Blog Rocha 100

No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Ricardo Coutinho, os despautérios do Ulisses e o abismo do impeachment

Ricardo Coutinho vem desgovernando sua administração em direção a uma guerra de desfecho previsível; aquele previsto pelo deputado Frei Anastácio. Dito de outro modo, o governador da Paraíba segue o caminho trilhado pelo ex-presidente Fernando Collor: rumo ao abismo. Não é tudo igual, é tudo parecido.  Collor, em certa medida, foi arrastado pelas circunstância. Ricardo não está sendo arrastado pelas circunstâncias, pelo contrário, está forçando as circunstâncias em direção à guerra.

Contudo, o que é previsível, e até por ser previsível, pode ser evitado - e também pode ser apressado-.

Seria fastidioso recapitular os atos belicosos do déspota girassol desde o início do seu reinado estadual. Apenas queremos alertar: ultimamente, o tom agressivo do governador tem ultrapassado os limites de civilidade requeridos dos homens públicos. Pior, esse tom tem sido ampliado pelos girassóis fanáticos, que, de ordinário, são mais realistas que o rei. Vejam o último exemplo (ou penúltimo: antes que eu conclua essa postagem é possível que inquietos girassóis já tenham invadido as redes sociais com novas baixarias): o jornalista Ulisses Barbosa - girassol de acanhado porte, porém dos mais afoitos - tratou o deputado Vituriano de Abreu com a seguinte sem-cerimônia: "Nada me causou mais asco do que ouvir o tal vituriano. Lixo puro"; "A entrevista com o deputado vituriano me causou nojo". Ulisses também não usou de cerimônias para com a própria Assembléia Legislativa: "Acho que esta é a legislatura mais cheia de bandidos que já vi"; "Gangsteres que atentam contra a democracia aludindo a um impeachment".

Quer nos parecer que este girassol menor se espelhou na arrogância e belicosidade do girassol maior.

Deve-se esclarecer aos girassóis açodados que aludir a impeachment não atenta contra a democracia. Porém, ataques caluniosos a instituições do Poder Democrático, configuram crime.

Alusões a um possível impeachment do governador começaram a vazar dos bastidores para o público, inclusive agora, pelo ágil twitter do Ulisses. O impeachment está em perspectiva. Ciente disto, o Governo pode desviar-se do abismo - se prevalecerem as vozes das pessoas sensatas e decentes que ainda o compõem -. Se quiser evitar o pior, o rei-na-barriga Ricardo Coutinho terá de morder a língua, tomar tento e emitir sinais de mínima civilidade, a começar pela desautorização dos despautérios do jornalista Ulisses.

domingo, 29 de julho de 2012

Atendendo pedido: mais versos de Rochinha das Candongas sobre as ruindades de Ricardo Coitim

Um comentarista elogiou o poeta Rochinha das Candongas e pediu que ele fizesse uns versos sobre o episódio do empréstimo da Cagepa, perguntando pra que é mesmo que o governador Ricardo Coutinho quer levantar uma grana tão alta em véspera de eleição. Encaminharei tal pedido quando me encontrar com o poeta, o que não é fácil, porque ele mora por locais incertos e não sabidos. Mas, porém, todavia, contudo e entretanto; puxando pela memória consegui recompor algumas das estrofes com as quais o famoso cordelista animou a feira de Nova Cruz, em tarde memorável, contando as ruindades de Ricardo.
Vamos lá (se a recomposição não for perfeita, o poeta haverá de me perdoar; se acontecer algum pé quebrado, o erro terá sido meu, não dele):

"Cabra malvado e feioso,
Fazendo muito pantim,
Destrata a todo mundo
Com petulância sem fim;
Pior que estricnina
É o Ricardo Coitim.


Cortesia ou humildade,
Não tem um tantinho assim, 
Ele só quer ser as pregas,
Mas já leva no fucim;
Pior que estricnina
É o Ricardo Coitim.


Ameaçou o prefeito,
Que não mais estava a fim
De permanecer capacho
De sujeito tão ruim;
Pior que estricnina
É o Ricardo Coitim.


Persegue a toda gente,
Alegando qualquer fim,
Mas o fim é a maldade
Daquele coração ruim; 
Pior que estricnina
É o Ricardo Coitim".

Sempre cabe avisar que poeta de cordel é bicho danado de exagerado; nem poesia de cordel é coisa para ser entendida como verdade verdadeira e levada ao pé da letra. Já na velha Atenas, o filósofo Platão quis expulsar os poetas da sua cidade perfeita. Os poetas gregos daquele tempo se chamavam rapsodos, e já mentiam muito.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

"Pior que estricnina / É o Ricardo Coitim"

Mote, para quem não sabe, é uma parelha de versos proposta para puxar cantoria de viola. Coisa da poesia de cordel. Os cantadores/versejadores se obrigam a terminar suas estrofes com o mote condutor acordado. Como Todo mundo sabe, tudo que é excepcional termina sendo levado por uma poeta-cordelista para uma cantoria ou um folheto. Como o governador paraibano Ricardo Coutinho é excepcionalmente ruim, um primo meu, poeta lá do Brejo, dia desses, na famosa feira de Nova Cruz, no vizinho estado do RN, estando os amigos cabeça-de-jerimum falando mal dos seus políticos, esse meu primo versejou o mote do título, para provar que em matéria de político ruim a Paraíba tem o campeão. Eu estava lá e guardei de memória algumas estrofes. Vejam se o poeta está certo ou exagerou (aliás, a poesia de cordel é sempre exagerada).

Governante incomparável
Em matéria de ser ruim,
Pior que vidro moído,
Que veneno racumim;
Pior que estricnina,
É o Ricardo Coitim.

Perseguiu funcionários,
Sangrando até o fim,
Perseguiu seus companheiros,
Ficando quase sozim;
Pior que estricnina,
É o Ricardo Coitim.

O Povo num güenta mais
De tanta coisa ruim,
Ricardo só se diverte,
Comendo seu lagostim;
Pior que estricnina,
É o Ricardo Coitim.


O primo fez várias outras estrofes, mas não decorei. O nome dele, por inteiro, ele não quer que diga; mas se assina Rochinha das Candongas. 
E vive só disso: de fazer versos, tomar cachaça e raparigar. Como precisa gastar nestas duas últimas atividades, tem de ganhar algum com a primeira.
Aceita fazer versos por encomenda.




segunda-feira, 23 de julho de 2012

A Carta de Glauce Burity e um possível gesto de grandeza da família Cunha Lima

Uma homenagem deve causar regozijo, não aflições. Está prevista para o ex-governador Ronaldo Cunha Lima uma homenagem de aflições. Alguns políticos e jornalistas pretendem denominar o Centro de Convenções de João Pessoa, ora em construção, com o nome do político e poeta recém falecido. Ronaldo Cunha Lima merece homenagens? Merece: como político e como poeta. Mas que não seja essa.
Eis que a família do ex-governador Tarcísio Burity guarda, já de há tempo, justa expectativa em relação a essa homenagem; porquanto o Centro de Convenções é a coroa de um projeto - Projeto Costa do Sol - concebido e iniciado por Tarcísio Burity, ... e abandonado por Ronaldo Cunha Lima.
Que se tire tal homenagem de Burity e se a dê a Ronaldo, é injusto com Burity e deselegante com Ronaldo. Ora, tendo Ronaldo Cunha Lima realizado tantas obras - quer pela competência de administrador quer pela genialidade de poeta -, por que homenageá-lo em uma obra para a qual não concorreu e até menoscabou?

Até agora, o anúncio da possível homenagem a Ronaldo só trouxe discórdia. Alguns comentaristas já reclamam da politização e partidarização da homenagem; mas esses mesmo que reclamam, sutilmente, tomam partido. Eu estou sendo abertamente partidário. No caso, tomo partido em relação à Carta Aberta que a Professora Glauce Burity faz circular, defendendo que o Centro de Convenções receba o nome de Tarcísio Burity: assino embaixo.

É inevitável que a polêmica do presente carregue a memória para as aflições do passado, levando a que se faça comparação entre a injustiça menor de hoje com a injúria maior de ontem. Ronaldo atirou em Burity, tentou matá-lo. Esse ato de insanidade pode ser, de alguma forma, redimido, mas não pode não ter existido - como pretendem alguns admiradores de Ronaldo -, e virá à tona sempre que lhe derem ocasião, como agora, quando uma homenagem a um parece mais uma provocação ao outro.

No passado também estão os gestos: no leito do hospital, convicto da morte, Tarcísio Burity perdoou Ronaldo e pediu aos filhos que não procurassem vingança. Foi um gesto imenso. Talvez pudesse ser hoje correspondido com um gesto de mínima elegância, mas, talvez, de grande efeito: a família Cunha Lima poderia abdicar da homenagem em questão. Certamente, sabe sua família que a grandeza de Ronaldo é de molde a lhe proporcionar futuras homenagens. Ademais, se fizesse isso, a família estaria atendendo à vontade do próprio Ronaldo. Não convivi com Ronaldo, mas muitos dos que conviveram dizem que era um homem bom. Acredito, pois, embora raro, acontece de pessoas boas cometerem atos de tresloucada violência; e aí está a literatura do gênio Dostoiévski que demonstra tal fenômeno.

Espero esse gesto da família Cunha Lima. Arrima-se essa minha esperança na opinião e convicção de um amigo de Ronaldo, e seu bastante admirador, o jornalista Tião Lucena, que, lá no seu Blog campeão de audiência (5 milhões de visitas - ai que inveja tem, o Blog Rocha 100!) afirmou: "Caso pudesse opinar nesse assunto do nome que se quer dar ao Centro de Convenções de João Pessoa, o poeta Ronaldo Cunha Lima declinaria da homenagem em favor do seu ex-desafeto Tarcísio Burity".    

Tarcísio Burity também foi um homem bom. Com ele, se não cheguei a conviver, tive alguma aproximação. A família desse homem bom não merece ser submetida a constrangimento, depois de ter passado por tanto sofrimento.

Não apenas político e administrador, Burity foi ainda um erudito, conhecedor profundo e amante das artes, especialmente da música, tendo chegado a compor belas peças. Eminente professor de Direito, brilhou na Filosofia Jurídica. Porém, de tudo em que foi grande e notável, o mais significativo, a meu sentir, foi aquele gesto de perdão; que não se há de esquecer.

Até como caminho de pacificação, espera-se o gesto da família Cunha Lima, declinando da homenagem em favor de quem mais a merece. Nomeie-se a obra com o nome de quem a idealizou:

CENTRO DE CONVENÇÕES TARCÍSIO DE MIRANDA BURITY

sábado, 21 de julho de 2012

A Estela não sobe

No post anterior, ao analisar a pesquisa TV Master/IP4, considerei que os minguados 11% de intenção de voto da candidata do PSB a prefeita de João Pessoa, em sendo ela, Estela, a candidata do governador, significavam fracasso. Acrescentei que, pela minha percepção, a situação da candidata laranja-girassol era ainda pior. Pois, saiu hoje - 21/07 - a pesquisa Jornal da Paraíba/Ipespe. Se existe pesquisa comprada, comprei essa. Minha percepção foi confirmada: apenas 7 pontinhos percentuais para Estela.
Estela, de batismo, é Estelizabel. Mudaram para "Estela" por motivos de marketing: Estela é "estrela". E tem aquele famoso filme "A Estrela Sobe". Mandaram bem os marqueteiros. Porém,...ai porém, a Estela não subiu. Nem vai subir. Não o suficiente para chegar ao segundo turno.
Pode-se dizer que a Estela caiu, se a pesquisa Ipespe for comparada com apesquisa IP4, mas os especialistas aconselham a não comparar pesquisas de diferentes institutos. Na análise anterior a comparação indevida foi feita - falando-se de subida acelerada de 5% para 11% - por se tratar da primeira pesquisa Master/IP4 nessas eleições. Agora, devemos levar em conta a pesquisa anterior do próprio instituto Ipespe. Então, a Estela subiu: de 5% para 7%. Todavia, um crescimento insignificante, de forma que, para efeitos práticos, Estela pode ser considerada uma estrela fixa.
Não, a Estela não é uma estrela apagada; pelo contrário, tem um certo brilho: uma beleza exótica, desembaraço, ativismo político-social e muita capacidade de diálogo (aliás, "dialogar" é o verbo que a faz viver). Sendo assim, por que raios a estrela não sobe? Por Júpiter!

Todo mundo sabe a resposta: a Estela não sobe porque tem um rabo de foguete puxando ela pra baixo. Um rabo de foguete presunçoso, enfatuado e arrogante; como aquele foguete do conto de Oscar Wilde, "O Notável Foguete". Vão ler. É muito engraçado.    

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Quadro das eleições em Jampa-PB: a mais simples análise

Toda análise política inclui uma certa dosagem de opinião: a minha é alta. Dito isso, faço minha análise do quadro eleitoral em Jampa, capital da Paraíba.

Três candidatos disputam a ida ao segundo turno, todos de oposição ao governador Ricardo Coutinho. A candidata do governador está fora.
Pela última pesquisa (TV Master/IP4), temos: Cícero Lucena (PSDB) em primeiro, com 26%; Zé Maranhão (PMDB) em segundo, com 24%. Ambos em linha de crescimento. Se não fizerem campanhas estúpidas (coisa que Zé Maranhão fez em 2010), não baixarão da casa dos 20 e irão juntos ao segundo turno.
Em terceiro lugar está Luciano Cartaxo (PT), que, em subida acelerada, chegou a 17%. Qualquer vacilo de Ciço ou de Zé, vai ao segundo turno.
Em quarto vem Estela (PSB), a candidata do governador. Também acelerou, mas chegou a...11%. Sendo a candidata do governador, ou ela é ruim ou o governador é ruim. Eu acho que o governador é ruim. Como Estela depende dele, ruirá.

Análise simples, a mais simples. Mas os números são esses. Eu não acredito nem desacredito em pesquisas, apenas levo em conta. Se batem com minha percepção, confio mais; se não batem, confio menos. Pela minha percepção, a situação da candidata do PSB é ainda pior do que mostra a pesquisa Master/IP4. Fiquemos com a pesquisa.

O jornalista Helder Moura, que não gosta do governador Ricardo Coutinho, apesar de chamá-lo "ínclito, preclaro e insigne", avisa para que não subestimem a Estela. Certamente, a primeira estupidez de uma candidatura estúpida será a subestimação de qualquer adversário, mormente do adversário principal. Mas também a superestimação, que parece medo, não convém. Por exemplo: o rei-na-barriga Ricardo disse que Estela ia engolir Zé e Ciço nos debates. Cartaxo tomou as dores e respondeu: "a mim ela não engole". Resposta certa. Estela não engole Cartaxo nem engole ninguém. É uma oradora mediana, debatedora mediana.

Pode haver surpresas? Claro que pode. Aliás, sempre há. Mas elas podem vir do pelotão de trás, comandado por Lourdes Sarmento (PCO), que tem pouco mais de 1%, seguida por Antonio Radical (PSTU) e Renan Palmeira (PSOL), que têm pouco menos de 1%. Eu apostaria em Renan. Acho mais fácil ele ultrapassar Estela do que Estela ir ao segundo turno.  

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Mandela, a Anistia ubuntu e a Anistia brasileira

Antes de tudo, SALVE MANDELA! LONGA VIDA!
Ontem, 18 de julho, Nelson Mandela, o maior estadista vivo do mundo, fez aniversário: 94 anos. Com ele, faz festa a Liberdade.
Como o mundo viu, foi difícil a construção da democracia na África do Sul. Na imensa tarefa que Nelson Mandela comandou, o mais difícil terá sido a reconciliação nacional. Tal só foi possível através da mais ampla e generosa Anistia da história, que ficou conhecida como Anistia ubuntu. 
No Brasil também foi concedida uma Anistia ampla e generosa, que promoveu a Reconciliação Nacional, garantiu a Vida e a Liberdade, abriu o caminho da Redemocratização.
Pois, está em curso uma campanha para invalidar retroativamente a Anistia brasileira. É como se, lá na África do Sul, estivessem em campanha para desfazer a obra construída pelo povo sul-africano sob a liderança do Presidente Mandela.
Não será o caso de que, aqui e agora, fale longamente sobre o tema; porque já o fiz: em livro que está virtualmente disponível no Portal 100 Fronteiras e que será lançado, à moda antiga, pela Editora Sal da Terra (02 de agosto, às 18 horas, em O Sebo Cultural, João Pessoa/PB).