Blog Rocha 100

No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Rede de solidariedade ao Rede Sustentabilidade: na Festa 100 Fronteiras em Homenagem a Leôncio Vilar, o "Embaixador do Abacaxi"

Na Festa 100 Fronteiras que será realizada em Homenagem a Leôncio Vilar, "O Embaixador do Abacaxi", serão colhidas assinaturas para construção do Rede Sustentabilidade, partido que está sendo gestado com a liderança da líder ambientalista Marina Silva. A assinatura de apoio não implica filiação, e muitos do que estão dispostos a assinar pelo novo partido já têm filiação partidária e não pretendem mudar de legenda; assinarão por solidariedade.

Desde a tentativa casuística e autoritária engendrada na Câmara Federal para inviabilizar a criação de novos partidos - visando, especialmente, impedir Marina Silva de ser novamente candidata a Presidente da República -, cresce no Brasil uma rede de solidariedade ao Rede Sustentabilidade.

Nós vamos nessa onda. Aproveitando a oportunidade da Festa 100 Fronteiras, que deve juntar muita gente "cuca fresca" (como se dizia antigamente) no Restaurante do Arruda, falei com o homenageado, meu amigo Leôncio, e com o organizador do evento, meu amigo Arruda, para na ocasião colher assinaturas solidárias. Ambos concordaram, e até com entusiasmo. Leôncio faz questão de assinar em primeiro lugar. Arruda, que é militante do PSOL, garantiu que vai conclamar companheiros seus a também assinarem, e que o primeiro a ser chamado a assinar será Renan Palmeira, o jovem e brilhante líder que teve uma atuação tão significativa como candidato a prefeito de João Pessoa na eleição do ano passado.

Entendo que essa solidariedade ao Rede - e a outros partidos ameaçados pelo autoritarismo, como o Mobilização Democrática - é uma resposta importante a um casuísmo tão descarado. Destacando-se o descaramento do presidente do PSD, Gilberto Kassab, um dos mais empenhados em inviabilizar os novos partidos. Como se sabe, quando do processo da sua criação, o PSD entrou na Justiça para garantir os direitos que hoje quer ver negado ao Rede e ao MD. O PSD entrou na Justiça e venceu. Mais que isso, ao decidir em seu favor, o STF fez jurisprudência; e é por essa jurisprudência que a artimanha casuística foi barrada no Supremo (por decisão liminar, que deve ser confirmada pelo plenário).  

Então, vamos jogar a rede? Quem quiser ser solidário é só aparecer na Festa 100 Fronteiras. Dia 18, sábado próximo, a partir das 11 horas e por toda a tarde.

Agora, um pouco de comercial:
Lá na encantadora Praia do Bessa, o Restaurante do Arruda é um dos recantos mais aprazíveis do litoral pessoense, amplo e lindamente arborizado: serve frutos do mar e outros quitutes deliciosos preparados pela afinada equipe da extraordinária Madame Arruda; a cerveja está sempre geladíssima; tem cachaças, vinhos e uísques de qualidade; o atendimento é nota 100, sempre com a atenciosa supervisão do 'Chef' Arruda'. Na praça da Rua Fernando Luiz Henrique, bem próximo ao não menos famoso Restaurante Sal e Brasa.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A caveira do BOPE/Paraíba, os menores assassinos e o "politicamente correto"


Não seria preciso pesquisa para se saber que a maioria dos brasileiros quer a redução da maioridade penal, mas várias pesquisas regionais confirmam o clamor nacional, dando sempre mais de 90 % (93% em São Paulo) pela redução de 18 para 16 anos. A população quer isso para se proteger, para proteger os inocentes da sanha de facínoras que assaltam, estupram, queimam e matam na certeza da mais completa impunidade; impunidade de papel passado, saindo com ficha limpa da custódia do Estado em um ou dois anos ou uns poucos meses, às vezes, semanas ou dias.
Não obstante o clamor nacional contra o terror imposto pelos menores delinquentes, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, veio a público com uma informação falsa e um juízo torto para justificar o injustificável e forçar a sociedade a aceitar o inaceitável.
O ministro que deveria zelar pela segurança, informou que a inimputabilidade penal até aos 18 anos não pode ser modificada por ser cláusula pétrea da Constituição. Não é (consultei aqui meu exemplar da Constituição Cidadã, não consta).O ministro desinformou, e concluiu a desinformação com um juízo estabanado sobre as consequências da redução da maioridade penal: favoreceria apenas o crime.
Que um ministro da Justiça demonstre desconhecimento da Constituição e informe falsamente, é grave, mas o juízo que se seguiu à desinformação é quase um crime hediondo contra a lógica. Vejam: muitos dos menores “apreendidos” por estupros e assassinatos são reincidentes em crimes variados. É claro, evidente e cristalino que se não lhes houvessem dado a oportunidade de reincidir, muitas vítimas teriam sido poupadas; o crime teria sido desfavorecido.
Como pode ser, então, que um ministro da Justiça venha a público dizer tamanha tolice? Eu explico: é porque ele segue a orientação do “politicamente correto”.
Por incrível que pareça, aceitar que bandidos, por serem de menor idade, estuprem, queimem e matem impunemente é “politicamente correto”. É por essa mesma doutrina que não se pode dizer que um menor foi “preso”, o correto é “apreendido”. Aliás, os termos “menor” e “de menor” são incorretos, como ensina a cartilha Politicamente Correto e Direitos Humanos (editada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, em 2004), deste modo: “De Menor – 'de menor' ou 'menor' são expressões carregadas de forte preconceito e discriminação [...]”.
O “politicamente correto” tem atuado com vigor na área de segurança, geralmente preocupado com a segurança e conforto dos bandidos. Na Paraíba, a tropa de elite da Policia Militar – Batalhão de Operações Especiais-BOPE – , foi obrigada a se desfazer do seu símbolo: uma caveira. A resolução, assinada pelo Comandante da PM, Coronel Euller Chaves, vale para toda a Corporação e vai além da caveira, como informa o G1 Paraíba (g1.globo.com/pb/): “De acordo com o texto da resolução, fica proibido o uso em fardamentos, instalações e viaturas da Polícia Militar de símbolos e expressões com conteúdo intimidatório ou ameaçador, 'tais como caveiras ou animais raivosos'”.
Essa resolução é uma besteira escandalosa, mas é também, evidentemente, nociva à segurança pública, porquanto uma das funções das PMs é, precisamente, intimidar a bandidagem. Se, seguindo a lógica do “politicamente correto”, as polícias não devem usar símbolos que assustam, muito menos deveriam usar armas que matam (talvez eles cheguem lá, e será a festa maior da bandidagem).
O Coronel Euller disse que a resolução seguiu orientação do Conselho Estadual de Direitos Humanos e é conforme à Politica Nacional de Direitos Humanos. O Comandante do BOPE, Major Jerônimo Bisneto, protestou:Fiz um treinamento específico de seis meses para conquistar o distintivo da caveira. Faço meu trabalho”. Perguntado sobre qual poderia ser o novo símbolo do BOPE, o Major Jerônimo disse que não tinha ideia.
A estúpida medida foi levada ao ridículo nas redes sociais e em programas de televisão. No programa do Danilo Gentili, na Band, foi dito que mandaram retirar a caveira para não assustar os bandidos. E foram feitas sugestões para novos símbolos: o palhaço Bozo, o Senhor Cabeça de Batata e até a Gretchen (a bandidagem iria adorar a Gretchen). Vocês aí, caros leitores e leitoras, não querem ajudar com outras sugestões?
Se o “politicamente correto” fosse apenas estúpido e ridículo, a gente podia rir e deixar rolar. Mas é tão ridículo quanto perigoso; é o fascismo do séc. XXI.
Esse fascismo “politicamente correto”, camuflado pelo discurso das boas intenções, procura impor seu totalitarismo não por via da violência explícita, mas pelo patrulhamento ideológico intenso, permanente e tenaz: controlar a linguagem, depois o comportamento, até à total submissão da humanidade ao “totalitarismo correto”.

sábado, 27 de abril de 2013

Sobre a luta de Reginaldo Marinho em defesa de Tambaba e sobre o lançamento da Rede de Marina Silva

Tambaba é uma linda praia do litoral paraibano onde se pratica nudismo, e mulher nua foi a coisa mais bonita que Deus criou. Pois então, Tambaba é um paraíso. Aí chegam uns políticos matreiros juntos com empresários inescrupulosos (ou vice-versa) é querem destruir esse Paraíso com uma invasão turístico-imobiliária. Não conseguirão. O intelectual humanista, inventor e multimídia Reginaldo Marinho deu início a uma luta em defesa de Tambaba que vem se alastrando nas redes sociais. A revista Folha do Meio Ambiente (www.folhadomeio.com.br) encampou a luta e deu curso à campanha ambientalista, vários portais e blogs ecoaram. A indignação com a ameaça de destruição da reserva ecológica de Tambaba vai se alastrando e as vozes se alevantam (permitam-nos o uso da grandiloquência camoniana), como se  pôde ver, por exemplo, na vigorosa carta-denúncia de Heitor Cabral.

O Blog ROCHA 100 entra na luta, como já o vinha fazendo o Portal 100 Fronteiras, por influência da tenacidade de Reginaldo Marinho.

Cumpre não arrefecer; e ainda mais: ampliar o movimento, fazer um grande encontro dos defensores de Tambaba, ir à Asssembléia Legislativa e Câmaras Municipais, acionar o Ministério Público. Enfim, fazer tudo que for possível e não sossegar até que a ameaça predadora esteja definitivamente afastada.

Quanto ao Rede Sustentabilidade, partido político que está sendo criado pela líder ambientalista Marina Silva, creio que é o momento de ajudar na sua viabilização. Uns políticos malandros estão engendrando manobras casuísticas no Congresso para inviabilizar a Rede de Marina, com medo da sua candidatura a Presidente da República. Então, vamos ajudar Marina a fundar seu partido o quanto antes. É bom para o Brasil que Marina seja candidata. Vejam: eu nem sei se votaria em Marina Silva, mas acho importante que se possa ter essa opção. Não sei se, uma vez fundado o Rede Sustentabilidade, a ele me filiarei, mas faço questão de assinar pela sua criação, e colher assinaturas. Como se sabe, a assinatura pela construção de um partido não implica filiação. Assim, solicito a todos os de boa vontade que assinem, embora sem saber aonde ir para assinar. Sei que tem um grupo de "marinistas" fazendo campanha de assinaturas, mas não sei como localizá-los. Quem souber, por favor, avise-me. Os "marinistas", se lerem este post, por favor, entrem em contato (e-mail: rochealves@yahoo.com.br). E saibam, desde já, que o Blog ROCHA 100 está à disposição da campanha de assinaturas.
VAMOS LANÇAR A REDE!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A Festa 100, ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras, a Democracia e a Liberdade

Sábado próximo, 23 de fevereiro, no Quiosque Nº 1 do Arruda, no Bessa, a partir das 11 horas da manhã e pela tarde toda, teremos a FESTA 100, lançamento em João Pessoa-PB da

ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras

Romeu e Cláudia Carvalho farão uma especial apresentação de Voz e Violão, com músicas do cancioneiro nacional e internacional, mas, especialmente, com composições do paraibano Assis de Carvalho. Acompanhados pelo grande tecladista Beto, Manoel von Sohsten e Gilberto entoarão canções românticas nostálgicas, daqueles tempos que não voltam mais. Vários artistas e intelectuais, estudantes e operários, poetas e ciganos, ocultistas e profetas, políticos e aventureiros, capitalistas e boêmios, crianças e velhos, moças e rapazes, todos os sonhadores e até alienígenas extraterrestres garantiram presença, e que farão performances (uma palhinha). Haverá também o sorteio de 10 cestas de prêmios, cada uma contendo 10 prêmios. 10 X 10 = 100. A Festa 100 será a maior do século (que também se diz "centúria").

ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras já foi lançada, com extraordinário sucesso, em Pernambuco, no Clube dos Maçons/Paulista-PE. Lançamentos em outros estados estão sendo programados e serão anunciados oportunamente. 

Contamos com a presença de todos na FESTA 100 deste sábado. E pedimos a todos que a divulguem, que convidem, que tragam gente.

Sobre os propósitos e linha editorial da ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras, tudo está dito no editorial, que transcrevemos abaixo.




Editorial 100

O primeiro editorial da ROCHA 100 – Revista 100 Fronteiras haverá de ser uma afirmação de princípio, e a fazemos em uma palavra: LIBERDADE!

Sob a égide da Liberdade, afirmamos a Democracia e a Igualdade; pois a Democracia é, precisamente, a política construtora da Igualdade possível entre pessoas livres.

A Democracia é um regime de contrato em que as liberdades, que são os indivíduos, elevam sobre si um Estado, para evitar que uns indivíduos exorbitem sobre outros; porém, este mesmo Estado, para que não exorbite em seu poder, deve ser controlado pelo poder originário e Soberano, estabelecidas as formas de controle no contrato mesmo do Estado. Diga-se: o poder originário na Democracia são os indivíduos, ou seja, as Liberdades; e a finalidade maior do contrato democrático é a mesma LIBERDADE, como já compreendido e exposto por Immanuel Kant:

A finalidade do Estado é a Liberdade garantida pelo direito”.

A consciência democrática abomina a coletivização, que é a igualdade imposta pelas tiranias, como os donos de porcos coletivizam seus porcos em pocilgas miseráveis ou, mais ou menos, confortáveis.

Sem embargo, a Democracia tem conseguido construir o bem estar dos seus cidadãos sem abrir mão da Liberdade, com o que deixaria de ser Democracia. E, mercê de Deus, seguirá nesse caminho, que é sem fim previsto, mas num círculo virtuoso, sempre para melhor.

A luta democrática será constante e incansável; e nesse sentido ROCHA 100 presta, nesta sua edição inaugural, especial Homenagem a um desses lutadores incansáveis da Democracia, o Desembargador, Grão Mestre Maçônico e Conde de Orkney Manuel Alves da Rocha. Luta esta realizada pelo Brasil afora e fora do Brasil.

Com efeito, o Dr. Manuel tem travado seguidas batalhas em defesa dos ideais democráticos universais e da Soberania Nacional Brasileira, verberando muito especialmente contra a corrupção que se alastra e corrói a Nação; bem como contra a insídia de estrangeiros que tentam defraudar o Brasil com a internacionalização da Amazônia.

ROCHA 100, sendo 100 Fronteiras, estará sempre aberta a todas as opiniões, vindas de onde vierem, acolhendo-as, díspares que sejam, sem preconceitos, afirmando-se como espaço das diversidades e do livre debate. ROCHA 100 reivindica a tão difundida máxima de Virgílio: E pluribus unum (De todos, um), no sentido democrático consagrado de Unidade na Diversidade. E também faz sua aquela máxima de Terêncio, que foi a preferida de Karl Marx: “Nihil humani a me alienum puto” (Nada do que é humano me é estranho). E ainda mais porque, se alienígenas extraterrestres, inteligências não humanas, quisessem, porventura, aqui se expressar, teriam (ou terão) seu espaço assegurado.

Como corolário desse editorial, publicamos a magnífica Ode à Liberdade, do Filósofo Iremar Bronzeado.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Epicuro, Schopenhauer, Nietzsche, Mencken, Machado de Assis, Buñuel, Alfredo Machinho e os ateus melindrosos

Eu detesto o ateísmo; todavia, muitos ateus me são simpáticos. O velho Epicuro, por exemplo, tão difamado pelos estoicos, era, na minha apreciação, excelente criatura. A sua tirada em relação à existência ou não dos deuses é ótima: "Os deuses existem sim, mas não se importam com os homens; então, o melhor que os homens podem fazer é não se importar com eles". Seguramente, Epicuro não acreditava na existência dos deuses, apenas não queria perder tempo com conversa vazia e, pragmático, entendia que não crer nos deuses ou não se importar com eles resultava no  mesmo. Também para a  morte tem uma resposta sagaz: "Não há morte, pois, quando existimos não existe morte, e quando existe a morte não existimos mais". Não concordo, não porque eu acredite na morte, mas porque acredito na Vida Eterna; mas, nem por discordar, deixo de admirar o filósofo. Levou uma boa vida, o afável Epicuro; e, apesar de ensinar que o prazer é a finalidade da vida, levou vida frugal.

Os ateus Schopenhauer e Nietzsche me são simpáticos, ainda que eu considere a metafísica da vontade por eles postulada (com conclusões morais opostas e igualmente desastrosas) muito ruim. Embora sisudos, eram irreverentes, e eu tenho grande simpatia pela irreverência. Talvez me sejam simpáticos porque, mesmo ateus, não são materialistas; sendo que considero o materialismo a mais rasa e indigente das filosofias. Nietzsche, o mais genial de todos os loucos, levou sua rebeldia ao ponto de decretar a morte de Deus e proclamar-se como o Anti-Cristo. Eu sou cristão, mas tenho quase devoção por Nietzsche e o considero como uma espécie de santo.

São inúmeros, os simpáticos ateus de antigamente. Citemos apenas mais quatro.

H. L. Mencken foi um ateu libertário, iconoclasta, chamado por alguns de "Nietzsche americano". Seu livro mais conhecido é, vejam só, "O Livro dos Insultos". De todas as religiões, usando eu uma expressão de Machado de Assis, Mencken "disse o que Maomé não disse da carne de porco". Mencken não apenas insultou Deus, insultou também o povo e a democracia. Vejam essa: "A democracia é a arte e a ciência de administrar o circo a partir da jaula dos macacos". Eu defendo o povo e a democracia, mas o referido livro de Mencken é um dos meus livros de cabeceira.

E chegamos a Machado de Assis, cujo livro mais marcadamente ateísta, "Memórias Póstumas de Brás Cubas", já reli pra mais de cem vezes. Machado, influenciado pelo pessimismo de Schopenhauer, expõe o ateísmo mais amargo: "Não transmiti a ninguém o legado da nossa miséria". É compreensível que ateus sejam amargos. E é quase imperativo que sejam irreverentes. Vejam, Machado, no "Brás Cubas", não poupou nem o mestre Schopenhauer, retratando-o como o doido Quincas Borba. Machado de Assis era ateu, e eu tenho quase veneração por Machado de Assis.  

 Vamos ao cineasta espanhol Luis Buñuel. Este era um ateu anarquista dos mais irreverentes. No seu delicioso livro de memórias, "Meu Último Suspiro", conta várias de suas irreverências, dentre as quais ter, em uma mesa de bar, tentado esganar a mulher do amigo Salvador Dali, a chatíssima Gala. E outra que conta é a seguinte: ajudando a causa da República na Guerra Civil espanhola, Buñuel recebeu missão de ir a Paris, mas os defensores da República eram tão desorganizados e desunidos (os stalinistas, por exemplo, matavam tanto franquistas como anarquistas e trotskistas) que os anarquistas não quiseram aceitar o salvo conduto de Buñuel, fornecido por autoridade da República - os anarquista exigiam um visto anarquista específico -. Aí Buñuel perdeu as estribeiras e elevou a voz em imprecações, desaforos e blasfêmias contra Deus e o mundo. Quando o anarquista responsável pela permissão de passagem ouviu aquelas abominações, não teve  mais dúvidas: "Deixem passar, esse é dos nossos".

E chego a um ateu paraibano, amigo meu já falecido, Alfredo Machinho (assim chamado porque era baixinho e muito corajoso: consta que peitou e bateu revólver na cara do poderoso senador Assis Chateaubriand, num episódio da campanha "O Petróleo É Nosso"; mas isso é outra, e comprida, história). Ateu e comunista, comunista da linha dura, bolchevista ortodoxo, Alfredo era irreverente e dizia da Virgem Maria coisas horríveis e impublicáveis. Porém, sobre Deus, ele dizia uma coisa tão engraçada que não posso deixar de publicar, nem acho que Deus vá se ofender. Alfredo Machinho chamava Deus de "o invertebrado gasoso".

Vejam vocês como eram os ateus de antigamente. Hoje não; hoje os ateus são delicados e melindrosos, com pudores de moças donzelas. Hoje, os ateus são muito bem comportados e se guiam pela cartilha do "politicamente correto". Não aceitam de ninguém qualquer irreverência. Ai de quem falar mal um tantinho assim do ateísmo. Os ateus de hoje perseguem, processam, multam e querem por na cadeia quem ouse insinuar em relação a eles qualquer atitude menos correta e edificante.

O autoritarismo "politicamente correto", no qual se apóia a intolerância ateísta, teve início nos Estados Unidos, mas no Brasil tem encontrado terra fértil. Ateus brasileiros moveram processo contra a Rede TV. Também moveram processo contra o apresentador José Luiz Datena e a TV Bandeirantes; isso porque o desavisado Datena, no seu programa na Band, escorregou em uma irreverências em relação aos ateus. Os ateus brasileiros estão movendo processos a torto e a direito.

Eu mesmo, com esse artigo, sei lá se não vou ser processado?

Certamente, estarei sendo injusto ao generalizar. Fui ao Google ver a lista de ateus famosos e vi muitos ateus de hoje que são excelentes pessoas; irreverentes uns, tolerantes outros. Mas os ateus "politicamente corretos" de hoje, intolerantes, estão dando o tom do debate: militam pela causa, reclamam de Deus (tá certo) e do  mundo, dizem-se vítimas, fazem campanha para arrancar os crucifixos das paredes e não estão longe de mandar implodir o Cristo Redentor.

O ateísmo militante, autoritário, intolerante, não está pra brincadeira.

Seja como for, como cheguei até aqui, vou arriscar um último e irreverente parágrafo:

O ateu irreverente tem a sua graça. Agora, ateu melindroso é uma merda.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Concordo com Rui Falcão: devemos afastar definitivamente do nosso país o nazismo e o fascismo

O corrupto-quadrilheiro Zé Dirceu e seus sectários estão em campanha para submeter o Poder Judiciário e restabelecer no Brasil a censura dos tempos da  ditadura. Zé Dirceu é secundado por Rui Falcão, presidente nacional do PT. Até aí tudo mal, mas sempre vai piorando.

Dia desses, a Juventude do PT de Brasília organizou, em uma galeteria, uma vaquinha sem-vergonha para dar leite para os corruptos do PT. Para comer o galeto solidário compareceram cerca de 50 "jovens" (pelas fotos divulgadas, o mais jovem terá mais de 50 anos). A vaquinha corrupta deu pouco leite, mas os pró-corruptos não desanimaram.

Quarta-feira, 30 de janeiro, a CUT-RJ realizou, na sede da ABI, um ato pró-corruptos, intitulado "Ato Pela Anulação do Julgamento do Mensalão", que contou com cerca de 600 pró-corruptos. Estrela do evento, Zé Dirceu falou o que era de se esperar: que o STF fez "um julgamento de exceção"; que o processo "foi uma violência jurídica nunca vista"; que a "campanha" da mídia contra os mensaleiros e corruptos em geral "é o caminho das ditaduras, uma tentativa de desmoralizar a política, os políticos e o Congresso"; que a imprensa tenta manter o Congresso acuado como "uma forma de criar condições para amanhã dar um golpe ilegal".

Não entendi a referência a "golpe ilegal", pois, inocentemente, pensava que todo golpe de estado fosse ilegal. Será que Zé Dirceu está preparando um "golpe legal"? No mais, o chefe Zé age no Brasil mais ou menos como o chefe Adolf agiu na Alemanha. Como se sabe, Hitler mandou tocar fogo no Reichstag (o Parlamento alemão) e pôs a culpa nos comunistas como pretexto para fechar o regime e impor a ditadura nazista. Já Dirceu, como se sabe, comandou a corrupção dentro do Parlamento brasileiro e agora quer culpar a imprensa como pretexto para levar o governo do PT (onde ele pensa que manda) a restabelecer a censura e impor um regime de força.

No mesmo dia 30, em reunião da bancada do PT na Câmara Federal, Rui Falcão ecoou o chefe. Disse que a imprensa e setores do Ministério Público tentam "interditar" a política e os políticos e por isso devem ser combatidos pelo PT; que "a mídia abre campo para as aventuras golpistas, para experiências que no passado levaram ao nazismo e ao fascismo, que devemos definitivamente afastar do nosso país".

Esse ataque desatinado do presidente do PT à imprensa, à mídia em geral, é de uma audácia tipicamente nazi-fascista. Rui Falcão tem pela imprensa independente o mesmo ódio que Joseph Goebbels e a ela se refere em termos muito parecidos aos usados pelo chefe da propaganda nazista contra a imprensa alemã do seu tempo (vão ao Google e confiram, a diferença mais relevante será que Goebles não usava o termo "nazista" como pejorativo).

Concordo com Rui Falcão com que devamos afastar definitivamente do nosso país o nazismo e o fascismo; todavia, parece-me que, precisamente, as falas e atitudes dele e de Zé Dirceu são o que, no Brasil,  mais se parece com nazismo e fascismo.

Já disse várias vezes que a aventura autoritária dos dirceuzistas  não haverá de prosperar. Nem por isso haveremos de deixá-los falando sozinhos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Quem for podre que se quebre": a destemida luta do deputado petista Anísio Maia contra as "mutretas" do Manaíra Shopping/Prefeitura de João Pessoa

O deputado estadual Anísio Maia, do PT da Paraíba, abriu destemida campanha de denúncias do que ele chama de "mutretas" realizadas entre o empresário Roberto Santiago, dono do Manaíra Shopping, e o Poder Público. Segundo Anísio, estariam envolvidos na "mutreta" o ex-prefeito Luciano Agra (ex-PSB, atualmente sem partido, mas namorando com o PT), o governador Ricardo Coutinho (dono do PSB/PB), e o secretário de Finanças da Prefeitura de João Pessoa, Aldo Prestes (do PT).

Segundo a denúncia, trata-se de mutreta velha que estaria sendo renovada. O empresário Roberto Santiago teria, anos atrás, quando o governador Ricardo era prefeito de João Pessoa, contado com a cumplicidade da Prefeitura para cometer crime ambiental, alargando a área do Shopping em prejuízo do Rio Jaguaribe e dos moradores do Bairro São José. Recentemente, no apagar das luzes do mandato de prefeito de Luciano Agra, a mutreta teria sido renovada e o crime estaria sendo retomado. O caso está tendo ampla cobertura na mídia local, pelo que me dispenso de aqui detalhá-lo. Tão somente louvo a bravura do deputado e realço alguns aspectos da sua luta:

1) o então prefeito Luciano Agra rompeu com o governador Ricardo Coutinho para apoiar Luciano Cartaxo, o que viabilizou a candidatura do PT na capital e garantiu a vitória. Ao não poupar Agra, Anísio coloca a ética pública acima da política de alianças;

2) ao não poupar o secretário de Finanças da Prefeitura do PT, Anísio coloca a ética pública acima das conveniências partidárias;

3) ao enfrentar o empresário Roberto Santiago, Anísio mostra que não tem medo do poder do capital;

4) ao enfrentar o governador Ricardo Coutinho, Anísio prova que não tem medo de cara feia.

Contundente, o destemido deputado chama a Parceria Público-Privada entre o empresário e a PMJP de "Picaretagem Público-Privada" e lamenta estar "brigando sozinho": "Por onde andam os ecologistas, os ambientalistas, os que defendem a natureza dessa cidade".

Cobrado por correligionários e aliados, que temem prejuízos políticos, o lutador rebateu com vigor: 

"Quem for podre que se quebre".

Vai por bom caminho o deputado Anísio Maia, vai pela mão da decência. Histórico militante socialista, um dos pioneiros da fundação do PT, ele é uma prova de que a indecência dos corruptos mensaleiros não arrastou toda a militância do PT. Ele é um exemplo, um aviso, um alerta para os militantes tontos que querem ir para as ruas defender os corruptos-quadrilheiros petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal.

"Quem for podre que se quebre". Foi isso que aconteceu com os dirigentes petistas José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e Henrique Pizzolato. Investigados, processados, julgados; quebraram-se.

Na contra-mão da decência foi a Juventude do PT de Brasília, que na semana passada aprontou um jantar para fazer vaquinha para ajudar os petistas corruptos condenados. Na contra-mão da decência vai a CUT do Rio de Janeiro, que programou para o dia 30 ato público em defesa da impunidade dos corruptos do PT. Para piorar, nesses atos pró-corruptos sempre é levantada a bandeira da censura, que os pró-corruptos camuflam sob eufemismos como "controle social da mídia", "lei de meios" e "marco regulatório".

Não sei se essa Patifaria Político-Partidária de ir para as ruas defender corrupção, impunidade e censura será proposta ao PT da Paraíba. Se for, certamente enfrentará a resistência de militantes bravos e decentes como o deputado Anísio Maia.