Blog Rocha 100
“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Campanha pelo restabelecimento da censura: suprema indecência do PT de Zé Dirceu - ou a orwelliana linguagem de porco
Neste artigo, vou me deter no ponto 2.
Os dirceuzistas - que estão majoritariamente no PT, mas não só no PT - insistem nesta indecência faz tempo; e faz tempo que eu e outros democratas denunciamos tal campanha liberticida. É preciso sempre refazer a denúncia porque os autoritários dirceuzistas renovam suas estratégias; inclusive na linguagem. Atualmente chamam a campanha pela volta da censura de "democratização dos meios de comunicação". Isso é "linguagem orwelliana", que também pode ser dita "linguagem de porco". Lembrando: George Orwell escreveu dois livros célebres denunciando o totalitarismo (em particular, o totalitarismo stalinista). No livro "A revolução dos bichos", os porcos comandam a revolução em uma granja e, vitoriosos, proclamam o lema: "Todos os animais são iguais". Depois, senhores absolutos do poder, os porcos submetem todos os outros animais à servidão e mudam o lema para: "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais".
Parêntese: Lula da Silva mimetiza essa "evolução" de linguagem quando chama algum companheiro mais poderoso ou abonado de "alto companheiro".
No livro "1984", escrito em 1948, Orwell prevê o bolchevismo parindo um tenebroso futuro totalitário. Neste mundo de servidão, a manipulação da linguagem é um instrumento decisivo; de forma que as maiores infâmias são feitas sobre a proteção de uma linguagem delicada e persuasiva (mais ou menos como o "politicamente correto" de hoje). Assim, por exemplo, o mistério da propaganda, especializado em mentiras e mistificações, chama-se Ministério da Verdade; e o ministério encarregado de espionar, perseguir, controlar, prender, fazer lavagem cerebral, torturar e assassinar chama-se Ministério do Amor.
Eis aí a linguagem de porco com que os autoritários dirceuzistas querem engabelar a opinião pública. Não será fácil, mesmo porque, nas suas renovadas tentativas contra a liberdade de expressão, eles deixaram um longo rabo à mostra. Basta dizer que iniciaram a infame campanha com o nome de "controle social da mídia". No que foram fulminados pela presidente Dilma ("só conheço o controle remoto"), inventaram outras denominações: "marco regulatório"; "ley de medios", etc. Até culminar com a afronta de chamar censura de "democratização".
O PT, todo mundo sabe, só chegou ao poder porque valeu-se amplamente da liberdade de expressão conquistada na redemocratização e consagrada na Constituição Cidadã. Que uma ala desse partido, talvez majoritária, tente restabelecer a censura é suprema indecência.
Mas há uma indecência suplementar dos fanáticos dirceuzistas: tentar enfiar nos movimentos que tomam as ruas do Brasil a bandeira liberticida da censura. Vão tentar isso nesta quinta-feira, 11/07, durante as grandes manifestações que estão programadas pelas Centrais Sindicais.
Tenho dito que os autoritários do PT tentam restabelecer a censura dos tempos da ditadura. E é isso mesmo, pois se trata, como no tempo da ditadura militar, de uma censura político-ideológica.
Todavia, com grande otimismo, afirmo que tal campanha liberticida não passará. Não passará pela Presidência (até agora não passou, e confio que a Presidente continuará firme), não passará pelo Congresso Nacional e, principalmente, não passará por cima do Povo.
Washington Alves da Rocha - 09/07/2013.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
O Brasil nas ruas contra as iniquidades e a corrupção - A IRA SANTA: post em Homenagem a Maria Eunice Targino
sexta-feira, 14 de junho de 2013
A grandeza de Jacob Gorender: as exigências da Verdade
Por inteiro, o título do referido livro é "Combate nas Trevas: a esquerda brasileira - das ilusões perdidas à luta armada" (São Paulo: Editora Ática, 1987). É um livro denso e forte, que narra de forma dolorosa acontecimentos dolorosos, inclusive o episódio das torturas sofridas pelo próprio autor. Inclusive este breve e dilacerante relato do martírio de Aurora Maria Nascimento Furtado:
"Em sua graciosa juventude de mulher, Aurora Furtado foi a destemida guerrilheira da linha de frente da ALN. Abordada por uma patrulha no subúrbio carioca de Parada de Lucas, na manhã de 19 de novembro de 1972, matou um policial, tentou fugir e acabou aprisionada. Na Invernada da Olaria, após passar pelas atrocidades já rotineiras, circundaram sua cabeça com a 'Coroa de Cristo' - um torniquete que aumenta a pressão do crânio até afundá-lo".
Ou este apavorante relato da tortura e assassinato do ex-sargento João Lucas Alves, militante da organização revolucionária Colina:
"Sua altivez e bravura acirraram o ódio dos carrascos, que lhe quebraram os braços, vazaram os olhos, arrancaram as unhas e o esfolaram a fogo".
Estes e vários outros relatos das atrocidades dos agentes da ditadura: crimes que estarrecem, repugnam e provocam a mais viva indignação.
Porém, Gorender não se permitiu deixar nas trevas os crimes perpetrados pela esquerda revolucionária, como o "justiçamento" de Márcio Leite de Toledo, jovem dirigente da ALN, a mais intrépida organização revolucionária daquelas trevosas lutas:
"Márcio não havia cometido nenhum ato concreto de traição. Atribuíram-lhe a culpa de intenção e o fuzilaram pelo crime de intenção. Já à época, houve reprovação em vários setores da esquerda e o comunicado lançado pela direção nacional da ALN não convenceu. Já no período recente da minha pesquisa, quase todos os meus entrevistados, com os quais tratei do assunto, consideraram injustificável o justiçamento e apontaram sua causa em divergências políticas".
Este e uns poucos outros relatos de crimes de "justiçamento". Com efeito, os crimes da esquerda revolucionária foram em muito menor escala que os crimes da ditadura. Todavia, não podem - ou não devem - deixar de causar repulsa e indignação.
Mas por que Gorender relatou crimes perpetrados pelo seu próprio lado? Porque Gorender é um historiador, porque tem grandeza moral e intelectual, porque busca a Verdade e se submete às suas exigências. Já a Comissão Nacional da Verdade resolveu investigar apenas os crimes dos agentes da ditadura - e eu espero que vá fundo nesta investigação -, deixando esquecido e descurado o assassinato de Márcio Leite de Toledo, em clara afronta à sua memória e insulto a seus familiares. Márcio e uns tantos mais, alguns vítimas tanto da ditadura quanto dos companheiros de luta, como o caso de Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, que, após sofrer torturas "sem limites", segundo relato de Gorender, ao ser solto, foi assassinado pelos próprios companheiros. Assim Gorender fecha o relato estarrecedor sobre Francisco Jacques:
"Libertado a 14 de junho, Francisco Jacques se dispôs a encontro com representantes da ALN, porém não mereceu dela o direito de defesa".
Se vocês, caros leitores e leitoras, querem a Verdade, não esperem pelo relatório da Comissão Nacional da Verdade; comecem pelo livro de Jacob Gorender e sigam investigando.
Alguns membros da Comissão Nacional da Verdade vieram a público clamar pela revisão da Lei da Anistia, fazer proselitismo. Não me parece que seja essa a missão da Comissão Nacional da Verdade. A missão de qualquer Comissão da Verdade de verdade é investigar e expor... a Verdade.
Eu defendo a Lei da Anistia, não me detenho aqui na sua defesa porque já fiz isso em livro - Sobre "anos de chumbo" e Anistia -, disponível eletronicamente no Portal 100 Fronteiras (www.portal.100fronteiras.com.br).
Nós vencemos a tenebrosa ditadura militar. É preciso agora vencer a tenebrosa mistificação. Este será, também, uma espécie de combate nas trevas. Vamos seguir o exemplo do grande Jacob Gorender, vamos combater.
Washington Alves da Rocha - João Pessoa, 14/06/2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Advogado Waldir Porfírio, membro da Comissão da Verdade da Paraíba, responde ao Blog ROCHA 100, numa atitude de transparência que impede a instrumentalização politiqueira da Comissão
sábado, 8 de junho de 2013
A Comissão Devagar da Verdade da Paraíba: esperamos que ande, que diga a que veio, que seja autônoma, que não se guie pela agenda e conveniência do governador
Enquanto esperava, acompanhei pela imprensa as atividades da Comissão da Verdade da Paraíba. Nada ou quase nada: li que a Comissão fez uma visita ao Acervo Público de Pernambuco e que agendou viagens de trabalho. Também li uma reportagem em que a Comissão anunciava que o governo do estado mandara digitalizar fichas e processos do antigo DOPS, órgão auxiliar na repressão dos "anos de chumbo". Salutar medida, mas que não necessitaria de uma Comissão da Verdade para ser anunciada.
A Comissão da Verdade da Paraíba parece inoperante. Não afirmo que seja, apenas digo que não tenho conhecimento de quaisquer operações de investigação. Quem as tiver, por favor, divulgue: uma Comissão da Verdade deve atuar com a maior transparência possível. Tenho, todavia, um especial motivo para suspeitar da inapetência investigativa da Comissão da Verdade da Paraíba. Vejam:
Como líder secundarista, tive atuação de destaque nas lutas dos "anos de chumbo"; em consequência, sofri sérias perseguições, chegando a ser sequestrado pela repressão e levado para ser torturado nos porões do IV Exército, em Recife-PE. Isso está relatado em livro, livro que entreguei a vários membros da Comissão da Verdade da Paraíba no referido ato de instalação. Isso foi, lembrem, no início de março. Até o momento meu livro não logrou despertar a curiosidade dos investigadores comissionados. Mas vejam: na oportunidade entreguei o livro a alguns membros da Comissão de Memória e Verdade Dom Helder Câmara (que é como se chama a Comissão da Verdade de Pernambuco), que tinham vindo prestigiar a instalação da Comissão irmã. Pois, tenho recebido desta laboriosa Comissão da Verdade de Pernambuco seguidos convites para reuniões (o último convite para reunião em 04/06/2013), às quais, infelizmente, não pude comparecer.
A Comissão da Verdade da Paraíba deve aparecer e dizer a que veio. Esperamos que não tenha vindo apenas para dar um verniz esquerdista ao governador Ricardo Coutinho. Esperamos, aliás, que seja autônoma, que não se guie pela agenda e conveniência do governador. Esperamos que a comissão da Verdade da Paraíba não tenha vindo para enganar.
Atenciosamente,
Washington Alves da Rocha - em 08/06/2013.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Na Venezuela, com Nicolás, o fascismo ficou maduro
Com Chávez, a Venezuela caminhava para o fascismo; agora, com Nicolás, o fascismo ficou maduro. Esse trocadilho é infame, mas não é a única infâmia advinda do fascismo maduro-chavista:
a) A juíza María Lourdes Afiuni continua em prisão domiciliar. Encarcerada em 2009 por ter tomado decisão judicial que desagradou o presidente Hugo Chávez, a juíza, segundo relato dela mesma, foi estuprada na cadeia. A Anistia Internacional confirmou as perseguições chavistas e deu destaque à ignomínia praticada contra a juíza Afiuni, que, sem julgamento, ficou atrás das grades por quase três anos;
b) Nicolás Maduro foi eleito através de fraude;
c) Como resposta aos protestos da oposição, as milícias maduro-chavistas mataram oito pessoas, e o governo culpou a oposição (semelhante ao que fizeram os nazistas, que tocaram fogo no Reichstag e culparam os comunistas);
d) O chavista Diosdado Cabello, presidente do Parlamento, cassou a palavra dos parlamentares de oposição;
e) A maioria chavista do Parlamento espancou a minoria oposicionista, sob aprovador riso de escárnio do presidente Diosdado;
f) O chefe Maduro está providenciando milícias ao estilo dos Camisas Negras do fascismo italiano e das SS e Gestapo do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães/Nazista. O novo chefe venezuelano chama suas milícias de ''operárias". De Chávez ele herdou cerca de 130 mil milicianos, mas quer mais: "Trezentos mil..., um milhão, dois milhões de trabalhadores e trabalhadoras uniformizados e armados".
Desde as primeiras internações de Chávez que se montara uma terrível máquina de mentiras e mistificações para manter o povo subjugado à mítica do chefe infalível. Com a incapacitação e morte do chefe, estas mentiras e mistificações foram ao paroxismo. Entre outras indecências, Chávez foi identificado com Jesus Cristo, elevado ao grau de divindade,... e falou ao novo chefe na forma de um passarinho ("pajarito").
Antigamente, tais extravagâncias supersticiosas repugnariam a esquerda marxista, ciosa da sua austera doutrina e ciência do materialismo-dialético. Hoje, parte significativa da esquerda marxista comunga com o fascismo maduro-chavista. No Brasil, inclusive, esse fascismo do século XXI conta com muitos simpatizantes.
Todavia, se o fascismo chavista amadureceu, não ficou forte; pelo contrário, já está apodrecendo. Um dos motivos da fragilidade do fascismo de Maduro é que ele não é o fascista mais maduro e feroz (outro trocadilho infame; mas que se há de fazer) do regime que chefia. O fascista mais experiente e feroz da Venezuela é o já referido Diosdado Cabello, número 2 do chavismo até ser preterido por Chávez quando este se viu perto da morte. Dizem que Hugo Chávez se decidiu por Maduro devido à assustadora ambição e total falta de escrúpulos do riquíssimo Diosdado.
Outro condicionante da fragilidade do regime fascista venezuelano é que a situação sócio-econômica do país está uma desgraça: a violência é alarmante; a inflação disparou; ocorre desabastecimento generalizado, desde alimentos até papel higiênico.
A esperança da Venezuela é que a oposição cresceu muito (tanto que se não houvesse sido roubada teria vencido a eleição presidencial) e vai se organizando razoavelmente. Porém, enfrentar regimes fascistas é missão duríssima.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Sobre a convivência democrática: José Emilson, José Calistrato e eu estaremos juntos mais uma vez; agora em solidariedade ao Rede Sustentabilidade
Na campanha pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, eu, como presidente do Comitê Brasileiro pela Anistia/secção-João Pessoa, estava lutando nas ruas; Calistrato estava preso, mas estava lutando. Emilson também estava preso e lutando. Nunca pararam de lutar. Quando foram soltos, Emilson e Calistrato já eram legendas. Reencontrei um velho companheiro e conheci pessoalmente quem já conhecia de muitas e heróicas referências. Depois disso estivemos juntos em algumas lutas; em outras, não. Numa luta atual, por sinal, estamos em campos opostos: eles querem a revisão da Lei da Anistia, eu defendo a Lei da Anistia. Não vou me demorar nesse assunto porque já escrevi um livro sobre isso, lançado e debatido na Paraíba e em Pernambuco; e que está disponível eletronicamente no Portal 100 Fronteiras (www.portal100fronteiras.com.br). O que pretendo ressaltar é a convivência democrática.
Com efeito, na democracia moderna tem sido possível a convivência e o diálogo entre pessoas de ideologias diferentes, ou mesmo opostas. O símbolo maior desse diálogo e convivência foi o político e filósofo italiano Norberto Bobbio, que, sendo democrata e liberal, longa e proficuamente dialogou durante décadas com os comunistas. Emilson, Calistrato e eu fomos bolchevistas na juventude. Eles permanecem severos bolchevistas; eu passei a abominar o bolchevismo e firmei convicções democráticas e liberais. Não obstante, dialogamos. De vez em quando convergimos em uma luta. Agora convergimos em solidariedade ao Rede Sustentabilidade, partido que alguns políticos descarados, como o Gilberto Kassab, tentam inviabilizar, com o intuito de impedir uma possível candidatura de Marina Silva a Presidente da República.
Calistrato, que já havia declarado sua presença no evento desta quarta-feira em O Sebo Cultural, acaba de me comunicar a confirmação da presença de Emilson.
Como Calistrato e Emilson, muitos dos que irão assinar em favor do Rede não tem intenção de se filiar ao novo partido; mas outros, sim, terão essa intenção. Especialmente para estes é importante dizer que o representante do Rede na Paraíba, advogado Hilário Júnior, enviou mensagem reconfirmando sua presença em O Sebo Cultural, estando em condições de prestar todas as informações aos que queiram participar da organização e vir a compor o Rede Sustentabilidade.
Enfim, só para relembrar: quarta-feira, 29/05, a partir das 17 horas - O Sebo Cultural: Av. Tabajaras, 848, centro, João Pessoa-PB.
VENHA LANÇAR A REDE SOLIDÁRIA.