Blog Rocha 100

No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Campanha pelo restabelecimento da censura: suprema indecência do PT de Zé Dirceu - ou a orwelliana linguagem de porco

A ala mais autoritária do PT é comandada pelo corrupto mensaleiro condenado José Dirceu, secundado pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão. A agenda urgente dessa turma tem dois pontos fortes, prioritários: 1) a desmoralização do STF e submissão da Justiça; 2) restabelecimento da censura.

Neste artigo, vou me deter no ponto 2.

Os dirceuzistas - que estão majoritariamente no PT, mas não só no PT - insistem nesta indecência faz tempo; e faz tempo que eu e outros democratas denunciamos tal campanha liberticida. É preciso sempre refazer a denúncia porque os autoritários dirceuzistas renovam suas estratégias; inclusive na linguagem. Atualmente chamam a campanha pela volta da censura de "democratização dos meios de comunicação". Isso é "linguagem orwelliana", que também pode ser dita "linguagem de porco". Lembrando: George Orwell escreveu dois livros célebres denunciando o totalitarismo (em particular, o totalitarismo stalinista). No livro "A revolução dos bichos", os porcos comandam a revolução em uma granja e, vitoriosos, proclamam o lema: "Todos os animais são iguais". Depois, senhores absolutos do poder, os porcos submetem todos os outros animais à servidão e mudam o lema para: "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais".

Parêntese: Lula da Silva mimetiza essa "evolução" de linguagem quando chama algum companheiro mais poderoso ou abonado de "alto companheiro".

No livro "1984", escrito em 1948, Orwell prevê o bolchevismo parindo um tenebroso futuro totalitário. Neste mundo de servidão, a manipulação da linguagem é um instrumento decisivo; de forma que as maiores infâmias são feitas sobre a proteção de uma linguagem delicada e persuasiva (mais ou menos como o "politicamente correto" de hoje). Assim, por exemplo, o mistério da propaganda, especializado em mentiras e mistificações, chama-se Ministério da Verdade; e o ministério encarregado de espionar, perseguir, controlar, prender, fazer lavagem cerebral, torturar e assassinar chama-se Ministério do Amor.

Eis aí a linguagem de porco com que os autoritários dirceuzistas querem engabelar a opinião pública. Não será fácil, mesmo porque, nas suas renovadas tentativas contra a liberdade de expressão, eles deixaram um longo rabo à mostra. Basta dizer que iniciaram a infame campanha com o nome de "controle social da mídia". No que foram fulminados pela presidente Dilma ("só conheço o controle remoto"), inventaram outras denominações: "marco regulatório"; "ley de medios", etc. Até culminar com a afronta de chamar censura de "democratização".

O PT, todo mundo sabe, só chegou ao poder porque valeu-se amplamente da liberdade de expressão conquistada na redemocratização e consagrada na Constituição Cidadã. Que uma ala desse partido, talvez majoritária, tente restabelecer a censura é suprema indecência.

Mas há uma indecência suplementar dos fanáticos dirceuzistas: tentar enfiar nos movimentos que tomam as ruas do Brasil a bandeira liberticida da censura. Vão tentar isso nesta quinta-feira, 11/07, durante as grandes manifestações que estão programadas pelas Centrais Sindicais.

Tenho dito que os autoritários do PT tentam restabelecer a censura dos tempos da ditadura. E é isso mesmo, pois se trata, como no tempo da ditadura militar, de uma censura político-ideológica.

Todavia, com grande otimismo, afirmo que tal campanha liberticida não passará. Não passará pela Presidência (até agora não passou, e confio que a Presidente continuará firme), não passará pelo Congresso Nacional e, principalmente, não passará por cima do Povo.

Washington Alves da Rocha - 09/07/2013.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O Brasil nas ruas contra as iniquidades e a corrupção - A IRA SANTA: post em Homenagem a Maria Eunice Targino

Maria Eunice Targino fez neste Blog um comentário motivador, cobrando posicionamento sobre as manifestações que se alastram pelo Brasil. Então, motivado, escrevi. Nada mais justo do que dedicar este artigo a essa minha leitora tão inteligente e exigente. Espero, como retribuição, apenas um novo comentário.

O Brasil nas ruas contra as iniquidades e a corrupção: A IRA SANTA

por Washington Rocha


Ei-la aí a cólera santa! Eis a ira divina!
Quem, senão ela, há de expulsar do templo o renegado, o blasfemo, o profanador, o simoníaco? Quem, senão ela, exterminar da ciência o apedeuta, o plagiário, o charlatão? Quem, senão ela, banir da sociedade o imoral, o corruptor, o libertino? Quem, senão ela, varrer dos serviços do Estado o prevaricador, o concussionário e o ladrão público? Quem, senão ela, precipitar do governo o negocismo, a prostituição política, ou a tirania?”.

Rui Barbosa


Por que o povo brasileiro voltou às ruas para protestar, para clamar e exigir? Porque despertou-se-lhe a IRA SANTA, que é, nas palavras de fogo do grande Rui Barbosa, um santo remédio contra o mal.
Essa IRA SANTA derrubou uma ditadura militar e um presidente eleito democraticamente, porém corrupto. Essa IRA SANTA inflama-se hoje nas ruas do Brasil para atear fogo nas iniquidades, queimar a corrupção, incendiar o engodo, a mentira e a mistificação.
Durante 10 anos, o governo do PT, se fez alguma coisa – e não podia deixar de fazer – mentiu e mistificou sistematicamente sobre tudo que fez; ora exagerando, ora apropriando-se de iniciativas de antecessores sem lhes atribuir mérito algum. O governo Lula da Silva degradou o país: não apenas permitiu a corrupção como agiu aberta e audaciosamente para proteger os corruptos.
Não é possível esconder o óbvio: a crise do governo Dilma Rousseff deve-se, principalmente, à herança do governo Lula da Silva. A mesma herança que, no que teve, e tem, de bom, a beneficiou.
Não será preciso negar os aspectos positivos do governo Lula para entender que seus desmandos administrativos e morais se acumularam no cálice da sua sucessora, até esborratar com uma gota de 20 centavos.
A presidente Dilma não só teve de administrar uma herança ruim, como tem de suportar o assédio da ala mais nefasta do PT, comandada pelo condenado José Dirceu, cuja pauta imediata é o restabelecimento da censura dos tempos da ditadura e a desmoralização do Supremo Tribunal Federal.
A presidente Dilma tem resistido a este assédio: não admite censura e preza a Justiça. Agora, fragilizada politicamente, não se sabe se continuará resistindo. Um sinal ruim é o péssimo pacote de soluções com que tentou e tenta enfrentar a crise. A ideia de uma constituinte meia sola inconstitucional era tão horrorosa que foi descartada menos de 24 horas depois de anunciada. A ideia de importar milhares de médicos estrangeiros (principalmente de Cuba) valeu a repulsa uníssona dos médicos brasileiros. Restou o trambolho do plebiscito, cujo principal defeito é de ser um engodo. Plebiscito é um salutar instrumento da Democracia, e até essencial; por isso mesmo não é admissível que seja proposto de afogadilho, muito menos que procure atender interesses eleitorais imediatos do partido no poder. Todo mundo sabe dos dois pontos fortes da proposta de reforma política do PT: financiamento público de campanhas e voto em lista. Aprovado o financiamento público, um povo que protesta contra gastos abusivos com uma Copa de futebol será obrigado a financiar com bilhões os mesmos políticos contra os quais clama nas ruas; sendo que os principais beneficiados seriam os políticos do PT. Aprovado o voto em lista, o eleitor será privado de escolher seu candidato, votando na lista prévia decidida pelos chefes partidários, eternizando-se os feudos coronelistas; novamente, o partido mais beneficiado seria o PT, que é hoje o mais coronelista de todos os partidos brasileiros.
A presidente Dilma e o PT não aprenderam que a maior revolta do povo é contra a enganação, aquele tipo de coisa de o então presidente Lula dizer que a saúde brasileira era quase perfeita e que tinha vontade de ficar doente para se tratar no SUS.
Uma pesquisa apurou que mais de 60 por cento dos brasileiros apoiam o plebiscito. Talvez o povo nas ruas não continue a apoiar quando perceber a trama. Talvez já coloque um pé atrás ao ser informado que o tal plebiscito custará meio bilhão de reais ao cofres públicos.
Talvez, ao invés de debelar, o engodo do plebiscito petista inflame ainda mais a IRA SANTA.



sexta-feira, 14 de junho de 2013

A grandeza de Jacob Gorender: as exigências da Verdade

Jacob Gorender, filho de judeus russos, intelectual autodidata de vasta cultura, tradutor, escritor, historiador, marxista e comunista militante, morto em 11/06/2013, aos 90 anos, escreveu o mais importante livro sobre os "anos de chumbo", o terrível período do confronto entre a esquerda armada e a ditadura militar. Já o título do livro impressiona: "Combate nas Trevas". Trevas estas clareadas pela inteligência, pela coragem e pela honestidade intelectual de Gorender. Ele se apega à Verdade para narrar as atrocidades dos agentes da ditadura: as torturas, sevícias, assassinatos e todos os mais repugnantes crimes perpetrados sob o manto do poder estatal ditatorial; poder que ele, Gorender, combatia. Mas vejam, Gorender também se apega à Verdade para contar os crimes praticados pela esquerda revolucionária, da qual ele fazia parte, numa luta que sempre foi sua razão de viver: crimes de terror, inclusive os infame crimes de "justiçamento", quando os revolucionários assassinaram companheiros de luta.

Por inteiro, o título do referido livro é "Combate nas Trevas: a esquerda brasileira - das ilusões perdidas à luta armada" (São Paulo: Editora Ática, 1987). É um livro denso e forte, que narra de forma dolorosa acontecimentos dolorosos, inclusive o episódio das torturas sofridas pelo próprio autor. Inclusive este breve e dilacerante relato do martírio de Aurora Maria Nascimento Furtado:

"Em sua graciosa juventude de mulher, Aurora Furtado foi a destemida guerrilheira da linha de frente da ALN. Abordada por uma patrulha no subúrbio carioca de Parada de Lucas, na manhã de 19 de novembro de 1972, matou um policial, tentou fugir e acabou aprisionada. Na Invernada da Olaria, após passar pelas atrocidades já rotineiras, circundaram sua cabeça com a 'Coroa de Cristo' - um torniquete que aumenta a pressão do crânio até afundá-lo". 

Ou este apavorante relato da tortura e assassinato do ex-sargento João Lucas Alves, militante da organização revolucionária Colina:

"Sua altivez e bravura acirraram o ódio dos carrascos, que lhe quebraram os braços, vazaram os olhos, arrancaram as unhas e o esfolaram a fogo".

Estes e vários outros relatos das atrocidades dos agentes da ditadura: crimes que estarrecem, repugnam e provocam a mais viva indignação.

Porém, Gorender não se permitiu deixar nas trevas os crimes perpetrados pela esquerda revolucionária, como o "justiçamento" de Márcio Leite de Toledo, jovem dirigente da ALN, a mais intrépida organização revolucionária daquelas trevosas lutas:

"Márcio não havia cometido nenhum ato concreto de traição. Atribuíram-lhe a culpa de intenção e o fuzilaram pelo crime de intenção. Já à época, houve reprovação em vários setores da esquerda e o comunicado lançado pela direção nacional da ALN não convenceu. Já no período recente da minha pesquisa, quase todos os meus entrevistados, com os quais tratei do assunto, consideraram injustificável o justiçamento e apontaram sua causa em divergências políticas". 

Este e uns poucos outros relatos de crimes de "justiçamento". Com efeito, os crimes da esquerda revolucionária foram em muito menor escala que os crimes da ditadura. Todavia, não podem - ou não devem - deixar de causar repulsa e indignação.

Mas por que Gorender relatou crimes perpetrados pelo seu próprio lado? Porque Gorender é um historiador, porque tem grandeza moral e intelectual, porque busca a Verdade e se submete às suas exigências. Já a Comissão Nacional da Verdade resolveu investigar apenas os crimes dos agentes da  ditadura - e eu espero que vá fundo nesta investigação -, deixando esquecido e descurado o assassinato de Márcio Leite de Toledo, em clara afronta à sua memória e insulto a seus familiares. Márcio e uns tantos mais, alguns vítimas tanto da ditadura quanto dos companheiros de luta,  como o caso de Francisco Jacques Moreira de  Alvarenga, que, após sofrer torturas "sem limites", segundo relato de  Gorender, ao ser solto, foi assassinado pelos próprios companheiros. Assim Gorender fecha o relato estarrecedor sobre Francisco Jacques: 

"Libertado a 14 de junho, Francisco Jacques se dispôs a encontro com representantes da ALN, porém não mereceu dela o direito de defesa". 

Se vocês, caros leitores e leitoras, querem a Verdade,  não esperem pelo relatório da Comissão Nacional da Verdade; comecem pelo livro de Jacob Gorender e sigam investigando.

Alguns membros da Comissão Nacional da Verdade vieram a público clamar pela revisão da Lei da Anistia, fazer proselitismo. Não me parece que seja essa a missão da Comissão Nacional da Verdade. A missão de qualquer Comissão da Verdade de verdade é investigar e expor... a Verdade.

Eu defendo a Lei da Anistia,  não me detenho aqui na sua defesa porque já fiz isso em livro - Sobre "anos de chumbo" e Anistia -, disponível eletronicamente no Portal 100 Fronteiras (www.portal.100fronteiras.com.br).

Nós vencemos a tenebrosa ditadura militar. É preciso agora vencer a tenebrosa mistificação. Este será, também, uma espécie de combate nas trevas. Vamos seguir o exemplo do grande Jacob Gorender, vamos  combater.

Washington Alves da Rocha - João Pessoa, 14/06/2013
 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Advogado Waldir Porfírio, membro da Comissão da Verdade da Paraíba, responde ao Blog ROCHA 100, numa atitude de transparência que impede a instrumentalização politiqueira da Comissão

Desde muito antes da instalação da Comissão da Verdade da Paraíba, o advogado Waldir Porfírio - atual Chefe de Gabinete do governador Ricardo Coutinho - tem se empenhado na investigação dos terríveis acontecimentos do período da ditadura militar. Inteligente e culto, de sólida formação humanista, Porfírio é um investigador diligente e tenaz. Além de tudo isso, é também atencioso: tão logo postei aqui minhas dúvidas e reclamações em relação à referida Comissão, ele enviou a resposta que segue. Depois de uma maior reflexão haverei de considerá-la circunstanciadamente.  De imediato, entendo que com sua atitude de transparência, Waldir Pofírio abriu a Comissão para um amplo diálogo, o que, além de permitir um importante afluxo de  informações para a Comissão, ajudará a mantê-la com foco na investigação da Verdade e longe das manipulações politiqueiras. Vejam o e-mail que Porfírio me enviou em 10/06/2013:

Prezado companheiro Washington Rocha,
 Em primeiro lugar, gostaria de agradecer, em nome dos membros da Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória do Estado da Paraíba a sua preocupação com o andamento da referida Comissão. Não poderíamos esperar outra atitude de você, eterno e diligente vigilante da preservação da história de todos aqueles que lutaram e sofreram com as perseguições e torturas do regime militar.
Como bem dissestes, os membros da Comissão da Verdade da Paraíba tomaram posse no dia 11 de março do ano em curso. Já realizamos 10 reuniões, todas produtivas, visando tirar do papel a Comissão e construir uma estrutura de investigação para vasculhar milhares de documentos que se encontram no Arquivo do DOPS da Paraíba e em outros Arquivos que estamos fazendo Acordo de Cooperação Técnica.
Assim, das nossas reuniões, já definimos a criação e já está funcionando 10 Grupos de Trabalhos (GT´S) envolvendo 60 pessoas, dentre professores e estudantes universitários, profissionais liberais, etc, para melhor desenvolver nossas investigações. Os GT são:
1.       Mortos e desaparecidos políticos do regime militar
2.       Mapa da Tortura
3.       Repressão do Estado e de milícias privadas aos camponeses
4.       Perseguição dos órgãos de segurança ao setor educacional
5.       Intervenção nos sindicatos e em outras entidades da sociedade civil
6.       Demissão de servidores públicos federais
7.       Estrutura de repressão na Paraíba
8.       Cassação de mandatos eletivos e a magistrados
9.       Ditadura e Gênero
10.   A bomba estourada no Cine

                A decisão de digitalizar o Arquivo do DOPS, como bem disseste, poderia ser uma ação independente da Comissão. Entretanto, ninguém nunca havia tomado essa atitude, cabendo a uma ação da Comissão fazê-la, determinação esta que está registrada como um dos pontos positivos no Relatório do 1º Ano da Comissão Nacional da Verdade.
                Conseguimos, semana passada, terminar a estruturação de duas salas onde irão funcionar a parte administrativa da Comissão Estadual da Verdade (7º andar da Casa Civil, na Epitácio Pessoa, antigo prédio do Paraiban) e os Grupos de Trabalho e Acervo Documental na Fundação Casa de José Américo.
                Existe uma página no Facebook da Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória da Paraíba com 700 membros e suas matérias já terem sido vistas por mais de 30 mil pessoas de todo o Brasil. Diariamente são colocadas duas ou mais matérias da Comissão ou assuntos de outras Comissões de interesse do público.
                Ao mesmo tempo, já está na fase final o site que está sendo construído pela CODATA. A previsão de entrar no ar será nos próximos 15 dias e será a primeira página na internet de uma Comissão Estadual da Verdade em todo o Brasil. A nossa idéia será colocar, ainda este ano, toda documentação do DOPS no site, como forma de democratizar a informação.
                Com o objetivo de buscar informações sobre paraibanos perseguidos políticos pelo regime em outros Estados, já assinamos Acordo de Cooperação Técnica com a Comissão Nacional da Verdade, Comissão de Anistia, Arquivo Público Nacional (Memórias Reveladas), Comissão Estadual da Verdade Dom Helder Câmara, Arquivo Público Estadual de Pernambuco, Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Também, nos próximos dias, estaremos fechando acordo de cooperação técnica com os Arquivos Públicos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
                Fruto desses Acordos de Cooperação Técnica já começam a chegar à Paraíba mais de 20 mil documentos digitalizados de paraibanos perseguidos pelo regime e de Inquérito Policial Militar. Documentos inéditos sobre a perseguição começam a vir à tona e deverão ser noticiados nos próximos dias.
                Falar em notícias, já localizamos documentos importantes como um ofício do DOPS que comunica prestar informações sobre os 45 órgãos da repressão no Brasil, inclusive com a Embaixada dos Estados Unidos. Localizamos as granjas que foram cedidas por empresários para torturar presos políticos em Campina Grande e noticiamos sobre as fichas do DOPS da presença do sindicalista Luis Inácio Lula da Silva, o cantor Chico César quando militava no movimento estudantil, etc.
                Para fechar nossa boa conversa, no próximo dia 28 de junho, com o depoimento da ex-líder estudantil da UFPB, Socorro Fragoso, hoje deputada federal Jô Morais, será realizada a primeira audiência pública da Comissão Estadual da Verdade da Paraíba. Essa atividade, como disse, será a primeira e só pôde ser concretizada com o apoio da Secretaria de Comunicação do Estado, que nos disponibilizou uma produtora para gravar os depoimentos com as testemunhas da história da repressão política, que, como você, são centenas de pessoas que foram presas, torturadas, mortas, desaparecidas, demitidas, cassadas, suspensas das escolas e universidades.
                Agradeço pela sua preocupação e acredito que, dentro dos meus limites, tenho dado o máximo de informações sobre a Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória do Estado da Paraíba, as quais já foram publicadas nos jornais impressos do Estado e nos sites de notícias paraibanos.
               
                Waldir Porfírio da Silva
                Membro da Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória da Paraíba

sábado, 8 de junho de 2013

A Comissão Devagar da Verdade da Paraíba: esperamos que ande, que diga a que veio, que seja autônoma, que não se guie pela agenda e conveniência do governador

Convidado, compareci, em 11/03/2013, no Palácio da Redenção para o ato de instalação da Comissão da Verdade e da Preservação da Memória do Estado da Paraíba. Tinha muita gente e muita gente tinha o que falar, mas ninguém falou. Quer dizer, o bravo militante comunista (PC do B) Simão Almeida fez um solene discurso de abertura e o governador Ricardo Coutinho fez um solene discurso de encerramento. Na Mesa estavam alguns importantes combatentes dos "anos de chumbo", que sofreram horrores nas mãos da repressão da ditadura militar, dentre os quais o bravíssimo José Emilson Ribeiro, ex-guerrilheiro, ex-preso político. Ninguém da Mesa falou: calados se sentaram e calados se levantaram ao fim do discurso de Sua Excelência o governador, após o qual o ato foi dado por encerrado. Eu protestei, de viva voz (discretamente, muitos outros também protestaram). Vieram a  mim explicar que se tratava apenas de uma solenidade, uma formalidade, que depois haveria muitas oportunidades para falas e depoimentos. Continuei achando que se perdera uma grande oportunidade, mas fiquei esperando pela novas oportunidades referidas. Esperei confiante, porquanto reconheci a excelência da composição da Comissão, onde destaco o advogado Waldir Porfírio (investigador competente e tenaz do período ditatorial) e o jornalista João Manoel de Carvalho (que é, pelas suas vivências e lutas, inclusive no enfrentamento com o golpe de 1964, um patrimônio da resistência democrática). Pois, passados três meses, continuo esperando. Eu sou um dos que teria o que falar.

Enquanto esperava, acompanhei pela imprensa as atividades da Comissão da Verdade da Paraíba. Nada ou quase nada: li que a Comissão fez uma visita ao Acervo Público de Pernambuco e que agendou viagens de trabalho. Também li uma reportagem em que a Comissão anunciava que o governo do estado mandara digitalizar fichas e processos do antigo DOPS, órgão auxiliar na repressão dos "anos de chumbo". Salutar medida, mas que não necessitaria de uma Comissão da Verdade para ser anunciada.

A Comissão da Verdade da Paraíba parece inoperante. Não afirmo que seja, apenas digo que não tenho conhecimento de quaisquer operações de investigação. Quem as tiver, por favor, divulgue: uma Comissão da Verdade deve atuar com a maior transparência possível. Tenho, todavia, um especial motivo para suspeitar da inapetência investigativa da Comissão da Verdade da Paraíba. Vejam:

Como líder secundarista, tive atuação de destaque nas lutas dos "anos de chumbo"; em consequência, sofri sérias perseguições, chegando a ser sequestrado pela repressão e levado para ser torturado nos porões do IV Exército, em Recife-PE. Isso  está relatado em livro, livro que entreguei a vários membros da Comissão da Verdade da Paraíba no referido ato de instalação. Isso foi, lembrem, no início de  março. Até o momento meu livro não logrou despertar a curiosidade dos investigadores comissionados. Mas vejam: na oportunidade entreguei o livro a alguns membros da Comissão de Memória e Verdade Dom Helder Câmara (que é como se  chama a Comissão da Verdade de Pernambuco), que tinham vindo prestigiar a instalação da  Comissão irmã. Pois, tenho recebido desta laboriosa Comissão da Verdade de Pernambuco seguidos convites para reuniões (o último convite para reunião em 04/06/2013), às quais, infelizmente, não pude comparecer.

A Comissão da Verdade da Paraíba deve aparecer e dizer a que veio. Esperamos que não tenha vindo apenas para dar um verniz esquerdista ao governador Ricardo Coutinho. Esperamos, aliás, que seja autônoma, que não se guie pela agenda e conveniência do governador. Esperamos que a comissão da Verdade da Paraíba não tenha vindo para enganar.

Atenciosamente,

Washington Alves da Rocha - em 08/06/2013.





sexta-feira, 31 de maio de 2013

Na Venezuela, com Nicolás, o fascismo ficou maduro

Hugo Chávez estabeleceu na Venezuela um regime populista autoritário de vocação fascista: sujeição de todos os poderes ao executivo, sujeição do Estado ao partido, sujeição do partido ao chefe.

Com Chávez, a Venezuela caminhava para o fascismo; agora, com Nicolás, o fascismo ficou maduro. Esse trocadilho é infame, mas não é a única infâmia advinda do fascismo maduro-chavista:

a) A juíza María Lourdes Afiuni continua em prisão domiciliar. Encarcerada em 2009 por ter tomado decisão judicial que desagradou o presidente Hugo Chávez, a juíza, segundo relato dela mesma, foi estuprada na cadeia. A Anistia Internacional confirmou as perseguições chavistas e deu destaque à ignomínia praticada contra a juíza Afiuni, que, sem julgamento, ficou atrás das grades por quase três anos;
b) Nicolás Maduro foi eleito através de fraude;
c) Como resposta aos protestos da oposição, as milícias maduro-chavistas mataram oito pessoas, e o governo culpou a oposição (semelhante ao que fizeram os nazistas, que tocaram fogo no Reichstag e culparam os comunistas);
d) O chavista Diosdado Cabello, presidente do Parlamento, cassou a palavra dos parlamentares de oposição;
e) A maioria chavista do Parlamento espancou a minoria oposicionista, sob aprovador riso de escárnio do presidente Diosdado;
f) O chefe Maduro está providenciando milícias ao estilo dos Camisas Negras do fascismo italiano e das SS e Gestapo do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães/Nazista. O novo chefe venezuelano chama suas milícias de ''operárias". De Chávez ele herdou cerca de 130 mil milicianos, mas quer mais: "Trezentos mil..., um milhão, dois milhões de trabalhadores e trabalhadoras uniformizados e armados". 

Desde as primeiras internações de Chávez que se montara uma terrível máquina de mentiras e mistificações para manter o povo subjugado à mítica do chefe infalível. Com a incapacitação e morte do chefe, estas mentiras e mistificações foram ao paroxismo. Entre outras indecências, Chávez foi identificado com Jesus Cristo, elevado ao grau de divindade,... e falou ao novo chefe na forma de um passarinho ("pajarito").

Antigamente, tais extravagâncias supersticiosas repugnariam a esquerda marxista, ciosa da sua austera doutrina e ciência do materialismo-dialético. Hoje, parte significativa da esquerda marxista comunga com o fascismo maduro-chavista. No Brasil, inclusive, esse fascismo do século XXI conta com muitos simpatizantes.

Todavia, se o fascismo chavista amadureceu, não ficou forte; pelo contrário, já está apodrecendo. Um dos motivos da fragilidade do fascismo de Maduro é que ele não é o fascista mais maduro e feroz (outro trocadilho infame; mas que se há de fazer) do regime que chefia. O fascista mais experiente e feroz da Venezuela é o já referido Diosdado Cabello, número 2 do chavismo até ser preterido por Chávez quando este se viu perto da morte. Dizem que Hugo Chávez se decidiu por Maduro devido à assustadora ambição e total falta de escrúpulos do riquíssimo Diosdado.

Outro condicionante da fragilidade do regime fascista venezuelano é que a situação sócio-econômica do país está uma desgraça: a violência é alarmante; a inflação disparou; ocorre desabastecimento generalizado, desde alimentos até papel higiênico.

A esperança da Venezuela é que a oposição cresceu muito (tanto que se não houvesse sido roubada teria vencido a eleição presidencial) e vai se organizando razoavelmente. Porém, enfrentar regimes fascistas é missão duríssima.  

terça-feira, 28 de maio de 2013

Sobre a convivência democrática: José Emilson, José Calistrato e eu estaremos juntos mais uma vez; agora em solidariedade ao Rede Sustentabilidade

Esses Josés do título são bravos entre os bravos. Conheço-os de dentro da luta. Emilson das lutas dos "anos de chumbo"; Calistrato, da luta da Anistia, cabendo aqui um parágrafo de explicação.

Na campanha pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, eu, como presidente do Comitê Brasileiro pela Anistia/secção-João Pessoa, estava lutando nas ruas; Calistrato estava preso, mas estava lutando. Emilson também estava preso e lutando. Nunca pararam de lutar. Quando foram soltos, Emilson e Calistrato já eram legendas. Reencontrei um velho companheiro e conheci pessoalmente quem já conhecia de muitas e heróicas referências. Depois disso estivemos juntos em algumas lutas; em outras, não. Numa luta atual, por sinal, estamos em campos opostos: eles querem a revisão da Lei da Anistia, eu defendo a Lei da Anistia. Não vou me demorar nesse assunto porque já escrevi um livro sobre isso, lançado e debatido na Paraíba e em Pernambuco; e que está disponível eletronicamente no Portal 100 Fronteiras (www.portal100fronteiras.com.br). O que pretendo ressaltar é a convivência democrática.

Com efeito, na democracia moderna tem sido possível a convivência e o diálogo entre pessoas de ideologias diferentes, ou mesmo opostas. O símbolo maior desse diálogo e convivência foi o político e filósofo italiano Norberto Bobbio, que, sendo democrata e liberal, longa e proficuamente dialogou durante décadas com os comunistas. Emilson, Calistrato e eu fomos bolchevistas na juventude. Eles permanecem severos bolchevistas; eu passei a abominar o bolchevismo e firmei convicções democráticas e liberais. Não obstante, dialogamos. De vez em quando convergimos em uma luta. Agora convergimos em solidariedade ao Rede Sustentabilidade, partido que alguns políticos descarados, como o Gilberto Kassab, tentam inviabilizar, com o intuito de impedir uma possível candidatura de Marina Silva a Presidente da República.

Calistrato,  que já havia declarado sua presença no evento desta quarta-feira em O Sebo Cultural, acaba de me comunicar a confirmação da presença de Emilson.

Como Calistrato e Emilson, muitos dos que irão assinar em favor do Rede não tem intenção de se filiar ao novo partido; mas outros, sim, terão essa intenção. Especialmente para estes é importante dizer que o representante do Rede na Paraíba, advogado Hilário Júnior, enviou mensagem reconfirmando sua presença em O Sebo Cultural, estando em condições de prestar todas as informações aos que queiram participar da organização e vir a compor o Rede Sustentabilidade.

Enfim, só para relembrar: quarta-feira, 29/05, a partir das 17 horas - O Sebo Cultural: Av. Tabajaras, 848, centro, João Pessoa-PB.
VENHA LANÇAR A REDE SOLIDÁRIA.