Blog Rocha 100

No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

sábado, 12 de outubro de 2013

BANG BANG (My Baby Shot Me Down) "Foi há tanto tempo atrás / Tempo que não volta mais" - A bela deputada Daniella Ribeiro entra na tolice "politicamente correta": dá vontade de chorar

Eu admiro muito a deputada Daniella Ribeiro, tenho acompanhado seu mandato legislativo, exercido com competência e dignidade, marcado pela coragem Foi, portanto, com desalento que li, no excelente Blog do Dércio, a notícia de que ela, a bela Daniella, vem de propor uma tolice do tamanho de um tanque de guerra de verdade: reproduzindo uma insanidade "politicamente correta" em curso em Brasília, Daniella quer abolir as armas de brinquedo na Paraíba, para "auxiliar no combate à violência".

A ideia de que as armas de brinquedo são culpadas pela violência não é séria. Tamanha tolice só encontra eco porque a praga do "politicamente correto" vem corroendo o cérebro "dos brasileiros e das brasileiras". Se há algo que a psicanálise evidenciou é que os impulsos de violência, inerentes a todos os seres humanos, têm de encontrar, nas sociedades civilizadas, espaços de escoamento não deletérios, sob pena de acumulação insuportável, que, inevitavelmente, causará doenças psico-somáticas ou se exteriorizará em rompantes de violência os mais ferozes e deletérios. Que meninos brinquem com armas de brinquedo é tão natural quanto meninas brincarem de boneca; e tão natural quanto crianças de ambos os sexos chuparem o dedo. É natural, bom e necessário. Vejam que se os pais não tiverem dinheiro para comprar brinquedo de loja para o menino, ele fará de um pedaço de pau uma espada; de um galho apropriado fará um revólver e brincará dizendo BANG BANG. Certamente, a patrulha "politicamente correta", além de erradicar os brinquedos das lojas, haverá de 'vigiar e punir' os meninos malvados que insistirem nesses folguedos temerários.

Tirar arma de brinquedo das mãos de crianças é como tirar o futebol dos pés dos adultos: ou tirar o boxe, o judô, a capoeira, a esgrima e todos os esportes de competição; inclusive o aparentemente pacífico xadrez (o xadrez, vejam só, é um esporte violento). Esportes são substitutivos civilizados da guerra. Tirar esses esportes de quem pratica e, consequentemente, de quem aprecia, seria uma violência que, mais cedo ou mais tarde, seria vingada. Se arrancarem as armas de brinquedo das mãos das crianças, mais cedo ou mais tarde elas se vingarão.

Tirar arma de brinquedo das mão de crianças não leva criança nenhuma a abominar a violência, pelo contrário: é uma violência capaz de acumular na criança uma frustração/tensão que a levará a usar de violência quando tiver oportunidade.

O pior é que essa cretinice que foi aprovada pelos deputados de Brasília tem muita chance de ser aprovada também pelos deputados paraibanos, isso devido ao generalizado temor ao patrulhamento dos "politicamente corretos".

Mas qual o propósito do BANG BANG do título? Trata-se da célebre e belíssima canção da dupla/casal Sonny Bono & Cher. A canção fala de um amor que começou quando uma garota de 5 anos e um garoto de 6 brincavam com revólveres de brinquedo ("I was five and he was six"). Ele atira de brincadeira, ela cai de brincadeira... e se apaixonam de verdade. Depois, com o tempo, que é cruel, e não as armas de brinquedo, por motivos que não se sabe, ele a deixa. E ela lamenta a perda daquele tempo de alegre fantasia, brincando com armas de brinquedo: a feliz lembrança de outrora, o tiro e a queda de brincadeira, transforma-se em sentimento de desilusão: "My Baby Shot Me Down".

São muitas as versões, a de Cher é sensualíssima e eletrizante. Tem versão de Nancy Sinatra, de Petula Clark, de Raquel Welch. A canção correu o mundo. O vídeo com a linda versão italiana de Dalida tem imagens comovedoras de duas crianças brincando com seus revólveres de brinquedo, em momento de plena felicidade. No Brasil, BANG BANG fez sucesso na versão de Maritza Fabiani, muito bela, inclusive a letra, cujos dois primeiros versos também usei no título desse triste post. Triste porque vejo que o "politicamente correto" vai avançando, derretendo o juízo das pessoas e transformando o mundo em uma merda. Aliás, no Portal 100 Fronteiras está publicado um excelente artigo de Gelza Rocha onde ela se revolta com a cretinice "politicamente correta" que é o expurgo do universo infantil da cantiga de roda "Atirei o pau no gato".

Então, como diz Maritza Fabiani, "foi há tanto tempo atrás, tempo que não volta mais", o tempo em que as crianças podiam cantar (e os adultos também, de vez em quando, gostavam de acompanhar), livres e alegremente, "atirei o pau no gato, tô / mas o gato, tô / não morreu, reu, reu". E podiam brincar com armas de brinquedo.

Todavia, resisto. Meu neto, de 8 anos, tem algumas armas de brinquedo: espadas de plástico (embora prefiramos lutar com cabos de vassoura) pistola de água, revólver que dispara bolinhas, metralhadora rá-tá-tá-tá, arco e flecha com ponta que prega em superfícies lisas (talvez em alguma testa). Ele adora esses brinquedos. Se vierem tomar essas armas de fantasia das suas mãos e das suas fantasias, reagirei como Nhô Augusto reagiu ao chefe-jagunço seu Joãozinho Bem-Bem, que queria que Augusto Matraga lhe entregasse para ser morto um inocente: "...é fácil... Mas tem de passar primeiro por riba de eu defunto" (vejam em "Sagarana", de Guimarães Rosa).

Enfim deixo para vocês BANG BANG: a versão de Maritza Fabiani e a letra original com tradução. Todas as versões referidas estão disponíveis no You Tube. Peço e imploro que vejam, que escutem e que relembrem um mundo que se vai perdendo, um mundo em que valeu a pena viver.



Bang Bang

Maritza Fabiani

Foi há tanto tempo atrás
Tempo que não volta mais
Um garoto atirava
De mocinho ele brincava (Bang Bang)
E eu caí (Bang Bang)
Me acertou (Bang Bang)
E me matou (Bang Bang)
Assim o conheci
Com o tempo a passar
Começamos a amar
Ele sempre se lembrava
E brincando então falava (Bang Bang)
Você caiu (Bang Bang)
Eu acertei (Bang Bang)
E a matei (Bang Bang)
Assim a conheci
Hoje não sei mais brincar
E nem gosto de lembrar
Todo o tempo com que foi
Tão feliz para nós dois
De verdade ele acertou
E o meu amor matou
Sem aviso ele partiu
Todo o tempo me mentiu (Bang Bang)
E eu caí (Bang Bang)
Me acertou (Bang Bang)
E me deixou (Bang Bang)
Assim eu o perdi
De verdade ele acertou
E o meu amor matou
Sem aviso ele partiu
Todo o tempo me mentiu (Bang Bang)
E eu caí (Bang Bang)
Me acertou (Bang Bang)
E me deixou (Bang Bang)
Assim eu o perdi





Bang Bang (My Baby shot Me Down)

I was five and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down

Seasons came and changed the time
When I grew up, I called him mine
He would always laugh and say
"Remember when we used to play?"

Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down

Music played and people said
Just for me the church bells ring

Now he's gone, I don't know why
Until this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down

Bang Bang (Meu Amor Me Acertou)

Eu tinha 5 e ele tinha 6
Cavalgávamos em cavalos de pau
Ele se vestia de preto e eu de branco
Ele sempre venceria a luta

Bang, bang, ele me acertou
Bang, bang, eu caí no chão
Bang, bang, aquele som horrível
Bang, bang, meu amor me acertou

Estações vieram e mudaram o tempo
Quando eu cresci, eu o chamei de meu
Ele sempre riria e diria:
"Lembra de quando nós brincávamos?"

Bang, bang, eu te acertei
Bang, bang, você caiu no chão
Bang, bang, aquele som horrível
Bang, bang, eu costumava te acertar

A música tocava e as pessoas diziam que
Apenas para mim o sino da igreja tocava

Agora ele se foi, não sei porque
E até hoje, as vezes eu choro
Ele não disse nem ao menos adeus
Ele nem gastou tempo mentindo

Bang, bang, ele me acertou
Bang, bang, eu caí no chão
Bang, bang, aquele som horrível
Bang, bang, meu amor me acertou

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O que é mesmo VANDALISMO?

VANDALISMO é a corrupção campear impunemente no Brasil;
VANDALISMO é a insegurança crescente e assustadora em que vivem as pessoas de bem;
VANDALISMO é o fator previdenciário, que prejudica aposentados, criado por FHC e criticado pelo PT, mas que o PT  fez questão de manter quando chegou ao poder;
VANDALISMO foi o governo do PT corromper o Congresso Nacional com o mensalão para aprovar a reforma da Previdência, em prejuízo dos aposentados e pensionistas;
VANDALISMO foi o ex-presidente Lula dizer que a saúde pública era quase perfeita e que tinha vontade de ficar doente para se tratar numa UPA do SUS;
VANDALISMO é deputado corrupto condenado continuar deputado e fazer parte da Comissão de Constituição e Justiça;
VANDALISMO é o salário + benefícios para cada deputado e cada senador ser de muito mais de 100 mil reais por mês, multiplicados por 513 deputados e 81 senadores (resta saber se são representantes do povo ou chupins do povo);
VANDALISMO é o salário milionário de alguns jogadores de futebol;
VANDALISMO é a  Receita Federal, que massacra os trabalhadores, devolver 5 milhões de reais aos senadores;
VANDALISMO é o sistema de impostos do Brasil ser regressivo (quem ganha menos, paga mais) e não progressivo (quem ganha mais, paga mais);
VANDALISMO é a farra dos cartões corporativos que foi escândalo no governo Lula, continuou no governo Dilma e ninguém liga mais - só em 2012 o custo foi de 59,6 milhões de reais (para quem não lembra, corporativo é aquele cartão mágico com que altos funcionários públicos federais podem gastar com o que quiser e como quiser: motel, cachaça ou tapioca);
VANDALISMO é o embargo infringente para proteger corrupto rico e poderoso;
VANDALISMO é o PT, partido no poder, ter feito da ética sua bandeira para chegar ao poder e hoje glorificar seus chefes mensaleiros corruptos condenados;
VANDALISMO é o ex-presidente Lula da Silva chegar junto de um ministro do Supremo Tribunal Federal para fazer chantagem para proteger corrupto petista mensaleiro;
VANDALISMO é o governo federal, do PT, junto com o governo do Rio de Janeiro, do PMDB, obedecendo ordens da FIFA, gastar um bilhão de reais para destruir o Maracanã do Povo (com a galera, ingresso barato e lotação de 200 mil torcedores) para botar no seu lugar o Maracanã da Elite (sem a galera, ingresso que só barão pode pagar e lotação para 70 mil granfinos);
VANDALISMO é o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, propor à Câmara Municipal um aumento de 30% para o IPTU residencial e de 45% para o IPTU comercial (se passar essa desgraça, muita gente vai perder a casa e dormir na praça);
VANDALISMO é a ministra Ideli Salvatti utilizar helicóptero do SAMU (para transporte de acidentados) para fazer pré-campanha eleitoral (flagrada e questionada, Ideli nem ligou: "outros ministro já utilizaram ou utilizam, então, ilegalidade nenhuma");
VANDALISMO é um assassino de 17 anos estuprar e assassinar uma criança de 4 anos e ser solto pela justiça 3 anos depois para estuprar e assassinar uma criança de 9 anos;
VANDALISMO é o PT querer arrancar bilhões de reais dos contribuintes para financiar as campanhas dos partidos políticos, que já recebem fortunas do Fundo Partidário;
VANDALISMO é ter no PT (e na esquerda autoritária em geral) - partido que chegou ao poder usando com toda liberdade os meios de comunicação - quem faça campanha para restabelecer no Brasil a censura dos tempos da ditadura: coisa que eles chamam de "controle social da mídia", "marco regulatório", "ley de medios" e, vejam que graça, "democratização dos meios de comunicação".

Enfim, amigo leitor e amiga leitora, veja aí você o que lhe parece ser VANDALISMO no Brasil de hoje. Envie para cá o seu VANDALISMO preferido.

Quanto à tribo bárbara germânica dos vândalos, esta foi derrotada, massacrada e dispersa após terríveis batalhas com tropas romanas nos anos de 533 e 534 d.C: tropas comandadas pelo grande general Belisário, a mando do imperador Justiniano. Os vândalos haviam saqueado e barbarizado Roma em 455, daí a má fama. Realmente, os vândalos daqueles tempos gostavam de um saque e de uma esculhambação; porém, coitados, em matéria de saque e de esculhambação não amarrariam as chuteiras dos vândalos do Brasil de hoje.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A boa bandeira de Marina: "contra o PT e o chavismo instalado no Brasil". Chavismo é bolche-fascismo. E faz mais de 70 anos que o marxista alemão Otto Rühle denunciou o bolchevismo como matriz do fascismo

O chavismo é um fascismo e é uma desgraça. Todo o PT é chávez-fascista? Não. Mas o chávez-fascismo petista está cada vez mais forte e tende a torna-se hegemônico no PT. Daí, pode tornar-se hegemônico no Brasil e liquidar com a democracia.

O de mais importante na decisão de Marina Silva de se filiar ao PSB não foi a decisão em si, mas o fato de Marina ter aproveitado a ocasião para denunciar a ação deletéria do chavismo no Brasil como perigo real à democracia. Ela não foi a primeira a perceber tal perigo, mas a ocasião deu à sua denúncia uma ressonância magnífica. Só por isso, a democracia já lhe fica devedora.

Imediatamente, a esquerda chapa-branca, através da mídia chapa-branca, acusou o golpe, aumentando o volume das difamações que já vinha fazendo contra Marina. Alguns jornalistas chapas-brancas, mas não indecentes, não difamam, tentam mostrar que ela está equivocada, que no PT não há chavismo. Missão difícil, porque a paixão por Hugo Chávez nos altos escalões do PT (e no âmbito de toda a esquerda autoritária) é coisa declarada. Todavia, com Nicolás Maduro o chavismo apodreceu (o Maduro é tão podre e tão cretino que fala com Chávez na forma de passarinho - "pajarito" - e tem noite que dorme ao pé da tumba do ídolo defunto, tal qual um servo de Drácula), a economia da Venezuela está em petição de miséria e a violência tornou-se assustadora; sendo assim, talvez seja conveniente aos chavistas brasileiros um certo afastamento do  chavismo madurista.

Apesar das suas acentuadas características fascistas, o chavismo se pretende um bolchevismo com adereços novos (Socialismo do Século XXI) e ícones com cor local (Simón Bolívar/bolivarianismo); sobretudo cultuam a Cuba de Fidel e Raul Castro. Não deixam de ter razão, porquanto bolchevismo e fascismo são aparentados.

Façamos uma rápida digressão histórica que explicará porque chamo tal corrente/ação política, o chavismo, de bolche-fascismo.

Bolchevismo e fascismo, embora já se tenham enfrentado, são oriundos de uma mesma terra: o socialismo coletivista; adubados pelo mesmo estrume: a violência; e produziram os mesmos frutos: a ditadura e o totalitarismo. Essa identificação entre bolchevismo e fascismo foi feita com extraordinário vigor pelo marxista alemão e herói da resistência ao nazismo Otto Rühle, em um texto intitulado "A luta contra o fascismo começa pela luta contra o bolchevismo" (disponível em www.marxists.org), clandestinamente circulado e publicado pela primeira vez em 1939 no "Living Marxism". Aconselhando a leitura do texto na íntegra, citamos aqui algumas passagens:

Na abertura, falando da Rússia Soviética:
"Foi a primeira a estabelecer uma ditadura constitucional, com o sistema de terror político e administrativo que o acompanha. Adotando todas as características do Estado totalitário, tornou-se assim o modelo para todos os países constrangidos a renunciar ao sistema democrático para se voltarem para a ditadura. A Rússia serviu de exemplo ao fascismo";

Nos itens em que especificamente caracteriza o bolchevismo:
"2 - O bolchevismo é um sistema autoritário. O cume da pirâmide social é o centro de decisão determinante. A autoridade é encarnada na pessoa toda-poderosa. No mito do chefe, o ideal burguês da personalidade encontra sua mais perfeita expressão"; 

"5 - O bolchevismo é uma ditadura. Utilizando a força brutal e métodos terroristas, orienta todas as  funções em direção à eliminação das instituições e opiniões não bolcheviques. A sua "ditadura do proletariado" é uma ditadura de uma burocracia ou de uma úncia pessoa";

Conclusão: "O fascismo não passa de uma simples cópia do bolchevismo. Por esta razão, a luta contra o fascismo deve começar pela luta contra o bolchevismo".


No Brasil, o projeto bolche-fascista é ainda incipiente. Dentro do governo Dilma e do próprio PT sofre séria resistência. O bolche-fascismo brasileiro tem seguido a cartilha leninista de dar um passo atrás para, em melhor ocasião, dar dois passos a frente. Lá atrás, com a descoberta da roubalheira do mensalão, deu um passo atrás. Hoje, prepara dois passos a frente: a desmoralização da Justiça e o restabelecimento da censura. Os defensores da Justiça e da Liberdade têm de tolher os passos desses corruptos e liberticidas.
Que o nosso brado democrático seja:

A LUTA CONTRA O FASCISMO NO BRASIL COMEÇA
PELA LUTA CONTRA O CHÁVEZ-PETISMO





sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Os assassinos "politicamente corretos" da menina Rebeca, 9 anos, estuprada, estrangulada

O "Politicamente Correto" é estúpido e  ridículo; por esse viés, pode também ser engraçado. A estúpida e ridícula cartilha "Politicamente Correto & Direitos Humanos", editada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, no governo Lula, já serviu de divertimento aqui neste Blog. Porém, esta praga, semeada primeiramente nos Estados Unidos, produto de uma mancebia entre liberais e marxistas, se teve boas intenções,  evoluiu para as perversões. Mais do que risos, a doutrina "politicamente correta" produz desatinos, é estrume de desgraças, induz a crimes. Com efeito, tornou-se zelo especial dos "politicamente corretos" a defesa de criminosos. Neste zelo, passaram a patrulhar todos os que defendem os inocentes. Por óbvio, os que defendem a redução da maioridade penal, o fazem preocupados com os inocentes vítimas da ferocidade de estupradores e assassinos menores de 18 anos . A patrulha "politicamente correta" divulga, espalha e alardeia que defender a redução da maioridade penal é "coisa da direita", "coisa de reacionário", "coisa de troglodita". Tem quem fique assustado. Eu não fico. Eu quero mais é que os patrulheiros "politicamente corretos" se estrepem.

Vejam: Elder Marinho, 22 anos, ao ser preso, confessou o estupro e assassinato de Rebeca Miranda, menina de 9 anos de idade. Ele violentou e estrangulou Rebeca: UMA MENINA DE 9 ANOS. Ele é um criminoso. Porém, eu afirmo que os "politicamente corretos" são mais criminosos do que ele, são mais responsáveis pela morte de Rebeca do que ele. Vejam: Elder Marinho, há apenas 5 anos, havia violentado e assassinado uma criança de 4 anos - UMA CRIANÇA DE 4 ANOS. Foi no Ceará, ele foi preso. Por que, então, estava solto? Teria fugido da cadeia? Não, ele estava solto porque a justiça "politicamente correta" assim determina. Elder, quando violentou e assassinou a criança de 4 anos, tinha 17 anos, não podia ficar preso por mais de 3 anos. Assim determina o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), lei que tem aspectos positivos e que, por isso mesmo, precisa ser modificada em item evidentemente perverso; item este que se tornou bandeira do "politicamente correto", que se lixa para todos os inocentes exterminados. Vejam: por óbvio, se o assassino Elder estivesse preso, não poderia ter assassinado Rebeca. Para os "politicamente corretos", essa obviedade não tem nenhuma importância: eles são fanáticos. Para os "politicamente corretos", Rebeca não tem a menor importância: eles são fanáticos.

Finalmente, vejam: as pesquisas já feitas indicam que mais de 90% dos brasileiros são a favor da redução da maioridade penal. Para os "politicamente corretos", isso não tem a menor importância: eles são fanáticos.

ELES SÃO FANÁTICOS E MANDAM NO BRASIL!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

"Para a liberdade foi que Cristo nos redimiu. Permanecei, pois, firmes, e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão" - esplêndido texto de Iremar Bronzeado, o Filósofo da Liberdade

Estava eu matutando no assunto do novo post. Haveria de ser algo ligado à política democrática e ao princípio de liberdade. Eis que me chega, via e-mail, um artigo de Iremar Bronzeado; artigo este consentâneo com minhas meditações e por tal forma esplêndido que melhor eu não poderia fazer que publicá-lo. Não sendo meu, passa a ser: reclamo-o. Creio mesmo que possa ser reclamado por quantos amem a democracia e a liberdade.


 DEMOCRACIA E HISTÓRIA
Iremar Bronzeado

história da humanidade tem sido a história da luta entre os seres humanos em busca da liberdade, da democracia e do bem-estar individual; e não a luta de classes como equivocadamente dogmatizaram Marx e Engels, no Manifesto Comunista. Tanto que, nas próprias instituições classistas dominadas pelo movimento marxista, que as concebe como blocos compactos de pensamento e vontade, os indivíduos se engalfinham em memoráveis lutas internas pela conquista de influência e poder.
Desde o seu alvorecer, o homo sapiens, aos trancos e barrancos, tem, aos poucos, avançado na luta por estas metas, que humanizam o ambiente em que ele se torna cada vez mais humano. Segundo o filósofo Immanuel Kant (Idéia de uma história universalde um ponto de vista cosmopolita, Martins Fontes, São Paulo, 2011) o Iluminismo e a Revolução Francesa se constituem, no rito de passagem, da menoridade para a maioridade civil da sociedade humana, quando, em oposição às ideologias heterônomas e autocráticas do mundo antigo, foram estabelecidos os princípios balizadores da democracia moderna, quais sejam: autonomia, liberdade, igualdade, fraternidade e responsabilidade social. Para o filósofo alemão Ernst Cassirer, (1874-1945, "A Filosofia do Iluminismo, Editora da UNICAMP, 1997) os filósofos iluministas, consciente ou inconscientemente, alicerçaram os fundamentos da modernidade democrática na moralidade ética da doutrina cristã. De fato, no Evangelho, o manifesto fundador desta que foi, e ainda está sendo, a maior revolução ética, política e cultural de todos os tempos, já estão claramente prenunciadas as regras e o caminho para a busca universal da felicidade. Os grandes construtores do moderno ordenamento jurídico e social nada mais fizeram do que adaptá-las à ordem profana da sociedade civil. 
Vejamos, entre muitas, algumas passagens do Evangelho que confirmam a veracidade desta inferência filosófica: Liberdade: Lc.4:18:"O Espírito do Senhor...enviou-me para proclamar liberdade aos cativos ... e por em liberdade os oprimidos". Rm.8;21: "Na esperança de que a mesma criatura será redimida da servidão para a liberdade da glória dos filhos do Espírito". 2Co.3:17: "Ora, o Senhor é o Espírito; e onde há está o Espírito do Senhor, aí há liberdade". Gl.5:1: "Para a liberdade foi que Cristo nos redimiu. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão". Gl.5.13:"Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade". "Tg.1:25:"Aquele que atenta bem para a lei perfeita, a lei da liberdade,...será  bem-aventurado no que realizar". Tg.2:12; "Assim falai e assim procedei como devendo ser julgados pela lei da liberdade". Igualdade: Lc.l.52: "...(Jesus)...derribou os poderosos e exaltou os humildes". Lc.3:5: "Todo vale se levantará e toda montanha se abaixará". Mc.3:35:"E, olhando aos que estavam ao redor, disse: Eis...meus irmãos". Quando Jesus afirma que somos todos seus irmãos, Ele proclama a igualdade entre todos os homens,  porque somos filhos do mesmo Pai e temos os mesmos direitos e deveres diante d'Ele. Fraternidade: Mt.23:8;"...um só é vosso mestre, e vós todos sois irmãos". At.7:26:"Homens, vós sois irmãos; por que vos ofendeis uns aos outros?" Rm.14:10:"Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu por que desprezas o teu?" Hb.2:11:"...todos vêm de um só. Por isso é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos,..."1Jo.2:10:"Aquele que ama seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço". 1Jo.3:14:"Sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte".Responsabilidade social: Lc.6:31:"Como quereis que os homens vos façam, assim vazei vós também a eles". Mt.19:21:"Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus." 2Co.9:"Distribuiu, deu aos pobres e sua justiça permanece para sempre."
Jesus, com o seu famoso "Dai a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus" (Mt.22:21), empunhou, muito avant la lettre, uma das principais bandeiras das sociedades madurecidas pela racionalidade da Ilustração, qual seja, a estrita separação entre o Estado e as instituições religiosas. Quando os seus seguidores tentaram proclamá-lo rei, Ele recusou, fugindo para as montanhas (Jo.6:15) e, quando Pilatos perguntou se Ele era o rei dos judeus, "Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo....O meu reino não é daqui" (Jo.6:36). Além disso, Jesus, reconhecendo os ganhos de capital com a cobrança de juros, bem como a atividade dos bancos, e dos banqueiros (Mt.25:27 e Lc.19:23), sancionou precocemente  a Democracia Liberal de Mercado, que viria, cerca de vinte séculos depois, a se perpetuar como o padrão otimizado da atividade produtora e da convivência social, aberto ao aperfeiçoamento, ad infinitum, através da livre iniciativa e da livre concorrência em busca de maiores lucros.
O Cristianismo e o Iluminismo se articulam historicamente como as duas revoluções permanentes, capazes de conduzir a espécie humana a uma condição cada vez mais justa, livre e feliz.    

domingo, 29 de setembro de 2013

Sobre um livro do Espírito Emmanuel/Chico Xavier, o materialismo marxista e dois poemas supremos de François Villon

Por recomendação de pessoa querida, estou lendo o romance histórico "Paulo e Estevão" de Chico Xavier, ou do Espírito Emmanuel. Os espíritas acreditam que é assim mesmo, que o espírito se expressa por intermédio do médium. Não sei, apenas posso afirmar que o romance é bom e não poderia ter sido escrito por pessoa que não tivesse largo conhecimento histórico. O livro é erudito. Aliás, sem um tanto de erudição, não pode haver romance histórico, mas apenas mirabolantes obras de época. Não quer dizer que os romances de época sejam ruins, apenas tratam os fatos históricos como meros pretextos, distorcendo-os desabridamente, ao sabor da imaginação. Assim são, por exemplo, os chamados "romances de capa e espada", cujos melhores exemplos são os estupendos, magníficos e tão universalmente apreciados livros de Alexandre Dumas.

Eu tenho paixão pelos romances históricos; quer os eruditos, quer os de pura aventura. Dentre os eruditos, cito os seguintes: "Eu, Claudius, Imperador" (continuação: "Claudius, o deus, e sua esposa Messalina"), do britânico Robert Ranke Graves; "Juliano, o Apóstata - a morte dos deuses", do russo Dimitri Merejkovsky; e a série "Os Reis Malditos", do francês Maurice Druon. "Paulo e Estevão" iguala-se a estes? Entendo que não, porém, mesmo por conhecer os melhores romances históricos eruditos da história, posso afirmar que é um bom romance. E não se trata de fazer aqui critica literária (Hildeberto Barbosa ou Chico Viana poderiam fazer), mas tão somente considerar a hipótese mediúnica, a partir da constatação da impossibilidade de tal livro ter sido escrito por pessoa de pouca cultura. Acresce que, além deste, Chico Xavier tem catalogados outros 400 títulos, todos atribuídos a espíritos desencarnados. Que outra explicação pode haver para tal fenômeno? Ora, a explicação científica, de cunho psicanalítico. Pois, eu lhes afirmo que a psicanálise é, fundamentalmente, matéria especulativa. Não que seja falsa, mas não é ciência. Com efeito a ciência trata apenas do que é empiricamente verificável, de tal modo que tal ou qual hipótese possa ser validada ou invalidada através de investigação/experimentação controlada.

Entendo, e já escrevi longamente sobre isso, que a ciência é um conhecimento secundário. Com efeito, trata apenas de coisas de menor importância. Não trata, por exemplo, de Deus; nem da Vida Eterna; nem da Alma Imortal; nem de aonde estão e como estão nossos entes queridos que morreram; nem onde estão e como estão todos os que já morreram. Os materialistas-científicos dizem que nada disso existe, que nada disso interessa. E eu também já escrevi que é por isso mesmo que o materialismo é a mais rasteira das doutrinas, a mais miserável de todas as filosofias.

Quem tem juízo e sentimento, sabe, no coração, que sem a promessa da Eternidade, que sem esse interesse, nada no mundo tem interesse, nada na vida importa. Pelo que, citarei mais uma vez o Paulo referido no romance do Espírito Emmanuel:

"Se foi por intenção humana que combati com as feras em Éfeso, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos que amanhã morreremos" (1 Coríntios 15:32)     

Nem que fosse verdadeira, eu haveria de querer para mim a doutrina do efêmero, da  morte, do nada. Mas por que tal hipótese sebosa e nojenta haveria de ser verdadeira?

Tratamos, em post anterior, a respeito da carta de Karl Marx a Pavel Annenkov, sobre a muito ruim metafísica da história, na qual, a meu entender, fundamenta-se o chamado materialismo-histórico, ou materialismo-cientifico. Espanta-me sobretudo que Marx e Engels tenham conseguido projetar um futuro feliz, prodigioso, luminoso, um paraíso de delícias que não poderá ser jamais usufruído por aqueles que por ele se sacrificam e morrem. Não há dúvida: os marxistas, além de equivocados, são uns tremendos otários. Se a morte é o fim de tudo, por que projetar futuros radiantes? Triste, triste: os marxistas trouxeram ao mundo desgraças sem conta a troco de nada.

Marx e Engels levantaram muitas e agudas questões históricas. A todas elas, contraponho a magna questão levantada pelo poeta François Villon: "où sont les neiges d'antan" (onde estão as neves de outrora?), que é o estribilho da célebre "Ballade des Dames du Temps Jadis" (Balada das Damas dos Tempos Idos). O turbulento Villon, mais de uma vez esteve em sérios apuros, chegando muito perto de ser enforcado. Na dita balada, indagava pelo paradeiro das famosas mulheres de antigamente. Na verdade, queria saber de todos os que já se foram. Roga uma resposta à Virgem e exige que o príncipe tome providências urgentes. Essa questão de Villon permanece como a mais fundamental da história. Villon, que, além de ser um gênio, era grande pecador, cuidou, precisamente, das coisas que mais importavam; também na "Ballade des Pendus" (Balada dos Enforcados), em que pede e exorta que se peça o perdão de Deus. Ofereço estas baladas memoráveis, tremendas, arrebatadoras, verdadeiras orações, à reflexão do leitor - no original e em traduções de Ivo Barroso e de Modesto de Abreu (www.algumapoesia.com.br/poesia2/poesianet211.htm).


Número 211 - Ano 5
São Paulo, quarta-feira, 30 de maio de 2007 
«Pois que é o Belo / senão o grau do Terrível que ainda suportamos (...)?» (Rainer Maria Rilke) *
 

François Villon

Caros,

Nesta edição o boletim traz à presença de vocês um poeta do fim da Idade Média — o francês François Villon. Misterioso, contraditório, Villon é sempre referido nas enciclopédias como poeta, ladrão e vagabundo. As incertezas em torno de sua biografia são imensas. Nasceu em 1431 e recebeu o nome de François de Montcorbier, nome que ele depois ao entrar para a Universidade de Paris — mudou para François Villon, em homenagem a seu protetor, Guillaume de Villon.

O poeta terminou os estudos em 1452. Três anos depois, envolveu-se numa briga de rua e matou um padre, Philippe Sermoise. Villon fugiu e foi condenado ao banimento sentença revista em 1456 por um perdão concedido pelo rei Charles VII. No final do mesmo ano, Villon já estava outra vez em apuros. Foi acusado de liderar um roubo e desapareceu por cerca de quatro anos.

Em 1461, aos 30 anos, ele escreveu o Grand Testament, obra que o imortalizou e que contém todos os seus poemas conhecidos. Os fatos da vida de Villon são desencontrados. Entre prisões e a proteção de nobres da época, ele foi levando. Em 1462, preso outra vez, foi condenado à forca. Mas a sentença foi comutada e convertida para banimento em 5 de janeiro de 1463. Essa é a última data de que se tem notícia dele. A partir daí, ele desaparece da História. Não se sabe como nem quando morreu.

François Villon é o poeta mais conhecido de sua época. Sua poesia, fiel ao estilo de então, é vazada em poemas de forma fixa, especialmente as baladas e os rondós. São famosos seus textos "Balada dos Enforcados" (escrito quando estava na prisão, condenado à forca) e a "Balada das Damas dos Tempos Idos", ambos reproduzidos aqui.

Na "Balada dos Enforcados", também conhecida como "Epitáfio de Villon", sentenciados já mortos se dirigem aos contemporâneos sobreviventes. Com um toque de crueza que antecipa certas ousadias modernas, eles descrevem a decomposição dos próprios corpos pendurados ("Eis que a chuva nos gasta e lava, e eis / Que o sol nos enegrece e tem secado") e suplicam que se peça a Deus pela sua absolvição.

A estrofe final de uma balada, chamada "oferta" ou "oferecimento", é sempre dedicada a alguém. Na "Balada dos Enforcados", os mortos rogam diretamente a Jesus Cristo pela sua absolvição. Aqui, a tradução desse poema é do sempre competente Ivo Barroso, já citado mais de uma vez neste boletim.

Menos trágica, a "Balada das Damas dos Tempos Idos" celebra com nostalgia uma lista de mulheres ao longo da História. Cada uma das estrofes dessa balada termina com a pergunta que se tornou um célebre refrão em francês e em outros idiomas: Mais où sont les neiges d'antan? ("Mas onde estão as neves de outrora?").

Entre as damas de antanho cantadas por Villon encontram-se figuras hoje pouco conhecidas como Flora, cortesã romana, e Taís que, segundo os estudiosos, poderia ser várias damas antigas com esse nome. A soberana não nomeada que mandou lançar Buridan ao Sena dentro de um saco teria sido Margarida de Borgonha, mulher de Luís, o Teimoso, condenada à morte por adultério em 1315. Conta-se que Margarida recebia os amantes numa torre e depois os mandava matar e atirar o corpo no Sena. Jean Buridan, reitor da Universidade de Paris e professor de Villon, teria estado com a rainha na juventude, mas encontrara um jeito de se safar da morte nas águas do Sena.

Mas na balada das senhoras antigas há também figuras conhecidas e citadas até hoje, a exemplo de Heloísa. Pedro Abelardo, filósofo, professor de Heloísa  ele, 37; ela, vinte anos menos  tornou-se amante da aluna. Após uma série de peripécias, o tio da moça termina por mandar castrar Abelardo. Final triste: ela ingressa num convento, e ele vai para um mosteiro ao lado. Não se encontram mais, porém trocam cartas apaixonadas.

Estranho é que o tradutor Modesto de Abreu não cita a castração de Abelardo. No original, Villon é explícito: "Où est la très sage Héloïs, / Pour qui fut châtré et puis moine / Pierre Esbaillart à Saint-Denis?" Tradução, ao pé da letra: "Onde está a mui sábia Heloísa /  Por quem foi castrado e depois se tornou monge / Pedro Abelardo em Saint-Denis?"

Outra dama dos tempos idos muito conhecida é Joana, a boa lorena,
que foi queimada em Ruão. Mais uma vez, o original diz mais que a tradução. Lá está escrito que Joana foi queimada por ingleses. Villon refere-se, obviamente, a Joana d'Arc, heroína da Guerra dos Cem Anos, morta na fogueira em 1431, ano do nascimento de Villon. Joana foi canonizada pela igreja católica em 1920 e é a padroeira da França.

Um abraço, e até a próxima.

Carlos Machado


 
                      •o•

LANÇAMENTOS

Para quem está na cidade de São Paulo esta semana.
• Lauro Machado Coelho

O jornalista e crítico musical Lauro Machado Coelho autografa Poesia Soviética, uma antologia com 24 autores russos do século XX com seleção, tradução e notas dele. Machado Coelho é autor de outro livro com versões de poemas russos: Anna Akhmátova – Poesia 1912-1964.
O volume Poesia Soviética é publicado pela Algol Editora.

Data: 1º de junho, sexta-feira
Hora: 18h30
Local: Livraria Cultura
Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073
Tel: (11) 3170-4033
• Donizete Galvão

O poeta Donizete Galvão lança neste sábado o livro infantil O Sapo Apaixonado – Uma História Inspirada em Uma Narrativa Indígena. O volume tem ilustrações de Mariana Massarani e prefácio de Betty Mindlin e sai pela Musa Editora.
Data: 2 de junho, sábado
Hora: 11h00 às 16h00
Local: Casa das Rosas
Av. Paulista, 37
Tels: (11) 3288-9447 e 3285-6986
Onde estão as neves de outrora?
François Villon



BALADA DOS ENFORCADOS
Homens irmãos que a nós sobreviveis,
Não nos tenhais o coração fechado;
A pena que por nós demonstrareis
Mais cedo Deus terá de vosso estado.
Aqui nos vedes juntos, cinco, seis;
Nossos corpos, demais alimentados,
Agora estão podridos, devorados,
E os nossos ossos vão ao pó volver.
Que não se ria alguém de nossos fados,
Mas peça a Deus que nos queira absolver!

Se de irmãos vos chamamos, não deveis
Mostrar desdém, embora condenados
Por justiça. Contudo, bem sabeis,
Nem todos são os homens assisados.
Junto ao Filho da Virgem bem podeis
Interceder de coração lavado:
Não haja a graça para nós secado
E do raio infernal nos possa haver.
Mortos, noss'alma já nos tem deixado;
Pedi a Deus que nos queira absolver!

Eis que a chuva nos gasta e lava, e eis
Que o sol nos enegrece e tem secado.
Pega ou corvo dos olhos nos desfez
E tem-nos barba e cílios arrancado.
Nossos corpos agitam-se, revéis,
Daqui, dali, ao vento balançados,
Sem cessa a seu prazer; de aves bicados,
Chegamos com dedais nos parecer.
Não queirais ser dos nossos congregados,
Mas pedi que Deus nos queira absolver!

Príncipe Jesus, mestre incontestado,
De nós não se haja o inferno apoderado,
Que ali não temos que pagar nem ver.
Homens, nada vai nisto de zombado:
Rogai a Deus que nos queira absolver!
                  Tradução de Ivo Barroso
Os enforcados: afresco na igreja de Santa Anastácia, em Verona.
Obra de Pisanello, 1436-1438.

L'ÉPITAPHE DE VILLON OU
BALLADE DES PENDUS

Frères humains, qui après nous vivez,
N'ayez les coeurs contre nous endurcis,
Car, si pitié de nous pauvres avez,
Dieu en aura plus tôt de vous mercis.
Vous nous voyez ci attachés, cinq, six :
Quant à la chair, que trop avons nourrie,
Elle est piéça dévorée et pourrie,
Et nous, les os, devenons cendre et poudre.
De notre mal personne ne s'en rie ;
Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre!

Se frères vous clamons, pas n'en devez
Avoir dédain, quoique fûmes occis
Par justice. Toutefois, vous savez
Que tous hommes n'ont pas bon sens rassis.
Excusez-nous, puisque sommes transis,
Envers le fils de la Vierge Marie,
Que sa grâce ne soit pour nous tarie,
Nous préservant de l'infernale foudre.
Nous sommes morts, âme ne nous harie,
Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre!

La pluie nous a débués et lavés,
Et le soleil desséchés et noircis.
Pies, corbeaux nous ont les yeux cavés,
Et arraché la barbe et les sourcils.
Jamais nul temps nous ne sommes assis
Puis çà, puis là, comme le vent varie,
A son plaisir sans cesser nous charrie,
Plus becquetés d'oiseaux que dés à coudre.
Ne soyez donc de notre confrérie ;
Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre!

Prince Jésus, qui sur tous a maistrie,
Garde qu'Enfer n'ait de nous seigneurie :
A lui n'ayons que faire ne que soudre.
Hommes, ici n'a point de moquerie ;
Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre!

BALADA DAS DAMAS DOS TEMPOS IDOS
Dizei-me em que terra ou país
Está Flora, a bela romana;
Onde Arquipíada ou Taís,
que foi sua prima germana;
Eco, a imitar na água que mana
de rio ou lago, a voz que a aflora,
E de beleza sobre-humana?
Mas onde estais, neves de outrora?

E Heloísa, a mui sábia e infeliz
Pela qual foi enclausurado
Pedro Abelardo em São Denis,
por seu amor sacrificado?
Onde, igualmente, a soberana
Que a Buridan mandou pôr fora
Num saco ao Sena arremessado?
Mas onde estais, neves de outrora?

Branca, a rainha, mãe de Luís
Que com voz divina cantava;
Berta Pé-Grande, Alix, Beatriz
E a que no Maine dominava;
E a boa lorena Joana,
Queimada em Ruão? Nossa Senhora!
Onde estão, Virgem soberana?
Mas onde estais, neves de outrora?

Príncipe, vede, o caso é urgente:
Onde estão elas, vede-o agora;
Que este refrão guardeis em mente:
Onde estão as neves de outrora?
                  Tradução de Modesto de Abreu

Joana d'Arc: heroína francesa, depois santa católica.
Óleo de Jean Auguste Dominique Ingres, 1854

BALLADE DES DAMES DU TEMPS JADIS
Dites-moi où, n'en quel pays,
Est Flora la belle Romaine,
Archipiades, ne Thaïs,
Qui fut sa cousine germaine,
Echo, parlant quant bruit on mène
Dessus rivière ou sur étang,
Qui beauté eut trop plus qu'humaine?
Mais où sont les neiges d'antan?

Où est la très sage Héloïs,
Pour qui fut châtré et puis moine
Pierre Esbaillart à Saint-Denis?
Pour son amour eut cette essoine.
Semblablement, où est la roine
Qui commanda que Buridan
Fût jeté en un sac en Seine?
Mais où sont les neiges d'antan?

La roine Blanche comme un lis
Qui chantait à voix de sirène,
Berthe au grand pied, Bietrix, Aliz,
Haramburgis qui tint le Maine,
Et Jeanne, la bonne Lorraine
Qu'Anglais brûlèrent à Rouen ;
Où sont-ils, où, Vierge souvraine?
Mais où sont les neiges d'antan?

Prince, n'enquerrez de semaine
Où elles sont, ni de cet an,
Que ce refrain ne vous remaine :
Mais où sont les neiges d'antan?


 
poesia.netwww.algumapoesia.com.br
Carlos Machado, 2007
François Villon
•  "Balada das Damas dos Tempos Idos"
   
 In R. Magalhães Junior 
    Antologia de Poetas Franceses (Do Século XV ao Século XX) 
    Tradução do poema: Modesto de Abreu
    Gráfica Tupy, Rio de Janeiro, 1950
 
•  "Balada dos Enforcados"
     In Ivo Barroso
     O Torso e o Gato
      
Record, Rio de Janeiro, 1991
_________________
* Rainer Maria Rilke, Elegias de Duíno (I),
  trad. de Dora Ferreira da Silva

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A Festa da 5ª edição da ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras. Polêmica reaberta: revisar Lei da Anistia é veneno contra a democracia

ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras chegou à sua 5ª edição com grande festa no Restaurante do Arruda, aprazível recanto da praia do Bessa, em João Pessoa-PB. Dentre outras, registramos as seguintes presenças: Leôncio Vilar, o Embaixador do Abacaxi; casal Manoel e Lourdes Von Sohsten; casal Romeu e Cláudia Carvalho; secretária de Finanças/PB Aracilba Rocha; deputado Genival Matias; assessor parlamentar Joca Holanda; médico José Ricardo de Holanda Cavalcanti; engenheiro José Alves da Rocha; Professor Fernando Alves da Rocha; Professora Nazaré; militante marxista e ex-preso político anistiado José Calistrato Cardoso;  militante marxista e ex-preso político anistiado Martinho Campos; jornalista Rafael Freire; geógrafa Janete Lins Rodriguez, diretora do Museu da FCJA; advogado e historiador Waldir Porfírio, membro da Comissão da Verdade/PB; Paulo Giovanni, presidente da Comissão da Verdade/PB... muita, muita gente. Todos muito bem recebidos pelos anfitriões Arruda, Arrudinha e Madame Arruda.

A revista, editada pela Sal da Terra, com tiragem de 5 mil  exemplares, está também disponível eletronicamente em www.portal100fronteiras.com.br

Esta 5ª edição traz um reportagem muito importante sobre a atuação da Comissão da Verdade da Paraíba, enviada pelo diligente advogado e historiador Waldir Porfírio. E dá continuidade à polêmica da revisão ou não da Lei da Anistia. Martinho Campos e José Calistrato tomam posição pela revisão da Lei, eu tomo posição contra a revisão da Lei. Na verdade, apenas reproduzi, com alguns acréscimos, um post que já havia publicado aqui, o qual, por sua vez, reproduz trechos do meu livro "A Comissão e a Verdade - Sobre Anos de chumbo e Anistia". Segue o post reformulado, ou seja, o artigo, tal e qual publicado na ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras. 


Anistia Ampla, Geral e Irrestrita foi conquista do povo brasileiro:
revisar a Lei da Anistia é veneno contra a democracia


Martinho Campos e eu fomos convidados pela Comissão da Verdade da Paraíba para prestar depoimento sobre as perseguições sofridas durante a ditadura militar, nos “anos de chumbo”. Prestamos tal depoimento no dia 19 de setembro, pela manhã, na Associação Paraibana de Imprensa, a velha API de tantos debates e embates, de tantos eventos históricos, que tanto tem servido à Democracia e à Liberdade. Martinho foi um destacado dirigente do PORT (Partido Operário Revolucionário Trotskista), tendo participado das lutas camponesas na Paraíba e outros estados do Nordeste ainda antes de 64. Foi preso em 1963, e várias outras vezes depois do golpe militar. Foi seguidamente torturado. Aos 71 anos, no que pese os cabelos brancos, Martinho demonstra vigor e ânimo juvenis. Seu depoimento, circunstanciado e minucioso, foi pungente. Na ocasião, aliás, recebi de Arthur Cantalice uma sugestão que repasso à Comissão da Verdade: depoimentos como esses deviam ser feitos, também, perante plateias maiores, em colégios e universidades, por exemplo.

Não irei refazer aqui o depoimento que fiz lá, vou apenas dar prosseguimento a uma polêmica antiga reaberta pelo meu depoimento: a revisão da Lei da Anistia. Eu sou contra e já escrevi um livro sobre o tema, que agora retomo. Do meu depoimento, farei apenas um pequeno registro, como forma de agradecimento.

Comecei por dizer que parte de  minha trajetória estava na plateia: minha irmã Lourdinha, na época universitária de Filosofia, minha confidente e que acompanhou as angústias da minha família em face das perseguições que rotineiramente eu sofria; Arthur Cantalice, meu professor no Liceu Paraibano, intelectual brilhante, destemidamente solidário com os estudantes; José Emilson Ribeiro, companheiro meu de lutas no movimento estudantil e no PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário); José Calistrato Cardoso, companheiro meu na luta pela Anistia, eu nas ruas de João Pessoa, ele na prisão de Itamaracá. Registro também a competência, desvelo e tenacidade do advogado Waldir Porfírio nos trabalhos da Comissão da Verdade da Paraíba. Feito o registro, vamos à polêmica.

Declarei minha posição contra a revisão da Lei da Anistia sabendo que, naquele ambiente, estaria amplamente minoritário. Com efeito, o sentimento pela revisão da Lei da Anistia é amplamente majoritário no âmbito das Comissões da Verdade, das inúmeras Comissões da Verdade criadas na esteira da Comissão Nacional da Verdade. É tão majoritário nesse âmbito quanto minoritário é no conjunto da sociedade. O povo brasileiro, que no distante ano de 1979 ocupou as ruas do Brasil clamando por Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, ficou bem feliz e comemorou a vitória quando da edição da bendita Lei. Comemoração que se estendeu por meses a fio, que se renovava a cada momento em que era libertado um prisioneiro político, a cada momento em que voltava um exilado. Enfim, todos os prisioneiros políticos foram libertados, todos os exilados voltaram. Essa Lei de Anistia abriu para nós o caminho da redemocratização. Essa Lei de Anistia foi das mais benéficas da história do Brasil e da história da democracia no mundo. Pretender sua revisão depois de mais de três décadas é um despropósito. Eu escrevi um livro sobre esse despropósito, portanto, limito-me agora a indicar o livro aos interessados. O título é "A Comissão e a Verdade - sobre 'anos de chumbo' e Anistia"; e está disponível em www.portal100fronteiras.com.br. Entendo que a revisão da Lei da Anistia possa se justificar à luz dos interesses do marxismo-revolucionário, que protagonizou a luta armada contra a ditadura militar. Todavia, à luz dos interesses da democracia, não se justifica; e no meu livro explico porque. Acho mesmo que a revisão da Lei da Anistia é veneno para a democracia, e espero que meu livro seja uma espécie de contraveneno. Para atiçar a curiosidade dos leitores, cito alguns trechos:

"No Brasil, em 1979, a exigência de punição dos agentes da ditadura colocaria em risco a transição pacífica e negociada. A prudência - que em grego se diz 'phrónesis', e foi elevada por Aristóteles à condição de máxima virtude política - prevaleceu; e o povo, ainda mais que os seus líderes, optou pela transição pacífica e negociada. Querer, mais de trinta anos depois, invalidar retroativamente uma negociação concluída e frutificada, é um despropósito". 

"A campanha pela revisão da Lei de Anistia tem dupla matriz: a) um sentimento de justiça; b) um oportunista projeto político-ideológico de retomar o confronto; ou seja, revanche: estando agora a esquerda em condições de vantagem".

"A esquerda revanchista, defensora da revisão da Anistia, não quer resgatar a verdade, quer recuperar os tempos e a guerra. Se conseguir, pode vencer a guerra, e implantará uma ditadura revolucionária. Mas pode também perder a guerra, com a possível sobrevinda de uma ditadura contrarrevolucionária. De uma ou de outra forma, a democracia perderá".

"As organizações marxistas revolucionárias (bolcheviques) que fizeram o enfrentamento armado com a ditadura militar não lutavam por democracia, mas pela implantação de uma ditadura revolucionária, dita "ditadura do proletariado".

"'XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu': Deverá o furor da justiça retroativa sobrepor-se à letra da Constituição Soberana? Deverá a Lei da Anistia ser revisada para punir exemplarmente agentes do Estado ditatorial que torturaram e assassinaram? Ou para punir exemplarmente militantes revolucionários cujo acendrado idealismo os levou a cometer crimes de terrorismo naqueles longínquos 'anos de chumbo'? Não será possível abominar a tortura e o terrorismo sem essas tardias punições exemplares? Não terá o amor à democracia nos ensinado a abominar todas as ditaduras - de direita e de esquerda -, e não apenas determinadas ditaduras?"

"Todavia, pensar que, uma vez revisada a Lei de Anistia, seja possível punir outros crimes mas não esses; tal pensamento seria um aviltamento dos juízos e uma afronta à memória dessas vítimas. Nem por serem poucas serão indignas. Que se chorem as vítimas da ditadura, que se as lembrem, que se as honrem, que em nome delas se peça reparações. Porém: Márcio, Carlos Alberto, Francisco Jacques, Salatiel; e ainda outras vítimas inocentes da esquerda revolucionária? Não se deverá chorar por elas? Não merecem ser lembradas? Não merecem honra? Não haverá quem, em nome delas, peça reparações?".

No meu livro, cito, dentre outras, esta lição de Norberto Bobbio: "Agora que a esquerda revolucionária reconheceu os direitos da liberdade, quer todos os direitos, e imediatamente. Inclusive o direito de impunidade que foi sempre a prerrogativa dos soberanos e dos déspotas"

Não é digno, não é decente o clamor por justiça seletiva. Se querem a verdade, as Comissões da Verdade não podem investigar os crimes da ditadura com uma mão e esconder os crimes da esquerda revolucionária com a outra. Da parte da democracia, interessa que o relatório da Comissão Nacional da Verdade seja inteiramente verdadeiro. Assim sendo, servirá para afastar do horizonte da Pátria a sombra das práticas de crimes de terrorismo de Estado e a sombra das práticas de crimes de terrorismo revolucionário. E afastar a sombra de todas as ditaduras: de direita ou de esquerda, nazi-fascista ou bolchevista, dos militares ou do proletariado.