdade que a China prospera. Depois do delírio maoísta, sobreveio a prudência de Chu En-Lai e Deng Xiaoping. O PCC (Partido Comunista Chinês) abrandou a tirania e reintroduziu o método de produção capitalista. Hoje, o capitalismo chinês alavanca o capitalismo mundial.
A tirania do PCC ainda persegue, oprime, tortura e mata; mas em escala bem inferior aos ensandecidos anos da "Revolução Cultural". Com efeito, fosse nos tempos da "Guarda Vermelha", Cheng Guancheng não teria saído do país; muito menos para ir para os Estados Unidos. Chegando na terra do Tio Sam, o dissidente cego disse ter escapado de um "sofrimento inimaginável". Enquanto isso, lá China, seu irmão mais velho, Chen Guangfu, e o filho deste, foram presos. Portanto, não foi sem motivo que Guangcheng pediu ajuda para a luta pela "promoção da justiça na China".
Guangcheng não é o único exemplo recente da tirania chinesa, pelo contrário, tais exemplos se sucedem e se atropelam. Há poucos dias, o que estava em manchete era o caso da perseguição ao artista Ai Weiwei, que, entre outras rebeldias, colocou na internet uma foto sua com quatro lindas chinesas: todo mundo nu, com a mão nas partes. Nos tempos de Mao, esse terrível vício burguês de exibicionismo teria sido castigado com o fuzilamento.
Se a tirania na China abrandou, o capitalismo lá implantado é dos mais selvagens: salários vis, jornadas longas e direitos trabalhistas escassos.
É muito ruim, mas já foi muito pior.
  

sábado, 13 de agosto de 2011

O alerta do velho Alexis

O Alexis a quem, com ousada intimidade, refiro-me, é o grande Alexis de Tocqueville, um dos clássicos do pensamento político. Seu magistral livro A Democracia na América, produto da viagem que o jovem francês fez à jovem nação em 1831, é atualíssimo, repleto de lições que se houvessem sido aprendidas teriam evitado as tragédias totalitárias do séc. XX. Todavia, o totalitarismo ruiu e a democracia prospera. E para que melhor prospere, será sempre útil que seus construtores voltem às lições do velho Alexis. São tantas, que apenas posso recomendar que o leiam. Porém, deixo registrado um anúncio profético e um alerta tremendo; do "Prefácio da Décima-Segunda Edição" (escrito por Tocqueville em 1848) do referido livro. O anúncio: "O próximo advento, irresistível e universal, da democracia no mundo". O alerta: "Conforme tenhamos a liberdade democrática ou a tirania democrática, o destino do mundo será diferente".