Blog Rocha 100

No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

A Igreja Católica, os escândalos e o fundo do mar

O celibato clerical não é um mal em si; para quem tem a devoção da entrega total ao serviço de Deus, será mesmo um bem. Ou quem queira ser celibatário por qualquer motivo, se perde os prazeres da carne, pode ser que ganhe as delícias do sossego. O celibato só não pode ser obrigatório. No próprio Evangelho está dito que não deve ser obrigatório.
Ao converter-se ao cristianismo, São Paulo optou pelo celibato para entregar-se totalmente ao serviço de Deus; todavia, aconselhou: "Mas, se não podem conter-se, casem-se; porque é melhor casar do que abrasar-se". Está em 1 Coríntios 7: 9.
É uma desgraça que religiosos, após feito os votos de castidade, fiquem por aí a abrasar-se a três por quatro com fiéis indefesos, como fez aquele bispo tarado que foi presidente do Paraguai, e que, quando responsável por paróquias, apascentava as ovelhas no intuito exclusivo de emprenhá-las.
Já passa do tempo da Igreja Católica seguir o conselho do santo apóstolo Paulo e acabar com a obrigatoriedade do celibato para os padres. E se as autoridades eclesiásticas não decidirem por fim a esta exigência estúpida e anti-evangélica, as multidões católicas devem fazer ouvir o seu clamor.
Desgraça ainda maior do que o abrasamento irresponsável de padres putanheiros, é a pedofilia. Esse é o escândalo dos escândalos. Disse Jesus: "Aquele que escandalizar um desses pequeninos, melhor seria que se lhe atasse ao pescoço uma grande pedra de moinho e fosse jogado no fundo do mar". Está em Mateus 18: 6.
Aqui não resta dúvida: ou a Igreja Católica acaba com os seus escândalos de pedofilia ou os escândalos de pedofilia jogam a Igreja Católica no fundo do mar.

domingo, 1 de abril de 2012

O Papa, Dilma e Cuba: entrevista com Jon Lee Anderson

No Gobo online, vi uma excelente entrevista sobre Cuba com Jon Lee Anderson. Vem a ser o autor da mais importante biografia de Che Guevara (publicada no Brasil pela Editora Objetiva) e especialista em assuntos da América Latina. Anderson é jornalista de esquerda, colaborador, dentre outros jornais e revistas, do New York Times, Life e The Nation. Ele descreve a situação da ilha em cor cinzenta, dizendo que ficará mais cinzenta se acontecer a morte de Hugo Chávez, pois a Venezuela é o esteio internacional da economia cubana, cumprido papel semelhante ao que cumpriu a União Soviética décadas atrás. Um tanto cético quanto a mudanças no regime, Lee Anderson acha, entretanto, que seja possível, mais adiante, uma abertura que leve a melhoras no país socialista. Para promover esta abertura seria decisiva a atuação da Igreja Católica e do Brasil. Remeto os leitores à entrevista, mas destaco dois trechos:

Sobre a situação econômica: "O açúcar está quase morto em Cuba. Há um pouco de petróleo, pesca e turismo, mas a agricultura está em péssimas condições e não há exportações para se falar, além de de rum, migrantes cubanos e tabaco. Isso é nada. No fim há o turismo e uma economia de serviços que, infelizmente para muitos cubanos, inclui uma próspera indústria do sexo e um traço nacional de trapaça como modo de sobreviver".

Sobre o papel da Presidente Dilma Rousseff: "Ela pode escolher trabalhar de forma discreta agora, mas, se necessário, falar abertamente se a situação exigir. A libertação de prisioneiros políticos poderia ser a compensação para qualquer investimento brasileiro ou crédito financeiro. Não deve ser tão difícil e deveria ser feito".