Blog Rocha 100

No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A Festa 100, ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras, a Democracia e a Liberdade

Sábado próximo, 23 de fevereiro, no Quiosque Nº 1 do Arruda, no Bessa, a partir das 11 horas da manhã e pela tarde toda, teremos a FESTA 100, lançamento em João Pessoa-PB da

ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras

Romeu e Cláudia Carvalho farão uma especial apresentação de Voz e Violão, com músicas do cancioneiro nacional e internacional, mas, especialmente, com composições do paraibano Assis de Carvalho. Acompanhados pelo grande tecladista Beto, Manoel von Sohsten e Gilberto entoarão canções românticas nostálgicas, daqueles tempos que não voltam mais. Vários artistas e intelectuais, estudantes e operários, poetas e ciganos, ocultistas e profetas, políticos e aventureiros, capitalistas e boêmios, crianças e velhos, moças e rapazes, todos os sonhadores e até alienígenas extraterrestres garantiram presença, e que farão performances (uma palhinha). Haverá também o sorteio de 10 cestas de prêmios, cada uma contendo 10 prêmios. 10 X 10 = 100. A Festa 100 será a maior do século (que também se diz "centúria").

ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras já foi lançada, com extraordinário sucesso, em Pernambuco, no Clube dos Maçons/Paulista-PE. Lançamentos em outros estados estão sendo programados e serão anunciados oportunamente. 

Contamos com a presença de todos na FESTA 100 deste sábado. E pedimos a todos que a divulguem, que convidem, que tragam gente.

Sobre os propósitos e linha editorial da ROCHA 100 - Revista 100 Fronteiras, tudo está dito no editorial, que transcrevemos abaixo.




Editorial 100

O primeiro editorial da ROCHA 100 – Revista 100 Fronteiras haverá de ser uma afirmação de princípio, e a fazemos em uma palavra: LIBERDADE!

Sob a égide da Liberdade, afirmamos a Democracia e a Igualdade; pois a Democracia é, precisamente, a política construtora da Igualdade possível entre pessoas livres.

A Democracia é um regime de contrato em que as liberdades, que são os indivíduos, elevam sobre si um Estado, para evitar que uns indivíduos exorbitem sobre outros; porém, este mesmo Estado, para que não exorbite em seu poder, deve ser controlado pelo poder originário e Soberano, estabelecidas as formas de controle no contrato mesmo do Estado. Diga-se: o poder originário na Democracia são os indivíduos, ou seja, as Liberdades; e a finalidade maior do contrato democrático é a mesma LIBERDADE, como já compreendido e exposto por Immanuel Kant:

A finalidade do Estado é a Liberdade garantida pelo direito”.

A consciência democrática abomina a coletivização, que é a igualdade imposta pelas tiranias, como os donos de porcos coletivizam seus porcos em pocilgas miseráveis ou, mais ou menos, confortáveis.

Sem embargo, a Democracia tem conseguido construir o bem estar dos seus cidadãos sem abrir mão da Liberdade, com o que deixaria de ser Democracia. E, mercê de Deus, seguirá nesse caminho, que é sem fim previsto, mas num círculo virtuoso, sempre para melhor.

A luta democrática será constante e incansável; e nesse sentido ROCHA 100 presta, nesta sua edição inaugural, especial Homenagem a um desses lutadores incansáveis da Democracia, o Desembargador, Grão Mestre Maçônico e Conde de Orkney Manuel Alves da Rocha. Luta esta realizada pelo Brasil afora e fora do Brasil.

Com efeito, o Dr. Manuel tem travado seguidas batalhas em defesa dos ideais democráticos universais e da Soberania Nacional Brasileira, verberando muito especialmente contra a corrupção que se alastra e corrói a Nação; bem como contra a insídia de estrangeiros que tentam defraudar o Brasil com a internacionalização da Amazônia.

ROCHA 100, sendo 100 Fronteiras, estará sempre aberta a todas as opiniões, vindas de onde vierem, acolhendo-as, díspares que sejam, sem preconceitos, afirmando-se como espaço das diversidades e do livre debate. ROCHA 100 reivindica a tão difundida máxima de Virgílio: E pluribus unum (De todos, um), no sentido democrático consagrado de Unidade na Diversidade. E também faz sua aquela máxima de Terêncio, que foi a preferida de Karl Marx: “Nihil humani a me alienum puto” (Nada do que é humano me é estranho). E ainda mais porque, se alienígenas extraterrestres, inteligências não humanas, quisessem, porventura, aqui se expressar, teriam (ou terão) seu espaço assegurado.

Como corolário desse editorial, publicamos a magnífica Ode à Liberdade, do Filósofo Iremar Bronzeado.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Epicuro, Schopenhauer, Nietzsche, Mencken, Machado de Assis, Buñuel, Alfredo Machinho e os ateus melindrosos

Eu detesto o ateísmo; todavia, muitos ateus me são simpáticos. O velho Epicuro, por exemplo, tão difamado pelos estoicos, era, na minha apreciação, excelente criatura. A sua tirada em relação à existência ou não dos deuses é ótima: "Os deuses existem sim, mas não se importam com os homens; então, o melhor que os homens podem fazer é não se importar com eles". Seguramente, Epicuro não acreditava na existência dos deuses, apenas não queria perder tempo com conversa vazia e, pragmático, entendia que não crer nos deuses ou não se importar com eles resultava no  mesmo. Também para a  morte tem uma resposta sagaz: "Não há morte, pois, quando existimos não existe morte, e quando existe a morte não existimos mais". Não concordo, não porque eu acredite na morte, mas porque acredito na Vida Eterna; mas, nem por discordar, deixo de admirar o filósofo. Levou uma boa vida, o afável Epicuro; e, apesar de ensinar que o prazer é a finalidade da vida, levou vida frugal.

Os ateus Schopenhauer e Nietzsche me são simpáticos, ainda que eu considere a metafísica da vontade por eles postulada (com conclusões morais opostas e igualmente desastrosas) muito ruim. Embora sisudos, eram irreverentes, e eu tenho grande simpatia pela irreverência. Talvez me sejam simpáticos porque, mesmo ateus, não são materialistas; sendo que considero o materialismo a mais rasa e indigente das filosofias. Nietzsche, o mais genial de todos os loucos, levou sua rebeldia ao ponto de decretar a morte de Deus e proclamar-se como o Anti-Cristo. Eu sou cristão, mas tenho quase devoção por Nietzsche e o considero como uma espécie de santo.

São inúmeros, os simpáticos ateus de antigamente. Citemos apenas mais quatro.

H. L. Mencken foi um ateu libertário, iconoclasta, chamado por alguns de "Nietzsche americano". Seu livro mais conhecido é, vejam só, "O Livro dos Insultos". De todas as religiões, usando eu uma expressão de Machado de Assis, Mencken "disse o que Maomé não disse da carne de porco". Mencken não apenas insultou Deus, insultou também o povo e a democracia. Vejam essa: "A democracia é a arte e a ciência de administrar o circo a partir da jaula dos macacos". Eu defendo o povo e a democracia, mas o referido livro de Mencken é um dos meus livros de cabeceira.

E chegamos a Machado de Assis, cujo livro mais marcadamente ateísta, "Memórias Póstumas de Brás Cubas", já reli pra mais de cem vezes. Machado, influenciado pelo pessimismo de Schopenhauer, expõe o ateísmo mais amargo: "Não transmiti a ninguém o legado da nossa miséria". É compreensível que ateus sejam amargos. E é quase imperativo que sejam irreverentes. Vejam, Machado, no "Brás Cubas", não poupou nem o mestre Schopenhauer, retratando-o como o doido Quincas Borba. Machado de Assis era ateu, e eu tenho quase veneração por Machado de Assis.  

 Vamos ao cineasta espanhol Luis Buñuel. Este era um ateu anarquista dos mais irreverentes. No seu delicioso livro de memórias, "Meu Último Suspiro", conta várias de suas irreverências, dentre as quais ter, em uma mesa de bar, tentado esganar a mulher do amigo Salvador Dali, a chatíssima Gala. E outra que conta é a seguinte: ajudando a causa da República na Guerra Civil espanhola, Buñuel recebeu missão de ir a Paris, mas os defensores da República eram tão desorganizados e desunidos (os stalinistas, por exemplo, matavam tanto franquistas como anarquistas e trotskistas) que os anarquistas não quiseram aceitar o salvo conduto de Buñuel, fornecido por autoridade da República - os anarquista exigiam um visto anarquista específico -. Aí Buñuel perdeu as estribeiras e elevou a voz em imprecações, desaforos e blasfêmias contra Deus e o mundo. Quando o anarquista responsável pela permissão de passagem ouviu aquelas abominações, não teve  mais dúvidas: "Deixem passar, esse é dos nossos".

E chego a um ateu paraibano, amigo meu já falecido, Alfredo Machinho (assim chamado porque era baixinho e muito corajoso: consta que peitou e bateu revólver na cara do poderoso senador Assis Chateaubriand, num episódio da campanha "O Petróleo É Nosso"; mas isso é outra, e comprida, história). Ateu e comunista, comunista da linha dura, bolchevista ortodoxo, Alfredo era irreverente e dizia da Virgem Maria coisas horríveis e impublicáveis. Porém, sobre Deus, ele dizia uma coisa tão engraçada que não posso deixar de publicar, nem acho que Deus vá se ofender. Alfredo Machinho chamava Deus de "o invertebrado gasoso".

Vejam vocês como eram os ateus de antigamente. Hoje não; hoje os ateus são delicados e melindrosos, com pudores de moças donzelas. Hoje, os ateus são muito bem comportados e se guiam pela cartilha do "politicamente correto". Não aceitam de ninguém qualquer irreverência. Ai de quem falar mal um tantinho assim do ateísmo. Os ateus de hoje perseguem, processam, multam e querem por na cadeia quem ouse insinuar em relação a eles qualquer atitude menos correta e edificante.

O autoritarismo "politicamente correto", no qual se apóia a intolerância ateísta, teve início nos Estados Unidos, mas no Brasil tem encontrado terra fértil. Ateus brasileiros moveram processo contra a Rede TV. Também moveram processo contra o apresentador José Luiz Datena e a TV Bandeirantes; isso porque o desavisado Datena, no seu programa na Band, escorregou em uma irreverências em relação aos ateus. Os ateus brasileiros estão movendo processos a torto e a direito.

Eu mesmo, com esse artigo, sei lá se não vou ser processado?

Certamente, estarei sendo injusto ao generalizar. Fui ao Google ver a lista de ateus famosos e vi muitos ateus de hoje que são excelentes pessoas; irreverentes uns, tolerantes outros. Mas os ateus "politicamente corretos" de hoje, intolerantes, estão dando o tom do debate: militam pela causa, reclamam de Deus (tá certo) e do  mundo, dizem-se vítimas, fazem campanha para arrancar os crucifixos das paredes e não estão longe de mandar implodir o Cristo Redentor.

O ateísmo militante, autoritário, intolerante, não está pra brincadeira.

Seja como for, como cheguei até aqui, vou arriscar um último e irreverente parágrafo:

O ateu irreverente tem a sua graça. Agora, ateu melindroso é uma merda.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Concordo com Rui Falcão: devemos afastar definitivamente do nosso país o nazismo e o fascismo

O corrupto-quadrilheiro Zé Dirceu e seus sectários estão em campanha para submeter o Poder Judiciário e restabelecer no Brasil a censura dos tempos da  ditadura. Zé Dirceu é secundado por Rui Falcão, presidente nacional do PT. Até aí tudo mal, mas sempre vai piorando.

Dia desses, a Juventude do PT de Brasília organizou, em uma galeteria, uma vaquinha sem-vergonha para dar leite para os corruptos do PT. Para comer o galeto solidário compareceram cerca de 50 "jovens" (pelas fotos divulgadas, o mais jovem terá mais de 50 anos). A vaquinha corrupta deu pouco leite, mas os pró-corruptos não desanimaram.

Quarta-feira, 30 de janeiro, a CUT-RJ realizou, na sede da ABI, um ato pró-corruptos, intitulado "Ato Pela Anulação do Julgamento do Mensalão", que contou com cerca de 600 pró-corruptos. Estrela do evento, Zé Dirceu falou o que era de se esperar: que o STF fez "um julgamento de exceção"; que o processo "foi uma violência jurídica nunca vista"; que a "campanha" da mídia contra os mensaleiros e corruptos em geral "é o caminho das ditaduras, uma tentativa de desmoralizar a política, os políticos e o Congresso"; que a imprensa tenta manter o Congresso acuado como "uma forma de criar condições para amanhã dar um golpe ilegal".

Não entendi a referência a "golpe ilegal", pois, inocentemente, pensava que todo golpe de estado fosse ilegal. Será que Zé Dirceu está preparando um "golpe legal"? No mais, o chefe Zé age no Brasil mais ou menos como o chefe Adolf agiu na Alemanha. Como se sabe, Hitler mandou tocar fogo no Reichstag (o Parlamento alemão) e pôs a culpa nos comunistas como pretexto para fechar o regime e impor a ditadura nazista. Já Dirceu, como se sabe, comandou a corrupção dentro do Parlamento brasileiro e agora quer culpar a imprensa como pretexto para levar o governo do PT (onde ele pensa que manda) a restabelecer a censura e impor um regime de força.

No mesmo dia 30, em reunião da bancada do PT na Câmara Federal, Rui Falcão ecoou o chefe. Disse que a imprensa e setores do Ministério Público tentam "interditar" a política e os políticos e por isso devem ser combatidos pelo PT; que "a mídia abre campo para as aventuras golpistas, para experiências que no passado levaram ao nazismo e ao fascismo, que devemos definitivamente afastar do nosso país".

Esse ataque desatinado do presidente do PT à imprensa, à mídia em geral, é de uma audácia tipicamente nazi-fascista. Rui Falcão tem pela imprensa independente o mesmo ódio que Joseph Goebbels e a ela se refere em termos muito parecidos aos usados pelo chefe da propaganda nazista contra a imprensa alemã do seu tempo (vão ao Google e confiram, a diferença mais relevante será que Goebles não usava o termo "nazista" como pejorativo).

Concordo com Rui Falcão com que devamos afastar definitivamente do nosso país o nazismo e o fascismo; todavia, parece-me que, precisamente, as falas e atitudes dele e de Zé Dirceu são o que, no Brasil,  mais se parece com nazismo e fascismo.

Já disse várias vezes que a aventura autoritária dos dirceuzistas  não haverá de prosperar. Nem por isso haveremos de deixá-los falando sozinhos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Quem for podre que se quebre": a destemida luta do deputado petista Anísio Maia contra as "mutretas" do Manaíra Shopping/Prefeitura de João Pessoa

O deputado estadual Anísio Maia, do PT da Paraíba, abriu destemida campanha de denúncias do que ele chama de "mutretas" realizadas entre o empresário Roberto Santiago, dono do Manaíra Shopping, e o Poder Público. Segundo Anísio, estariam envolvidos na "mutreta" o ex-prefeito Luciano Agra (ex-PSB, atualmente sem partido, mas namorando com o PT), o governador Ricardo Coutinho (dono do PSB/PB), e o secretário de Finanças da Prefeitura de João Pessoa, Aldo Prestes (do PT).

Segundo a denúncia, trata-se de mutreta velha que estaria sendo renovada. O empresário Roberto Santiago teria, anos atrás, quando o governador Ricardo era prefeito de João Pessoa, contado com a cumplicidade da Prefeitura para cometer crime ambiental, alargando a área do Shopping em prejuízo do Rio Jaguaribe e dos moradores do Bairro São José. Recentemente, no apagar das luzes do mandato de prefeito de Luciano Agra, a mutreta teria sido renovada e o crime estaria sendo retomado. O caso está tendo ampla cobertura na mídia local, pelo que me dispenso de aqui detalhá-lo. Tão somente louvo a bravura do deputado e realço alguns aspectos da sua luta:

1) o então prefeito Luciano Agra rompeu com o governador Ricardo Coutinho para apoiar Luciano Cartaxo, o que viabilizou a candidatura do PT na capital e garantiu a vitória. Ao não poupar Agra, Anísio coloca a ética pública acima da política de alianças;

2) ao não poupar o secretário de Finanças da Prefeitura do PT, Anísio coloca a ética pública acima das conveniências partidárias;

3) ao enfrentar o empresário Roberto Santiago, Anísio mostra que não tem medo do poder do capital;

4) ao enfrentar o governador Ricardo Coutinho, Anísio prova que não tem medo de cara feia.

Contundente, o destemido deputado chama a Parceria Público-Privada entre o empresário e a PMJP de "Picaretagem Público-Privada" e lamenta estar "brigando sozinho": "Por onde andam os ecologistas, os ambientalistas, os que defendem a natureza dessa cidade".

Cobrado por correligionários e aliados, que temem prejuízos políticos, o lutador rebateu com vigor: 

"Quem for podre que se quebre".

Vai por bom caminho o deputado Anísio Maia, vai pela mão da decência. Histórico militante socialista, um dos pioneiros da fundação do PT, ele é uma prova de que a indecência dos corruptos mensaleiros não arrastou toda a militância do PT. Ele é um exemplo, um aviso, um alerta para os militantes tontos que querem ir para as ruas defender os corruptos-quadrilheiros petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal.

"Quem for podre que se quebre". Foi isso que aconteceu com os dirigentes petistas José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e Henrique Pizzolato. Investigados, processados, julgados; quebraram-se.

Na contra-mão da decência foi a Juventude do PT de Brasília, que na semana passada aprontou um jantar para fazer vaquinha para ajudar os petistas corruptos condenados. Na contra-mão da decência vai a CUT do Rio de Janeiro, que programou para o dia 30 ato público em defesa da impunidade dos corruptos do PT. Para piorar, nesses atos pró-corruptos sempre é levantada a bandeira da censura, que os pró-corruptos camuflam sob eufemismos como "controle social da mídia", "lei de meios" e "marco regulatório".

Não sei se essa Patifaria Político-Partidária de ir para as ruas defender corrupção, impunidade e censura será proposta ao PT da Paraíba. Se for, certamente enfrentará a resistência de militantes bravos e decentes como o deputado Anísio Maia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cracolândia: a internação involuntária e a demência voluntária

O programa de internação involuntária de drogados iniciado segunda-feira (21/01) pelo Governo de São Paulo pode ter resultados ótimos ou pífios. Mas, tal como apresentado, está bem planejado. O foco são os viciados da cracolândia, aqueles em estado grave. A possível internação virá cercada dos mais rigorosos cuidados e garantias: equipe de profissionais de saúde, acompanhamento do Poder Judiciário, consentimento da família e autorização de um juiz.

A medida é drástica, mas não podia ser de outra forma. Trata-se de tirar pessoas do inferno em vida. Trata-se de arrancar pessoas da morte iminente e escancarada.

Quem já teve contato direto com um viciado em crack em estado avançado sabe que é assim. Quem não teve, mas conversa com quem já teve ou simplesmente acompanha o noticiário, pode fazer uma idéia.

Todavia, pessoas muito bem informadas se posicionaram contra a internação involuntária e criticam a iniciativa do governador Geraldo Alckmin. Entre essas pessoas está o prefeito de São Paulo, o petista Fernando Haddad. Este, no entanto, diga-se,  tem usado um tom moderado. A crítica radical, acerba e feroz tem ficado por conta de entidades e movimentos sociais que foram às ruas com cartazes e discursos ácidos.

"Usuário não se prende", traz um cartaz; "A internação compulsória depõe contra a dignidade humana e a liberdade cristã", apela outro. Quanto aos discursos, sobressaíram-se dois padres. Um deles, o Padre Júlio Lancelloti, da conhecida pastoral Povo da Rua, disse: "Essa é uma medida drástica e bombástica, que quer facilitar algo que é ineficaz".

Já o Padre Raniel, da menos conhecida A Fraternidade é o Caminho, considerou, segundo reportagem da Folha de São Paulo, que a medida é opressora e atenta contra a dignidade do dependente químico e o seu livre arbítrio. Para ele, registra a reportagem, é preciso dar poder de escolha ao dependente químico.

Não seria de se esperar tolices tão nocivas da parte de dois homens de Deus. Nem por ser drástica e bombástica a medida será necessariamente ruim. E essa medida é drástica e bombástica porque a questão é drástica e bombástica. A fome, por outro exemplo, é drástica e bombástica. O ex-presidente Lula, no seu primeiro governo, anunciou a medida drástica e bombástica de erradicação da fome, através do programa Fome Zero. Drástica e bombástica também foi a medida de erradicação da miséria anunciada pela Presidente Dilma, logo no início do seu mandato.

Quanto ao Padre Raniel, que os católicos rezem por ele, um caso grave de falta de discernimento. A medida drástica da internação involuntária se impõe, exatamente, como tentativa de salvar a dignidade e a vida do viciado, que estão, vida e dignidade, nas garras da droga (e nas mãos dos traficantes). O que a drástica medida visa é, precisamente, fazer o viciado voltar à consciência/livre arbítrio ao escapar da sujeição demencial da droga. Quanto a dar poder de escolha a um dependente de crack em estado avançado, significa reafirmar o poder da droga: a droga é já, imperiosamente, sua escolha e opção. O que a drástica medida tem por objetivo é, justamente, fazer com que o viciado, livre do vício, volte a ter poder de escolha.

A reportagem da folha registra também literalmente parte da fala do Padre Raniel, assim:

"A Igreja quer respeitar a dignidade do ser humano. Que ele tenha o poder de escolha, que ele possa se recuperar da dependência química".

Pois muito certa está a Igreja.

Padre Raniel, pelo amor de Deus, reflita: o sentido da medida drástica da internação involuntária é justamente o de dar essa chance ao viciado.

Mas terá sido do vice-presidente do CRESS-SP, Marcos Valdir Silva, a fala mais sem sentido. Vejam:

"O dependente de drogas precisa de tratamento e não ser privado de liberdade e ser submetido a um tratamento".

Deus do Céu! É somente porque o dependente de drogas precisa de tratamento que, estando na máxima impotência e às portas da morte, é preciso que, excepcionalmente, se imponha a restrição de liberdade para que se possa fazer tal tratamento.

A internação involuntária, nos casos-limite, chega a ser um imperativo de humanidade. Já a campanha contra esta internação humanitária é um caso de demência voluntária.    

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O bicho não vai pegar. O PT tem coisa melhor a fazer do que ir para a rua defender corrupção, impunidade e censura. Uma coisa boa será o PT lançar candidato a governador da Paraíba

A ala autoritária do PT, dirceuzista, passou os últimos meses de 2012 ameaçando botar o bloco militante na rua para defender seus corruptos mensaleiros condenados no julgamento do mensalão. A coisa não aconteceu, ficou para o ano novo. Gilberto Carvalho, ministro de Dilma e serviçal de Lula, no fim do ano velho, disse: "Em 2013 o bicho vai pegar". Nos sonhos dos dirceuzistas, esse bicho significa o seguinte: militância petista, sindicalistas, a CUT, a UNE, operários, estudantes e o povo em geral nas ruas clamando a favor dos corruptos-quadrilheiros petistas condenados pelo STF na Ação Penal 470. Como bandeira paralela à essa defesa da corrupção e da impunidade, seria levado ao povo brasileiro o clamor pela volta da censura dos tempos da  ditadura, que a caterva autoritária chama de "controle social da mídia", "marco regulatório", "lei de meios" e outros eufemismos.

Esse bicho não vai pegar. Essa campanha é uma idéia de jerico que só serve para desgastar o PT. Já disse e repito os três principais motivos pelos quais esse bicho não pega: a) a maioria dos filiados e militantes do PT é gente decente e democrata; b) a Presidente Dilma respeita as instituições da Democracia, não gosta de corrupção e detesta censura; c) o principal líder e ídolo do petismo, o Lula da Silva, é, como disse o ministro Marco Aurélio, "um cara safo" e não vai se meter numa roubada dessas.

Certamente os dirceuzistas vão ficar tentando. A Juventude do PT de Brasília até realizou, como ato inaugural da campanha pró-corruptos mensaleiros em 2013, um jantar de adesão para fazer vaquinha para pagar as multas dos petistas condenados. De 100 a 1.000 reais a entrada. Está certo, estão no direito deles e paga quem quiser. O José Genoíno, sujeito ingênuo (assinar em confiança para o Delúbio Soares!?), que não enriqueceu, até que precisa. Mas fazer vaquinha para o José Dirceu, bem sucedido consultor internacional (inclusive do mexicano Carlos Slim, o homem mais rico do mundo), que ostenta fortuna? Mas isso é lá com eles.

De vários grupos petistas já surgem sinais fortes para que se aborte a campanha pró-corruptos. Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul, fundador do PT e dirigente histórico, disse na cara de José Genoíno que este deveria renunciar ao mandato de deputado federal. Já o atual governador gaúcho, o também petista Tarso Genro, aconselhou o PT a encerrar a pauta do mensalão e tocar o barco da boa política pra frente. É isso aí.

Nessa sábia proposta de Tarso encontro o gancho para chegar à candidatura do PT a governador da Paraíba. A oportunidade para o PT chegar ao governo estadual em 2014 é boa. Tem de ter coragem. Como teve ao lançar a candidatura de Luciano Cartaxo para prefeito de João Pessoa no ano passado. Certamente, o PT não iniciará como favorito. Bom sinal, pois em 2010 para governador e em 2012 para prefeito da capital, quem começou como favorito, perdeu.

Criticando o PT autoritário, torço na Paraíba por alternativas ao autoritarismo do governador Ricardo Coutinho, do PSB. O nome posto até agora pelas oposições é o do ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego, o Vené, também conhecido como "Cabeludo". É uma boa alternativa, mas vejam: perdeu as eleições municipais de 2012 no seu reduto. Ricardo também perdeu no seu principal reduto, a capital; porém conserva o poder. Se mantiver o apoio do senador Cássio Cunha Lima, o governador Ricardo Coutinho será favorito; isso numa disputa em que tenha a Veneziano como único candidato de expressão. A candidatura do PT ajudaria a candidatura do PMDB ao garantir o segundo turno, suposto, como se supõe, que apoie o PMDB num eventual segundo turno. Certamente valendo o inverso: se o candidato do PT for ao segundo turno contra Ricardo, terá o apoio do PMDB.

NOMES - Agora a questão dos nomes. Para disputar o governo estadual em 2014, o PT paraibano terá de construir um nome em 2013. Sem dúvida, hoje o maior nome do PT na Paraíba é o do Prefeito Luciano Cartaxo. Mas Cartaxo não haverá de renunciar em meio ao mandato de prefeito, de forma que se impõe uma nova opção. Não será difícil, o PT da Paraíba tem vários excelentes nomes. Um nome muito bom seria o do deputado federal Padre Luiz Couto, mas o padre deixou de rezar na cartilha do PT para rezar na cartilha do adversário, o governador Ricardo Coutinho. Assim não dá. Todavia, reluzem outras estrelas, e eu indico duas; e faço isso porque lhes conheço o brilho. Mirem:

Deputado estadual Anísio Maia - Conheço Anísio da fundação do PT. É muito inteligente, tem grande coragem pessoal, um vigor militante extraordinário e uma capacidade organizativa excepcional. Aliás, provou isso ao coordenar com máxima competência a campanha do PT que levou Luciano Cartaxo à retumbante vitória de 2012.

Vereador Fuba - Todo mundo conhece o artista Fuba, das Muriçocas do Miramar. O político eu conheci mais de perto na campanha de 2012. Eu, vários amigos e uma boa parte da família Rocha o apoiamos e celebramos com ele a vitória. No segundo turno o acompanhamos no apoio a Luciano Cartaxo (no primeiro turno apoiamos Zé Maranhão). Revelou-se um intelectual, um estudioso e profundo conhecedor da história e dos problemas da Paraíba. Apesar de famoso, tem um contato humano dos mais simples. O fato de ser um artista muito conhecido ajudaria na fixação estadual do nome.

Como muito tenho batido no PT autoritário, dirceuzista e pró-corrupto, tem quem pense que hostilizo o PT de forma geral. Que nada, eu quero mais é que o PT renasça. Tem lá cabimento o PT velho de guerra prestar-se a defender corrupção, impunidade e censura?

Guardo alguns amigos nesse PT da minha nostalgia, a eles dedico estes magníficos versos do genial filósofo-poeta Vanildo Brito:

" - Onde estão os horizontes, os horizontes que amei?
Certamente além das pontes que eu jamais atravessei"



domingo, 6 de janeiro de 2013

A sacanagem da Fundação Biblioteca Nacional e a formidável frase de WJ Solha

A Fundação Biblioteca Nacional fez uma sacanagem que indignou o escritor WJ Solha. Vejam só: em um concurso em que só deveriam participar escritores vivos, foi vencedor um escritor morto. Ilustre, é bem verdade, mas mortinho da Silva: Carlos Drummond de Andrade.

Solha deu curso á sua indignação em artigo intitulado ISTO / É / UMA / VERGONHA (publicado neste portal100fronteiras.com.br e alhures). Espantado com a narração de Solha, fui conferir o edital do Concurso/Prêmio Alphonsus de Guimaraens, de Poesia; que é do que se trata. Para maior espanto, uma informação que não consta do artigo de Solha. No edital consta que só se aceitam obras "publicadas no período de 1º de setembro de 2011 a 31 de agosto de 2012" (disponível em www.bn.br). Assim sendo, a premiação a Drummond seria uma falcatrua digna de cadeia. Não querendo crer em tal absurdo, fui ver a Premiação (no mesmo site). Espantem-se:

"Prêmio Alphonsus de Guimaraens

Categoria: Poesia

Comissão Julgadora:
Carlos Eduardo Barbosa de Azevedo;
Francisco Estevão Soares Orban;
Leila Mícollis;

Vencedor: Bernardo Ajzenberg (detentor dos direitos autorais), com a obra Carlos Drummond de Andrade: Poesia 1930-62, publicada pela Editora Cosac Naify".

Bernard Ajzenberg é Diretor Executivo da Editora Cosac Naify. Ganhou o Prêmio publicando poesias velhas do Drummond. Será difícil que perca algum Concurso da Fundação Biblioteca Nacional daqui por diante, nas várias categorias de premiação. Em 2013, talvez escolha a categoria Romance, concorrendo com "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis; uma pedreira para os concorrentes vivos.

Todavia, pode ser que Drummond, lá do Além, via internet, tenha autorizado Bernardo Ajzenberg a inscrever a obra republicada. Isso implica uma notícia ruim: Drummond não está no Céu. Se estivesse não precisaria do dinheiro do prêmio, minguados 12.500 reais. Também não estará no Inferno, pois lá o regime é fechado, sem visita íntima e sem contato com o exterior. Está no Purgatório, onde o regime é semi-aberto e muito esculhambado.

WJ Solha participou do referido concurso com o longo e estupendo poema "Marco do Mundo", um marco na literatura. Eu, particularmente, acho melhor do que qualquer poema de Drummond; mas o prestígio de Drummond é maior que o de Solha, e isso conta na hora da premiação.

Mas vamos à frase referida no título deste post. Uma frase formidável:

"A impunidade está solta e na iminência de receber faixa e coroa de Miss Brasil".

Com efeito, tem uma turma poderosa no Brasil que está glorificando a impunidade: a turma do PT autoritário, cujo comandante é Zé Dirceu. Essa turma da pesada quer botar a militância petista nas ruas para, em defesa de corruptos condenados, afrontar a Justiça e fazer, como diz o chefe, "o julgamento do julgamento" do mensalão. Gilberto Carvalho, ministro de Dilma e serviçal de Lula, afirma que em 2013 "o bicho vai pegar". Rui Falcão, o furioso presidente nacional do PT, repete-se em falas incendiárias em defesa da impunidade dos seus correligionários corruptos graúdos (os corruptos pequenos e os corruptos de partidos aliados que se lasquem). Para garantir a impunidade, a turma da pesada não quer apenas submeter a Justiça, mas também restabelecer a censura dos tempos da ditadura, coisa que eles chamam de "controle social da mídia", "regulamentação da imprensa", "lei dos meios", etc.
Se esses sandeus do autoritarismo juntarem forças suficientes, deverão marchar sobre Brasília. Mais ou menos como Mussolini e seus Camisas Negras marcharam sobre Roma.