Blog Rocha 100
“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Relembrando 1968: Relançamento/Debate na UFPB
"O ANO QUE FICOU - 1968 Memórias Afetivas"
Contamos com vocês.
domingo, 6 de agosto de 2017
"A morte não é nada": a Missa de Goretti Zenaide e a Oração de Santo Agostinho
A Morte Não É Nada
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.
Me deem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.
A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?
Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.
(Santo Agostinho)
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Andrei Roman: Uma visão de esquerda sobre a ditadura de Nicolás Maduro
1968 na UFPB
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Artigo/Resenha de João Batista de Brito sobre O ANO QUE FICOU - 1968 Memórias Afetivas
De um fôlego só, acabo de ler “1968 – o ano que ficou” (Washington Rocha e Telma Dias Fernandes), livro que mal vai chegando e já se faz imprescindível aos estudos históricos, políticos e culturais da capital paraibana.
Informativos mas informais, os depoimentos dos 17 participantes da obra reconstituem os eventos locais em torno do ano de 68, e assim fazendo, reacendem, na memória do leitor paraibano, uma época buliçosa, rica, tão fértil em impulsos sociais, com suas perplexidades e contradições, acertos e erros.
Como o subtítulo diz, são ´memórias afetivas´ e, por isso mesmo, desiguais na dicção, no estilo, e no argumento, porém, bem mais saborosas do que se fossem ensaios socio-antropológicos teorizantes e sistemáticos.
Ao livro não sei qual pode ser a reação dos jovens de hoje em dia, porém, se você tem, aproximadamente que seja, a faixa etária dos depoentes, ele será pra você um delicioso prato cheio, para ser devorado com a gula do tempo.
Um efeito adicional da leitura é, com certeza, atiçar a memória do leitor e fazê-lo rever o seu próprio 68. Foi o que se deu comigo.
Nesse ano eu estava no primeiro ano de faculdade (Curso de Letras, na FAFI) e vivi de perto toda a movimentação política e cultural da cidade.
Sem vocação para a coisa política, nunca me engajei, mas, fui, sim, às passeatas, ouvi os inflamados discursos dos líderes estudantis e/ou universitários, e corri da polícia. Não só isso, li os livros obrigatórios para uma formação de esquerda. O que mais me empolgou foi o “Princípios fundamentais de Filosofia” de Georges Politzer, onde aprendi o que era materialismo dialético e suas adjacências conceituais. Até “O capital” de Marx me chegou às mãos, emprestado não sei mais por quem, e do qual, por pura incapacidade de entender, não passei da terceira página.
Como o meu interesse era um pouco menos político e um pouco mais cultural, um livro que virou bíblia para mim foi “A necessidade da arte” do Ernst Fischer, enterrado no quintal de casa depois do AI-5, mas desenterrado depois da anistia, e ainda hoje, sujo de terra, em pé na prateleira da minha estante.
Universitário ou secundarista, acho que nenhum estudante passou por 68 impunemente. Pessoalmente, carreguei uma culpa por muito tempo. Um colega de turma e amigo querido – membro de algum partido clandestino – convidou-me (intimou-me, seria mais correto dizer) a viajar a São Paulo para comparecer ao Congresso de Ibiúna. Vacilei, vacilei, e terminei não indo. Por ter ido e ter sido preso lá, ele foi cassado de um ano escolar, e ficou me olhando enviesado.
Concluído o curso universitário, perdi contato com o amigo, mas, décadas depois, ao revê-lo, batemos um longo papo sobre aqueles velhos tempos, e ele me confessou, rindo um pouco, que eu é que estive certo em não haver aceito a sua intimação. Eu já achava que sim, mas foi bom ouvir o ´perdão´ saindo da boca dele.
Voltando ao livro de Washington Rocha e Telma Dias, naturalmente, um tópico nele recorrente é o AI-5. Pois, mais ou menos no mesmo espírito do episódio narrado acima, um dos depoentes no livro, o José Ronaldo Farias, me comoveu ao afirmar, em seu forte depoimento, que o AI-5, uma vez instaurado (cito) “o sensato era submergir”. E continua: “Foi o que eu fiz. Voltei-me completamente para os estudos...”.
Ao ler a frase, achei que fui eu que a tinha escrito. Pois foi exatamente isto que fiz quando o AI-5 estourou: submergi nos estudos. Os de José Ronaldo eram a Física e o Direito; os meus: Shakespeare, Hemingway, Faulkner, Fitzgerald, etc... mas esta é outra história que, aliás, já contei alhures, duas ou três vezes, e não vou repetir.
Enfim, do livro aqui resenhado, sou forçado a admitir que tive a impressão de o projeto haver sido realizado às pressas, no impulso da hora, sem o cuidado de seleção, composição e edição que uma obra dessas exige, mas, repito: mesmo assim, não é possível virar suas páginas sem gosto, e não é possível chegar à última sem lamentar que tenha acabado. Até porque, como se sabe, daqui e de outras fontes, 68 nunca acabou.
"O Meu 68": esplêndido artigo de João Batista de Brito
"O ANO QUE FICOU - 1968 Memórias Afetivas",
uma rápida resenha, intitulada "O Meu 68", que é mesmo uma maravilha. Vão lá conferir.
quarta-feira, 26 de julho de 2017
Guy Joseph, o artista: o livro de 1968 e um possível filme
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