No julgamento do TRF-4, Lula foi derrotado não apenas pelo placar de 3 a O, mas também pela transparência do processo e a clareza na exposição dos votos. Foi desconstruída mais uma das tantas farsas armadas por Lula e sua talentosa equipe de agitação e propaganda, aquela que perguntava dramaticamente: “Cadê as provas?”. Estavam nos autos e foram demonstradas à exaustão. No voto do desembargador Leandro Paulsen, as demonstrações foram “de A a T”; só não viu quem não quis ver. O PT, que nos adversários tudo vê, no seu ídolo nada viu. O fanatismo em torno de Lula é a tragédia do PT. Lula é um político inescrupuloso, demagogo que mente com a mesma facilidade com que fala, corrupto e chefe do maior esquema de corrupção de que há noticia na história do Brasil. Corrupto desmascarado, investigado, processado, julgado e condenado. Nada obstante, os fanáticos lulistas exigem sua impunidade, querem-no acima da lei e candidato a presidente da República. Isto é característica do fascismo: o partido acima do Estado e o líder acima de tudo. Foi assim com Mussolini, o “Duce”, na Itália; foi assim com Hitler, o “Führer”, na Alemanha. Os fanáticos do PT querem que seja assim com Lula, o “Chefe”, no Brasil. Fanatismo é a pior desgraça da política. Para que o “Chefe” fique impune e volte ao poder, os fanáticos lulistas, de forma velada ou direta, ameaçam alastrar a violência: “desobediência civil”, “convulsão social”, “vai ter que matar gente”... Vão tentar de tudo, os fanáticos são sempre audaciosos. Mas o fanatismo lulopetista não vai voltar ao poder; nem por eleição nem por revolução. Lula, por força da Lei da Ficha Limpa, tornou-se inelegível, não será candidato. E terá de cumprir as demais penas que lhe forem aplicadas pela Justiça; em consequência deste processo em que já foi condenado e de vários outros que estão em andamento. O PT, fanático, continuará aos pés do ídolo; e afundará na irrelevância de seita nanica.
Blog Rocha 100
“No princípio, criou Deus os céus e a Terra”. Ótima frase para um Blog que navegará 100 fronteiras: dos céus metafísicos à “rude matéria” terrestre. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Pois, somos também deuses, e criadores. Podemos, principalmente, criar a nossa própria vida, com autonomia: isto se chama Liberdade. Vida e Liberdade são de Deus. Mas, quem é “Deus”? Devotos hebreus muito antigos, referiam-se a Ele apenas por perífrases de perífrases. Para Anselmo de Bec, Ele é “O Ser do qual não se pode pensar nada maior”. Rudolf Otto, diante da dificuldade de conceituá-Lo, o fez precisamente por essa dificuldade; chamou-O “das Ganz Andere” (o Totalmente Outro). Há um sem número de conceitos de Deus. Porém, o que mais soube ao meu coração foi este: “O bem que sentimos intimamente, que intuímos e que nos faz sofrer toda vez que nos afastamos dele”. É de uma jovem filósofa: Catarina Rochamonte.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
"de A a T": a farsa do Lula e a tragédia do PT
No julgamento do TRF-4, Lula foi derrotado não apenas pelo placar de 3 a O, mas também pela transparência do processo e a clareza na exposição dos votos. Foi desconstruída mais uma das tantas farsas armadas por Lula e sua talentosa equipe de agitação e propaganda, aquela que perguntava dramaticamente: “Cadê as provas?”. Estavam nos autos e foram demonstradas à exaustão. No voto do desembargador Leandro Paulsen, as demonstrações foram “de A a T”; só não viu quem não quis ver. O PT, que nos adversários tudo vê, no seu ídolo nada viu. O fanatismo em torno de Lula é a tragédia do PT. Lula é um político inescrupuloso, demagogo que mente com a mesma facilidade com que fala, corrupto e chefe do maior esquema de corrupção de que há noticia na história do Brasil. Corrupto desmascarado, investigado, processado, julgado e condenado. Nada obstante, os fanáticos lulistas exigem sua impunidade, querem-no acima da lei e candidato a presidente da República. Isto é característica do fascismo: o partido acima do Estado e o líder acima de tudo. Foi assim com Mussolini, o “Duce”, na Itália; foi assim com Hitler, o “Führer”, na Alemanha. Os fanáticos do PT querem que seja assim com Lula, o “Chefe”, no Brasil. Fanatismo é a pior desgraça da política. Para que o “Chefe” fique impune e volte ao poder, os fanáticos lulistas, de forma velada ou direta, ameaçam alastrar a violência: “desobediência civil”, “convulsão social”, “vai ter que matar gente”... Vão tentar de tudo, os fanáticos são sempre audaciosos. Mas o fanatismo lulopetista não vai voltar ao poder; nem por eleição nem por revolução. Lula, por força da Lei da Ficha Limpa, tornou-se inelegível, não será candidato. E terá de cumprir as demais penas que lhe forem aplicadas pela Justiça; em consequência deste processo em que já foi condenado e de vários outros que estão em andamento. O PT, fanático, continuará aos pés do ídolo; e afundará na irrelevância de seita nanica.
domingo, 24 de dezembro de 2017
A Luz do Mundo - Mensagem de Natal e Ano Novo
Caminhava Jesus com seus discípulos quando avistou um cego de nascença. Os discípulos quiseram saber se o infeliz estava pagando os pecados próprios ou os pecados dos pais. Jesus respondeu que nem o cego nem os pais haviam pecado, mas era necessário que naquele sofredor se manifestassem as obras de Deus; e dispõe-se a curá-lo, dizendo: "Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo" (João: 9, 5).
Todos nós somos cegos de nascença; não cegos da visão, mas cegos do entendimento. Cegos da visão, alguns. Cegos do entendimento, todos. Não que a razão humana não possa conhecer, mas ela só conhece pelo tato aquilo que melhor conheceria pela vista.
A razão humana, a rigor, apenas tateia a verdade; sendo da essência mesma desta nunca se revelar na sua inteireza.
Acresce que esta humana razão conhece sempre melhor o que importa menos, e pessimamente o que importa mais.
Porque muito mais importa a verdade moral do que a verdade factual, muito mais as verdades interiores do que as verdades exteriores, muito mais as verdades da vida eterna que não vemos do que as verdades da vida efêmera em que vivemos.
Por isso foi necessária outra luz, além da luz da razão.
Se a razão tudo pudesse entender, não careceria Deus de enviar uma nova luz ao mundo.
Desde que apareceu no mundo, há 2018 anos, essa luz aquece e ilumina sem cessar, e seu combustível é o amor.
A denominação de "mago", na Antiguidade, indicava o sábio, especialmente da mais excelsa sabedoria da época: a sabedoria astrológica. Os três reis magos são, portanto, os três reis sábios.
Estes sábios, ao seguirem a estrela, iam a procura de uma luz nova, uma luz que pudesse iluminar mentes já saturadas de toda ciência, cansadas de muitas procuras, desesperançadas de tantas decepções.
Eles a encontraram, a luz em botão, na forma de um bebê em uma humilde manjedoura.
Essa pequenina luz se fez a Luz do Mundo.
Hoje, neste início de 2018, por mais saturado, cansado e desesperançado que você esteja; esta luz esta ao seu alcance.
Procure-a com o coração.
Washington Rocha
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Lula no TRF-4: o fanatismo e as tentações do Diabo
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
A Venezuela Pede Socorro - vejam na Band
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Recife Não É Nuremberg: mistério e suspense no livro de José Ronald Farias
Parêntese. No capítulo de Piancó, o autor, que é natural desta aguerrida cidade sertaneja, talvez tenha usado seus dotes de ficcionista para puxar brasa para assar seu peixe, pois enaltece a inteligência dos piancoenses com esta imaginativa explicação: "Falavam que era a água do rio Piancó que os fazia tão inteligentes". Se isso se confirmar, o turismo a Piancó vai aumentar muito e o rio vai secar ligeiro.
Por toda narrativa perpassa a temática dos judeus e dos cristãos-novos brasileiros. A reconstituição histórica sustenta e enriquece a trama ficcional, que, como o título indica, centraliza-se na Capital de Pernambuco, lá pelo ano de 1988, onde vêm desaguar dramas antigos. Não fortuitamente Recife vem a ser palco de uma trama que envolve judeus, pois, como a narrativa histórica de José Ronald registra, no século XVII não houve "um lugar onde os judeus fossem tão livres como foram no Nordeste holandês, principalmente no governo de Maurício de Nassau". Com efeito, Recife, a Capital do próspero governo de Nassau, tornou-se uma terra de liberdade e oportunidade para judeus perseguidos pela Inquisição católica mundo afora. Mesmo com a dispersão ocorrida após a expulsão dos holandeses, muitos judeus e cristãos-novos permaneceram sedimentados no solo recifense; muito ativos no comércio, na indústria, nas artes e na ciência. O herói e condutor da trama é um médico de ascendência judaica, Joel Schwartz, que descobre tatuada na nádega de sua defunta mãe uma "estrela de Davi". A partir daí, agindo como investigador digno de um romance de Agatha Christie, descobrirá coisas de arrepiar.
Para mim, que sou louco por livros de mistério e suspense e que já li todos os livros de Agatha Christie, o livro de Ronald foi um achado. Eu o adquiri na Livraria do Luiz (Galeria Augusto dos Anjos, Centro, João Pessoa-PB). Não percam tempo, vão lá antes que esgote.
Para concluir, gerando mais suspense, digo que, apesar do título livro, na eletrizante narrativa, Recife, de certa foma, torna-se Nuremberg.
domingo, 22 de outubro de 2017
Serviço Meteorológico - Tempestade em Céu Azul
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Lis Albuquerque no Show 100 Fronteiras
Além da arte musical, tem a arte culinária: uma caprichadíssima Feijoada. Esperamos vocês.
Domingo, 22, a partir das 10 da manhã no Bar do Arruda (Rua Fernando Luiz Henrique, Bessa).
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Romeu e Cláudia Carvalho no Show 100 Fronteiras
Artistas formidáveis em voz e violão, Romeu e Cláudia Carvalho decidiram também participar da campanha SOS Portal 100 Fronteiras e vão se apresentar no Show 100 Fronteiras. Eles cantam um precioso repertório, onde brilha a esplêndida canção “Noronha”, de autoria de Assis Fernandes de Carvalho. Agora, o Show 100 Fronteiras está assim: Zé Bezerra da Paraíba, Mestre Fuba, Oliveira de Panelas, Romeu e Cláudia Carvalho. Imperdível. E fácil de achar: domingo próximo, 22, a partir das 10 da manhã, no Kiosk Nº 1 do Arruda, na Praia do Bessa.
domingo, 15 de outubro de 2017
Oliveira de Panelas no Show 100 Fronteiras
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Zé Bezerra e Fuba no SHOW 100 FRONTEIRAS
domingo, 8 de outubro de 2017
De 1964 aos "anos de chumbo": Debate no Liceu Paraibano
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
No País do Carnaval
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Direita e esquerda unidas por um interesse maior
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Guerra Virtual contra o Fundo Imoral
sábado, 30 de setembro de 2017
A taxa da Máfia
"Eles querem que a gente pague para que eles parem de roubar".
Vejam, pelo argumento referido, o Fundo de Campanha funcionaria como uma "taxa de proteção". Como se sabe, esse típico crime de extorsão é marca característica da Máfia: quem não paga, tem seu negócio destruído, é espancado ou assassinado; quem paga direitinho é poupado, fica "protegido". No caso em tela, dos nossos políticos, acho que os de índole corrupta se corromperão de qualquer forma, recebendo dinheiro em dobro. E mais: quem precisa ser pago para não se corromper, já está se corrompendo. Percebam a conclusão tenebrosa: usando dinheiro arrancado do contribuinte, que é o Povo, o Estado será o corruptor.
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Fundo Imoral tem de ser derrubado
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
1968 é agora... "quem sabe faz a hora...".
1968 é agora: “Quem sabe faz a hora...”
terça-feira, 26 de setembro de 2017
Memórias de 1968: texto de Clemente Rosas
Memórias de 1968
Clemente Rosas
Talvez a proximidade do cinquentenário dos acontecimentos de 1968, “o ano que não terminou”, como o descreveu Zuenir Ventura em seu livro, tenha motivado intelectuais da minha terra a colher depoimentos dos participantes das agitações estudantis na Paraíba, e editar “O Ano que Ficou – 1968 – Memórias Afetivas”, a cujo lançamento compareci. Convidado pelos organizadores Washington Rocha e Telma Dias Fernandes, participei também de um debate a respeito, ao lado do historiador José Octávio de Arruda Mello e da professora Lourdes Meira. Minhas observações nessa oportunidade vão aqui rememoradas, com alguns complementos.
Meu tempo de militância estudantil foi bem anterior – anos 1961/62 – em clima de liberdade e prestígio para a UNE, nossa entidade representativa. Tínhamos fácil acesso ao Presidente da República, os ministros da educação nos convocavam para conversas, políticos nos cortejavam, escritores e artistas como Ferreira Gullar, Oduvaldo Viana Filho, Cacá Diegues, Leon Hirzmann, Arnaldo Jabor, viviam próximos de nós e nos assessoravam. Na crise da renúncia de Jânio Quadros, nossa sede ficou conhecida como “a casa da resistência democrática”. E já no fim do mandato, de volta à Paraíba, depois de um périplo pelo mundo socialista, em congressos estudantis, cheguei a viver também um curto episódio de engalfinhamento com a polícia e prisão, quando tentamos fazer, “na marra” uma manifestação contra as ameaças americanas de invasão a Cuba. Mas não tínhamos o poder de mobilização que os estudantes paraibanos, especialmente os secundaristas, demonstraram nos idos de 1968, talvez simplesmente por uma questão de conjuntura política.
Já casado e morando no Recife, tinha notícia dessas manifestações através da participação da minha irmã Yara, dez anos mais jovem, e do primo Eric, estudante de Medicina. Eram mobilizações quase diárias, frementes de revolta contra o governo militar, sobretudo após a morte do estudante Edson Luís, no Rio. O Governador do Estado, João Agripino, apesar de merecer a confiança dos militares, tinha espírito independente e preocupações democráticas. Procurava dialogar, fazia apelos à garotada, pelo rádio, mas a indignação e a revolta da juventude eram fortes demais. E a polícia entrava em cena. Nem mesmo o meu amigo Paulo Pontes, homem de teatro, que lá se encontrava produzindo o espetáculo “Paraí-b-a-bá”, no modelo do “Liberdade, Liberdade”, de Flávio Rangel e Millor Fernandes, e tinha prestígio e livre acesso ao Chefe do Executivo, foi feliz na intermediação em favor dos manifestantes. Mas o povo os apoiava, acolhendo em suas casas os fugitivos, na hora da repressão. Exemplo ilustrativo foi o da Aliança Francesa, que ficava no Parque Solon de Lucena, centro das agitações, quando a “madame” disfarçou jovens refugiadas, fazendo-as parecer pacatas alunas em classe, ante os policiais invasores.
Dos depoimentos constantes do livro, merece destaque o reconhecimento ao advogado Nizi Marinheiro, que, como Paulo Cavalcanti em Pernambuco e alguns outros Brasil afora, prestou-se a defender gratuitamente os jovens rebeldes. E para quem não o conheceu, faço questão de registrar seu passado heroico. Ele era sargento do Exército, e instrutor de armamentos. Um dia, fazendo demonstração com uma granada para uma tropa de recrutas, em campo aberto, viu de repente que o pino da granada havia saltado. Gritou para que todos se deitassem, ergueu bem alto o braço, e a granada despedaçou-lhe a mão. Com a reforma, fez-se advogado e, sempre com o respeito dos seus conterrâneos, converteu-se em patrono de causas nobres.
Fiz, no entanto, um reparo à atitude da maioria dos depoentes. Com a exceção de um deles – Assis Fernandes de Carvalho – não fizeram autocrítica em relação ao quixotismo – sem qualquer tom pejorativo – daqueles que, após caída a noite do AI-5 e do Decreto 477, mergulharam na clandestinidade e na luta armada. Era evidente para os espíritos mais maduros e vividos ser aquele um descaminho, que acabou ceifando a vida de tantos idealistas. Pela ausência de “”condições objetivas” (para usar o jargão da época), seria, como foi, um “combate nas trevas”, sem perspectivas nem esperança, apesar do heroísmo dos combatentes. Cabe aqui a indagação do Presidente Epitácio Pessoa, ao visitar no hospital os sobreviventes do levante do Forte de Copacabana, em 1922, um deles agonizante:
– “Por que tanta bravura, por uma luta inglória?”
As memórias, como já observei em outros escritos, só têm maior valor pela sinceridade, pela isenção, até pela humildade dos seus autores. Por isso, sugiro uma revisão de conceitos, um “mea culpa” talvez doloroso para os optantes da luta armada, naquele contexto histórico. O Partido Comunista Brasileiro sempre defendeu a tese de que guerrilhas, rurais ou urbanas, não seriam o caminho para a reconquista do poder, no Brasil. A linha de ação deveria ser um paciente trabalho de conscientização e mobilização das massas e formação de alianças políticas com todos os opositores do Golpe Militar, inclusive políticos liberais. Não se tratava, pois, de derrubar a ditadura, mas de derrotá-la, como constava dos seus manifestos clandestinos da época. Escaldados com a aventura de 1935, forjados por anos de cadeia e vida subterrânea, os velhos militantes do PCB eram depreciados pelos “carbonários”, na expressão adotada por Alfredo Sirkis. E é forçoso admitir hoje que o “Partidão” estava certo. A ditadura militar não foi derrubada: foi derrotada por um conjunto de fatores, envolvendo uma conjuntura internacional desfavorável aos regimes de exceção, um paciente trabalho de “costura” política, uma mobilização de massas sob as bandeiras das eleições diretas e da livre manifestação do pensamento. Há que se fazer justiça àqueles que, mesmo pacíficos, pagaram alto preço pela resistência aos usurpadores do poder popular, alguns com a própria vida, como Davi Capistrano, Hiram Pereira e Luís Maranhão, mortos sem sepultura.
Por fim, com as lições recentes da História, colhidas com a queda do muro de Berlim, a dissolução da União Soviética, a unificação das duas Alemanhas, a degradação monstruosa da Coreia do Norte, a “esclerose” do regime cubano, cabe aos que preservam o sentimento da fraternidade e o sonho de uma sociedade mais justa, apesar de tudo, refletir sobre as bandeiras que lhes restam. E a minha proposta é simples: EDUCAÇÃO. Educação para todos, em iguais condições para os filhos dos burgueses e dos proletários, para as crianças de classe média e as dos novos deserdados das periferias urbanas. Só se pode perseguir uma sociedade mais igualitária dando as mesmas oportunidades a todos, e não distribuindo esmolas, sem qualquer contrapartida, nem franqueando espaços àqueles que, por motivos alheios à sua vontade, não estão circunstancialmente preparados para ocupá-los.
Domínio estatal dos meios de produção, ditadura (ou, segundo Gramsci, hegemonia) do proletariado, partido único, controle das comunicações a pretexto de oposição à “imprensa burguesa”, nada disso prevalece em um mundo que está a anos-luz daquele observado pelos velhos teóricos do marxismo, há bem mais de um século. Só o lema da educação universalizada permanece. É a lição a ser aprendida pelos manifestantes de 1968 e pelos combatentes das trevas, a quem presto minhas reverências.
sábado, 23 de setembro de 2017
1968 revive no Liceu Paraibano
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
A onda conservadora e os imperativos do progresso
A ideia-força do Iluminismo - corrente de pensamento que, mais que qualquer outra, influenciou a construção da democracia moderna - é o progresso. Reagindo aos excessos da Revolução Francesa, de matriz iluminista, afirmou-se o pensamento conservador, principalmente com o irlandês Edmund Burke. E vejam: se o Iluminismo - com Locke, Monstesquieu, Rousseau, Voltaire, Kant e tantos outros - tem sido excelente escola político-filosófica, o pensamento conservador é também deveras apreciável. Tenham curiosidade e vão ler: além de Burke, dentre outros, Ayan Rand, Raymond Aron, Thomas Sowell, Roger Scruton.
Se as ideias progressistas do Iluminismo impulsionaram as modernas democracias, o conservadorismo também nelas se firmou. Parece paradoxal, mas não é; é complementar. Tão complementar que nas democracias a cena mais comum é a alternância de poder entre partidos de feição progressista e partidos de feição conservadora. Portanto, se há uma onda conservadora no Brasil, não deve ser motivo de aflição. Vejam esse exemplo: a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, consagrada líder da democrática União Europeia, é dirigente da conservadora CDU (União Democrata-Cristã). As eleições na Alemanha estão marcadas para o dia 24 deste corrente mês de setembro. Merkel está em disputa acirrada com Martin Schulz, do progressista SPD (Partido Social-Democrata). No caso de permanência da UCD ou de vitória do SPD, a Alemanha continuará democrática; e, tudo indica, próspera.
O progresso é um imperativo das sociedades. E significa, na linha do pensamento iluminista, uma mudança para melhor. Por outro lado, o pensamento conservador assim se chama porque enfatiza a obviedade de que sempre haverá instituições e valores que se devem conservar. Auguste Comte, pai do Positivismo, expôs isso em uma fórmula singela: "Progredir é conservar melhorando".
Dizer que há uma onda conservadora no Brasil não explica muito. Pode ser uma onda conservadora ruim, mas pode ser uma onda conservadora boa. O progresso é excelente coisa, mas em nome do progresso já se produziu muito atraso. Será excelente que venha sobre o Brasil uma onda progressista, mas no sentido iluminista originário, de uma mudança para melhor. Enfim, em relação a qualquer onda na sociedade, é preciso atentar menos no nome que lhe dão e mais no seu sentido e direção.