Inocêncio Nóbrega, brilhante historiador, é um histórico militante trabalhista e nacionalista, identificado com Leonel Bizola, de quem foi grande amigo. Também jornalista, Inocêncio, enquanto investiga o passado, acompanha o presente. Assim, pronunciou-se sobre o texto "A LIBERTAÇÃO DE LUCIANO CARTAXO", que eu e José Ricardo de Holanda Cavalcanti escrevemos sobre a decisão do prefeito de João Pessoa de sair do PT. As considerações de Inocêncio foram enviadas ao meu endereço eletrônico; puxo para cá, mantendo o texto meu e de José Ricardo; que é para acender o debate. Vejam o e-mail de Inocêncio Nóbrega:
"Para
Washington Alves da Rocha
Guerreiro e amigo:
muito bem posto e ponderado seu comentário,, acerca do "affaire"
Luciano Cartaxo. PT como PSDB jamais foram, ou são, fieis às suas
siglas, nem de trabalhador, nem social democrata. Aliás, poucos partidos
escapam dessa infidelidade. Recorde-se Brizola, quando dizia: "O PT é
filhote da ditadura". O PMDB, igualmente se desmoronou. FHC entregou
nosso ferro à Vale do Rio Doce, como antes se fizera concessões à Ford e
à Good Year, nos tempos de nossa borracha. Não há direção a tomar, no
caso Cartaxo, pois se libertou de um e certamente se tornará "cupincha"
do outro, cujas tetas prometem ser mais leitosas, Nunca admirei o PT,
apenas na atual conjuntura não vejo, a curto prazo, uma saída decente
para o Brasil. Ressalte-se, todavia, uma política externa mais
compatível com os anseios da América Latina que de governos anteriores, o
que é atribuído, unicamente, à genialidade e patriotismo do então
ministro Celso Amorim. Contrasta, contudo, com o neoliberalismo interno
desnecessário e pedrador. O mudancismo tem natureza compulsiva, está,
sem dúvida, na ânsia de mais poderes. A regra vale, também, para quem
fica. Enfim, continuo sendo seu admirador, Inocêncio.".
Como se pode ver, Inocêncio Nóbrega está pessimista quanto às intenções políticas de Luciano Cartaxo. Nós, eu e José Ricardo, continuamos otimistas. Releiam aí o texto e vejam que indicamos o novo projeto de Cartaxo como promissor, não como uma certeza. Fizemos uma aposta. Eis que o futuro de qualquer projeto depende, em parte, do debate. É o papel que aqui cumprimos, e contamos com você.
A LIBERTAÇÃO DE LUCIANO CARTAXO
Por Washington Rocha e José Ricardo de Holanda Cavalcanti
O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, que era o único prefeito petista do Brasil com alto índice de popularidade, ao sair do PT, libertou-se de um pesado jugo e abriu um espaço por onde pode avançar uma construção política popular, democrática e decente. Cartaxo se libertou do jugo da ditadura da corrupção do PT. Ou, como disse o jurista Miguel Reale Júnior, "ditadura da propina". Ou, ainda, "cleptocracia", como disse Gilmar Mendes, ministro do Supremo.
Petistas estão chiando. É natural, é de direito. Na chiadeira, o que mais se ouve é o mantra de que Cartaxo passou para o campo da direita. Isso é uma besteira. Quem tem como referência de esquerda o governo Dilma/PT, não deveria atacar por esse lado: o partido ao qual o prefeito se filiou para viabilizar sua reeleição, o PSD, é partido da base do governo petista. Depois, entenda-se, o PT não é propriamente um partido de esquerda. Foi marcadamente de esquerda lá nas origens, especialmente por influência de quadros remanescentes de organizações bolchevistas que haviam lutado contra a ditadura militar. Na panela do poder, aquecida ao fogo voraz do dinheiro farto, o bolchevismo amoleceu, o arrivismo e o fisiologismo agigantaram-se e o PT tornou-se um partido do
status quo capitalista, de feição populista delirantemente demagógica; coisa bem típica da direita mais atrasada, dos tempos de Adhemar de Barros, cujo lema oficioso era "Rouba, mas faz". O esquema político corrupto-pragmático do PT logrou atrair para sua panela os mais notórios corruptos da direita brasileira, mantendo, ao mesmo tempo, alianças à esquerda e um discurso à esquerda. Essa receita, eficaz por tanto tempo, desandou. Hoje, o PT não tem mais qualquer perspectiva histórica, é apenas um partido marcado e carimbado por mensalão, petrolão e corrupção. Não tem jeito, não. Do esquerdismo bolchevista restou um resto de discurso, umas palavras de ordem; até o gesto perderam: depois dos mensaleiros e de André Vargas, não dá mais para erguer o punho.
No PT tem pessoas decentes, valorosas, com grandes ideais? Tem. Essas pessoas, o melhor que podem fazer é sair do PT. Essas pessoas não devem carregar a culpa dos crimes da cúpula do PT, dos dirigentes maiores, alguns já condenados. Essas pessoas, cegas de paixão pelo PT mitológico, precisam abrir os olhos e se libertar.
Tendo se libertado, saindo fora do volume morto em que o PT está enterrado, Luciano Cartaxo retira sua candidatura à reeleição da sombra da corrupção e se coloca em melhores condições para enfrentar a previsível aliança do atraso lulopetista.
O PSD, partido que Luciano Cartaxo escolheu, não é lá grande coisa. Mas, no Brasil de hoje, nenhum partido é lá grande coisa. A aliança política que se deve formar em torno da liderança de Cartaxo, as atitudes e decisões é que vão contar. Sobretudo as pessoas. São as pessoas que formam as políticas dos partidos. As que já inicialmente se vão juntando ao projeto de Luciano Cartaxo esboçam um quadro promissor. Não é ainda uma certeza, mas é uma boa aposta.
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