Blog Rocha 100
“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Cracolândia: a internação involuntária e a demência voluntária
A medida é drástica, mas não podia ser de outra forma. Trata-se de tirar pessoas do inferno em vida. Trata-se de arrancar pessoas da morte iminente e escancarada.
Quem já teve contato direto com um viciado em crack em estado avançado sabe que é assim. Quem não teve, mas conversa com quem já teve ou simplesmente acompanha o noticiário, pode fazer uma idéia.
Todavia, pessoas muito bem informadas se posicionaram contra a internação involuntária e criticam a iniciativa do governador Geraldo Alckmin. Entre essas pessoas está o prefeito de São Paulo, o petista Fernando Haddad. Este, no entanto, diga-se, tem usado um tom moderado. A crítica radical, acerba e feroz tem ficado por conta de entidades e movimentos sociais que foram às ruas com cartazes e discursos ácidos.
"Usuário não se prende", traz um cartaz; "A internação compulsória depõe contra a dignidade humana e a liberdade cristã", apela outro. Quanto aos discursos, sobressaíram-se dois padres. Um deles, o Padre Júlio Lancelloti, da conhecida pastoral Povo da Rua, disse: "Essa é uma medida drástica e bombástica, que quer facilitar algo que é ineficaz".
Já o Padre Raniel, da menos conhecida A Fraternidade é o Caminho, considerou, segundo reportagem da Folha de São Paulo, que a medida é opressora e atenta contra a dignidade do dependente químico e o seu livre arbítrio. Para ele, registra a reportagem, é preciso dar poder de escolha ao dependente químico.
Não seria de se esperar tolices tão nocivas da parte de dois homens de Deus. Nem por ser drástica e bombástica a medida será necessariamente ruim. E essa medida é drástica e bombástica porque a questão é drástica e bombástica. A fome, por outro exemplo, é drástica e bombástica. O ex-presidente Lula, no seu primeiro governo, anunciou a medida drástica e bombástica de erradicação da fome, através do programa Fome Zero. Drástica e bombástica também foi a medida de erradicação da miséria anunciada pela Presidente Dilma, logo no início do seu mandato.
Quanto ao Padre Raniel, que os católicos rezem por ele, um caso grave de falta de discernimento. A medida drástica da internação involuntária se impõe, exatamente, como tentativa de salvar a dignidade e a vida do viciado, que estão, vida e dignidade, nas garras da droga (e nas mãos dos traficantes). O que a drástica medida visa é, precisamente, fazer o viciado voltar à consciência/livre arbítrio ao escapar da sujeição demencial da droga. Quanto a dar poder de escolha a um dependente de crack em estado avançado, significa reafirmar o poder da droga: a droga é já, imperiosamente, sua escolha e opção. O que a drástica medida tem por objetivo é, justamente, fazer com que o viciado, livre do vício, volte a ter poder de escolha.
A reportagem da folha registra também literalmente parte da fala do Padre Raniel, assim:
"A Igreja quer respeitar a dignidade do ser humano. Que ele tenha o poder de escolha, que ele possa se recuperar da dependência química".
Pois muito certa está a Igreja.
Padre Raniel, pelo amor de Deus, reflita: o sentido da medida drástica da internação involuntária é justamente o de dar essa chance ao viciado.
Mas terá sido do vice-presidente do CRESS-SP, Marcos Valdir Silva, a fala mais sem sentido. Vejam:
"O dependente de drogas precisa de tratamento e não ser privado de liberdade e ser submetido a um tratamento".
Deus do Céu! É somente porque o dependente de drogas precisa de tratamento que, estando na máxima impotência e às portas da morte, é preciso que, excepcionalmente, se imponha a restrição de liberdade para que se possa fazer tal tratamento.
A internação involuntária, nos casos-limite, chega a ser um imperativo de humanidade. Já a campanha contra esta internação humanitária é um caso de demência voluntária.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
O bicho não vai pegar. O PT tem coisa melhor a fazer do que ir para a rua defender corrupção, impunidade e censura. Uma coisa boa será o PT lançar candidato a governador da Paraíba
Esse bicho não vai pegar. Essa campanha é uma idéia de jerico que só serve para desgastar o PT. Já disse e repito os três principais motivos pelos quais esse bicho não pega: a) a maioria dos filiados e militantes do PT é gente decente e democrata; b) a Presidente Dilma respeita as instituições da Democracia, não gosta de corrupção e detesta censura; c) o principal líder e ídolo do petismo, o Lula da Silva, é, como disse o ministro Marco Aurélio, "um cara safo" e não vai se meter numa roubada dessas.
Certamente os dirceuzistas vão ficar tentando. A Juventude do PT de Brasília até realizou, como ato inaugural da campanha pró-corruptos mensaleiros em 2013, um jantar de adesão para fazer vaquinha para pagar as multas dos petistas condenados. De 100 a 1.000 reais a entrada. Está certo, estão no direito deles e paga quem quiser. O José Genoíno, sujeito ingênuo (assinar em confiança para o Delúbio Soares!?), que não enriqueceu, até que precisa. Mas fazer vaquinha para o José Dirceu, bem sucedido consultor internacional (inclusive do mexicano Carlos Slim, o homem mais rico do mundo), que ostenta fortuna? Mas isso é lá com eles.
De vários grupos petistas já surgem sinais fortes para que se aborte a campanha pró-corruptos. Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul, fundador do PT e dirigente histórico, disse na cara de José Genoíno que este deveria renunciar ao mandato de deputado federal. Já o atual governador gaúcho, o também petista Tarso Genro, aconselhou o PT a encerrar a pauta do mensalão e tocar o barco da boa política pra frente. É isso aí.
Nessa sábia proposta de Tarso encontro o gancho para chegar à candidatura do PT a governador da Paraíba. A oportunidade para o PT chegar ao governo estadual em 2014 é boa. Tem de ter coragem. Como teve ao lançar a candidatura de Luciano Cartaxo para prefeito de João Pessoa no ano passado. Certamente, o PT não iniciará como favorito. Bom sinal, pois em 2010 para governador e em 2012 para prefeito da capital, quem começou como favorito, perdeu.
Criticando o PT autoritário, torço na Paraíba por alternativas ao autoritarismo do governador Ricardo Coutinho, do PSB. O nome posto até agora pelas oposições é o do ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego, o Vené, também conhecido como "Cabeludo". É uma boa alternativa, mas vejam: perdeu as eleições municipais de 2012 no seu reduto. Ricardo também perdeu no seu principal reduto, a capital; porém conserva o poder. Se mantiver o apoio do senador Cássio Cunha Lima, o governador Ricardo Coutinho será favorito; isso numa disputa em que tenha a Veneziano como único candidato de expressão. A candidatura do PT ajudaria a candidatura do PMDB ao garantir o segundo turno, suposto, como se supõe, que apoie o PMDB num eventual segundo turno. Certamente valendo o inverso: se o candidato do PT for ao segundo turno contra Ricardo, terá o apoio do PMDB.
NOMES - Agora a questão dos nomes. Para disputar o governo estadual em 2014, o PT paraibano terá de construir um nome em 2013. Sem dúvida, hoje o maior nome do PT na Paraíba é o do Prefeito Luciano Cartaxo. Mas Cartaxo não haverá de renunciar em meio ao mandato de prefeito, de forma que se impõe uma nova opção. Não será difícil, o PT da Paraíba tem vários excelentes nomes. Um nome muito bom seria o do deputado federal Padre Luiz Couto, mas o padre deixou de rezar na cartilha do PT para rezar na cartilha do adversário, o governador Ricardo Coutinho. Assim não dá. Todavia, reluzem outras estrelas, e eu indico duas; e faço isso porque lhes conheço o brilho. Mirem:
Deputado estadual Anísio Maia - Conheço Anísio da fundação do PT. É muito inteligente, tem grande coragem pessoal, um vigor militante extraordinário e uma capacidade organizativa excepcional. Aliás, provou isso ao coordenar com máxima competência a campanha do PT que levou Luciano Cartaxo à retumbante vitória de 2012.
Vereador Fuba - Todo mundo conhece o artista Fuba, das Muriçocas do Miramar. O político eu conheci mais de perto na campanha de 2012. Eu, vários amigos e uma boa parte da família Rocha o apoiamos e celebramos com ele a vitória. No segundo turno o acompanhamos no apoio a Luciano Cartaxo (no primeiro turno apoiamos Zé Maranhão). Revelou-se um intelectual, um estudioso e profundo conhecedor da história e dos problemas da Paraíba. Apesar de famoso, tem um contato humano dos mais simples. O fato de ser um artista muito conhecido ajudaria na fixação estadual do nome.
Como muito tenho batido no PT autoritário, dirceuzista e pró-corrupto, tem quem pense que hostilizo o PT de forma geral. Que nada, eu quero mais é que o PT renasça. Tem lá cabimento o PT velho de guerra prestar-se a defender corrupção, impunidade e censura?
Guardo alguns amigos nesse PT da minha nostalgia, a eles dedico estes magníficos versos do genial filósofo-poeta Vanildo Brito:
" - Onde estão os horizontes, os horizontes que amei?
Certamente além das pontes que eu jamais atravessei"
domingo, 6 de janeiro de 2013
A sacanagem da Fundação Biblioteca Nacional e a formidável frase de WJ Solha
Solha deu curso á sua indignação em artigo intitulado ISTO / É / UMA / VERGONHA (publicado neste portal100fronteiras.com.br e alhures). Espantado com a narração de Solha, fui conferir o edital do Concurso/Prêmio Alphonsus de Guimaraens, de Poesia; que é do que se trata. Para maior espanto, uma informação que não consta do artigo de Solha. No edital consta que só se aceitam obras "publicadas no período de 1º de setembro de 2011 a 31 de agosto de 2012" (disponível em www.bn.br). Assim sendo, a premiação a Drummond seria uma falcatrua digna de cadeia. Não querendo crer em tal absurdo, fui ver a Premiação (no mesmo site). Espantem-se:
"Prêmio Alphonsus de Guimaraens
Categoria: Poesia
Comissão Julgadora:
Carlos Eduardo Barbosa de Azevedo;
Francisco Estevão Soares Orban;
Leila Mícollis;
Vencedor: Bernardo Ajzenberg (detentor dos direitos autorais), com a obra Carlos Drummond de Andrade: Poesia 1930-62, publicada pela Editora Cosac Naify".
Bernard Ajzenberg é Diretor Executivo da Editora Cosac Naify. Ganhou o Prêmio publicando poesias velhas do Drummond. Será difícil que perca algum Concurso da Fundação Biblioteca Nacional daqui por diante, nas várias categorias de premiação. Em 2013, talvez escolha a categoria Romance, concorrendo com "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis; uma pedreira para os concorrentes vivos.
Todavia, pode ser que Drummond, lá do Além, via internet, tenha autorizado Bernardo Ajzenberg a inscrever a obra republicada. Isso implica uma notícia ruim: Drummond não está no Céu. Se estivesse não precisaria do dinheiro do prêmio, minguados 12.500 reais. Também não estará no Inferno, pois lá o regime é fechado, sem visita íntima e sem contato com o exterior. Está no Purgatório, onde o regime é semi-aberto e muito esculhambado.
WJ Solha participou do referido concurso com o longo e estupendo poema "Marco do Mundo", um marco na literatura. Eu, particularmente, acho melhor do que qualquer poema de Drummond; mas o prestígio de Drummond é maior que o de Solha, e isso conta na hora da premiação.
Mas vamos à frase referida no título deste post. Uma frase formidável:
"A impunidade está solta e na iminência de receber faixa e coroa de Miss Brasil".
Com efeito, tem uma turma poderosa no Brasil que está glorificando a impunidade: a turma do PT autoritário, cujo comandante é Zé Dirceu. Essa turma da pesada quer botar a militância petista nas ruas para, em defesa de corruptos condenados, afrontar a Justiça e fazer, como diz o chefe, "o julgamento do julgamento" do mensalão. Gilberto Carvalho, ministro de Dilma e serviçal de Lula, afirma que em 2013 "o bicho vai pegar". Rui Falcão, o furioso presidente nacional do PT, repete-se em falas incendiárias em defesa da impunidade dos seus correligionários corruptos graúdos (os corruptos pequenos e os corruptos de partidos aliados que se lasquem). Para garantir a impunidade, a turma da pesada não quer apenas submeter a Justiça, mas também restabelecer a censura dos tempos da ditadura, coisa que eles chamam de "controle social da mídia", "regulamentação da imprensa", "lei dos meios", etc.
Se esses sandeus do autoritarismo juntarem forças suficientes, deverão marchar sobre Brasília. Mais ou menos como Mussolini e seus Camisas Negras marcharam sobre Roma.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Ricardo Coutinho vai por mau caminho, rumo ao impeachment. Mas, estando no meio da viagem, tem tempo de refletir e reencontrar o bom caminho. Como encorajamento para reflexão, versos de Dante Alighieri
"30/12/2012/00:00
Guerra paraibana
É feio o confronto do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), com a Assembléia Legislativa. Ele disse que não vai ficar de joelhos e os deputados já falam até em impeachment".
Aqui na Paraíba, essa conversa do impeachment de Ricardo vem desde o começo de 2012. O governador sempre teve um relacionamento difícil com os deputados. E não só com os deputados, pois acumulou desafetos em todas as categorias, especialmente entre o funcionalismo estadual, categoria que tem perseguido com especial esmero. Não é sem razão que o arguto Gilvan Freire, ex-aliado de Ricardo, o classifica como "inafetivo".
A base de sustentação de Ricardo na AL sempre foi precária. Agora, passou a quase nada. Como se viu na última votação de grande interesse do governador, a da mudança do Regimento Interno da AL, a derrota de Sua Excelência foi humilhante: 30 a 6. Isso mesmo, dos 36 deputados que compõem a Casa do Povo, o governador conta com apenas uma mísera meia-dúzia. É bem verdade que a tropa governista está à espera de algum reforço. Os suplentes que assumem no lugar dos prefeitos eleitos Luciano Cartaxo e André Gadelha, parece que já foram cooptados pelo Palácio da Redenção. Tem também o deputado Gervásio Maia, do oposicionista PMDB, recebido com pompa pelo governador na Granja Santana. Gervasinho está, como diria o saudoso Leonel Brizola, "costeando o alambrado".
6 + 3 = 9. É ainda muito pouco. Em suma, pela contabilidade de hoje, a oposição, em sendo o caso de aparecer algum motivo, tem maioria qualificada para proceder ao impeachment do governador. E a questão é exatamente esta: há motivo para o impeachment de Ricardo? Não se pode apear um governador do poder sem motivo. Sabe-se que correm na Justiça alguns processos que podem atingir Ricardo Coutinho. Se ele for inocentado em todos, ficará no poder até o fim do mandato, por mais minoritário que esteja na Assembleia. Caso contrário, o processo de impeachment correrá célere, mais rápido ainda do que o do Presidente Collor de Melo.
Será mera coincidência que o temperamento de Ricardo Vieira Coutinho semelhe ao de Fernando Collor de Melo, mas como se parecem: corajosos, audaciosos, arrogantes, vaidosos, autoritários, truculentos. Collor foi por mau caminho. Ricardo vai por mau caminho. Nesse episódio da mudança do Regimento da ALPB, por exemplo, Ricardo insultou o Poder Legislativo de forma grosseira, e ainda por cima demonstrando grande ignorância quanto à natureza das instituições democráticas. Vejam o que, referindo-se aos deputados, disse Sua Excelência:
"...aqueles outros que acham que governar é simplesmente fazer um balcão de negócios..."; "O povo é muito mais do que 20 ou 30 pessoas que se reúnem em um restaurante para poder achar que são donos da verdade e falam em nome do povo".
Ora, os deputados falam e legislam em nome do povo por representação; representação esta adquirida em eleições democráticas. Da mesma forma que a representação legislativa, também a representação executiva do governador depende do Poder Originário: O POVO. Que os deputados paraibanos se considerem donos da verdade, não tenho notado. Já Ricardo, sem dúvida, considera-se dono da verdade.
Certamente, o Povo é maior do que quaisquer dos seus representantes; e pode, por via legal, destituí-los (também por via revolucionária, mas isso é outra história). Essas falas de Ricardo, registradas na mídia local, há cerca de uma semana, foram arrematadas de maneira curiosa. Vejam:
"Ninguém pode ultrapassar seus limites e no meu ver a Assembleia ultrapassou".
Ele se referia à mudança do regimento da ALPB. Ora bolas, porque cargas d'água os legisladores estaduais estariam ultrapassando os seus limites ao legislar sobre o seu próprio regimento? Quem, na sua prepotência sem fim, tem ultrapassado seus limites é o governador Ricardo Coutinho.
O governador paraibano vai por mau caminho. Tem volta? Claro que tem. E tem tempo: está a meio do caminho. Aliás, metade do caminho é um excelente tempo para reflexão. Podemos mesmo adiantar um sinal positivo: no momento em que a postura beligerante do governador era secundada por alguns dos seus escudeiros desatinados, a recém nomeada secretária de Comunicação, Estelizabel Bezerra, a Estela, veio a público com declarações as mais sensatas, tentando desarmar os espíritos.
Como Ricardo sozinho já briga muito, ajudaria a si mesmo se proibisse seus girassóis mais afoitos de estar insultando a torto e a direito. Que ele deixe a comunicação apenas a cargo da secretária de Comunicação. Estela dá conta do recado.
Se refletir, se ponderar, Ricardo Coutinho poderá não só recompor sua base política como recuperar as simpatias do eleitorado, que, como se viu pela derrota em João Pessoa, vem perdendo; mas não perdeu tanto quanto se pensava. E assim pode se reeleger. Se continuar no caminho que vai, na passada que vai, antes do fim do ano de 2013 estará fora do governo, cassado e inelegível.
Por mais que tenha criticado o governador Ricardo Coutinho, não lhe quero mal. Pelo contrário, lembro que no seu primeiro mandato de prefeito da capital foi um dos melhores da nossa história; e torço para que o mau governador de hoje se espelhe no bom prefeito que foi. Creio que sua prepotência saiu de controle e o fez perder-se em uma "selva escura". Espero que o governador de todos os paraibanos saia da sua "selva escura", e lhe envio, como forma de encorajamento para reflexão, os primeiros versos da primeira parte da "Divina Comédia", "Inferno", quando, a meio do caminho da vida, Dante Alighieri deu consigo numa selva escura porque o caminho verdadeiro fora perdido.
"Nel mezzo del cammin di nostra vita
Mi ritrovai per una selva oscura
Ché la diritta via era smarrita"
Espero que Ricardo Coutinho se reencontre, que reencontre o verdadeiro e bom caminho.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Entrevista com Flávio Eduardo Maroja Ribeiro, vereador eleito (PT) de Jampa Capital: o Mestre Fuba, das Muriçocas do Miramar
ROCHA 100 - Pela sua identificação com a vida cultural de João Pessoa, vai usar o seu cargo de vereador, prioritariamente em função de projetos culturais?
Fuba – Como produtor e agente cultural que sou, a minha atuação em defesa da cultura já faz parte de minha própria vida e está inserida em meu cotidiano. É necessário entender o papel de um vereador como deflagrador da atividade jurisdicional. Um parlamentar tem que ter uma visão macro sobre os problemas da cidade e não apenas se limitar a um único seguimento. Evidentemente darei minha contribuição no que for preciso para melhorar e qualificar a nossa cultura, mas não poderei deixar de olhar, fiscalizar e propor alternativas convincentes para melhoria de nossa população em todas as áreas do município.
ROCHA 100 - Pode adiantar alguns dos seus projetos?
Fuba – Por motivos óbvios e de sigilo de planejamento, ainda é cedo para adiantar os projetos que apresentaremos na Câmara, mas posso garantir que todas as matérias serão debatidas profundamente com a sociedade até chegar à condição de Lei.
ROCHA 100 - Acha que o prefeito eleito está especialmente motivado na área cultural?
Fuba – É claro! O que não falta é motivação nesse novo projeto político. Em todas as áreas. Luciano Cartaxo é uma pessoa que acumula uma experiência incontestável e tem o dom da sensibilidade. Já foi vereador por quatro mandatos, vice governador e deputado estadual. É uma pessoa simples e que sabe escutar. Como prefeito, não tenho dúvidas que fará uma gestão voltado aos movimentos de massa e em defesa dos menos favorecidos. No nosso programa de governo está previsto obras estruturantes na área de mobilidade urbana, saúde e educação sem esquecer a valorização do servidor público que é a mola propulsora para uma boa gestão. Nesse contexto a área cultural é também uma prioridade já que estamos em visível declínio e é necessário em caráter emergencial resgatar a nossa auto estima que só é possível com a fomentação da cultura e do resgate da nossa história. Algumas idéias estão em curso, mas só serão divulgadas após o relatório final da equipe de transição e a conseqüente radiografia dos pontos críticos a serem analisados.
ROCHA 100 - Além da cultura, que é, digamos assim, a menina dos seus olhos, que outras áreas de atuação lhe são preferenciais?
Fuba – Não posso preferenciar áreas de atuação, mas, além da cultura, me identifico muito com os movimentos sociais, a defesa do meio ambiente, o turismo sustentável e o bem estar da sociedade, sem preconceitos e descriminalização. João Pessoa é uma cidade que até hoje foi pouco aproveitada como referência cultural. Só o fato de sermos privilegiados geograficamente já seria motivo suficiente para darmos um salto qualitativo na área do turismo, por exemplo. É inconcebível que a terceira capital mais antiga do Brasil não tenha tido ainda a capacidade de revitalizar o seu Centro Histórico. É necessário pensar grande para que deixe fluir todas as possibilidades. É nesse contexto que faremos o nosso mandato, dialogando com todos os movimentos e manifestações da sociedade.
ROCHA 100 - No último ano de Ricardo Coutinho como prefeito a FUNJOPE vetou o projeto de WJ Solha para a peça "A PAIXÃO JUDAICA". Esse magnífico projeto já havia sido aprovado, mas voltou-se atrás por motivos político-eleitorais. Há perigo de tal procedimento ocorrer na gestão de Luciano Cartaxo. Ou seja, pode a nova administração municipal impor uma gestão cultural político-partidarizada?
Fuba – Pela primeira vez João Pessoa terá oportunidade de ser governada pelo PT e se existe um diferencial nesse partido, posso garantir que é a tal da democracia. O prefeito Luciano Cartaxo nunca foi de perseguir e espero que continue assim. Se um dia mudar serei o primeiro a discordar. Essa política pobre e mesquinha não faz parte de sua índole e creio que a partir de agora, todas as bandeiras serão desasteadas para dar vez à pluralidade, a democracia e ao diálogo. A ditadura cultural e o patrulhamento ideológico não farão parte desse governo. É nessa perspectiva que vejo um novo tempo a ser construído e Luciano já provou que tem capacidade de aglutinar através do diálogo e da compreensão.
ROCHA 100 - A FUNJOPE, como principal órgão de gestão cultural da PMJP, pode promover a cultura pessoense, mas pode também atrasá-la; pode elevá-la ou degradá-la; pode ajudar a liberar a imensa criatividade de nossa gente, mas pode também tentar controlar, manipular e abafar essa criatividade. Você, como intelectual engajado, propõe algum modelo de gestão, talvez um nome, adequado ao clima de liberdade, á pluralidade que o fazer artístico requer?
Fuba – A meu ver o nome que deverá compor a FUNJOPE tem que ter o perfil técnico e manter uma boa relação com os artistas e a história de nossa cidade. Não poderá simplesmente ser um cargo político. Tem que ter compromisso com o seguimento e fazer assumir o seu verdadeiro papel de fundação, captar recursos e inserir projetos que fomentem os setores relacionados. Cultura não se resume a shows, exposições, artesanato, artes cênicas ou eventos multimídias. Na cultura da gastronomia, por exemplo, a forma de se amarrar uma corda de caranguejo é altamente cultural assim como o nosso “rolete de cana” que tem uma semelhança muito grande com um buquê de flores e é típico da Paraíba. Isso também é cultura! A cultura do sotaque e do comportamento é essencial na preservação de nossa história. Da mesma forma, tem que se garantir um espaço maior a cultura popular como forma de repassar para as futuras gerações as suas tradições. Provocar esse debate, fomentar projetos e oficinas na periferia, descentralizar ações e desburocratizar os serviços, talvez seja a melhor forma de pluralizar e divulgar a cultura do nosso povo fazendo chegar essas manifestações a um contingente maior e bem mais expressivo. Para isso é necessário criar conceitos e critérios, implantar o Conselho Municipal de Cultura, reestruturar o FMC e distribuir democraticamente os espaços aos artistas priorizando, por uma questão de justiça, os que atuam e sobrevivem exclusivamente de suas artes.
ROCHA 100 - Você é artista, escritor e político. Pois, um dos maiores artistas da Paraíba, do Brasil e do mundo, o pintor Flávio Tavares, gênio da raça, disputa na Academia Paraibana de Letras a vaga de Ronaldo Cunha Lima. Já o escritor-historiador Marcus Odilon, mais conhecido como político, disputa a vaga de Joacil de Brito Pereira. O que acha dessas candidaturas?
Fuba – Concordo com os dois nomes citados. Admiro muito o trabalho vanguardista de Flávio Tavares assim como a literatura intelectualizada de Marcos Odilon. São, sem dúvidas, dois ícones que devem ser reconhecidos e imortalizados pela APL.
ROCHA 100 - Última pergunta: está bem perto a eleição para Presidente da Câmara Municipal de João Pessoa. Quem é seu candidato?
Fuba – É tempo de se unir. O fato de termos uma larga vantagem de parlamentares na base de sustentação não quer dizer que devamos entrar numa disputa interna colocando em risco essa unidade. Durval Ferreira conseguiu construir essa maioria com habilidade. Além disso, ele representa o PP, primeiro partido que apoiou e acreditou no nosso projeto. Por essa razão não vejo alternativa de mudança capaz de influenciar os vereadores no consenso de outro nome.
João Pessoa, 19/12/2012.
domingo, 16 de dezembro de 2012
"Poder, Alegria dos Homens": um livro afrodisíaco
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
O PETRÓLEO NÃO É DELES, O PETRÓLEO É NOSSO! Ato Público em O Sebo Cultural mobiliza artistas, intelectuais, advogados, jornalistas, professores, estudantes, operários, políticos e poetas; e marca resistência paraibana
Alexandre Guedes, advogado e militante dos Direitos Humanos, da OAB-PB, conduziu os trabalhos. Rafael Freire, vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ, esteve prestigiando o evento na companhia dos também líderes da categoria Cida Melo e Josinaldo Freitas; uníssonos na defesa da justiça distributiva. Radamés Cândido representou o Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana, o que começa a trazer para o palco dessa luta a decisiva classe trabalhadora. O médico, romancista, cantor, poeta-compositor e intelectual militante socialista-católico Romeu de Carvalho explanou sobre a conjuntura política que levou à aprovação da Lei dos Royalties e enfatizou o quão urgente se faz a vigência de tal lei distributiva. Rui Galdino, militante trabalhista histórico, do velho e bravo PDT do Brizola, fez o discurso mais inflamado em defesa do Nordeste, chegando a propor que, a continuar sendo a nossa sofrida região desprezada e defraudada, seria melhor levar em frente a proposta poética de Bráulio Tavares e Ivanildo Vilanova: decretar o NORDESTE INDEPENDENTE. O professor e também poeta Ivaldo Gomes, expoente da luta pela Democracia Participativa, falou sobre a importância dos nordestinos para a grandeza do Brasil, ressaltando que foi a brava gente nordestina que construiu Brasília e alavancou o crescimento de São Paulo. Coube ao intelectual, jornalista e inventor Reginaldo Marinho ponderar sobre a necessidade de manter o Brasil unido: lutar pelo Nordeste, mas não propor divisão.
Por enquanto, adia-se a Guerra de Secessão ("Eita Pau Pereira, que em Princesa já roncou! Eita Paraíba, Mulé Macho, Sim Sinhô!"). Mas, aqui pra nós, essa turma do Cabral, lá do Rio Maravilha, tá de sacanagem e abusando da nossa paciência. Afinal de contas, O PETRÓLEO NÃO É DELES, O PETRÓLEO É NOSSO!
Sendo o petróleo de todos os brasileiros, o veto à justa distribuição foi um esbulho. Derrubá-lo é uma questão de justiça. E também uma questão de vigilância: os representantes dos estados que querem o petróleo só para eles estão enfiados em tenebrosas transações para melar a votação do veto, marcada para esta terça-feira (18/12). Por isso mesmo o nosso combativo vereador Marco Antônio propôs uma VIGÍLIA CÍVICA até lá, até que a distribuição dos royalties do petróleo para todos os estados brasileiros esteja garantida. Essa proposta veio na sequência de um discurso em que Marco Antônio reduziu a pó os argumentos dos que querem a exclusividade dos royalties.
Não será o caso de que eu vá aqui repetir os argumentos do vereador Marco Antônio, mesmo porque não saberia fazê-lo à altura. Então solicito ao próprio que coloque tais argumentos em papel (quer dizer: no computador) e nos envie para publicação.
Registre-se que Marco Antônio é vereador eleito, ainda não assumiu, assume no dia 1º de janeiro. Vale dizer: não assumiu o cargo, mas já assumiu a luta.
Antes de começar, Marco Antônio já começou bem.
VIVA A PARAÍBA! VIVA O NORDESTE! VIVA O BRASIL!